Embrapa Amazônia Oriental
Sistemas de Produção, 04
ISSN 1809-4325 Versão Eletrônica
Dez./2005
Sistema de Produção do Açaí
Sumário
Início

Apresentação
Introdução e importância econômica
Composição química do açaí
Sistema de produção
Cultivo de açaizeiro em terra firme
Irrigação
Modelos de manejo
Pragas e métodos de controle
Noções básicas para o uso de agrotóxicos
Colheita e pós-colheita
Processamento embalagem e conservação
Mercado e comercialização
Coeficientes técnicos, custos, rendimentos e rentabilidade
Referências
Glossário
Autores
Expediente
  Cultivo de açaizeiro em terra firme
 

Cultivo de açaizeiro em terra firme

O preparo da área deve contemplar a roçagem, manual ou mecanizada, e as operações de limpeza e de preparo do solo executadas durante o período da estiagem. Quando o cultivo do açaizeiro for em consorciação com culturas de ciclo curto, visando à amortização de custos, é aconselhável o preparo do solo de forma mecanizada.

Abertura de covas e plantio

As covas devem ter as dimensões de 40 x 40 x 40 cm e podem ser feitas com draga, enxadeco ou perfuratriz acoplada à tomada de força de trator. Essa operação é realizada no início do período mais chuvoso, para que as mudas se beneficiem da umidade do solo e possam ter um bom desenvolvimento inicial.

No plantio, a porção de terra da camada superior da cova (20 cm) é misturada com 200 g de superfosfato triplo e 5 litros de cama de aviário ou 10 litros de esterco de curral curtido. Essa mistura retornará à cova que, após o plantio da muda, será devidamente preenchida com o solo da camada inferior, sob pequena pressão para evitar a formação de bolhas de ar e posterior apodrecimento das raízes. No momento do plantio, a muda é retirada do saco de plástico, preservando o torrão inteiro. O coleto da muda deve ficar ao nível do solo.

Cultivo solteiro

O espaçamento entre as plantas tem influência sobre a taxa de sobrevivência, crescimento, práticas culturais ou manejo, início da produção e produtividade, com reflexos sobre o custo do processo de produção.

Para produção de frutos, o espaçamento recomendado para o açaizeiro é o de

5 x 5 m ou, alternativamente, os espaçamentos de 5 x 4 m e 6 x 4 m, com manejo de 3 a 4 estipes por touceira. Na Tabela 1, são propostos os números de plantas e de estipes por hectare, de acordo com o espaçamento e o manejo de touceiras adotados.

Tabela 1. Número de plantas e de estipes por hectare, segundo o espaçamento e manejo adotados no plantio do açaizeiro.
Espaçamento
(m)
Plantas por
hectare
Estipes por
touceira
Estipes por
hectare
5x5
5x5
5x5
6x4
6x4
6x4
400
400
400
416
416
416
3
4
5
3
4
5
1.200
1.600
2.000
1.248
1.664
2.080
Fonte: Embrapa Amazônia Oriental

A adoção desses espaçamentos propicia bom desenvolvimento em diâmetro; reduz a altura das plantas, minimizando os riscos de tombamento, pela ação de ventos fortes; e facilita a operação de colheita.

Embora seja pouco utilizado, é possível arranjar as plantas de açaizeiro no espaçamento de 5 x 5 m, dispostas em forma de triângulos eqüiláteros (quincôncio), que permite a densidade de 460 plantas por hectare, mantendo de 3 a 4 estipes por touceira.

Cultivos associados e consorciados

Nos plantios com associação de culturas, há a necessidade de ser aumentado o espaçamento entre as linhas de açaizeiro, para evitar a competição entre as raízes e as copas das plantas. Nesse caso, pode ser adotado o espaçamento mínimo de 7 x 4 m (357 plantas/hectare), com o plantio de outra cultura nas entrelinhas. As linhas de plantio de açaizeiro devem ser dispostas no sentido nascente-poente.

Por outro lado, considerando que nos cultivo solteiros são recomendados os espaçamentos de 5 x 5 m, tanto para o açaizeiro como para o cupuaçuzeiro (Theobroma grandiflorum (Willd. Ex-Spreng.) Schum.), a consorciação dessas culturas exige, para que seja mantida a luminosidade necessária, garantindo bons níveis de produção do cupuaçuzeiro (cultura de porte mais baixo), o arranjo que distribua as plantas dessas espécies nos espaçamentos de 5 x

10 m (Fig. 1). Para alguns especialistas, quando ocorre modificação dos espaçamentos das culturas envolvidas, o consórcio passa a ser uma associação de plantas. Enquanto isso, nos consórcios são preservados os espaçamentos recomendados para a cultura principal que, no caso do açaizeiro, é 5 x 5 m.
A associação ou consorciação com outras culturas anuais ou semiperenes, durante a fase de implantação e crescimento do açaizeiro, propicia renda ao produtor nos primeiros anos de estabelecimento do açaizal. Esses arranjos permitem que essa palmácea se beneficie dos tratos culturais e dos fertilizantes, químicos e orgânicos, aplicados para suprir as necessidades das culturas anuais e perenes.

Os arranjos de cultivos mistos de açaizeiro, quando duas ou mais espécies compõem o sistema agroflorestal, possibilitam situações mais vantajosas que na monocultura, notadamente quanto há diversificação e distribuição da produção, racionalização do uso de mão-de-obra e maior equilíbrio ambiental.

Foto: Oscar Lameira Nogueira

Fig. 1. Croqui da associação de açaizeiro e cupuaçuzeiro.
Fonte: Bastos, 1972; Bastos et al. 1986

Dentre os sistemas de associações e consorciações praticados e recomendados para a região, podem ser destacados os plantios, em terra firme, do açaizeiro com espécies anuais _ caupi (Vigna unguiculata (L.) Walp.), milho (Zea mays L.) (e mandioca ou macaxeira) _ durante o 1o ano, e semiperenes _ maracujazeiro (Passiflora edulis Sims.), bananeira (Musa spp.), mamoeiro (Carica papaya L.) e abacaxizeiro (Ananas comosus (L.) Merril) _ até o 3o ano. Essas práticas permitem a redução dos custos de implantação dos açaizais.

O açaizeiro também pode ser consorciado com espécies perenes, como o cupuaçuzeiro, cacaueiro (Theobroma cacao L.) e cafeeiro (Coffea spp.). Os arranjos espaciais das culturas consorciadas podem, ainda, permitir o plantio de 20 a 25 essências florestais por hectare, contribuindo para recuperar, preservar e valorizar o ecossistema.

Associação de açaizeiro e cupuaçuzeiro, com o maracujazeiro como cultura semiperene (Fig. 2).

Foto: Oscar Lameira Nogueira

Fig. 2. Croqui da associação de açaizeiro e cupuaçuzeiro, com o maracujazeiro como cultura semiperene.
Fonte: Bastos, 1972; Bastos et al. 1986

Esse sistema possibilita, ao agricultor, dispor de receita durante o ano inteiro, com bom nível de produtividade do açaizeiro, no período de junho a fevereiro, e do cupuaçuzeiro, de novembro a maio. O aumento do espaçamento, entre as touceiras de açaizeiro, garante incidência de luz, em torno de 80%, sem nenhum prejuízo à frutificação das plantas de cupuaçuzeiro.

Associação de açaizeiro e cupuaçuzeiro, com a bananeira como cultura semiperene (Fig. 3).

Foto: Oscar Lameira Nogueira

Fig. 3. Croqui da associação de açaizeiro e cupuaçuzeiro, com a bananeira como cultura semiperene.
Fonte: Bastos, 1972; Bastos et al. 1986

- Observação: Após o 3o ano, são eliminadas as bananeiras das linhas de cupuaçuzeiro, na direção nascente-poente (1), sendo mantida a densidade de 700 plantas/hectare durante 1 ano e 6 meses. Após o 2o desbaste, são eliminadas as bananeiras das linhas de açaizeiro, sentido norte-sul (2), e, finalmente, são mantidas 300 touceiras/hectare.

Associação de açaizeiro e cupuaçuzeiro, com a macaxeira ou mandioca como cultura anual (Fig. 4a/4b).

Consorciação de açaizeiro e maracujazeiro como cultura semiperene (Fig. 5).

Foto: Oscar Lameira Nogueira


Fig. 4a.
Croqui da associação de açai-zeiro e cupuaçuzeiro, com o primeiro cultivo de macaxeira ou mandioca como cultura anual.
Fonte: Bastos, 1972; Bastos et al. 1986
Foto: Oscar Lameira Nogueira

Fig. 4b. Croqui da associação de açaizeiro e cupuaçuzeiro, com os cultivos (2o ao 4o ano) de macaxeira ou mandioca, como cultura anual.
Fonte: Bastos, 1972; Bastos et al. 1986

 

Foto: Oscar Lameira Nogueira
Fig. 5.
Croqui da consorciação de açaizeiro e maracujazeiro como cultura semiperene.
Fonte: Bastos, 1972; Bastos et al. 1986

Consorciação de açaizeiro com bananeira (Fig. 6).

Foto: Oscar Lameira Nogueira

Fig. 6.
Croqui da consorciação de açaizeiro e bananeira, como cultura semiperene (A = cultivo até o 2o ano; B = cultivo após o 3o ano, com desbaste).
Fonte: Bastos, 1972; Bastos et al. 1986

Consorciação de açaizeiro com a macaxeira ou mandioca (Fig. 7).

Foto: Oscar Lameira Nogueira

Fig. 7.
Croqui da consorciação de açaizeiro e macaxeira ou mandioca, como cultura anual, cultivos do 1o ano (A) e 2o ano (B).
Fonte: Bastos, 1972; Bastos et al. 1986

Na Tabela 2, são apresentadas as estimativas de produtividades das espécies associadas ou consorciadas com o açaizeiro.

Tabela 2. Produtividades (t/hectare) estimadas de açaizeiro e de espécies associadas ou consorciadas.
Cultura Espaçamento Anos após plantios
1 2 3 4 5 6
Açaizeiro (frutos)

5 x 5 m (3)1
5 x 10 m (4)1
10 x 10 m (5)1

-
-
-
-
-
-
4,00
4,00
4,00
5,60
3,00
2,00
8,80
5,00
3,00
12,00
7,00
4,50
Cupuaçuzeiro (polpa)

5 x 5 m
5 x 10 m
10 x 10 m

-
-
-
-
-
-
0,60
0,60
0,60
0,96
0,96
0,96
1,44
1,44
1,44
1,80
1,80
1,80
Maracujazeiro (frutos) 2 (3 x 5 m) x 2 m - 17,00 - - - -
Bananeira (cachos) 2,5 x 2,5 m
2,5 x 5,0 m
5,0 x 5,0 m
-
-
-
22,90a
17,50b
-
41,70a
31,00b
-
-
32,30a
23,00b

-
12,30a
-
-
-
10,50a
Macaxeira ou mandioca
(raízes)
4 (1 x 1 m) x 2 m
3 (1 x 1 m) x 3 m
20, 80
-
-
-
15,10
-
15,10
-
15,10
-
-
1Números de estipes por touceira.
a,b Produtividades seqüenciais a partir de espaçamentos modificados por desbastes.
Fonte: Embrapa Amazônia Oriental

Fatores que interferem nas associações e consorciações de plantas

- Direção nascente-poente. Conhecido como caminho do sol, permite melhorar a eficiência no aproveitamento da radiação solar pelas plantas consorciadas.

- Arquitetura e envergadura da copa. Nas espécies que crescem por lançamentos de ramos laterais ou plagiotrópicos (ex. freijó cinza, Cordia goeldiana Huber) com grandes dimensões, os ramos mais baixos são eliminados, gradativamente, à medida que surjam novos lançamentos. Com essa prática é facilitada a entrada lateral da luz solar.

- Densidade da copa. Espécies de plantas com copa muito densa não se prestam para consórcio ou, quando muito, são usadas em pastagem, dispostas em grandes espaçamentos.

- Altura. Geralmente as plantas perenes consorciadas devem ter alturas diferentes, para que as copas ocupem estratos diferenciados.

- Exigência de luz. As plantas que suportam certo grau de sombreamento são as mais recomendadas para o estabelecimento de consórcios. O cupuaçuzeiro, por exemplo, não tem a sua produtividade afetada com até 20% de sombreamento.

- Época de produção. As espécies consorciadas, preferencialmente, devem ter épocas diferentes de produção. No entanto, considerando a necessidade da geração de receitas para o agricultor, é importante que uma dessas espécies possa ter a sua produção distribuída durante todo o ano (Fig. 8).

Foto: Oscar Lameira Nogueira

Fig. 8.
Distribuição percentual da produção de frutos de açaizeiro e de cupuaçuzeiro durante o ano na microrregião de Belém, PA.
Fonte: Bastos, 1972; Bastos et al. 1986

- Época de adubação. Quando há diferenciação de épocas de florescimento das plantas, as adubações são efetuadas três vezes por ano, sempre regida pelo período chuvoso.

- Freqüência de adubação. As espécies que têm perfilhos em crescimento (bananeira) e com lançamentos mensais de folhas e cachos (açaizeiro), são adubadas a cada 2 meses.

- Doses de adubos a aplicar. O adubo é ministrado de acordo com a idade das plantas. As doses mais elevadas são ministradas gradativamente.

- Manejo das espécies. Nos consórcios triplos há necessidade da realização de desbastes, retirada de folhas e podas, ou o raleamento (densidade menor) ou a eliminação de uma das espécies.

Adubação

As informações sobre a adubação do açaizeiro, em terra firme, ainda são de pouca consistência do ponto de vista de resultado conclusivo de pesquisa. Os agricultores pioneiros no plantio de açaizeiro, em terra firme, têm utilizado práticas de adubação de seus açaizais que, se não estão corretas sob o ponto de vista técnico, lhes permitem produzir frutos de açaizeiro de forma rentável.

De acordo com o que vem sendo praticado nos sistema de produção, há certo desperdício de nutrientes, contornáveis por meio de resultados de análise de solo, técnica bastante difundida e adotada pelo segmento produtivo, e de análise de tecido foliar (técnica ainda em desenvolvimento), que permitem a realização de ajustes nas doses de nutrientes a serem aplicadas nos açaizais.

A princípio serão indicadas, com base nas informações disponíveis, no andamento dos estudos experimentais e nas experiências do setor produtivo, as doses de nutrientes teoricamente compatíveis com as necessidades do açaizeiro, em cultivos solteiros, associados ou consorciados.

Adubação para cultivo solteiro

Quando do plantio, são aplicados, na cova, 10 litros de esterco de gado e 200 g de superfosfato triplo. No decorrer do ano, são efetuadas mais 3 aplicações de adubos, constituídas de 100 g do formulado químico 10-28-20 (NPK), distribuídas em cobertura circular a 30 cm em torno da planta.

No 1o ano após o plantio, são aplicados 150 g do formulado 10-28-20, à distância de 50 cm da touceira. Nessa ocasião, juntamente com a adubação química, distribuir, também, 10 litros de esterco de gado.

No 2o ano após o plantio, as plantas de açaizeiro são adubadas com 3 aplicações de 200 g do formulado 10-28-20 e mais 20 litros de esterco de gado, distribuídos num raio a 100 cm da touceira.

A partir do 3o ano após o plantio, quando as plantas tiverem iniciado a fase produtiva, é aumentada a oferta de potássio nas 3 aplicações (início, meio e final do período chuvoso), compostas de 290 g do formulado 10-28-20(NPK), mais 110 g de cloreto de potássio e 20 litros de esterco de gado à distância de 150 cm da touceira. Na última aplicação anual, é recomendável disponibilizar de 10 a 20 g de bórax, por touceira, na área do coroamento.

Adubação prática para cultivos associados e consorciados

- Açaizeiro: Na cova de plantio, são aplicados 10 litros de esterco e mais

200 g de superfosfato triplo. No ano do plantio, a cada 2 meses, são aplicados 50 g da mistura composta de 5 partes do formulado 10-28-20(NPK) e mais 2 partes de cloreto de potássio.
Nos anos seguintes, a cada 2 meses, são feitas adubações com 100 g (1o ano), 150 g (2o ano), 200 g (3o ano) e com 250 a 300 g (a partir do 4o ano) da mistura (5 partes do formulado 10-28-20 e mais 2 partes de cloreto de potássio). A partir do 3º de cultivo, não haverá a necessidade da aplicação de matéria organica, mas nas adubações químicas devem ser guardadas as mesmas distâncias das touceiras previstas para o 3º ano dos cultivo solteiro do açaizeiro.

- Cupuaçuzeiro: Quando do plantio, são aplicados, na cova, 10 litros de esterco de gado e 200 g de superfosfato triplo. No decorrer do ano, a cada 2 meses, são aplicados, em torno da planta, 50 g do formulado 10-28-20(NPK).

No 1o ano, após o plantio do cupuaçuzeiro, são aplicados de 10 a 20 litros

de cama de aviário, mais 100 g de FTE (Fritted Trace Elements) Br 13 (início das chuvas) e 6 aplicações, espaçadas de 2 meses, de 100 g do formulado 10-28-20 (NPK).

No 2o ano após o plantio, são aplicados de 10 a 20 litros de cama de aviário e 100 g de FTE Br 13 (início das chuvas), de 900 a 1.200 g do formulado

10-28-20, divididos em 3 parcelas iguais, aplicadas no início, meio e fim do período chuvoso, e 30 g de bórax aplicados no final do período chuvoso.
A partir do 3o ano, são aplicados de 10 a 20 litros de cama de aviário e 100 g de FTE Br 13 (início das chuvas), 1.500 g do formulado 10-28-20, divididos em 3 parcelas iguais, aplicadas no início, meio e fim do período chuvoso, e

30 g de bórax, no final do período chuvoso.
- Maracujazeiro: Na cova de plantio são aplicados 10 litros de esterco + 200 g de superfosfato triplo. Do 10 ano após o plantio em diante, são usados de 10 a 20 litros de esterco aplicados a cada 6 meses.

- Bananeira: Na cova, antes do plantio, são colocados 10 litros de esterco e 200 g de superfosfato triplo. No 1o ano, são aplicados, a cada 2 meses, 200 g da mistura constituída de 5 partes do formulado 10-28-20 e 2 partes de cloreto de potássio. A partir do 2o ano, são aplicados de 10 a 20 litros de esterco a cada 6 meses.

- Macaxeira ou mandioca: Aos 30 dias do plantio, é colocado, por cova, 1 litro de esterco de gado e mais 25 g do formulado 10-28-20.

Nas adubações praticadas pelo agricultor, com a aplicação do formulado

10-28-20, ocorre certo desperdício de nutrientes, principalmente do fósforo (P2O5). No entanto, a argumentação básica de seu uso está associada ao custo de compra, pois a diferença é mínima em relação aos outros formulados disponíveis no mercado, como os 14-14-14 ou 10-10-10. No entanto, também é importante considerar os aspectos técnicos do equilíbrio entre os nutrientes, para não haver distúrbios no crescimento e na produção, e os aspectos ambientais que o desequilíbrio nutricional pode provocar.
Adubação compatível às necessidades da cultura

A seguir são descritas recomendações de ordem técnica, com indicações que possam definir os níveis de adubação, a serem adotados em plantios de açaizeiro em área de terra firme, do Estado do Pará.

Calagem

Com antecedência mínima de 90 dias do plantio das mudas no campo, são coletadas amostras compostas de solos, para análise e definição das recomendações de quantidades de calcário a serem aplicadas, de modo que a saturação por bases atinja a 60%. Para o cálculo da necessidade de calcário (NC) é utilizada a seguinte fórmula:

onde:

NC = Necessidade de calcário em tonelada por hectare;

T = capacidade de troca de cátions; T = S + (H + Al+3);

S = (K+Ca+Mg+Na);
V1 = valor da saturação por bases do solo antes da correção;

V2 = valor da saturação por bases desejada (60%);

PRNT = Poder Relativo de Neutralização Total do Calcário.

A calagem deverá ser realizada pelo menos 2 meses antes do plantio.

Adubação

Incorporar na cova, com dimensões de 40 x 40 x 40 cm, 10 litros de esterco de curral curtido ou 3 litros de esterco de galinha, 10 g por planta de FTE BR 13 e a dose de fósforo da Tabela 3 (1o ano), conforme os resultados da análise do solo. A partir do 2o ano, são aplicados 20 g de FTE Br 13 por planta e as quantidades de N, P e K, indicadas nessa tabela, definidas com base nos resultados da análise do solo.

Até o 1o ano, é utilizado o superfosfato triplo como fonte de fósforo (P2O5) e, a partir do 2o ano, é recomendável usar o fosfato natural. A dose de magnésio (MgO) aplicada corresponde a 1/3 da recomendação da dose de potássio (K2O) indicada na Tabela 3.

Tabela 3. Recomendação de adubação para o açaizeiro cultivado em terra firme, em função da análise do solo.
Idade N
P no solo (mg dm -3)
K no solo (mg dm -3)
0-10 11-20
>20
0-40
41-90
>90
P2 O5
K2O
g/touceira
1 ano
2 anos
3 anos
4 anos
5 anos
6 anos
7 anos
30
60
70
80
90
100
110
45
75
90
100
110
120
130
30
45
60
75
90
105
115
15
30
45
60
75
90
105
50
70
120
150
180
210
240
30
50
70
90
110
130
150
15
25
35
45
55
65
75
Fonte: Embrapa Amazônia Oriental

É importante executar, antes da adubação, o coroamento das plantas, para que os fertilizantes possam ser bem aproveitados.

A época de adubação está estreitamente relacionada com as características climática, as quais influenciam, não só a absorção dos nutrientes pelas plantas, como também as condições de umidade do solo mais apropriadas, para melhor aproveitamento dos fertilizantes. A época mais propícia para aplicação dos fertilizantes é no início das chuvas ou no final da estação chuvosa, quando a precipitação pluviométrica começa a diminuir de intensidade. Os fertilizantes fosfatados são aplicados de uma só vez, no início do período chuvoso.

As áreas de terra firme da Amazônia possuem solos de baixa fertilidade química, mas possuem boas características físicas, como aeração, drenagem, consistência, profundidade e estrutura, e respondem bem às adubações com elementos nutritivos. Por outro lado, a alta pluviosidade e temperatura elevada, dão condições favoráveis à atividade microbiana no solo, provocando o desgaste da matéria orgânica e, com isso, necessitando de aplicação de adubos orgânicos, para propiciar a fixação dos elementos químicos, assim como para manter a cultura em condições de produzir satisfatoriamente.

Nas áreas submetidas ao clima Afi, a adubação é realizada a cada 2 meses, dentro do período chuvoso, após o plantio das mudas no campo. É aconselhável manter esse esquema de adubação nos 3 primeiros anos. Nas áreas de clima Ami e Awi, a adubação é realizada a cada 2 meses e haverá a necessidade de irrigação das plantas. A primeira adubação anual coincide com o início da estação mais chuvosa.

Os adubos nitrogenados, potássicos e magnesianos, são parcelados em duas aplicações. Aplicar 70% dos nitrogenados no início das chuvas e os 30% restantes, no final da estação chuvosa, no caso dos potássicos é recomendada a aplicação de 35% do total no início das chuvas e, os 65% restantes, ao final do período chuvoso.

Controle de plantas invasoras

O controle das plantas invasoras pode ser realizado de forma integrada, combinando os diferentes métodos de caráter prático com os tradicionais:

Controle preventivo

Devem ser evitadas as práticas que contribuam para espalhar as sementes de plantas invasoras. Alguns cuidados devem ser tomados, como a limpeza dos tratores, maquinas e implementos agrícolas; usar esterco ou matéria orgânica fermentados; utilizar mudas isentas de plantas invasoras; proceder adequado preparo do solo, com a eliminação das plantas indesejáveis.

Controle manual

Prática realizada com maior freqüência sob condições de viveiro, e consiste de atividade identificada como a monda. Em condições de campo, são comuns as capinas, roçagens e arranquíos, notadamente em áreas onde ainda persistem as plantas invasoras.

Na fase inicial do crescimento do açaizeiro, é aconselhável a realização do coroamento que consiste de capina ou roçagem baixa, efetuada em torno das touceiras, para a eliminação das plantas invasoras, evitando a concorrência e o sombreamento prejudiciais para as plantas novas.

Controle mecânico

O uso de roçadeira rotativa ou grade, acoplada ao trator, é indicado para controlar as plantas invasoras que se reproduzem sexuadamente, e deve ser executado antes do início da produção de sementes. Quando as invasoras se reproduzem por rebrotamento, raízes ou batatas, não deve ser utilizada a grade, principalmente no período chuvoso, pois contribui para aumentar a infestação nas áreas cultivadas.

Visando reduzir custos de manutenção, pode ser realizada a roçagem, mecânica ou manual, das linhas de plantio, deixando as entrelinha para serem roçadas, mecanicamente, somente no período menos chuvoso. Por outro lado, também pode ser realizado o coroamento em torno das touceiras, deixando a roçagem geral para ser realizada durante o período de estiagem.

Controle físico

É realizado pela cobertura do solo utilizando serragem, casca de arroz (Oryza sativa L.) ou outros materiais orgânicos. Esses materiais são distribuídos em forma de coroamento, ocupando a área de projeção da copa da planta. Entre os materiais orgânicos devem ser evitados os capins secos com semente, pois concorrem para aumentar a ocorrência de espécies de gramíneas e ciperáceas invasoras.

Como cobertura viva podem ser utilizadas, a partir do 1o ano da implantação do açaizal, nas entrelinhas de plantio, algumas plantas da família das leguminosas. Na associação com o açaizeiro, a leguminosa deve ter as seguintes características: boa adaptação às condições locais, porte herbáceo, ciclo anual ou perene, hábito decumbente, produzir sementes e, principalmente, ter persistência após a roçagem, de modo a renovar constantemente a biomassa para cobrir e proteger o solo. Um benefício adicional da utilização de leguminosa é a de possibilitar a fixação simbiótica de nitrogênio atmosférico.

Controle químico

Realizado com uso de herbicidas específicos para o controle de gramíneas que possam ocorrer na área (ex.: glifosato a 1% que equivale a 200 mL diluídos em 20 litros de água). No comércio existem outros herbicidas e as dosagens são aplicadas de acordo com a recomendação contida nas embalagens dos produtos. Para que essa prática seja eficaz, sob o ponto de vista técnico-econômico, deve ser levada em consideração a época de aplicação, a idade do plantio e a possibilidade de combinação com outros métodos de controle.

No caso específico de áreas cultivadas com o açaizeiro, o controle das invasoras deve ser realizado no início do período chuvoso. A aplicação do herbicida, misturado a um espalhante adesivo, deve ser realizada somente nas linhas de plantio, combinado com o controle mecânico no restante da área.

 
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