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Dentre
os fatores que comprometem a produção racional
do açaizeiro, pode ser destacada a ocorrência
de insetos. Com a expansão de cultivos comerciais na
Região Norte do Brasil, os problemas causados por esses
organismos têm surgido com maior evidência e aumentado
a preocupação quanto aos prejuízos que
vêm causando ao açaizeiro. Diversos insetos são
capazes de atacar o açaizeiro, desde a fase de sementeira
até o plantio adulto. As pragas que atacam o açaizeiro
ainda são pouco conhecidas, fato que dá importância
às informações sobre o assunto.
Principais pragas
a) Cerataphis lataniae Boisudval,
1867 (Heteroptera: Aphididae). Conhecida como o pulgão-preto-do-coqueiro,
ataca mais intensamente o açaizeiro no viveiro e durante
os 3 primeiros anos de vida no campo (Fig. 1).
Foto: Lindáurea
Alves de Souza

Fig. 1. Ataque
do pulgão-preto-do-coqueiro (Cerataphis lataniae)
em açaizeiro jovem. |
- Descrição: Esse pulgão
tem o formato circular, mede cerca de 2 mm de diâmetro,
tem a coloração quase preta e locomoção
lenta, podendo ser de forma alada ou sem asas. Excreta uma
substância adocicada que atrai vespas, moscas e, principalmente,
formigas, que impedem a presença de inimigos naturais
dessa praga. Ataca, preferencialmente, a flecha da palmeira
e a inserção das folhas jovens ao estipe.
- Ocorrência: No Brasil, ocorre
nos Estados do Amazonas, Bahia, Pará, Paraíba,
Pernambuco, Piauí, Minas Gerais, Rio de Janeiro, Maranhão,
Rio Grande do Sul, Santa Catarina e São Paulo.
- Sintomas: Esse inseto provoca o
atraso no desenvolvimento das mudas do açaizeiro, tornando-as
raquíticas e com as folhas amareladas, por causa da
seiva que tanto as ninfas como os adultos sugam para se alimentarem.
- Controle: No viveiro, o controle
é feito separando as mudas atacadas das sadias e os
insetos retirados manualmente com auxílio de um pano
umedecido em água. As mudas atacadas são mantidas
isoladas fora do viveiro e observadas, por cerca de 10 dias,
até que haja a certeza de que a praga foi completamente
eliminada, quando então poderão retornar ao
viveiro. Ainda não existe um método de controle
dessa praga no campo, por isso, deve haver o cuidado de não
levar mudas atacadas para o plantio definitivo.
b) Alleurodicus cocois (Curtis, 1846)
(Heteroptera: Alyrodiae). Conhecida por mosca branca causa
maior dano ao açaizeiro no viveiro, mas pode atacar
essa palmácea nos primeiros anos de vida no campo.
- Descrição: O adulto
se assemelha a uma pequena mosca, tem a cor branca, mede cerca
de 2mm de comprimento por 4mm de envergadura, possui 4 asas
membranosas e cobertas por uma secreção pulverulenta.
As ninfas medem cerca de 1mm de comprimento, têm coloração
amarelada, rodeada de serosidade branca e vivem na face inferior
da folha, onde excretam uma substância adocicada, proporcionando
o aparecimento de formigas e do fungo fumagina. As ninfas
e os adultos formam colônias e, na maioria das vezes,
ocupam toda a área dos folíolos.
- Ocorrência: A mosca branca
ataca um grande número de fruteiras e diversas palmeiras.
É encontra de Norte ao Sul do Brasil (Silva et al.
1968).
- Sintomas: Por se alimentar da seiva,
torna a planta amarelada, debilitada e depois clorótica,
atrasando o desenvolvimento e a produção, podendo
causar a morte do açaizeiro no caso de ataque severo.
Esse inseto favorece o aparecimento do fungo fumagina, que
provoca a diminuição na fotossíntese
da planta.
- Controle: Tanto no viveiro como
no campo, as medidas de controle são as mesmas propostas
para C. lataniae.
c) Atta spp. (Hymenoptera: Formicidae).
Conhecidas popularmente por saúvas, tanajura e formigas-saúvas,
atacam as plântulas do açaizeiro na sementeira,
as mudas no viveiro e as plantas nos primeiros anos de vida
no campo. No entanto, os ataques são mais drásticos
na sementeira e no viveiro, em virtude das folhas estarem
muito tenras (Fig. 2). As espécies mais comuns são:
A. laevigata (saúva-da-mata), A. cephalotes
(saúva-cabeça-de-vidro) e A. sexdens sexdens
(saúva-limão-do-norte ou formiga-da-mandioca).
- Descrição: São
insetos sociais que vivem em ninhos subterrâneos, onde
se alimentam e se reproduzem. O ninho é formado por
dezenas ou centenas de câmaras ou panelas, com comunicação
entre si por meio de galerias. No nível do solo, chamam
a atenção, pois formam montes de terra solta
com muitos orifícios (olheiros). As saúvas se
alimentam do fungo Gonylophora pholiota (Rhozitles)
Moeller, 1893, que são cultivados com folhas trazidas
pelas próprias saúvas para o interior do sauveiro.
- Ocorrência: Essas saúvas
são encontradas em todos os Estados do Brasil. A saúva-da-mata,
além do açaizeiro ataca diversas fruteiras;
a saúva-cabeça-de-vidro também ataca
diversas fruteiras, assim como o açaizeiro, coqueiro
(Cocos nucifera L.) e o dendezeiro (Elaeis guineensis
Jack.) e a saúva-limão-do-norte ou formiga-da-mandioca
ataca o açaizeiro e outras palmeiras e fruteiras.
Foto: Lindáurea
Alves de Souza

Fig. 2. Ataque
de saúvas (Atta spp.) em folhas jovens
de açaizeiro . |
- Sintomas: As saúvas cortam
os folíolos do açaizeiro no viveiro, provocando
o desfolhamento parcial ou total das mudas, concorrendo para
o atraso no desenvolvimento ou até mesmo a morte da
planta.
- Controle: Como controle preventivo
são observados os locais de instalações
dos viveiros. Devem ser evitadas as proximidades de áreas
de matas, pois são os ambientes preferidos das saúvas.
Outro fator a ser observado é se existem sauveiros
às proximidades e, quando se tratar de áreas
infestadas, esses são retirados e queimados, seguidos
de tratamento do solo com inseticida. Essas providências
são de grande importância, não só
antes da instalação do viveiro, como antecedendo
ao plantio do açaizeiro no local definitivo.
O controle químico com gases liquefeitos
(metil bromide) é o mais utilizado, mas podem ser aplicados
produtos líquidos (termonebulizáveis _ fenitrothion
e deltametrin) e iscas granuladas (diflubenzuron), que são
mais práticos, eficientes e econômicos.
As saúvas também podem ser controladas
por inimigos naturais, como fungos, nematóides, ácaros
parasitas, formigas predadoras e um coleóptero da família
Scarabaeidae, predador das rainhas (Della Lúcia, 1993).
Pode também ser feita a gradagem do terreno para destruir
os ninhos no solo.
d) Rhynchophorus palmarum Linnaeus,
1746 (Coleóptera: Curculionidae). Conhecida por broca-do-olho-do-coqueiro,
bicudo e broca-do-coqueiro (Fig. 3), ataca o açaizeiro,
no campo, a partir dos 3 anos de idade, quando as plantas
estão com o estipe suficientemente desenvolvido. Além
do açaizeiro, essa praga ataca outras palmeiras, principalmente
o coqueiro e o dendezeiro.
- Descrição: Essa praga possui
hábito diurno e, pelo seu tamanho, é facilmente
vista voando dentro de plantações atacadas.
A larva, completamente desenvolvida, mede 75 mm de comprimento
por 25 mm de largura, possui corpo recurvado de coloração
branco-cremosa. A pupa tem a coloração amarelada,
onde é possível observar todos os membros do
besouro adulto. O adulto recém emergido, depois de
algumas horas, começa a voar à procura de fêmea
para acasalar e uma palmeira para se alimentar. O adulto vive
de 45 a 60 dias e as fêmeas põem, em média,
250 ovos durante o seu ciclo de vida. Na fase adulta é
um besouro de cor preto-aveludada, medindo, em média,
5 cm de comprimento, sendo possível observar machos
e fêmeas em constantes acasalamentos, tanto no campo
como sob condições de laboratório (Bondar,
1940; Genty et al. 1978; Ferreira et al. 1998).
Foto: Paulo Manoel
Pontes Lins

Fig. 3. Adultos
(macho e fêmea) de broca-do-coqueiro (Rhynchophorus
palmarum). |
- Ocorrência: O gênero
Rhynchophorus é encontrado disperso por todo
o Brasil.
- Sintomas: O açaizeiro atacado
apresenta porte reduzido, folhas mais curtas e amareladas,
com o pecíolo bronzeado, redução do número
de folhas, redução ou ausência de cachos,
inflorescências abortadas e estipe com furos enegrecidos
junto à região da coroa. Quando o açaizeiro
está muito atacado, as folhas mais jovens são
mais curtas e não se abrem completamente, tomando o
formato de uma vassoura. Essa praga além de fazer enormes
galerias no estipe e na região da coroa foliar, bloqueando
a passagem dos nutrientes, provocando o enfraquecimento ou
até a morte da planta, propicia a entrada de microrganismos
como fungos, bactérias e vírus, ou insetos secundários
capazes de provocar novos danos. Além disso, é
o vetor do nematóide causador, nas palmáceas,
da doença conhecida por "anel-vermelho".
- Controle: As plantas decadentes
ou mortas, que são focos e servem de criadouro para
a broca-do-coqueiro, quando eliminadas concorrem para a redução
da ocorrência dessa praga. Também devem ser evitados
ferimentos mecânicos acentuados durante a colheita dos
cachos, para que os adultos não sejam atraídos
pela seiva exudada. Os estipes eliminados são cortados
em pedaços e queimados fora da plantação.
O uso de armadilhas é o método
mais seguro para o controle dessa praga e pode ser feita com
o aproveitamento de recipientes descartáveis de plástico
(20 litros), utilizados no envasamento de óleo para
máquinas agrícolas. A parte superior dos recipientes
é retirada e, no local, adaptada uma tampa de madeira,
com um furo de aproximadamente 10 cm ao centro, no qual é
fixado um funil feito com a parte superior de garrafa de plástico
descartável de refrigerante (2 litros), com a parte
afunilada voltada para dentro da armadilha, do modo a facilitar
a entrada do inseto. No interior da armadilha deve conter
iscas compostas por feromônio de agregação
sintético rincoforol (trocados a cada 3 meses), mais
6 roletes de cana de açúcar (20 cm cada, cortados
transversalmente). As armadilhas (Fig. 4) são colocadas
em moirões de madeira com 1 metro de altura e distribuídas
dentro do açaizal a cada 150 metros. A troca da cana deve ser feita a cada 15 dias,
ocasião em que será feita a coleta dos insetos
capturados (Silva et al. 1998).
Foto: Lindáurea
Alves de Souza
Fig. 4. Armadilha
para captura de adultos de broca-do-coqueiro. |
e) Mytilococcus (Lepidosaphis) bechii
(Newman, 1869) (Heteroptera: Diaspididae). Conhecida por escama
vírgula e cochonilha escama vírgula, ataca o
açaizeiro no viveiro e nos primeiros anos de vida no
campo.
- Descrição: Seu corpo é curvo,
semelhante a uma vírgula ou um marisco, a coloração
varia de marrom-clara a marrom-violeta. A fêmea põe
em média 50 ovos e mede cerca de 3 mm de comprimento
(Gallo et al. 1988).
- Ocorrência: Encontrada dispersa por todo
o Brasil.
- Sintomas: Essa praga se fixa ao
longo da nervura principal, na parte ventral dos folíolos.
Em decorrência de sua constante sucção
da seiva, a planta fica, inicialmente, com as folhas amareladas
e depois cloróticas, atrasando o seu desenvolvimento
e sua produção.
- Controle: Como não
existe nenhum inseticida registrado para o controle dessa
praga em açaizeiro, podem ser adotadas ações
preventivas, baseadas em cuidados de não instalar o
viveiro próximo a plantas atacadas por esse inseto,
para que não haja a possibilidade de ser levada planta
atacada para o local de plantio definitivo.
f)
Alleurothrixus floccosus (Maskell, 1895) (Heteroptera:
Aleyrodiae). Conhecida por mosca branca ou piolho farinhento,
ataca o açaizeiro no viveiro e as plantas jovens no
campo.
- Descrição: O adulto
dessa praga, pelo ao seu formato e a sua cor, é conhecida
por mosca branca e o corpo é recoberto por uma serosidade
esbranquiçada. As fêmeas põem os ovos
na face inferior da folha, e depois de 10 dias ocorre a eclosão
das ninfas. Tanto as ninfas como os adultos são facilmente
observados, pois são envolvidos por densa aglomeração
flocosa, formada por filamentos cerosos de cor branca, chegando
mesmo a cobrir toda a folha. Exudam um líquido açucarado,
favorecendo o aparecimento de formigas, moscas e do fungo
fumagina.
- Ocorrência: A mosca branca
é encontrada em todos os Estados do Brasil.
- Sintomas: Os folíolos, por
causa do sugamento da seiva, inicialmente, ficam amarelados,
depois a planta fica debilitada, atrasando seu desenvolvimento
e, conseqüentemente, a sua produção.
- Controle: Pode ser o mesmo descrito
para Alleurodicus cocois.
g) Eutropidacris cristata (L., 1758)
(Orthoptera: Acridiae). Conhecida por gafanhoto do coqueiro,
gafanhotão e tucurão (Fig. 5), ataca o açaizeiro
no viveiro e, principalmente, as plantas jovens no campo.
Foto: Lindáurea
Alves de Souza
Fig.
5. Ninfa do gafanhoto do coqueiro, gafanhotão
e tucurão (Eutropidacris cristata). |
-
Descrição: No Estado do Pará,
essa praga é conhecida por gafanhotão, mede
110 mm de comprimento, as asas anteriores são verde-pardacentas
e, as posteriores, esverdeadas com leve tonalidade azul. As
fêmeas põem os ovos no chão e, quando
emergem, recebem o nome de "mosquitos", após
atingirem certo desenvolvimento são chamados de "saltões",
cujas asas ainda são rudimentares, e só depois
alcançam a fase adulta.
-
Ocorrência: É encontrado em todos os Estados
da Região Norte e em extensas áreas das outras
regiões do Brasil.
-
Sintomas: Provoca a redução no desenvolvimento
da planta e, conseqüentemente, o atraso no início
da fase produtiva, pela voracidade com que as ninfas e os
adultos se alimentam. Outra maneira de ser detectado o ataque
desse gafanhoto, é pela observação de
grande quantidade de folíolos severamente cortados,
que ficam caídos no solo.
-
Controle: Deve ser feito com o uso de iscas colocadas
na vegetação rasteira junta às palmeiras,
quando o gafanhoto está, preferencialmente, no estádio
de "mosquito" ou mesmo "saltões",
pois nesses estádios vivem agregados para se protegerem.
As iscas são preparadas com a mistura de: 10 kg de
farelo de trigo, arroz ou milho; 0,5 kg de triclorfon 50%;
0,4 kg de açúcar mascavo; 0,8 kg de melaço;
e 6,5 L de água. Esses componentes são bem misturados,
até que seja alcançada a consistência
moldável de massa (Gallo et al. 1988).
h)
Synale hylaspes (Cramer, 1782) (Lepidoptera: Hesperidae).
Conhecida por lagarta-verde-do-coqueiro ou lagarta-verde,
ataca o açaizeiro (Fig. 6) no viveiro e nos primeiros
anos de vida no campo. Ataca também outras palmeiras
(Gallo et al. 1988).
-
Descrição: O adulto é uma borboleta
com 4,5 cm de envergadura, de cor prata com manchas brancas
e translúcidas nas asas anteriores, e branca, com a
extremidade amarelo-dourada, nas asas posteriores. A lagarta,
verde-clara brilhante, constrói seu abrigo unindo as
bordas do folíolo com fortes filamentos brancos, cujo
interior é revestido por um pó branco que também
lhe reveste, permanece no abrigo durante o dia, sai à
noite para se alimentar e usa, também, esse abrigo
para empupar (Bondar, 1940).
Foto: Lindáurea Alves
de Souza 
Fig. 6. Danos provocados
pela lagarta-verde-do-coqueiro ou agarta-verde (Synale
hylaspes). |
- Ocorrência:
É encontrada nos Estados da Bahia e Sergipe (Silva
et al. 1968) e, no Estado do Pará, foi encontrada atacando
o açaizeiro nos Municípios de Belém e
de Tomé-Açu.
- Sintomas: A lagarta se alimenta do limbo foliar,
tornando-o esgarçado, seco e com a coloração
amarronzada.
- Controle: Quando o ataque
ocorre no viveiro, as lagartas são retiradas manualmente
para não infestar as mudas sadias que estão
próximas. Por isso, são imprescindíveis
as inspeções mais intensas, quando da produção
de mudas. Ainda não existe um método para controlar
o ataque dessa praga, no campo, em açaizeiro. Entretanto,
em coqueiro, o controle é feito com o uso dos inseticidas
carbaryl a 0,16% i.a. ou trichlorphon a 0,15 i.a. (Ferreira
et al. 1998).
i) Hemisphaerota tristis (Bohheman,1850)
(Coleóptera: Crysomeliade). Conhecida por inseto-rodilha
(Fig. 7)
Foto: Lindáurea Alves
de Souza Fig.
7. Sintomas de ataque de inseto-rodilha (Hemisphaerota
tristis) em açaizeiro. |
- Descrição: O adulto
é um besouro de cor azul escura, corpo relativamente
esférico com cerca de 4 mm de comprimento, por 3,2
mm de largura. A larva é branco-amarelada; com o corpo
coberto de seus próprios excrementos, formando para
se proteger uma espiral em forma de rodilha. Adultos e larvas
alimentam-se da face inferior dos folíolos raspando
os mesmos, fazendo ranhuras no sentido longitudinal do folíolo
(Bondar, 1940).
- Ocorrência: A sua distribuição
foi feita através da Colômbia, Suriname e Brasil
(Genty et al. 1978). No Brasil, a ocorrência dessa espécie
foi registrada na Bahia, por Silva et al. (1968), e, em Sergipe,
por Ferreira et al. (1998). Além desses Estados, há
registros de ocorrência no Amazonas, Pará e Amapá.
- Sintomas: O açaizeiro atacado
tem os folíolos esgarçados longitudinalmente,
tornando-os secos, com as cores marrons, que se rompem, facilmente,
pela ação do vento. As palmeiras atacadas exibem
desenvolvimento e produção reduzidos.
- Controle: Não existe nenhum
tipo de controle para essa praga em açaizeiro. Em coqueiro,
é controlada com inseticidas fosforados (Ferreira et
al. 1998).
j) Brassolis sophorae (Linnaeus,
1758) (Lepidoptera: Nyphalidae). Conhecida por lagarta-das-folhas;
lagarta-das-folhas-do-coqueiro e brassolis (Fig. 8).
Foto: Antonio Agostinho
Müller

Fig. 8. Adulto
de lagarta-das-folhas, lagarta-das-folhas-do-coqueiro
e brassolis (Brassolis sophorae). |
- Descrição: O adulto
é uma mariposa cujas asas, anteriores e posteriores,
são marrom-escuras, com uma faixa transversal de cor
alaranjada e expansão média de 8,5 cm. Seu hábito
de voar é crepuscular vespertino. O ciclo de vida,
do estádio de ovo à fase adulta, é de
cerca de 100 dias (Ferreira et al. 1998). A crisálida,
inicialmente, é verde-clara, depois se torna marrom.
A lagarta é cremosa e apresenta listras longitudinais
escuras ao longo do corpo. Sua cabeça, castanho-avermelhada,
possui bastante movimentação em relação
ao corpo e é recoberta por uma fina camada de pelos.
Possui hábito gregário, constrói os seus
ninhos para se proteger, unindo vários folíolos
em forma de sacos alongados, onde permanece durante a noite,
ficando pendurado nas folhas.
- Ocorrência: Ocorre em quase
todos os países tropicais da América do Sul
(Lever, 1969) e, no Brasil, nos Estados do Amazonas, Bahia,
Espírito Santo, Maranhão, Minas Gerais, Mato
Grosso, Pará, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, São
Paulo e Distrito Federal (Silva et al. 1968) e Sergipe (Ferreira
& Leal, 1989).
- Sintomas: As lagartas são
muito vorazes, consomem grande quantidade de massa foliar,
deixando somente as nervuras centrais dos folíolos
e da ráquila, podendo ser encontradas mais de mil lagartas
em um único ninho. Como conseqüência, ocorre
a diminuição da absorção de nutrientes
retirados do solo. Dependendo da intensidade do ataque, pode
ocorrer o atraso no desenvolvimento da planta, queda prematura
dos frutos e a redução da produção,
ou ainda a morte da planta.
- Controle: A ocorrência dessa
praga pode ser controlada da seguinte forma:
. Controle biológico - Os ninhos examinados,
são abertos, parcialmente, para a verificação
da existência de lagartas parasitadas pelo fungo Beauveria
bassiana ou B. brongniartii, facilmente constatada
pela presença de lagartas mortas e esbranquiçadas.
Caso seja positiva, os ninhos não são retirados
do campo, para que o fungo possa ser disseminado dentro da
plantação; e, no caso de ser negativa, os ninhos
não-parasitados são retirados e as lagartas
eliminadas. Em plantas altas é usada uma vara, com
gancho na ponta, para baixar a folha com o ninho, quando isso
não for possível, são verificadas as
fezes amontoadas no solo, cuja coloração esbranquiçada,
pela presença dos esporos, indica que as lagartas estão
parasitadas dentro do ninho. Outros agentes biológicos
que se destacam são o fungo Bacillus thuringiensis,
no controle das lagartas (Ferreira & Leal, 1989), e os
parasitóides, bastantes eficientes no controle das
crisálidas. No Pará, é muito comum a
ocorrência em plantações de dendezeiro
e de coqueiro, parasitóides tanto em crisálidas
como em ovos;
. Controle mecânico - Consiste da retirada
dos ninhos não parasitados por microrganismos, de dentro
da plantação;
. Controle químico - Não existe
nenhum inseticida registrado e liberado no mercado para essa
praga em açaizeiro. Existe recomendação
de uso do trichlorphon a 0,4% i.a. e do carbaryl a 0,35% i.a.
em casos de altas infestações em plantações
de coqueiro.
k) Opsiphanes invirae (Huebner,
1818) (Lepidoptera: Brassolidae). Conhecida por lagarta-desfolhadora
e opisifane (Fig. 9).
Foto: Lindáurea
Alves de Souza
Fig. 9. Adulto
de lagarta-desfolhadora ou opisifane (Opsiphanes invirae). |
- Descrição: O adulto é uma mariposa cujas asas anteriores são
negras, com uma faixa larga amarela na parte mediana e duas
pontuações da mesma cor na parte superior. A
lagarta é de cor verde-clara brilhante, com duas listras
finas longitudinais amarelas-claras ao longo do corpo, cujo
abdômen termina por dois prolongamentos caudais, sua
cabeça é cor-de-rosa com dois cornos cefálicos
em forma de espinho, e vivem na face inferior dos folíolos.
Alimenta-se dos folíolos causando danos à planta,
em virtude da alta voracidade. A crisálida, inicialmente,
é verde-clara brilhante, depois se torna marrom com
listras transversais e longitudinais róseo-ferrugem.
Não possui nenhuma proteção externa em
seu corpo, quando está para empupar permanece dependurada
em algum ponto da planta, até a emergência do
adulto, principalmente nos folíolos próximo
ao estipe, quando a população é grande
podem também empupar na vegetação rasteira
junto ao açaizeiro.
- Ocorrência: Essa praga está distribuída por toda a parte
setentrional das
Américas do Sul e Central (Lepesme, 1947). No Brasil,
está presente em quase
todos os Estados (Silva et al.1968; Ferreira et al. 1998),
mas, no Pará, só foi
constatada, em 2003, atacando açaizeiros jovens e adultos.
- Sintomas: O açaizeiro, quando
atacado, apresenta grande parte dos folíolos destruídos
desordenadamente, no entanto, ataca com maior freqüência
o coqueiro e o dendezeiro.
- Controle: O controle dessa mariposa,
pode ser feito com armadilhas feitas com o aproveitamento
de latões cilíndricos, com 80 cm de comprimento
e 15 cm de diâmetro, cortados transversalmente, ou vasilhas
de plástico cortadas de maneira a formar uma janela
para entrada dos insetos adultos. No interior das armadilhas,
é colocado o inseticida trichlorphon a 0,1% do produto
comercial. As armadilhas devem ficar suspensas a 1 metro do
solo, fixas em suportes de madeira, à distância
uma das outras de 150 m. Devem ser realizadas inspeções
periódicas, com vistas à constatação
da ocorrência dessa praga e à avaliação
dos danos causados.
l) Eupalamides dedalus (Cramer, 1775)
(sin. Castnia dedalus, Lepidoptera: Castniidae).
Conhecida por broca-do-estipe, broca-da-coroa-foliar e broca-dos-cachos-do-dendezeiro
(Fig. 10).
Foto: Lindáurea
Alves de Souza

Fig. 10. Larva
e adulto broca-do-estipe, broca-da-coroa-foliar e broca-dos-cachos-do-dendezeiro
(Eupalamides dedalus). |
- Descrição: O adulto
é uma mariposa com asas marrom-escura e reflexos violeta,
a envergadura das asas da fêmea varia de 170 a 205 mm
e dos machos de 170 a 185 mm. Possui duas fileiras de pontuações
amarelas esbranquiçadas acompanhando o contorno das
asas posteriores e, na parte média das asas anteriores,
há uma faixa amarela transversal com pontuações
da mesma cor nas extremidades. Na cabeça chama atenção
o tamanho grande dos olhos. A longevidade do macho, em média,
é de 12 a 13 dias e, das fêmeas, de 15 a 18 dias.
No período de 12 a 17 dias, o número
de ovos postos pela fêmea varia de 200 a 500, com uma
média de 265, dos quais a maioria é colocada
nos 5 primeiros dias e, em cada local de postura, a fêmea
deposita de 2 a 30 ovos, o que indica a grande capacidade
de dispersão da espécie (Korkytkowski &
Ruiz, 1979b). A postura é feita em grupos de 2 a 8
ovos (Ray, 1973). O ovo mede de 5 a 6mm de comprimento, por
2mm de largura, com formato ovalado e provido de 5 estrias
longitudinais proeminentes, semelhantes a um grão de
arroz. Inicialmente é esbranquiçado, depois
levemente rosado e, finalmente, escuro quando se aproxima
a eclosão da larva. A incubação do ovo
varia de 10 a 15 dias (Korkytkowski & Ruiz, 1979a).
A larva possui coloração branca
leitosa, cabeça fortemente esclerificada de cor castanha
brilhante e com mandíbulas negras muito fortes. Ao
emergir, mede aproximadamente 7 mm de comprimento e pode alcançar
de 110 a 130 mm no último estádio de seu desenvolvimento.
Seu hábito de vida é do tipo "minador",
constrói galerias no estipe do açaizeiro, junto
à coroa, onde permanece durante todo seu desenvolvimento,
que varia de 144 a 403 dias, com uma média de 233 dias.
No final de seu desenvolvimento a lagarta
passa por um período de pré-pupa, durante 19
dias, em média (Korkytkowski & Ruiz, 1979b). No
final do ciclo, transfere-se para a região superior
do estipe onde empupa. A pupa é de cor castanho-escura
brilhante e mede de 64 a 95 mm de comprimento; o casulo formado
pela pupa é marrom escuro e é confeccionado
com as fibras da palmeira, fortemente compactadas (Korkytkowski
& Ruiz 1979b). O período pupal foi estimado por
Korkytkowski & Ruiz (1979a) em aproximadamente 30 dias,
e o ciclo biológico completo é de aproximadamente
14 meses.
A mariposa possui comportamento matutino e
vespertino muito característico, voando somente por
um período de 10 a 15 minutos nas primeiras horas da
manhã (6h às 6h15m) e nas primeiras horas da
noite (18h às 18h15m), permanecendo, durante o dia,
pousada no estipe próximo a copa da palmeira, o vôo
é rápido e silencioso, e se realiza a uma altura
entre 1 a 4 metros.
- Ocorrência: É encontrada,
em plantações de dendezeiro, coqueiro e algumas
palmeiras nativas, na Venezuela, Suriname, Guiana, Brasil
(Região Norte), Colômbia, Equador, Peru e Panamá,
(Ray, 1973; Genty et al. 1978; Korkytkowski & Ruiz, 1979b).
Em 1996, foi detectada a presença dessa praga atacando os estipes de açaizeiro e
de bacabeiras (Oenocarpus maropa H. Karst e O.
minor Mart.), palmeiras nativas da Região Norte.
No Estado do Pará, o primeiro registro desta praga
atacando diversas palmeiras foi por Silva et al. (1968).
- Sintomas: O ataque, inicialmente,
ocorre na região da inserção da folha
(axila foliar). Após a emergência, as larvas
se dispersam pela coroa da palmeira e na medida que crescem,
caminham em direção ao estipe fazendo enormes
galerias, danificando seus tecidos, impedindo a circulação
e o transporte de nutrientes para a região da copa,
causando grandes prejuízos à produção
(Schuilling & Dinther, 1980). O estipe, junto à
coroa, fica totalmente perfurado e enegrecido em decorrência
da oxidação da seiva, que escorre por meio das
galerias abertas externamente. Como conseqüência,
as folhas ficam carcomidas ao nível dos pecíolos,
que pendem junto ao estipe e terminam por cair.
Concomitantemente, com os prejuízos
causados pelas larvas desse inseto, é possível
encontrar danos simultâneos de larvas de Rhynchophorus
palmarum atraídos pelo odor de fermentação
dos tecidos danificados pelas larvas da broca-do-estipe (Risco,
1996). Este autor estima que a forte incidência dessa
broca no coqueiro pode reduzir a produção em
até 50% e, concorrer para a ocorrência de problema
mais sério, propiciando o ataque de broca-do-coqueiro,
principal vetor do agente causal da doença "anel-vermelho".
- Controle: Não existem informações
sobre o controle dessa praga em açaizeiro, entretanto,
podem ser utilizadas algumas práticas de controle adotadas
para o coqueiro e o dendezeiro, como a poda das folhas infestadas
e a coleta manual de crisálidas e adultos, reduzindo
consideravelmente a população da praga (Genty
et al. 1978). O inseticida carbosulfan, na concentração
de 0,02% de i.a., pulverizado na coroa foliar do coqueiro,
tem sido eficiente no controle dessa praga. (Lins et al. 1998;
Ohashi et al. 1998; Souza et al. 1998). Pouco se conhece sobre
a ação de agentes naturais que tenham ação
efetiva de controle dessa praga no campo.
Outras pragas
a) Caracóis: São moluscos,
providos de conchas, com cerca de 10 mm de comprimento, encontrados
por toda a planta, principalmente nos 2 primeiros anos de
vida no campo. São encontrados, principalmente, na
flecha e nos folíolos mais jovens, raspando os mesmos
para se alimentarem. O controle pode ser feito por meio de
catação manual, realizada periodicamente nas
plantas jovens.
b) Lesmas: São moluscos desprovidos
de conchas, mas com hábito alimentar semelhante ao
dos caracóis. Atacam o açaizeiro tanto no viveiro
como palmeiras jovens no campo. Alimentam-se raspando os folíolos
mais jovens e as flechas. Ocorrem, com maior freqüência,
na época chuvosa e em lugares mais úmidos. Dependendo
da população, podem causar sérios problemas
às mudas de açaizeiro ou ainda nos primeiros
anos de vida. O controle pode ser feito através da
catação manual nas plantas e limpezas ao redor
do viveiro, retirando os pedaços de madeiras podres,
uma vez que se reproduzem em material vegetal úmido
e em decomposição.
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