Embrapa Algodão
Sistemas de Produção, 1
ISSN 1678-8710 Versão Eletrônica
Jan/2003

Cultura do Algodão Herbáceo na Agricultura Familiar


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Plantas daninhas


Vários métodos de controle podem ser utilizados, desde as limpas a enxada, até o uso de herbicidas, dependendo do tipo do produto e do tamanho da propriedade. No caso do controle mecânico-manual, com uso da enxada e do cultivador, é necessário que o produtor esteja devidamente informado sobre  quando e como realizar as limpas. 

No caso da primeira indagação, é oportuno que a cultura permaneça no limpo nos primeiros 60 dias após a emergência, período crítico, ou seja, caso haja competição entre a cultura e o complexo florístico, os danos à primeiro serão irreversíveis, isto é, plásticos, com aumento do ciclo, o que será incompatível com o manejo integrado de pragas e  redução no rendimento da cultura, visto que dois dos componentes da produção serão fatalmente reduzidos, que são: o número de capulhos por planta e o peso médio de um capulho.  Assim sendo, as limpas devem ser concentradas no período crítico de competição e, estando os demais fatores do crescimento em níveis ótimos, a partir dos 60 dias o índice de área foliar 95%  (LAI95) é atingindo e o controle cultural passa a operar, isto é, a própria cultura, via sombreamento, impede o crescimento  das plantas daninhas.  A outra indagação:  como  fazê-lo?  É também importante, pois os cultivos, tanto via cultivador como a enxada, devem ser superficiais, não mais que 3cm de vez que, caso contrário, muitas raízes das plantas serão cortadas, interferindo negativamente no crescimento e no desenvolvimento das plantas.


 

Com relação  ao método químico, vários herbicidas podem ser utilizados na cultura do algodoeiro herbáceo. Em aplicação de preemergência, as misturas de tanque diuron + alachlor;  diuron + pendimentalin;  diuron + metalachlor ou alachlor + cianazina, com dosagens variadas de acordo com os teores de argila e matéria orgânica do solo, em caso de populações mistas de plantas daninhas;  já em caso de populações de folhas largas (dicotiledôneas) pode-se usar somente o diuron.


 

Caso ocorra incidência de plantas daninhas perenes, os herbicidas de preemergência não funcionam bem.  O controle mecânico-manual é mais difícil e custoso de fazer, pois é necessário um número maior de limpas (o dobro do normal) isto é, de 2 a 4 limpas, dependendo do preparo do solo, das condições de cultivo e dos tipos de plantas daninhas, gastando-se mais tempo. O essencial em cada fazenda é separar as áreas infestadas com plantas perenes,  dando-lhes tratamento especial, preparando-as por último para evitar que os implementos agrícolas desestimulem partes da fazenda que não possuem tais plantas  daninhas.  Um método que pode ser usado para o controle  da tiririca é o uso de fileiras estreitas (0,8m a 0,6m) visto ser o controle cultural importante neste caso, uma vez que essas plantas daninhas necessitam de muita luz para crescer e  se desenvolver. Em geral, tais plantas ocorrem mais nas áreas irrigadas, onde as sementes e propágulos vegetativos, como rizomas e tuberculóides, são trazidos pelas águas.  Para um controle mais efetivo, além de se usar fileiras mais estreitas com vistas ao controle cultural pode-se utilizar, em pré-plantio, o herbicida Glyphosate, na dosagem de 2,5 a 3,0 l/ha   [N – (fosfometil) glicina, aplicado com a tiririca ou outra planta daninha perene, com o máximo de área foliar, sem ter entrado no processo de floração.


 

O importante é se fazer o controle dentro do período  crítico de competição de plantas daninhas com a cultura que, em geral, é de emergência das plântulas, até o 60º dia.  No caso do controle químico, usar uma das seguintes misturas de herbicidas:


 

·          Alachlor + diuron,  aplicação de preemergência:  dosagens variando em função do tipo de solo, de 0,86 a 1,29 + 1,2 a 1,6 kg/ha.  Esta mistura controla a maioria das plantas daninhas de folhas largas e de folhas estreitas.  Não deve ser utilizado em solos arenosos.

·          Alachlor + cyanazina,  aplicação de preemergência: dosagens variando em função do tipo de solo, de 0,86 a 1,29 + 1,25 a 1,50 kg/ha.  Esta mistura controla um amplo espectro de plantas daninhas. Não deve ser utilizada em solos muito arenosos.

·          Alachlor + prometrina, aplicação de preemergência:  dosagens variando a 0,86 a 1,29 + 11,2 a 11,6 kg/ha,   a depender do conteúdo de argila e matéria orgânica do solo.  Controla várias gramíneas e latifoliadas.

·          Pendimethalin + diuron: aplicação de preemergência: dosagens variando de 1,25 a 1,75 + 1,2 a 1,6 kg/ha,   dependendo do tipo de solo. Controla grande número de plantas daninhas como dicotiledôneas.

·          Metalachlor + diuron, aplicação de preemergência: dosagens de 1,8 a 2,16 + 1,2 a 1,6 kg/ha,  dependendo do tipo de solo. Controla grande número de plantas daninhas.


 

O pulverizador deverá estar  devidamente calibrado e com bicos apropriados, para o uso de herbicidas.


 


 

Calibração de pulverizadores  costal e tratorizado


Além do perfeito funcionamento do pulverizador, que deve ser sempre checado antes de cada aplicação, verificando-se todas  as suas partes, como manômetro, regulador de pressão, tubulações e bomba,  se há vazamentos, bicos adequados e iguais, é importante que o aparelho seja calibrado para que a aplicação seja correta, isto é, que  ele coloque a quantidade do pesticida indicado na proporção correta por unidade de área.


 

A calibração é uma operação simples, porém de suma importância. Para o uso de herbicidas recomenda-se a vazão da calda, de 250  a  500 l/ha e,  para inseticidas, a vazão dependerá, basicamente, do estágio de crescimento da cultura.


 

Pulverizador costal manual


Este tipo de pulverizador, também chamado “costa”, é indicado para pequenas propriedades, sendo bastante usado na cultura algodoeira no Nordeste brasileiro: possui uma bomba aspirante-premente (êmbolo ou diafragma) manual, com operação contínua, que possibiliza uma pulverização constante e ininterrupta; pode ser usado para qualquer tipo de defensivo agrícola, apesar de apresentar variação de vazão, pois requer o bombeamento constante, que cansa o operador e, em geral, não possui regulador de pressão. Também pode ser usado com apenas um bico, ou uma pequena barra com dois ou três bicos no máximo.


 

A calibração deve ser realizada nas mesmas condições em que se vai fazer a aplicação do defensivo.


 

Para a aplicação de herbicida de pré-plantio, incorporado (prepara-se o ,solo, aplica-se o herbicida, incorporando-o a grade de disco ou enxada  rotativa e depois se planta a cultura) ou preemergência (prepara-se o solo, planta-se a cultura e, depois, antes da germinação, aplica-se o produto) a calibração deve ser realizada  da seguinte  maneira: admitindo-se que a aplicação seja de preemergência da cultura e das plantas daninhas, utilizando-se o herbicida diuron, formulação pó molhável, com 80% do princípio ativo (p.a) na dosagem de 1,8 kg p.a/ha,  com o pulverizador munido de uma barra de dois bicos leque 80.03.


 

A:  Na área onde o solo já foi preparado e plantadas as sementes do algodão,  marca-se uma distância de 50m


 

B:  Enche-se o pulverizador com água, a mais limpa possível, e se verificam as vazões dos bicos, bombeando-se como se estivesse em plena pulverização.  Os bicos devem Ter a mesma vazão; para tal, fornece-se a pressão de trabalho; por exemplo, 30-35 PSI; marca-se o tempo e, com uma proveta, verifica-se o volume do líquido por determinado tempo, admitindo-se que em 30 segundos a descarga de cada bico seja de 0,4 litro.


 

C:  Verificada a vazão de cada bico, enche-se o pulverizador com água e se pulveriza na distância marcada, ou seja, 50m;  com dois bicos e a barra a uma altura de 46 a 50cm do solo, a faixa coberta será de 1,0 (m?); logo, a área será de 50m2 .  Pulverizada esta área, com o uso de uma proveta se enche novamente o pulverizador e se verifica o consumo de água. Repete-se esta operação três vezes, tirando-se a média aritmética do consumo de água. O operador não deve alterar o passo (velocidade) nem parar de bombear, para manter a pressão mais ou menos constante.


 

Admitindo-se que o consumo médio de água foi de 1,5 litro, ter-se-á:

Se em 50m2   foi gasto 1,5 litro em um hectare (10.000m2) tem-se:


 

50m2 ..............................       1,5l

10.000m2 ......................          xl


 

x = 300 l/ha


 

Caso o pulverizador tenha capacidade para 20l,  ter-se-á que:

Em


 

10.000m2 ............................      300l

 x’m2  ..................................        20l   


 

x’= 666,7m2


 

ou seja, cada pulverizador cheio cobrirá uma área de 666,7m2.  Neste exemplo, o produto a ser aplicado  será o diuron, na dosagem de 1,8 kg p.a/ha.   A quantidade a ser aplicada deverá ser transformada em kg do produto comercial (P.C)/ha;   como o diuron em pó molhável possui 60% de princípio ativo, tem-se que:

Se

l   kg  P.C  ...................................  0,8 kg  p.a

x” kg  P.C  ...................................  1,8 kg p.a

x” = 2,25 kg  P.C/há


 

Deste modo, cada pulverizador cheio que cobrirá uma parte de 666,7m2 , receberá:


 

10.000m2 .....................................  2,25 kg P.C/ha

666,7m2  ...................................             x”

x” =  150g P.C.


 

Em 1 ha deverão ser utilizados 15 pulverizadores:


 

666,7m2  ....................................      1 pulverizador

10.000m2   ....................................              x””

x”” = 15 pulverizadores


 

É importante observar, no ato da aplicação, as faixas do terreno que receberão o herbicida: não deve haver superposição na aplicação, pois a dosagem seria dobrada na faixa e, assim, danificaria a cultura; por outro lado, não deverá ficar  área sem ser aplicada,  visto que as plantas daninhas germinariam e cresceriam, competindo com a cultura, por água, luz, nutrientes e dióxido de carbono.


 

No caso do herbicida ser solúvel em água coloca-se, no primeiro momento da aplicação, água até a metade do tanque; depois, põe-se a quantidade correta do produto e, por fim, completa-se com água ao tanque do pulverizador. No caso de pós molháveis e concentrados emulsionáveis, a calda deve ser preparada em um recipiente pequeno, antes de ser colocada no pulverizador, já com a metade do tanque com água.


 

Para aplicação de inseticidas com o pulverizador costal manual, os procedimentos básicos são os mesmos da aplicação de herbicidas. Deve-se, no entanto, usar bicos do tipo cônico.  A maioria dos pulverizadores já vem com o bico do tipo cone, próprio para uso com inseticidas. O volume de calda a ser aplicada por unidade de área para uma mesma soagem, variará em função do estado de crescimento e desenvolvimento da cultura.


 

Com a cultura já estabelecida, a calibração deverá ser feita antes da aplicação do inseticida. O produtor marca, no campo, determinada área; por exemplo, 5 fileiras de 20m de comprimento, em que se supõe que o espaçamento da cultura seja de 1,0m, a área de calibragem será de 100m2;   com este dado, semelhante ao exemplo da calibração para herbicidas, calculam-se a quantidade do produto a ser colocada por pulverizador em função da dosagem do produto comercial a ser usado por hectare, e a área coberta com cada pulverizador, além do número necessário de pulverizadores para cobrir um hectare: deve-se evitar o uso de medidas e, sim, fazer sempre a calibração do pulverizador. A quantidade de calda deve ser suficiente para cobrir bem a folhagem e outras partes das plantas. A medida em que a cultura vai crescendo, o operador vai reduzindo, na sua calibração, a velocidade de aplicação, para que a cobertura seja total.  A quantidade do inseticida poderá ser a mesma, porém se aumenta a vazão por área a ser aplicada.


 

Pulverizador de barra,  tração animal ou trator


O pulverizador de barra, com 5 a 19 bicos, é recomendado para a aplicação de herbicidas e inseticidas em áreas grandes.  Os cuidados a serem tomados são os mesmos do pulverizador costal manual. Em geral, os pulverizadores de barra possuem regulador e marcador de pressão (manômetro) que, aliados à força contínua de alimentação, são mais precisos que os costais.


 

O grupo de pesquisadores do CNPA, da área de  Mecanização Agrícola, desenvolveu um pulverizador a tração animal que pode ser usado com sucesso para aplicação de inseticidas, herbicidas, fungicidas e fertilizantes foliares.                 


 

Este pulverizador possui uma barra que pode conter 7 ou 8 bicos do tipo leque ou cônico, um tanque com capacidade para 200l, bomba de pistão de dupla ação, circuito hidráulico, composto de câmara de compensação, válvula reguladora de pressão, manômetro, mangueiras e filtro, misturador mecânico da solução e haste de tração (um animal).  É uma máquina de baixo custo, precisa e que pode ser utilizada em pequenas e médias propriedades.


 

Todos os bicos de barras e filtros devem ser do mesmo tipo e, por conseqüência, com mesma vazão.


 

Antes  da operação de calibração, o operador deve verificar se o pulverizador está perfeito; para isto, colocará água até a metade do tanque, retirará os bicos e filtros (dos bicos) e ligará para limpar todas as tubulações; depois, com os bicos e filtros limpos (usa-se uma escova pequena) coloca-los-á nos lugares, fazendo um pequeno ângulo de 5o  em relação à barra de pulverização. Para o uso de herbicidas com bicos tipo 80 ou Albuz, a barra deve ficar a 46 a 50cm do solo e os bicos distanciados entre si de 50cm, conforme já foi dito.


 

Admitindo-se que o produtor possua um pulverizador de barra tratorizado com 15 bicos, tanque com capacidade para 600 litros e queima aplicar o herbicida diuron na dosagem de 2.0 kg p.a/ha,  produto formulação em suspensão a 50% do princípio ativo, em preemergência da cultura e das plantas daninhas, ele deverá, de início e com o tanque cheio de água na área em que vai ser aplicado o produto, realizar o cálculo do tempo.  Regula-se a pressão para 30 a 40 PSI, marcando-se uma distância no terreno, de 50m; coloca-se o trator antes da linha inicial, selecionando-se a marcha de aplicação (5 a 8 kg/hora) rotação em torno de 1.750rpm;  em seguida, escolhe-se um ponto de referência no trator (p.ex: a roda traseira). Dá-se a partida cronometrando o tempo gasto para percorrer os 50m levando-se em consideração a passagem do ponto de referência do trator nos dois extremos da linha. Deve-se repetir esta operação pelo menos três vezes, tirando-se a média aritmética do tempo gasto para percorrer a citada distância.


 

Conhecido o tempo, passa-se a determinar a vazão, que deverá ser igual para todos os bicos de barra de pulverização; para isto, com o trator parado e ligado o cardã com a mesma rotação com que andou o percurso de 50m determina-se, via proveta, a quantidade de água descarregada por cada bico no tempo necessário para o trator percorrer os 50m.


 

Admitindo-se que o trator percorreu os 50m em 35,7 segundos, com uma velocidade de 5m/ha (1,40 m/s) e que  cada bico tipo 80.03, ou Albuz, cor vermelha, teve uma vazão de 0,70 litro nos 35,7 segundos; constata-se que a área aplicada foi de 375m2 [50m x 7,5m (15 bicos distanciados 50m)].

Logo:

Se          1 bico .........................................    0,7l

           15 bicos  ......................................       xl

               x = 10,5 litros

         Assim:

Se      em 375m2   ..................................  10,5l

            em 10.000m2    .............................      x’l

         x’= 280 l/ha

280 l/ha será  a vazão do pulverizador. Como este tem capacidade para 600 litros, tem-se que:


 

           1 ha  ................................   280l

           x” ha  ...............................    600l

          x”’ = 2,14 ha

  ou seja, um pulverizador cobrirá 2,14 hectares


 

O produto a ser aplicado, diuron suspensão, possui 50% do princípio ativo; logo, para uma dosagem de 2,0 kg p.a/ha, tem-se:


 

1 kg do P.C .......................    0,5 kg do p.a

x”’ kg do  P.C .......................    2,0 kg do p.a

x”’ = 4 P.C/ha


 

Assim:   

Em      1 ha ...................................       4 kg do P.C

          2,14 ha ...................................     x”’ kg do P.C

        

 x”’= 8,56 kg do produto comercial

por pulverizador, para cobrir  2,14ha na dosagem de 2,0 kg do p.a/ha.


 

Para aplicação de inseticidas, o procedimento deverá ser o mesmo, devendo-se mudar os bicos.


No caso de pulverização dirigida envolvendo o uso de produtos não seletivos, de contato ou sistêmico, como dos herbicidas, pode-se usar bicos especiais e pulverizadores especiais com tubos que fazem com que os bicos fiquem a 30m da superfície do solo.  Neste caso, devem ser usados bicos tipo defletor, polijet azul ou vermelho, com ângulo de abertura de 130º;  são bicos que produzem gotas grandes (500 micra) o que elimina o problema de deriva em bicos mais modernos, já disponíveis no mercado. 


 

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