Embrapa Pecuária Sudeste
Sistemas de Produção, 1
ISSN 1679-1495 Versão Eletrônica
Jan/2003

Cultivo da Alfafa

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Irrigação
As necessidades hídricas da alfafa estão entre 800 e 1600 mm por ano, dependendo do clima e do crescimento da planta nesse período. Em cada corte ou pastejo, as exigências de água dessa cultura são semelhantes às demais (semeadura-colheita), com valor Kc (coeficiente cultural) de 0,4 após o corte ou pastejo, aumentando para 1,2 um pouco antes do próximo corte.

Manejo da irrigação

O manejo da irrigação é um recurso para racionalizar a aplicação de água às culturas de maneira complementar. Requer certos procedimentos para determinar o turno de rega (freqüência), bem como medir a quantidade de água da próxima irrigação (lâmina de água).

No Brasil, as dificuldades com a utilização de inúmeras fórmulas para determinar a perda de água das plantas por evapotranspiração, por meio de vários métodos (balanço de água, balanço de energia, aerodinâmicos, empíricos de Thorntwaite e Blaney-Criddle e outros), têm levado os irrigantes a utilizar o manejo de água com o maior erro do ponto de vista técnico, econômico e ecológico, que é o predeterminado, ou seja: aplicar 5, 8, 11, 12, 15 ou "n" mm de água (lâmina de água), a cada 3, 5, 7, 8 ou "n" dias sem chuvas (freqüência).

Para evitar essa prática, foi desenvolvido o método EPS para se manejar água de irrigação, em vista de sua praticabilidade e principalmente facilidade de uso. Apesar de empírico, como os demais, envolve apenas dois parâmetros climáticos, mas que respondem por mais de 90% da demanda hídrica das plantas: evaporação e precipitação pluvial.

Manejo EPS da água de irrigação: "quando a diferença entre a evaporação do tanque classe A (ECA) e a precipitação pluvial (PRP), durante o desenvolvimento da alfafa, atingir valor igual ou pouco superior a 30 mm, aplicar água de maneira complementar à planta (ECA-PRP ³ 30 mm), determinando-se a freqüência de irrigação; para Latossolos de textura média, a quantidade de água a ser aplicada deve ser de 16 a 21 mm nos primeiros 20 cm de profundidade, que é a capacidade de armazenamento de água desses solos, determinando-se a lâmina de água". Deve-se ressaltar que os Latossolos de textura média compõem grande parte dos solos brasileiros.

Especificamente para a alfafa, duas considerações devem ser feitas quanto ao manejo da irrigação. Antes do corte ou do pastejo não se deve aplicar imediatamente água de maneira complementar, uma vez que o umedecimento da camada superficial do solo nesse momento dificulta a colheita de forragem, predispondo o "mofo" no material colhido (no caso de corte) ou facilitando a compactação do solo (no caso de pastejo). Durante a instalação do alfafal, no início de desenvolvimento da planta (diferenciação foliar), a aplicação de água na cultura pode ser até prejudicial, provocando crescimento superficial do sistema radicular. É recomendado que nessa época a planta tenha "déficit hídrico" de 5 a 7 dias, a fim de forçar sua fixação pelo desenvolvimento das raízes.

Sistemas de irrigação

No Brasil, para a cultura da alfafa, pode-se utilizar irrigação por aspersão e por superfície. A irrigação por superfície, apesar de ser um método simples, é mais utilizada na cultura de arroz irrigado. Contudo, pode ser usado em alfafa, desde que a fonte de água esteja em um ponto mais elevado e que a área de plantio seja bem sistematizada.

O sistema por aspersão basicamente é composto por tubulações, aspersores e conjunto motobomba, para captar água de determinada fonte e conduzí-la até as plantas. É mais indicado para solos de boa infiltração (franco arenosos), que requerem irrigações mais constantes e em menor quantidade, a fim de não exceder a capacidade de armazenamento de água.

Os sistemas de irrigação por aspersão mais utilizados no Brasil são os convencionais (primeiro a ser utilizado e ainda o mais empregado) e não- convencionais (utilizados em situações especiais de solo, topografia, tamanho da área e outros).

Na aspersão convencional, aplica-se a água à cultura por meio de aspersores instalados ao longo de uma tubulação. É portátil, quando as tubulações de distribuição e as linhas laterais são transportadas para várias posições na área irrigada. É fixa, quando as tubulações de distribuição e as linhas laterais cobrem toda área irrigada.

Atualmente, especificamente para pastagens, foi desenvolvido um sistema de aspersão em malha, onde os pontos de subida da água são distribuídos geometricamente em toda área, interligados pela tubulação (Figura 1).

Fig. 1. Sistema de irrigação por aspersão em malha.

É um sistema fixo, em que se mudam de lugar apenas os aspersores. As tubulações são fixas a 30 – 50 cm abaixo da superfície do solo e os pontos de subida são também de tubos de PVC, ficando "rentes" à superfície. As saídas sem aspersores são fechadas com tampas de PVC tipo "caps". A linha lateral é constituída de tubos com 25 mm de diâmetro, enquanto que a linha principal com 50 mm. Por se tratar de material de baixo custo (baixa pressão), estima-se que, para a área de 10 hectares, o custo desse sistema fica ao redor de R$1.500,00.

Os sistemas não convencionais são empregados em condições especiais e dependem da capacidade de investimento do produtor. Neste grupo, destaca-se o canhão hidráulico e o pivô central. O canhão hidráulico é um equipamento, normalmente utilizado de forma portátil, instalado sobre linhas laterais, funcionando com pressões que variam entre 40 metros de coluna de água (mca) a 100 mca, cujo raio de ação está entre 30 a 100 m. Já o pivô central, fundamentalmente, é constituído de uma tubulação metálica que se apoia em várias torres triangulares (depende do tamanho da área), em que são instalados os aspersores, promovendo irrigação uniforme em uma área de superfície circular. Essa tubulação recebe água de uma adutora subterrânea, que vai até o "ponto pivô" (dispositivo central), de onde o sistema se move continuamente por dispositivos elétricos ou hidráulicos instalados nas torres. Como salientado anteriormente, esses sistemas não-convencionais são de alto custo, variando de R$2.500,00 a R$4.000,00 por hectare.

 

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