Embrapa Algodão
Sistemas de Produção, 1
ISSN 1678-8710 Versão Eletrônica
Jan/2003

Cultura do Algodão Herbáceo na Agricultura Familiar

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Adubação


O algodoeiro herbáceo cultivado em condições, (à semelhança da cultura sob regime de irrigação, para expressar o seu potencial produtivo, determinado geneticamente e sendo função da cultivar  a ser utilizada) requer um ambiente envolvendo solo e clima propícios para seu pleno crescimento e desenvolvimento, elementos fundamentais para a produção, que devem ser harmonicamente selecionados para uma competição equilibrada de assimilados, com o máximo de migração para as partes da planta relacionadas com a produção econômica da planta do algodoeiro, as fibras e as sementes, ou seja, com o algodão em caroço.


Boa parte dos solos do Nordeste ideais para o algodoeiro, apresenta-se erodida com áreas de degradação e baixa fertilidade, deficientes em fósforo e matéria orgânica.


Para ser efetivamente benéfica, a adubação deve ser efetuada de acordo com os resultados da análise do solo, tanto em termos produtivos quanto em termos econômicos.


Caso o produtor não tenha efetuado a análise de solo,  pesquisas da Embrapa Algodão indicam como adequadas, as adubações com 200 kg/ha de  superfosfato simples (20 g/cova) abaixo e ao lado das sementes, ou 20 t/ha de esterco de gado, aplicados no momento do preparo do solo.  A recomendação da utilização do esterco é importante, haja vista tratar-se de um  produto abundante na região, pois a  maioria dos produtores cria animais, com a finalidade de incremento na renda familiar.  Em solos excessivamente explorados, pode-se utilizar adubação em cobertura, com 100 kg/ha de sulfato  de amônio (20 kg/ha de N)  aplicados aos 40 a 60 dias após a emergência.


A adubação com P e K deve ser realizada tomando-se por base o resultado da análise de solo. A adubação com N deve ser realizada com aplicações de 60-75 kg/ha fracionada, com ¼ do total recomendada no momento do plantio e o restante 40 a 45 dias após a emergência.


A adubação deve ser realizada quando o solo estiver com umidade suficiente para que os nutrientes sejam dissolvidos e atinjam as raízes, para serem absorvidos.


O complemento das exigências nutricionais do algodoeiro deve ser realizado com base em informações obtidas a partir dos resultados da análise do material de solo em laboratórios. Para isso, o agricultor deve retirar amostras de solo da propriedade em áreas representativas do plantio. Sugere-se, para cada hectare, retirar dez amostras em manchas homogêneas  a 0-20cm de profundidade; em seguida, mistura-se e se coloca-se o equivalente a 200g em um recipiente, identificando-a com o nome da propriedade e do proprietário e município, encaminhando-a a um laboratório de solo.


A partir dos resultados da análise de fertilidade do material do solo, nas recomendações de adubação química deve-se tomar, como base, os níveis dos nutrientes no solo e as dosagens recomendadas na Tabela 1, porém não significa que se deve usar, dentro de cada faixa, exatamente a dosagem de adubação recomendada nesta tabela, mas poderá ser mais ou menos, a depender do tipo e do manejo do solo, do rendimento esperado da cultura, da probabilidade de sucesso ou da margem de risco com capital investido etc. Em certas  situações, é preferível não se fazer recomendação de adubação.

No caso do algodoeiro herbáceo irrigado, onde a água não é limitante, para se atingir níveis mais elevados de produtividade, deve-se elevar a dosagem de nitrogênio e, de preferência, utilizar, como fonte, o sulfato de amônio, parte aplicada na fundação.  Com relação à época de aplicação, o fósforo e o potássio devem ser colocados em fundação, em sulcos feitos ao lado (5,0cm a 6,0cm) dos sulcos de plantio e mais profundos, pelo menos 5,0cm que estes.  Quanto ao nitrogênio, a parte referente à cobertura deve ser aplicada aos 35 a 40 dias da emergência das plantas e na forma de uréia ou sulfato de amônio.

Tabela 1.  Recomendações de adubação NPK na cultura do algodoeiro herbáceo, em função dos Nutrientes existentes no solo.

Teores no solo (ppm)

Dosagens recomendadas  (kg/ha)

P

K

P205

K20

                        N

Plantio

Cobertura

0 –10

0-45

90

60

15

60

11-19

46-90

60

40

15

60

20-30

91-135

30

20

15

60

 > 30

> 136

-

-

15

60

Fonte:  Comissão Estadual de Fertilidade do Solo.  Salvador, BA.  1989 (modificada) pelo Autor)

Calagem

Especialmente na cultura de sequeiro e em solos com tendência a acidez ou mesmo a ácidos, com pH abaixo de 5, para o crescimento e o desenvolvimento normal do algodoeiro herbáceo é preciso que se realize a operação denominada calagem.  Esta prática agrícola objetiva elevar o pH, neutralizando a acidez do solo e oferecer às plantas maior disponibilidade de cálcio e magnésio, elementos essenciais para o estabelecimento e produção dos fitossistemas (Mengel & Kirkby, 1979) além de promover a maior disponibilidade dos elementos essenciais, sobretudo do fósforo (Volkksweiss & Ludwich, 1971).  Para se fazer a calagem, pode-se utilizar uma mistura de óxido de cálcio (CaO)  e óxido de magnésio (MgO) ou, ainda, a dolomita (CaCO3. MgCO3)  evitando-se, também,  produtos que possuam somente cálcio, como a calcita  (CaCO3) pois pode induzir à deficiência de magnésio (Volksweiss & Ludiwich, 1971). Para ser eficaz, a calagem deve ser realizada pelo menos três meses antes do plantio (Fuzatto, 1965) pois a absorção do calcário somente se manifesta após a sua solubilidade no solo.  O calcário deve ter  poder reativo  de neutralização total (PRNT) de pelo menos 80%, para ter reação total no solo dentro de cerca de três anos.  A quantidade de calcário a ser colocada no solo, dependerá de vários aspectos.  Silva (1977) citado por Laca-Buendia (1978) recomenda, para o caso do algodoeiro, as quantidades de calcário contidas na Tabela 2,  em função do teor de matéria orgânica no solo (%) e dos teores de cálcio + magnésio em meq/100cm3 .

É oportuno lembrar que o cálculo do calcário a ser aplicado por hectare é considerado um PRNT de 100%;  assim, se o calcário tiver um PRNT de 65% e a recomendação for de 3,0 t/ha, deve-se colocar:  3 x 100/65 = 4,6 t/ha.   O PRNT  depende do valor de neutralização, que é a medida química da reatividade do material (quantidade de carbonatos presentes que podem reagir com os ácidos do solo) e do tamanho das partículas (grau de finura) que define a eficiência relativa do calcário.  Assim, o PRNT é igual ao equivalente em CaaCO3  (%)/100. 

O calcário deve ser espalhado uniformemente na superfície do solo e incorporado aos primeiros 20cm de profundidade. Em solos alcalinos ou sódicos, com pH elevado, acima de 8 utiliza-se, na correção dos sais, especialmente nos de sódio e redução do pH, o gesso (CaSO4)   que, ao entrar em contato com o solo, forma o ácido sulfúrico (H2SO4)  que faz baixar o pH e o cálcio substituirá o sódio do complexo coloidal e este é lixiviado pelo perfil edáfico.  Em geral, aplicam-se de 20 a 40 t/ha de gesso, dependendo do nível de sodicidade ou alcalinidade (Mengel & Kirkby, 1979).

Tabela 2.  Quantidade de calcário a se aplicar no solo (t/ha) em função dos teores de matéria  Orgânica (%( e cálcio + magnésio (meq/100cm3).

Ca++

Mg++

Matéria Orgânica

Menor que 1,7

Entre 1,8 a 3,3

Maior que 3,4

Até

0,5

2,0  

3,0

4,0

0,6

1,0

1,5

2,5

3,0

1,1

1,5

1,0

2,0

2,5

1,6

2,0

-

1,5

2,0

2,1

2,5

-

1,0

1,5

2,6

2,9

-

-

1,0












 

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