Embrapa Algodão
Sistemas de Produção, 1
ISSN 1678-8710 Versão Eletrônica
Jan/2003

Cultura do Algodão Herbáceo na Agricultura Familiar

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Importância econômica
Zoneamento Agrícola
Solos
Adubação
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Plantio
Plantas daninhas
Doenças
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Mercado e comercialização
Coeficientes técnicos
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Referências bibliográficas
Glossário


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Zoneamento Agrícola Para Algodão de Sequeiro no Nordeste Brasileiro


O Zoneamento Agrícola é prática que otimiza a condução do cultivo do Algodão, seja ele financiado ou não, e nada mais é do que a determinação de zonas homogêneas e funcionais quanto aos parâmetros limitantes para que a cultura do algodão expresse todo seu potencial produtivo na obtenção da maior safra possível ao menor custo e riscos possíveis.


O algodoeiro herbáceo (Gossypium hirsutum L. R. latifolium Hutch.) é uma planta de origem tropical, também explorada comercialmente em países subtropicais, acima da latitude de 30º N. Mais de dois terços da produção mundial provêm de locais ao norte da latitude 30º N, onde se localizam os três maiores produtores: Estados Unidos, Comunidade Européia e China.

A identificação de regiões com condições ecológicas que permitam às culturas externar seu potencial genético é prática para o sucesso da condução da cultura.

Há necessidade de solos sem limitações físicas ou químicas que comprometam a expressão genética do cultivo, e a seguir são descritas algumas condições requeridas para o ótimo ecológico do algodoeiro.

Tabela 1. Para produção máxima o algodoeiro herbáceo deve obedecer às seguintes condições climáticas.

Etapas de crescimento

Limite mínimo

Limite ideal

Limite máximo

Germinação

14°C

18 a 30°C

40°C

Formação das gemas e floração

diurno 20°C

30°C

diurno 40°C

noturno 12°C

noturno 27°C

Desenvolvimento e maturação dos capulhos

20

27 a 32°C

38°C

  • temperatura média do ar variando entre 18 e 40°C;
  • precipitação anual variando entre 700 e 1300mm;
  • umidade relativa média do ar em torno de 60%;
  • nebulosidade inferior a 50%;
  • inexistência de inversão térmica (dias muito quentes e noites muito frias);
  • inexistência de alta umidade relativa do ar associada a altas temperaturas.

Se todos esses fatores estiverem atuando de forma a permitir o crescimento do algodoeiro, cerca de 50 a 60% da água da chuva será necessária durante o período de floração (50 a 70 dias), sendo que, durante a floração, precipitações intensas podem causar acamamento das plantas, provocando queda dos botões florais e das maças jovens. Chuvas contínuas durante a floração e abertura das maças comprometem a polinização e reduzem a qualidade da fibra especialmente a resistência e a finura das mesmas, importantes características nos novos processos de fiação e tecelagem.

No Nordeste Brasileiro existem condições que se situam no ótimo ecológico do algodoeiro, mas também apresentam sérias limitações. A evapotranspiração (evaporação mais transpiração) maior que a precipitação pluviométrica, a ocorrência de veranicos e a ocorrência e distribuição irregular de chuvas caracterizam o semi-árido.


Os grandes ecossistemas existentes são o cerrado, no sul do Piauí, Maranhão e oeste da Bahia, a caatinga e as zonas costeiras. A diversidade da paisagem dentro dos diferentes ecossistemas exige que as condições sejam orientadas de acordo com o requerido pela cultura: época de plantio com disponibilidade hídrica, maturação e colheita dos capulhos durante período seco e quente, temperatura entre 20 e 40 ºC, grande fluxo radiante e número de horas de insolação.


No Maranhão as áreas aptas concentram-se na região de Cerrado, ao sul e parte central do Estado e, ao norte, nos municípios adjacentes às margens do rio Parnaíba, nos limites como Piauí; apresentam altos índices de precipitação sendo, portanto, necessário ajustar-se a época de semeadura para que a colheita seja realizada no período seco. Como algumas áreas se encontram na transição com a região amazônica, sujeitas a altas temperaturas e alta umidade relativa, recomendam-se cuidados especiais na condução da lavoura devido aos problemas que podem ocorrer com o surgimento de pragas e doenças. Sugere-se a condução de estudos sobre a época de semeadura para identificação do período de maior pressão populacional de pragas, além da ocorrência de doenças.


O Piauí apresenta aptidão para exploração do algodoeiro herbáceo em praticamente todo o estado, exceto no extremo norte, na região de Luiz Correia e Parnaíba, e no leste do estado, na fronteira com Pernambuco.

O Ceará excetuando-se o norte compreendido pelas regiões litorâneas, a região serrana a oeste e área central onde se encontra a região produtora do algodoeiro arbóreo, as demais áreas se adaptam a exploração desse tipo de algodoeiro. No sul do estado, na região do Cariri Cearense, recomendam-se cuidados especiais para fugir das pressões das pragas e doenças e a realização da colheita na época seca.


No rio Grande do Norte excetuando-se a região litorânea e a região fisiográfica do Seridó, as demais áreas do estado são aptas ao cultivo do algodoeiro.

A Paraíba apresenta duas regiões com aptidão para o cultivo do algodoeiro: as áreas compreendidas pela região fisiográfica do Agreste, a leste do estado e a do Alto Sertão, a oeste. No litoral do estado a predominância de solos arenosos e altas precipitações, e as regiões fisiográficas do Cariri e do Curimataú, por apresentarem período chuvas prolongado com baixas precipitações, ocorrência de orvalho, inversão térmica e predomínio de solos rasos e pedregosos. A região fisiográfica do Seridó se ajusta ao cultivo do algodoeiro perene.


Pernambuco apresenta ampla área para a produção do algodoeiro de sequeiro, compreendidos pela região do Agreste, ao centro, e leste do estado, e no sertão a noroeste. Pequena faixa litorânea e do centro são inaptas à cotonicultura.


Os estados de Alagoas e Sergipe apresentam boas condições para a condução da cultura, excetuando-se as regiões litorâneas e pequena parte do oeste de Sergipe.


Os solos mais se adaptam a este cultivo são os eutróficos, nos quais podem estar inseridos os pertencentes aos grupos Latossolos, Chernossolos, Planossolos, Cambissolos, Vertissolos, Argissolos e os Neossolos e suas associações. Solos de caráter distrófico também podem ser utilizados, porém suas limitações requerem custos adicionais em corretivos e adubos.


A interseção de toda essa informação (parâmetros) resulta em um documento do Ministério da Agricultura (Zoneamento Agroclimático e Pedoclimático) onde são delimitadas áreas aptas, não aptas e áreas onde existem limitações ao cultivo e onde são recomendadas as cultivares, a disponibilidade de sementes, a ocorrência das principais pragas e doenças, enfim, as condições para o sucesso econômico e ecológico dos cultivos

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