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Embrapa Algodão |
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Cultura do Algodão Herbáceo na Agricultura Familiar |
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Importância econômica |
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Manejo cultural
A época do plantio refere-se
ao período do ano mais recomendado para se iniciar o cultivo de qualquer
espécie vegetal, considerando-se que, ao longo do ciclo das plantas, e em
cada estádio de desenvolvimento, devam ocorrer condições ambientais favoráveis.
Assim, se a época de plantio é determinada diretamente pelos fatores
climáticos, o zoneamento determina a época de plantio.
Para o cultivo do algodoeiro,
a melhor época de plantio é de acordo com o zoneamento sendo muito importante
em virtude da sensibilidade, que a espécie possui em
relação aos fatores ambientais, em especial para a água, que é o fator mais
escasso.
O algodão é uma cultura que
não necessita de grandes volumes de água durante seu ciclo. Deve-se programar
a época de plantio, de forma que a colheita ocorra no período seco, evitando-se
o comprometimento da qualidade da fibra colhida. A época de plantio varia
de acordo com a região concentrando-se, no Nordeste, de
novembro a maio. O teor de umidade do solo é de grande
significação no momento do plantio, por facilitar as operações
com o solo, favorecer a germinação das sementes e o desenvolvimento inicial
das plantas, e ainda formar um stand adequado, razão por que se
recomenda o plantio nas primeiras chuvas.
Uma prática de importância
ímpar é a conscientização dos produtores de uma mesma área e dentro de uma
mesma região, para que procedam ao plantio na mesma época, para facilitar
o controle do bicudo, não devendo ultrapassar 30 dias de um plantio para
o outro.
O espaçamento e a densidade
de plantio são aspectos tecnológicos, que definem a população e o arranjo
de plantas, podendo interferir no rendimento e nas operações a serem realizadas
em uma lavoura.
A população ideal de plantas
de uma cultura por unidade de área, é um dos componentes de produção que
contribuem significativamente para o aumento da produtividade.
O espaçamento adequado é aquele
em que as folhas das plantas devem cobrir toda a superfície entre fileiras,
na época do máximo florescimento, sem haver entrelaçamento entre elas.
A quantidade de sementes por
metro linear é definida pelo espaçamento, que é definido em função da
cultivar, clima, fertilidade da área, sistema de cultivo e tipo de colheita
(mecanizada ou manual). O total de plantas por hectare influencia diretamente
a produção e a produtividade.
Para as regiões de sequeiro
do Nordeste brasileiro, usam-se os seguintes espaçamentos: para as cultivares
de maior porte e hábito de crescimento mais determinado, utiliza-se o
espaçamento de 1,00 x 0,20m, com duas plantas por cova no plantio manual,
e de 5 a 115 plantas por metro linear no plantio mecanizado, no qual se
gasta, em média, 12 a 15 sementes (deslintadas) incluindo-se o replantio.
Para as cultivares de ciclo e hábito de crescimento menor, utilizam-se os
espaçamentos de 0,80 x 0,20m ou 0,70 x 0,30m, dependendo das condições de
cultivo e dos tipos de máquinas existentes. Em ambos os espaçamentos, pode-se
usar de 1-2 plantas por cova (manual) ou 5-15 plantas por metro linear.
Para o pequeno produtor do
Nordeste, com unidade de produção envolvendo mão-de-obra familiar, limitação
drástica de capital e pequena área, inferior a 20 ha recomenda-se, com
o uso de qualquer uma das cultivares indicadas,
a utilização do sistema de fileiras duplas já que, entre outras vantagens,
tem-se: redução no uso de inseticidas, facilidade para a colheita e aumento
da mortalidade do bicudo pelo maior aquecimento da superfície do solo. Neste
sistema, o algodão é plantado no espaçamento 1,7 x 0,3 x 0,2m, com 1-2
plantas por cova e 50.000 a 100.000 plantas por hectare.
A semeadura do algodoeiro
pode ser realizada de várias formas: semeadura tratorizada, com tração animal,
manual e através de utilização de matraca porém, para se orientar com o
qual se deve trabalhar, tem-se que levar em conta as condições econômicas do produtor.
Em trabalhos desenvolvidos
pela Embrapa Algodão
, os pesquisadores mostraram que a utilização da matraca no plantio diminuiu
os custos no plantio com 73%, 48% e (33% a 52%) quando
comparado com o plantio manual (com auxílio de enxada), tração animal e
tratorizado (dependendo do tipo de semeadura). Assim,
deve-se recomendar, para a região nordestina, a utilização do plantio com
o uso da matraca pois, além dos custos menores, quando do uso da matraca,
espera-se maior uniformidade no stand, com densidade e arranjo do
plantio adequado, ou seja, um plantio sem falhas. O
produtor pode, ainda, utilizar o plantio com semeadeira a tração animal;
já o plantio manual não é tão recomendado, pois é lento e ineficiente.
Como o bom estabelecimento
do plantio do algodão é um dos pontos-chave para o sucesso visando ótima
produtividade, ao se fazer o plantio deve-se observar que este não pode
ser superadensado nem falho, mas uniforme para garantir a produtividade
desejada.
Durante o plantio o solo não
deve estar encharcado mas deve estar com temperatura entre 24º e 28ºC.
Tempo chuvoso, com sol encoberto e temperatura abaixo de 20ºC é prejudicial,
dificultando a germinação. O sulcamento ou as covas
devem seguir as curvas do terreno, em função da declividade, para evitar
erosão. Deve-se, também, observar o espaçamento correto.
O raleamento ou desbaste
consiste na eliminação do excesso de plantas nas fileiras do algodoeiro,
com o fim de se obter a população desejada. Não se deve deixar de fazer
esse trato na lavoura, pois com o excesso de plantas a tendência é que
se tenha, ao final, plantas menos vigorosas, com menor produção por planta,
(ou por hectare) devido à competição entre plantas por luz, água e nutrientes,
o que, ao final, representará menor produtividade do algodoeiro.
Preferencialmente, esta prática
deverá ser realizada entre 20 e 30 dias após a emergência do algodoeiro
ou quando atingirem de 15 a 20cm de altura, com o solo úmido, arrancando-se
as plantas no sentido vertical para não prejudicar o sistema radicular das
plantas circunvizinhas.
Deverá ser realizada de
maneira que se tenha, ao final, 2-3 plantas por cova, ou 7-10 plantas por
metro linear. As plantas propensas ao arranquio
serão aquelas com desenvolvimento fraco, debilitadas,
atacadas por pragas ou doentes. O ideal é usar sementes de elevado valor
cultural, com baixa densidade e não fazer o desbaste. |
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