Embrapa Algodão
Sistemas de Produção, 1
ISSN 1678-8710 Versão Eletrônica
Jan/2003

Cultura do Algodão Herbáceo na Agricultura Familiar


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Pragas


Um dos grandes empecilhos para o crescimento da cultura do algodoeiro no Nordeste brasileiro é, sem dúvida, a grande ocorrência de pragas na região pois, se não forem controlados adequadamente,  insetos como o bicudo (Anthonomus grandis, Boheman) e as diversas lagartas que ocorrem na cultura, poderão dizimar áreas de algodão, fazendo com que o produtor obtenha baixas produtividades. Para o controle destas e de outras pragas, não se deve lançar mão de métodos isolados mas, sim, utilizar, em conjunto, as diversas armas de que se dispõe: a isto se chama manejo integrado de pragas.

No manejo integrado de pragas – MIP,  não se recomenda aplicar piretróides nos primeiros 70 dias da cultura, visto que, devido à baixa seletividade apresentada por esses produtos, os mesmos eliminam os inimigos naturais, que são os insetos ou aracnídeos (joaninhas, aranhas, lixeiro, tesourinha, calleida etc.)  que se encontram na natureza e atuam alimentando-se de pragas, parasitando seus ovos ou áreas.  Com a eliminação desses inimigos, as pragas tendem a ter sua população elevada, acima dos níveis de controle recomendados, aumentando a necessidade de pulverizações, posteriormente.

Monitoramento ou amostragem de pragas


O monitoramento  consiste na amostragem da área, visando o acompanhamento da evolução na área, em ziguezague, para se obter maior representatividade observando-se, em 50 plantas, se ocorrem pragas ou inimigos naturais, anotando-se todos os dados, para posterior avaliação. É através da amostra que se conhece a melhor hora de se fazer uma intervenção química na área, efetivada quando a praga atingir o nível de controle, o qual consiste no ponto máximo admitido, ou melhor, no nível ou ponto crítico e, ainda, que se pode conviver com a praga, sem a necessidade de se utilizar inseticidas; ultrapassando este ponto admissível (ponto crítico) faz-se oportuna a intervenção do homem, para que a praga não destrua o algodoeiro.


 

A amostragem deve ser repetida de 5 em 5 dias.


 

Níveis  de  controle  de  pragas


Os níveis de controle citados na literatura e recomendados pela Embrapa Algodão , para a região Nordeste, são:  cultura de sequeiro e as cultivares recomendadas


 

1.      Pulgão:  70%  das plantas  observadas, com colônias. Este nível de alto controle só é utilizado no Nordeste devido ao fato de não se ter problemas com viroses na cultura, nesta região, visto que as cultivares utilizadas são resistentes a tais doenças.


 

2. Curuquerê: 25% das plantas foram observados com 2 lagartas, em média.


 

3. Lagarta rosada: 10% das maçãs firmes apresentavam sinal de ataque.


 

4. Lagarta das maçãs: 13% de ataque, ou seja, 6 plantas atacadas nas 50 amostradas.


 

5.      Bicudo: 10% de ataque, significando que 5 botões florais foram atacados em 50 plantas amostradas, observando-se apenas 1 botão por planta.


 

6.     Mosca branca: Deve-se observar, nas 50 plantas, a folha do 5º nó, contando-se de cima para baixo.  Se forem encontradas 25 plantas com três ou mais adultos por folha, deve-se realizar o controle químico.

Características das principais  pragas e  controle


Curuquerê (Alabama  argillacea)


 

Conhecido como Lagarta da Folha, o curuquerê inicia o ataque na primeira semana após o nascimento das plantas, podendo atacar até o final do ciclo da cultura. O dano causado é a desfolha, sendo que se inicia pela parte superior e em reboleiras.

     

As lagartas são verde-claro, em baixa infestação, e até pretas em alta infestação, destacando-se na forma denominada mede-palmo.


 

O ciclo é de 35 dias, sendo 20 dias na forma de lagarta, ovipositando de 500 a 600 ovos/ciclo (5 a 10/plantas).


 

Os produtos recomendados para o seu controle, mostram-se na tabela abaixo.
Princípio ativo
Nome comercial
Dosagem comercial/ha
Duflubenzuton
Dimilin
60g
Bacillus thuringiensis
Dipel PM e outros
500g
Endosulfan
Endosulfan
1,0  a  1,5 l

 

LAGARTA  DAS MAÇÃS (Helicoverpa zea,  Heliothis virencens)


 

As mariposas ovopositam nos ponteiros, brácteas, botões e folhas novas. As lagartas são verdes, amarelo-pálido ou rosadas, com faixas escuras no corpo e freqüentemente com manchas pretas na base dos pelos.


 

A pupa permanece no solo e pode ocorrer diapausa de 90 a 130 dias. A fêmea vive cerca de 15 dias e coloca em torno de 600 ovos. O ciclo é de 60 dias, podendo ocorrer três gerações no ciclo da cultura. O período crítico vai da fase de botões florais até o aparecimento dos primeiros capulhos. Os danos se caracterizam pelo ataque de tecidos novos, folhas e botões florais, causando queda dos últimos, pelas lagartas recém-nascidas. Posteriormente,  atacam maçãs, de cujas fibras e sementes em formação se alimentam.


 

Os produtos recomendados para seu controle, são:
Princípio ativo
Nome comercial
Dosagem comercial/ha
Bacillus thuringiensis
Dipel PM e outros
500g
Endosulfan
Thiodan
1,0  a  2,0 l

 
Endosulfan

 
Carbaryl
Carbaryl 480 cs/Sevim
2,5 kg


LAGARTA  ROSADA (Pectinophora  gossypiella)


 

Praga de grande importância para a cultura, seu ciclo é de 21 a 45 dias em que o adulto, de hábito noturno, vive de 5 a 7 dias. Seu aparecimento se inicia a partir de 70 dias, no começo do florescimento, tornando-se mais freqüente após os 100 dias.  Seu ataque é facilmente percebido pois as flores atacadas não abrem (rosetadas).  Nos frutos, as larvas penetram logo após a eclosão, alimentando-se das sementes, em seu interior.


 

As amostragens devem ser realizadas observando-se a primeira maçã firme encontrada de cima para baixo.


 

O plantio na época correta faz parte do MIP  para esta praga,  visto que populações maiores ocorrem em lavouras plantadas tardiamente, assim como a eliminação de outras plantas hospedeiras (malváceas em geral).


 

Tem-se, na tabela seguinte, a relação dos produtos recomendados para seu controle


 
Princípio ativo
Nome comercial
Dosagem comercial/ha
Carbaryl
Sevim 850PM
1,5 kg
Endosulfan
Thiodan/Endosulfam
2,0 l
Deltametrina
Decis50SC
0,30 l


 

MOSCA BRANCA (Bemisia spp)


Praga de difícil controle,  devido ao número de espécies vegetais que ataca (mais de 500, como tomate, feijão, soja, amendoim, pimentão e outros). Mede 0,7 a 1,5mm de comprimento e vive em colônias, na face inferior das folhas.


 

Seu dano pode ser em razão do inseto ser vetor de virose, transmitida por plantas daninhas (sida spp) ao algodoeiro, não sendo transmitida entre o algodão ou, ainda, pela depreciação da fibra através da contaminação com açúcar (caramelização)  e escurecimento pela fumagina, podendo diminuir a produtividade em mais de 50%.  O inseto adulto vive em média 18 dias e seu período larval é de 2 a 4 semanas.


 

Rotação de inseticidas é importante para o controle desta praga, evitando-se usar piretróides em demasia e usá-los só após 70 dias.


 

Além do controle químico, pode-se lançar mão de barreiras com gramíneas (milho e sorgo) que servirão de quebra-vento, destruição de restos de culturas, evitar plantar algodão perto de melão, melancia e soja, entre outras plantas hospedeiras.


 

Tem-se, a abaixo, os produtos recomendados para o controle da mosca branca

Princípio ativo

Nome comercial

Dosagem comercial/ha

Endosulfan

Thiodan 350 CE

1,5 l

Imidacloprid

Confidor

0,36 kg

Triazophós

Hostation

1,00  l

Deltametrina

Decis50SC

0,30  l

Buprofezim

Applaud 250

0,20 kg

Detergente neutro


 

0,16   (???)


Pulgão (Aphys  gossypii)


 

Inseto sugador, o adulto tem 1,5mm e vive em colônias localizadas na face inferior das folhas, cuja espécie Aphys gossypii  é a mais comum. O dano observado é o encarquilamento e a mela (exudações açucaradas) o que deprecia a fibra, além de ser um importante vetor de viroses. Seu ataque vai do nascimento da planta até o aparecimento dos primeiros capulhos.


 

Estes são os produtos recomendados para o controle do Pulgão.

Princípio ativo

Nome comercial

Dosagem comercial/ha

Thiometon

Ekatim

0,30  a  0,50  l

Pirimicard

Pirimor

0,10 kg


 

Bicudo do algodoeiro (Anthonomus grandis)


Sem dúvida, é a praga que mais prejuízos tem ocasionado à lavoura algodoeira nordestina. Ataca os botões florais e as maçãs jovens, onde a fêmea ovoposita através de um orifício que, após, é fechado com uma secreção amarela, que visa à proteção do ovo no interior do botão. Em torno de 5 a 7 dias após o ataque, os botões caem ao solo, para só então completar seu ciclo, que é de 2 a 3 semanas e os adultos vivem 20 a 40 dias. As fêmeas põem em média 150 ovos, podendo chegar a 300 durante seu ciclo e colocar mais de um ovo por botão/maçã.

        

O ataque tem início pelas bordas da lavoura, sendo que vai desde o aparecimento dos primeiros botões até a abertura dos primeiros capulhos.    

Como medidas de controle recomendam-se, além da utilização de produtos químicos, medidas complementares, dentre as quais se destacam:


 

Época de plantio:  O plantio uniforme na região, com todos os produtores plantando na mesma época,  faz com que encurte o período com estruturas de reprodução viáveis à oviposição do inseto.  Para ter sucesso no controle do bicudo, o produtor deve seguir o zoneamento agrícola específico para o seu algodoeiro.

        

Catação de botões: Técnica simples que consiste na catação das estruturas atacadas pelo inseto e caídas ao solo.  Após a catação,  queima-se ou se enterram os botões, a uma profundidade nunca inferior a 30cm. Com esta prática, pode-se diminuir até 70% a necessidade de inseticidas. Deve-se fazer a catação de 5 em 5 dias, catando-se em área total em campos com até 15 ha ou nas  bordaduras (10 a 15 fileiras) em áreas maiores que 15 ha. 


 

Arranquio e queima de restos culturais:  Após a colheita, coloca-se o gado para pastar na área, durante 30 dias; depois,  retira-se-o da área, amontoa-se e se queimam os restos de cultura, diminuindo a fonte de praga para a próxima safra.


 

Estes são os produtos recomendados para o controle do Pulgão.

Princípio ativo

Nome comercial

Dosagem comercial/ha

Endosulfan

Endosulfan

1,5  a  2,0  l


 

Thiodan 350 CE


 

Carbaryl

Carbaryl

1,6 kg


 

Sevim 850 PM


 

Deltametrina

Decis 50 SC

0,20 l

Betacifluthrin

Buldock  125SC

0,10 l


 

Pesquisas têm mostrado boa eficiência com a utilização do pulverizador Eletrodyn, com Endosulfan na dosagem de 350 ml de Endosulfan mais 350 ml  de óleo de girassol ou de milho, o que permite diminuir custos com inseticidas e também o risco de danos ao homem e ao ambiente. No caso de ocorrer outra praga, como o pulgão, na área, recomenda-se a seguinte dosagem: 350 ml de Endosulfan mais 100 ml de Triazophós mais 250 ml  de óleo de algodão.  















 

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