Embrapa Algodão
Sistemas de Produção, 1
ISSN 1678-8710 Versão Eletrônica
Jan/2003

Cultura do Algodão Herbáceo na Agricultura Familiar

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Início

Importância econômica
Zoneamento Agrícola
Solos
Adubação
Cultivares
Sementes
Plantio
Plantas daninhas
Doenças
Pragas
Uso de agrotóxicos
Colheita e pós-colheita
Mercado e comercialização
Coeficientes técnicos
Subprodutos do Algodão
Referências bibliográficas
Glossário


Expediente

Importância econômica


A cultura do algodão herbáceo (Gossypium hirsutum L. raça latifolium Hutch.) no semi-árido nordestino foi e continua sendo uma das principais atividazdes do meio rural, em especial dos pequenos e médios produtores. A região Nordeste já chegou a ter plantado mais de um milhão de hectares com este tipo de algodão, como na safra 1984/85 tendo, atualmente, 188.000 ha plantados na região, principalmente nos estados da Bahia (55.000 ha), Ceará (29.000) e Alagoas (21.000 ha) com plena possibilidade de crescimento e desenvolvimento, via plataformas do algodão e programas de recuperação desta cultura no semi-árido de todos os Estados que compõem a referida região.

Na safra mais recente, 2001/2002, a produtividade média do algodão no Nordeste foi de 1.528 kg/ha de algodão em caroço, com produção de pluma de 106.00t, equivalente a 35,5% do consumo, que é em torno de 300.000t, das quais cerca de 170.000t no Estado do Ceará, concentrado em Fortaleza, um dos maiores centros têxteis do mundo. Na maioria das áreas de produção da região Nordeste, em especial na região semi-árida, que corresponde a mais de 70% do total do Nordeste, predomina na cotonicultura o pequeno produtor, que utiliza a mão-de-obra familiar, com elevada importância social e econômica, para centenas de municípios zoneados para o cultivo do algodão.

Além da fibra, seu principal produto, o algodoeiro produz diversos subprodutos, que apresentam também grande importância econômica, destacando-se o línter, que corresponde a cerca de 10% da semente do algodão, o óleo bruto, média de 15,5% da semente, a torta, que é quase a metade da semente, além da casca e do resíduo (4,9% do total). Como cultura industrial, o algodão tem, na sua cadeia produtiva, diversos setores, que empregam e/ou fornecem ocupação, desde o campo até a indústria de confecção e, a nível de produção primária, cerca de 70% do custo de produção total da cultura desta malvácea, representam mão-de-obra, o oposto das demais regiões do Brasil e dos países produtores, que empregam elevado nível tecnológico, também com grande agressão ambiental, devido ao uso significativo de pesticidas.

No tocante ao sistema de comercialização na região Nordeste, ele é bastante pulverizado e envolve tanto o algodão em caroço como em pluma. No mercado primário (usinas, cooperativas, intermediários etc.) a comercialização se processa em caroço e no mercado central se negocia o fardo de algodão em pluma, com peso variando entre 170 a 220 kg. No caso do algodão em caroço, a densidade média dos sacos é de 230 kg/m3 e nas usinas, após o beneficiamento, as prensas fazem os fardos com densidade média de 450 kg/m3 e mais modernamente nas usinas de última geração, que chegam a produzir cerca de 30 fardos/hora por unidade de processamento, a densidade pode chegar a 700 kg/m3. A cultura do algodão herbáceo representa um dos sustentáculos do semi-árido nordestino, sendo muito importante para a geração de ocupação no meio rural e para a distribuição de renda, sendo que o algodão produzido, em termos de qualidade intrínseca, é um dos melhores do mundo, com grau de reflectância dos mais elevados, além de fibra de elevada uniformidade de comprimento. 

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