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Vários métodos de controle podem ser utilizados, desde as limpas a enxada,
até o uso de herbicidas, dependendo do tipo do produto e do tamanho da
propriedade. No caso do controle mecânico-manual, com uso da enxada e do
cultivador, é necessário que o produtor esteja devidamente informado sobre quando e como realizar as limpas.
No caso da primeira indagação, é oportuno que a cultura permaneça no limpo
nos primeiros 60 dias após a emergência, período crítico, ou seja, caso
haja competição entre a cultura e o complexo florístico, os danos à primeiro
serão irreversíveis, isto é, plásticos, com aumento do ciclo, o que será
incompatível com o manejo integrado de pragas e redução
no rendimento da cultura, visto que dois dos componentes da produção serão
fatalmente reduzidos, que são: o número de capulhos por planta e o peso
médio de um capulho. Assim sendo, as limpas devem
ser concentradas no período crítico de competição e, estando os demais
fatores do crescimento em níveis ótimos, a partir dos 60 dias o índice de
área foliar 95% (LAI95) é atingindo e o controle
cultural passa a operar, isto é, a própria cultura, via sombreamento, impede
o crescimento das plantas daninhas. A outra indagação: como fazê-lo? É
também importante, pois os cultivos, tanto via cultivador como a enxada,
devem ser superficiais, não mais que 3cm de vez que, caso contrário, muitas
raízes das plantas serão cortadas, interferindo negativamente no crescimento
e no desenvolvimento das plantas.
Com relação ao método químico, vários herbicidas podem ser utilizados
na cultura do algodoeiro herbáceo. Em aplicação de preemergência, as misturas
de tanque diuron + alachlor; diuron + pendimentalin; diuron + metalachlor ou alachlor + cianazina, com dosagens
variadas de acordo com os teores de argila e matéria orgânica do solo,
em caso de populações mistas de plantas daninhas; já
em caso de populações de folhas largas (dicotiledôneas) pode-se usar somente
o diuron.
Caso ocorra incidência de
plantas daninhas perenes, os herbicidas de preemergência não funcionam
bem. O controle mecânico-manual é mais difícil e custoso
de fazer, pois é necessário um número maior de limpas (o dobro do normal)
isto é, de 2 a 4 limpas, dependendo do preparo do solo, das condições de
cultivo e dos tipos de plantas daninhas, gastando-se mais tempo. O essencial em cada fazenda é separar as áreas infestadas
com plantas perenes, dando-lhes tratamento especial,
preparando-as por último para evitar que os implementos agrícolas desestimulem
partes da fazenda que não possuem tais plantas daninhas. Um método que pode ser usado para o controle da tiririca é o uso de fileiras estreitas (0,8m a 0,6m)
visto ser o controle cultural importante neste caso, uma vez que essas
plantas daninhas necessitam de muita luz para crescer e
se desenvolver. Em geral, tais plantas ocorrem mais nas áreas
irrigadas, onde as sementes e propágulos vegetativos, como rizomas e
tuberculóides, são trazidos pelas águas. Para um
controle mais efetivo, além de se usar fileiras mais estreitas com vistas
ao controle cultural pode-se utilizar, em pré-plantio, o herbicida Glyphosate,
na dosagem de 2,5 a 3,0 l/ha [N – (fosfometil) glicina,
aplicado com a tiririca ou outra planta daninha
perene, com o máximo de área foliar, sem ter entrado no processo de
floração.
O importante é se fazer o
controle dentro do período crítico de competição
de plantas daninhas com a cultura que, em geral, é de emergência das plântulas,
até o 60º dia. No caso do controle
químico, usar uma das seguintes misturas de herbicidas:
·
Alachlor + diuron, aplicação de preemergência: dosagens
variando em função do tipo de solo, de 0,86 a 1,29 + 1,2 a 1,6 kg/ha. Esta mistura controla a maioria das plantas daninhas
de folhas largas e de folhas estreitas. Não deve ser
utilizado em solos arenosos.
·
Alachlor + cyanazina, aplicação de preemergência: dosagens variando em função
do tipo de solo, de 0,86 a 1,29 + 1,25 a 1,50 kg/ha.
Esta mistura controla um amplo espectro de plantas daninhas.
Não deve ser utilizada em solos muito arenosos.
·
Alachlor + prometrina, aplicação
de preemergência: dosagens variando a 0,86 a 1,29
+ 11,2 a 11,6 kg/ha, a depender do conteúdo de
argila e matéria orgânica do solo. Controla várias
gramíneas e latifoliadas.
·
Pendimethalin + diuron: aplicação
de preemergência: dosagens variando de 1,25 a 1,75 + 1,2 a 1,6 kg/ha, dependendo do tipo de solo. Controla grande número
de plantas daninhas como dicotiledôneas.
·
Metalachlor + diuron, aplicação
de preemergência: dosagens de 1,8 a 2,16 + 1,2 a 1,6 kg/ha, dependendo do tipo de solo. Controla grande número de
plantas daninhas.
O pulverizador deverá estar
devidamente calibrado e com bicos apropriados, para o uso de
herbicidas.
Calibração de pulverizadores costal
e tratorizado
Além do perfeito funcionamento do pulverizador,
que deve ser sempre checado antes de cada aplicação, verificando-se todas as suas partes, como manômetro, regulador de pressão,
tubulações e bomba, se há vazamentos, bicos adequados
e iguais, é importante que o aparelho seja calibrado para que a aplicação
seja correta, isto é, que ele coloque a quantidade
do pesticida indicado na proporção correta por unidade de área.
A calibração é uma operação
simples, porém de suma importância. Para o uso de herbicidas recomenda-se
a vazão da calda, de 250 a 500
l/ha e, para inseticidas,
a vazão dependerá, basicamente, do estágio de crescimento da cultura.
Pulverizador costal manual
Este tipo de pulverizador,
também chamado “costa”, é indicado para pequenas propriedades, sendo bastante
usado na cultura algodoeira no Nordeste brasileiro: possui uma bomba
aspirante-premente (êmbolo ou diafragma) manual, com operação contínua, que
possibiliza uma pulverização constante e ininterrupta; pode ser usado para
qualquer tipo de defensivo agrícola, apesar de apresentar variação de vazão,
pois requer o bombeamento constante, que cansa o operador e, em geral,
não possui regulador de pressão. Também pode ser
usado com apenas um bico, ou uma pequena barra com dois ou três bicos no
máximo.
A calibração deve ser realizada
nas mesmas condições em que se vai fazer a aplicação do defensivo.
Para a aplicação de herbicida
de pré-plantio, incorporado (prepara-se o ,solo, aplica-se o herbicida,
incorporando-o a grade de disco ou enxada rotativa
e depois se planta a cultura) ou preemergência (prepara-se o solo, planta-se
a cultura e, depois, antes da germinação, aplica-se o produto) a calibração
deve ser realizada da seguinte maneira: admitindo-se que a aplicação seja de preemergência da
cultura e das plantas daninhas, utilizando-se o herbicida diuron, formulação
pó molhável, com 80% do princípio ativo (p.a) na dosagem de 1,8 kg p.a/ha, com o pulverizador munido de uma barra de dois bicos
leque 80.03.
A: Na área onde o solo já
foi preparado e plantadas as sementes do algodão, marca-se
uma distância de 50m
B: Enche-se o pulverizador
com água, a mais limpa possível, e se verificam as vazões dos bicos, bombeando-se
como se estivesse em plena pulverização. Os bicos
devem Ter a mesma vazão; para tal, fornece-se a pressão de trabalho; por
exemplo, 30-35 PSI; marca-se o tempo e, com uma proveta, verifica-se o
volume do líquido por determinado tempo, admitindo-se que em 30 segundos
a descarga de cada bico seja de 0,4 litro.
C: Verificada a vazão de cada
bico, enche-se o pulverizador com água e se pulveriza na distância marcada,
ou seja, 50m; com dois bicos e a barra a uma altura
de 46 a 50cm do solo, a faixa coberta será de 1,0 (m?); logo, a área será
de 50m2 . Pulverizada esta área, com o
uso de uma proveta se enche novamente o pulverizador e se verifica o consumo
de água. Repete-se esta operação três vezes, tirando-se a média aritmética
do consumo de água. O operador não deve alterar o passo (velocidade) nem
parar de bombear, para manter a pressão mais ou menos constante.
Admitindo-se que o consumo
médio de água foi de 1,5 litro, ter-se-á:
Se em 50m2 foi gasto 1,5 litro em um hectare (10.000m2)
tem-se:
50m2 .............................. 1,5l
10.000m2 ...................... xl
x = 300 l/ha
Caso o pulverizador tenha
capacidade para 20l, ter-se-á
que:
Em
10.000m2 ............................ 300l
x’m2 .................................. 20l
x’= 666,7m2
ou seja, cada pulverizador
cheio cobrirá uma área de 666,7m2. Neste
exemplo, o produto a ser aplicado será o diuron,
na dosagem de 1,8 kg p.a/ha. A quantidade a ser
aplicada deverá ser transformada em kg do produto comercial (P.C)/ha; como o diuron em pó molhável possui 60% de princípio
ativo, tem-se que:
Se
l kg P.C ................................... 0,8 kg p.a
x” kg P.C ...................................
1,8 kg
p.a
x” = 2,25 kg P.C/há
Deste modo, cada pulverizador
cheio que cobrirá uma parte de 666,7m2 , receberá:
10.000m2 ..................................... 2,25 kg P.C/ha
666,7m2 ...................................
x”
x” = 150g
P.C.
Em 1 ha deverão ser utilizados
15 pulverizadores:
666,7m2 ....................................
1 pulverizador
10.000m2 .................................... x””
x”” = 15 pulverizadores
É importante observar, no
ato da aplicação, as faixas do terreno que receberão o herbicida: não deve
haver superposição na aplicação, pois a dosagem seria dobrada na faixa
e, assim, danificaria a cultura; por outro lado, não deverá ficar área sem ser aplicada, visto
que as plantas daninhas germinariam e cresceriam, competindo com a cultura,
por água, luz, nutrientes e dióxido de carbono.
No caso do herbicida ser
solúvel em água coloca-se, no primeiro momento da aplicação, água até a
metade do tanque; depois, põe-se a quantidade correta do produto e, por
fim, completa-se com água ao tanque do pulverizador. No caso de pós molháveis
e concentrados emulsionáveis, a calda deve ser preparada em um recipiente
pequeno, antes de ser colocada no pulverizador, já com a metade do tanque
com água.
Para aplicação de inseticidas com o pulverizador
costal manual, os procedimentos básicos são os mesmos da aplicação de herbicidas.
Deve-se, no entanto, usar bicos do tipo cônico. A
maioria dos pulverizadores já vem com o bico do tipo cone, próprio para
uso com inseticidas. O volume de calda a ser aplicada
por unidade de área para uma mesma soagem, variará em função do estado
de crescimento e desenvolvimento da cultura.
Com a cultura já estabelecida,
a calibração deverá ser feita antes da aplicação do inseticida. O produtor
marca, no campo, determinada área; por exemplo, 5 fileiras de 20m de comprimento,
em que se supõe que o espaçamento da cultura seja de 1,0m, a área de calibragem
será de 100m2; com este dado, semelhante
ao exemplo da calibração para herbicidas, calculam-se a quantidade do produto
a ser colocada por pulverizador em função da dosagem do produto comercial
a ser usado por hectare, e a área coberta com cada pulverizador, além do
número necessário de pulverizadores para cobrir um hectare: deve-se evitar
o uso de medidas e, sim, fazer sempre a calibração do pulverizador. A quantidade
de calda deve ser suficiente para cobrir bem a folhagem e outras partes
das plantas. A medida em que a cultura vai crescendo, o operador vai reduzindo,
na sua calibração, a velocidade de aplicação, para que a cobertura seja
total. A quantidade do inseticida poderá ser a mesma,
porém se aumenta a vazão por área a ser aplicada.
Pulverizador de barra, tração animal
ou trator
O pulverizador de barra,
com 5 a 19 bicos, é recomendado para a aplicação de herbicidas e inseticidas
em áreas grandes. Os cuidados a serem tomados são
os mesmos do pulverizador costal manual. Em geral, os pulverizadores de
barra possuem regulador e marcador de pressão (manômetro) que, aliados
à força contínua de alimentação, são mais precisos que os costais.
O grupo de pesquisadores
do CNPA, da área de Mecanização Agrícola, desenvolveu
um pulverizador a tração animal que pode ser usado com sucesso para aplicação
de inseticidas, herbicidas, fungicidas e fertilizantes foliares.
Este pulverizador possui
uma barra que pode conter 7 ou 8 bicos do tipo leque ou cônico, um tanque
com capacidade para 200l, bomba de pistão de dupla
ação, circuito hidráulico, composto de câmara de compensação, válvula reguladora
de pressão, manômetro, mangueiras e filtro, misturador mecânico da solução
e haste de tração (um animal). É uma máquina de
baixo custo, precisa e que pode ser utilizada em pequenas e médias propriedades.
Todos os bicos de barras
e filtros devem ser do mesmo tipo e, por conseqüência, com mesma vazão.
Antes da
operação de calibração, o operador deve verificar se o pulverizador está
perfeito; para isto, colocará água até a metade do tanque, retirará os
bicos e filtros (dos bicos) e ligará para limpar todas as tubulações; depois,
com os bicos e filtros limpos (usa-se uma escova pequena) coloca-los-á
nos lugares, fazendo um pequeno ângulo de 5o
em relação à barra de pulverização. Para o uso de herbicidas
com bicos tipo 80 ou Albuz, a barra deve ficar a 46 a 50cm do solo e os
bicos distanciados entre si de 50cm, conforme já foi dito.
Admitindo-se que o produtor
possua um pulverizador de barra tratorizado com 15 bicos, tanque com capacidade
para 600 litros e queima aplicar o herbicida diuron na dosagem de 2.0 kg
p.a/ha, produto formulação em suspensão a 50% do
princípio ativo, em preemergência da cultura e das plantas daninhas, ele
deverá, de início e com o tanque cheio de água na área em que vai ser
aplicado o produto, realizar o cálculo do tempo. Regula-se
a pressão para 30 a 40 PSI, marcando-se uma distância no terreno, de 50m;
coloca-se o trator antes da linha inicial, selecionando-se a marcha de
aplicação (5 a 8 kg/hora) rotação em torno de 1.750rpm;
em seguida, escolhe-se um ponto de referência no trator (p.ex:
a roda traseira). Dá-se a partida cronometrando o tempo gasto para percorrer
os 50m levando-se em consideração a passagem do ponto de referência do
trator nos dois extremos da linha. Deve-se repetir esta operação pelo menos
três vezes, tirando-se a média aritmética do tempo gasto para percorrer
a citada distância.
Conhecido o tempo, passa-se
a determinar a vazão, que deverá ser igual para todos os bicos de barra
de pulverização; para isto, com o trator parado e ligado o cardã com a
mesma rotação com que andou o percurso de 50m determina-se, via proveta,
a quantidade de água descarregada por cada bico no tempo necessário para
o trator percorrer os 50m.
Admitindo-se que o trator
percorreu os 50m em 35,7 segundos, com uma velocidade de 5m/ha (1,40 m/s)
e que cada bico tipo 80.03, ou Albuz, cor vermelha,
teve uma vazão de 0,70 litro nos 35,7 segundos; constata-se que a área
aplicada foi de 375m2 [50m x 7,5m (15 bicos distanciados
50m)].
Logo:
Se 1 bico ......................................... 0,7l
15 bicos ...................................... xl
x
= 10,5 litros
Assim:
Se em
375m2 .................................. 10,5l
em 10.000m2 ............................. x’l
x’=
280 l/ha
280 l/ha será a vazão do pulverizador.
Como este tem capacidade para 600 litros, tem-se que:
1 ha ................................ 280l
x” ha ............................... 600l
x”’ = 2,14 ha
ou seja, um pulverizador
cobrirá 2,14 hectares
O produto a ser aplicado,
diuron suspensão, possui 50% do princípio ativo; logo, para uma dosagem
de 2,0 kg p.a/ha, tem-se:
1 kg do P.C ....................... 0,5 kg do p.a
x”’ kg do
P.C ....................... 2,0 kg
do p.a
x”’ = 4 P.C/ha
Assim:
Em
1 ha ................................... 4
kg do P.C
2,14 ha ...................................
x”’ kg do P.C
x”’=
8,56 kg do produto comercial
por pulverizador, para cobrir 2,14ha na dosagem de 2,0 kg do p.a/ha.
Para aplicação de inseticidas,
o procedimento deverá ser o mesmo, devendo-se mudar os bicos.
No caso de
pulverização dirigida envolvendo o uso de produtos não seletivos, de contato
ou sistêmico, como dos herbicidas, pode-se usar bicos especiais e pulverizadores
especiais com tubos que fazem com que os bicos fiquem a 30m da superfície
do solo. Neste caso, devem ser usados bicos tipo
defletor, polijet azul ou vermelho, com ângulo de abertura de 130º; são bicos que produzem gotas grandes (500 micra) o que
elimina o problema de deriva em bicos mais modernos, já disponíveis no
mercado.
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