Embrapa Algodão
Sistemas de Produção, 1
ISSN 1678-8710 Versão Eletrônica
Jan/2003

Cultura do Algodão Herbáceo na Agricultura Familiar


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Início

Importância econômica
Zoneamento Agrícola
Solos
Adubação
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Sementes
Plantio
Plantas daninhas
Doenças
Pragas
Uso de agrotóxicos
Colheita e pós-colheita
Mercado e comercialização
Coeficientes técnicos
Subprodutos do Algodão
Referências bibliográficas
Glossário


Expediente

Mercado e Comercialização


Nas últimas décadas, outras características da fibra do algodão, além do comprimento e do tipo, passaram a ter importância na determinação do valor final da fibra do algodão.


 

A fibra do algodão, que era classificada por técnicos treinados e experientes, passou a sê-lo por diversos aparelhos para se analisar as características físicas da fibra, entre eles o fibrógrafo (analisa o comprimento e a uniformidade de comprimento), o micronaire (determina  finura e  maturidade) e o estelômetro que, além de analisar a resistência da fibra, determina também seu alongamento. Com a necessidade de modernizar e torna cada vez mais rápido o processo de classificação da fibra em curto período, surgiram os novos equipamentos HVI “ High Volume Instruments” , através dos quais as fiações de algodão passaram a receber um volume maior de informações sobre cada fardo consumido.


 

A indústria têxtil nacional exige fibras médias, longas e extralongas com as características que a indústria considera ideais para fibra, cada vez mais finas e resistentes, que possam ser fiadas em rotores de alta velocidade. Nas fiações modernas devem apresentar índice de micronaire na faixa de 3.5 a 4.2 mg/in e resistência em HVI superior a 24gf/tex (SANTANA et al, 1999).


 

O processo de beneficiamento e embalagem é a fase que antecede a sua industrialização. Os diferentes tratamentos de pré-limpeza da fibra podem influir sobre a qualidade comercial e industrial do produto têxtil.


 

É recomendável que o algodão em caroço, oriundo da colheita manual e mecânica, esteja, ao entrar na usina de beneficiamento,  com um nível de impurezas isento de contaminação de pragas e doenças, além de apresentar  grau satisfatório de maturidade vários são os  modos de se fazer o beneficiamento do algodão, os quais dependem do grau de desenvolvimento e da tecnificação da cultura em cada país:


 

1.   o produtor que dispuser de uma usina, pode beneficiar sua produção

2.   o produtor que não beneficia sua produção paga uma tarifa a empresas comerciais ou cooperativas pela operação de descaroçamento, ficando com ele apenas a semente e a fibra

3.   o produtor vende sua produção de algodão em caroço diretamente ou através de intermediário a uma usina, que passa a ser proprietária da semente e da fibra.


 

 Por esta diversidade de modos, é difícil determinar, de forma agregada, o custo real da operação de beneficiamento do algodão.


 

No Brasil, a embalagem de algodão é processada pelo sistema de módulos, que consiste na prensagem do algodão recém-colhido em módulos compactos, formando fardos com peso entre 7 e 10 toneladas, prensados e identificados por uma etiqueta onde deve conter número de fardos, peso, número de lote, data e nome da usina, para serem conduzidos ao depósito e, posteriormente, transportados à indústria de fiação, sem nenhum tipo de amarração feito no campo ou na usina de beneficiamento. Este sistema é adotado nas grandes lavouras das regiões Sudeste, Sul e Centro-Oeste do Brasil.


 

O sistema de transporte e descarga do algodão em caroço dentro da usina consiste na remoção da matéria-prima das tulhas, reboque ou fardos para alimentação da unidade de descaroçamento de forma constante e uniforme, por meio de sistema pneumático e mecânico (SILVA & CARVALHO, 1999).


 

Os preços de comercialização do algodão são determinados no mercado internacional. Considerando-se as constantes alterações que ocorrem no mercado de algodão, é importante que o produtor se posicione quanto à situação atual e futura do mercado mundial, bem como analise suas condições de produção. Além disso, por possuir a fibra do algodão um custo de produção elevado e forte competição com as fibras sintéticas, os países que utilizam maior nível tecnológico na produção são, em geral, os que conseguem influenciar mais fortemente na determinação do preço de produção.


 

A comercialização da produção de algodão constitui uma das etapas mais importantes da atividade algodoeira, pois é nela que se concretiza a receita que irá fazer face aos custos de produção e o excedente destinado à manutenção e reprodução da força de trabalho do cotonicultor e de sua família.


 

Situação do Mercado Internacional
     

O desaquecimento da economia norte-americana nos fins da década de 90, com a conseqüente queda no consumo de algodão, fez com que os principais mercados europeus começassem a sentir os efeitos da retração da maior economia do mundo e os preços do algodão iniciassem uma trajetória de baixa, a partir de dezembro de 2000. Na bolsa de Nova York, o contrato para vencimento em outubro de 2001 estava cotado, em centavos de dólar por libra peso, entre 39,00 e 40,00, uma queda de praticamente 40% em 6 meses. Ao contrário dos anos anteriores, este ano  o mercado  vem demonstrando firmeza nos preços (CONAB CONJUNTURA SEMANAL).


 

O valor de mercado atual (CONAB CONJUNTURA SEMANAL) descontadas as despesas com frete, corretagem e outras representa, para o produtor, na zona de produção, um faturamento líquido de R$30,57/@. Em (CONAB CONJUNTURA SEMANAL) fica demonstrado que, para receber o preço mínimo líquido, o produtor teria que comercializar o produto, posto São Paulo, por R$33,76/@.


 

O mercado mundial de algodão foi, no período de 1997/98 a 2000/01, caracterizado por níveis de consumo inferiores aos da oferta (estoque inicial mais produção) gerando excedentes de, em média, 9,2 milhões de toneladas, o que correspondeu a 48,0% da produção, nível que pode ser considerado bastante elevado.


 

Para a temporada 2001/02, as perspectivas não são diferentes, tendo em vista a produção mundial recorde prevista em 21,32 milhões de toneladas, 10,35% maior que a passada. Acrescentando-se o estoque inicial, a oferta  deve totalizar 36,45 milhões de toneladas, ou seja, 6,2% superior à da temporada anterior. Por outro lado, o consumo deverá variar muito pouco, ou apenas 1,5% em comparação com o do ano anterior, e ficar em 20,35 milhões de toneladas, o equivalente a 95,4% da produção (CONAB CONJUNTURA SEMANAL)


 

A tendência do comércio mundial dessa fibra não foi constante no decorrer desses anos; contudo, em 2001/02, as exportações poderão ser ampliadas em 12,3 % e alcançar 6,4 milhões de toneladas (CONAB CONJUNTURA SEMANAL)   


 

O mercado futuro de Nova York apresentou, na primeira quinzena de julho de 2002, a cotação de US$49,98 Cents/lb, para entrega em fevereiro de 2003 (CONAB CONJUNTURA SEMANAL)

Nos últimos 28 anos, os preços do algodão foram mais baixos que os atuais, apenas entre junho e setembro de 1986. Os preços internacionais do algodão, medidos pelo índice COTTON OUTLOOK A, despencaram de 66 cents por libra em dezembro de 2000, para 46,36 cents no período de 8 a 12 de julho de 2002 (CONAB CONJUNTURA SEMANAL). O cenário atual do algodão em pluma é reflexo direto do desaquecimento da economia mundial e do excesso de oferta do produto no mercado internacional.    


 


 

 

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