|
|
Embrapa Algodão |
|
|
Cultura do Algodão Herbáceo na Agricultura Familiar |
||
|
Importância econômica |
Subprodutos do Algodão |
|||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
|
A espécie de algodoeiro G. hirsutum L.r. latifolium Hutch.,
mais plantada no mundo, com 33,31 milhões de hectares e que produz
sementes com línter, é responsável
por 90% da produção mundial de algodão em caroço ou algodão em rama, bastante usada pela
humanidade. Devido às inúmeras aplicações dessa malvácea, é consideranda
“o boi vegetal” e, ainda, por ser totalmente aproveitada pelo
homem. O algodoeiro não é somente
uma planta fibrosa e oleaginosa mas também, produtora de proteína
de qualidade, podendo funcionar como suplemento protéico na alimentação
animal e humana, na ausência de gossipol. Logo após a separação da
fibra, seu principal produto, é em escala de importância o óleo
comestível. No processamento de extração do óleo obtém-se os subprodutos
primários, que são: o línter, a casca e a amêndoa; os secundários,
farinha integral, óleo bruto, torta e farelo; os terciários, óleo refinado, borra, farinha desengordurada
(Figura1). Semente
A semente ou caroço é o subproduto do beneficiamento e/ou descaroçamento, visando à separação da fibra. Constitui uma das principais matérias-primas para a indústria de óleo comestível. Ela fornece inúmeros subprodutos, como resíduos da extração do óleo, torta e farelo, ricas fontes de proteína de boa qualidade e bastante utilizados no preparo de rações. |
||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
|
|
||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
| FIG. 1. Produtos do caroço de algodão e sua utilização. | ||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
|
|
||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
| Tabela
1. Composição média do caroço de algodão com e sem línter. |
||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
Fonte: Cherry & Leffler (1984). |
||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
|
|
||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
| FIG. 2. Fluxograma
básico de processamento de clarificação do óleo de algodão. |
||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
|
Após o refino,
pode-se obter um óleo comestível utilizado em tempero e frituras
de excelente qualidade nutricional, devido à presença de ácidos
graxos essenciais, o mais conhecido e, praticamente, o mais importante,
como o ácido linoléico, que no organismo é transformado em ácido
araquidônico, verdadeiramente “essencial” para o organismo humano.
Além do mais, o óleo de algodão é rico em vitamina E ou alfa tocoferol,
que é um antioxidante natural, o que lhe confere maior vida-de-prateleira,
apresentando melhor estado de conservação, com menor probabilidade
de rancificação e sofrendo menos alteração que os óleos de milho
e de soja; uma colher de óleo de algodão, pesando 11g, pode satisfazer
nove vezes as necessidades diárias do organismo em vitamina E. Na
Tabela 2, verifica-se o padrão recomendado, pela AOCS, para o óleo de
algodão refinado. |
||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
| Tabela
2. Padrão
recomendado pela AOCS, para o óleo de algodão refinado. |
||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
Fonte:
Swern (1979). |
||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
|
A torta de algodão, obtida
após a extração do óleo, pode ser usada como fertilizante na indústria
de corantes, na alimentação animal e na fabricação de farinhas
alimentícias, após desintoxicação; entretanto, sua principal aplicação
reside na elaboração de rações animais, devido ao seu alto valor
protéico. Tradicionalmente,
na alimentação animal são utilizados os subprodutos, como o caroço,
o farelo e as cascas da semente do algodão, fornecendo proteína
e energia aos ruminantes, por meio da ração. São usados principalmente
na alimentação de poligástricos, pois o gossipol é tóxico aos
monogástricos; é inofensivo aos ruminantes se fornecido em quantidades
controladas. Galinhas alimentadas com caroço de algodão adicionado
à dieta, produzem ovo com gema esverdeada, após período de estocagem;
em suínos, não se pode colocar mais que 5% em sua ração.
O
caroço, compreende o grão e as cascas. Nele ficam ainda as fibras curtas
bastante presas, denominadas línter, cujo teor pode variar de
4% a 8% no caroço, que também servem como fonte de fibra facilmente
digestível para os ruminantes. Quando o
caroço de algodão é aberto para liberar o grão que será esmagado,
sobram as cascas, excelente fonte de fibra efetiva, com real capacidade
de estimular o rúmen e de alta palatabilidade para os ruminantes.
As cascas podem ser misturadas à torta para a alimentação de gado,
de forma que o teor de fibra bruta não seja superior a 25%, conforme
determinação do Ministério da Agricultura Pecuária e Abastecimento,
visando ao controle da concentração protéica que, após a moagem,
recebe a denominação de farelo de algodão com casca. Na Tabela
3 pode-se comparar a composição das cascas com os farelos obtidos
da mistura. Um fator importante é que a variação na composição
do farelo acontece em função da quantidade de casca adicionada. Desta
forma, é necessário conhecer o conteúdo de proteína do farelo adquirido,
pois a proteína diminui com o aumento de casca adicionada e, conseqüente,
aumento no teor de fibra da ração. |
||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
| Tabela
3. Composição
de subprodutos do algodão usados na como matéria-prima na ração
animal |
||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
Fonte:
Brasil (1989). |
||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
|
|
||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
| Tabela 4. Composição química média da torta de algodão obtida
pelos dois métodos de extração. |
||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
Fonte:
Cottonseed Feed Products Guide (1998). |
||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
|
Na Tabela 5 observa-se
o teor médio de gossipol em subprodutos do algodoeiro, que podem
variar significativamente em função de variedades e locais de
cultivo. |
||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
| Tabela 5.
Teor médio de gossipol em subprodutos do algodoeiro. |
||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
|
||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
|
|
||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
|
A farinha de algodão,
proveniente da extração direta com o hexano, deixa a farinha de cor
clara e textura fina e com bastante proteína, variando de 60%
a 68% (% N x 6,25) podendo
fornecer uma suplementação protéica a diversos produtos de panificação,
como pães, biscoitos doces e salgados; esses produtos são comercializados
e bastante apreciados em países do continente africano. Pesquisas sobre novas
possibilidades de uso dos grãos, sobretudo da farinha de algodão,
visando à sua valorização comercial, vêm sendo realizadas, principalmente
no Laboratório de Tecnologia de Algodão do CIRAD,
em parceria com a Universidade das Ciências em Montpellier, cujas
ações de pesquisa em andamento contemplam o estudo das propriedades
filmogênicas das proteínas de algodão para a formação de materiais
biodegradáveis; a farinha de algodão deslipidada
ou não, constitui matéria-prima protéica interessante para a realização
dos filmes biodegradáveis, competindo com os existentes, já comercializados.
A textura e as propriedades de aderência
dos filmes oriundos de farinhas glandled, favorece sua utilização
dentro da medicina, como na fabricação de próteses
e de bandagens. |
||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
|
Copyright © 2003, Embrapa |