Embrapa Algodão
Sistemas de Produção, 1
ISSN 1678-8710 Versão Eletrônica
Jan/2003

Cultura do Algodão Herbáceo na Agricultura Familiar


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Expediente

Plantio

 

Manejo cultural

O estabelecimento adequado do algodoeiro é a chave do sucesso no empreendimento. Tarefa das mais importantes, que requer cuidados do qual depende todo o processo produtivo, compreende a época de semeadura, espaçamento adequado, consórcio com outras culturas (se for o caso) adubação e semeadura.


 

A época do plantio refere-se ao período do ano mais recomendado para se iniciar o cultivo de qualquer espécie vegetal, considerando-se que, ao longo do ciclo das plantas, e em cada estádio de desenvolvimento, devam ocorrer condições ambientais favoráveis. Assim, se a época de plantio é determinada diretamente pelos fatores climáticos, o zoneamento determina a época de plantio.


 

Para o cultivo do algodoeiro, a melhor época de plantio é de acordo com o zoneamento sendo muito importante em virtude da sensibilidade, que a espécie possui  em relação aos fatores ambientais, em especial para a água, que é o fator mais escasso.


 

O algodão é uma cultura que não necessita de grandes volumes de água durante seu ciclo. Deve-se programar a época de plantio, de forma que a colheita ocorra no período seco, evitando-se o comprometimento da qualidade da fibra colhida. A época de plantio varia de acordo com a região concentrando-se, no Nordeste,  de novembro a maio.  O teor de umidade do solo é de grande significação no momento do plantio, por facilitar as  operações com o solo, favorecer a germinação das sementes e o desenvolvimento inicial das plantas, e ainda formar um stand adequado, razão por que se recomenda o plantio nas primeiras chuvas.


 

Uma prática de importância ímpar é a conscientização dos produtores de uma mesma área e dentro de uma mesma região, para que procedam ao plantio na mesma época, para facilitar o controle do bicudo, não devendo ultrapassar 30 dias de um plantio para o outro.


 

O espaçamento e a densidade de plantio são aspectos tecnológicos, que definem a população e o arranjo de plantas, podendo interferir no rendimento e nas operações a serem realizadas em uma lavoura.


 

A população ideal de plantas de uma cultura por unidade de área, é um dos componentes de produção que contribuem significativamente para o aumento da produtividade.


 

O espaçamento adequado é aquele em que as folhas das plantas devem cobrir toda a superfície entre fileiras, na época do máximo florescimento, sem haver entrelaçamento entre elas.  


 

A quantidade de sementes por metro linear é definida pelo espaçamento, que é definido em função da cultivar, clima, fertilidade da área, sistema de cultivo e tipo de colheita (mecanizada ou manual). O total de plantas por hectare influencia diretamente a produção e a produtividade.


 

Para as regiões de sequeiro do Nordeste brasileiro, usam-se os seguintes espaçamentos: para as cultivares de maior porte e hábito de crescimento mais determinado, utiliza-se o espaçamento de 1,00 x 0,20m, com duas plantas por cova no plantio manual, e de 5 a 115 plantas por metro linear no plantio mecanizado, no qual se gasta, em média, 12 a 15 sementes (deslintadas) incluindo-se o replantio. Para as cultivares de ciclo e hábito de crescimento menor, utilizam-se os espaçamentos de 0,80 x 0,20m ou 0,70 x 0,30m, dependendo das condições de cultivo e dos tipos de máquinas existentes. Em ambos os espaçamentos, pode-se usar de 1-2 plantas por cova (manual) ou 5-15 plantas por metro linear.


 

Para o pequeno produtor do Nordeste, com unidade de produção envolvendo mão-de-obra familiar, limitação drástica de capital e pequena área, inferior a 20 ha recomenda-se, com o uso de qualquer uma das cultivares indicadas, a utilização do sistema de fileiras duplas já que, entre outras vantagens, tem-se: redução no uso de inseticidas, facilidade para a colheita e aumento da mortalidade do bicudo pelo maior aquecimento da superfície do solo. Neste sistema, o algodão é plantado no espaçamento 1,7 x 0,3 x 0,2m, com 1-2 plantas por cova e 50.000 a 100.000 plantas por hectare.


 

A semeadura do algodoeiro pode ser realizada de várias formas: semeadura tratorizada, com tração animal, manual e através de utilização de matraca porém, para se orientar com o qual se deve trabalhar, tem-se que levar em conta as condições  econômicas do produtor.


 

Em trabalhos desenvolvidos pela Embrapa Algodão , os pesquisadores mostraram que a utilização da matraca no plantio diminuiu os custos no plantio  com 73%, 48% e (33% a 52%) quando comparado com o plantio manual (com auxílio de enxada), tração animal e tratorizado (dependendo do tipo de semeadura).  Assim, deve-se recomendar, para a região nordestina, a utilização do plantio com o uso da matraca pois, além dos custos menores, quando do uso da matraca, espera-se maior uniformidade no stand, com densidade e arranjo do plantio adequado, ou seja, um plantio sem falhas.  O produtor pode, ainda, utilizar o plantio com semeadeira a tração animal; já o plantio manual não é tão recomendado, pois é lento e ineficiente.


 

Como o bom estabelecimento do plantio do algodão é um dos pontos-chave para o sucesso visando ótima produtividade, ao se fazer o plantio deve-se observar que este não pode ser superadensado nem falho, mas uniforme para garantir a produtividade desejada.


 

Durante o plantio o solo não deve estar encharcado mas deve estar com temperatura entre 24º e 28ºC. Tempo chuvoso, com sol encoberto e temperatura abaixo de 20ºC é prejudicial, dificultando a germinação.  O sulcamento ou as covas devem seguir as curvas do terreno, em função da declividade, para evitar erosão. Deve-se, também, observar o espaçamento correto.


 

O raleamento ou desbaste consiste na eliminação do excesso de plantas nas fileiras do algodoeiro, com o fim de se obter a população desejada. Não se deve deixar de fazer esse trato na lavoura, pois com o excesso de plantas a tendência é que se tenha, ao final, plantas menos vigorosas, com menor produção por planta, (ou por hectare) devido à competição entre plantas por luz, água e nutrientes, o que, ao final, representará menor produtividade do algodoeiro.


 

Preferencialmente, esta prática deverá ser realizada entre 20 e 30 dias após a emergência do algodoeiro ou quando atingirem de 15 a 20cm de altura, com o solo úmido, arrancando-se as plantas no sentido vertical para não prejudicar o sistema radicular das plantas circunvizinhas.


 

Deverá ser realizada de maneira que se tenha, ao final, 2-3 plantas por cova, ou 7-10 plantas por metro linear.  As plantas propensas ao arranquio serão  aquelas com desenvolvimento fraco, debilitadas, atacadas por pragas ou doentes. O ideal é usar sementes de elevado valor cultural, com baixa densidade e não fazer o desbaste.


 

 

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