Embrapa Algodão
Sistemas de Produção, 1 - 2a. edição
ISSN 1678-8710 Versão Eletrônica
Set/2006

Cultivo do Algodão Herbáceo na Agricultura Familiar

Luiz Paulo de Carvalho

Sumário

Apresentação
Importância econômica
Solos
Adubação
Cultivares
Plantio
Plantas daninhas
Doenças
Pragas
Uso de agrotóxicos
Colheita e pós-colheita
Mercado e comercialização
Coeficientes técnicos
Subprodutos do algodão
Referências
Glossário

Expediente


Cultivares

O programa de melhoramento do algodoeiro herbáceo visando a obtenção de cultivares para uso na agricultura familiar tem como objetivos o aumento da produtividade, a tolerância à seca, a melhoria das características de fibra e a resistência às pragas e doenças. Além da resistência genética das plantas às pragas por antibiose a resistência pode ser conseguida também por incorporação de caracteres morfológicos nas plantas que conferem escape aos insetos. Esta última estratégia tem sido a mais explorada pelos melhoristas e como consequência as cultivares atuais são normalmente mais precoces, com floração concentrada em períodos de tempo menores que o das tardias e assim escapam mais ao ataque de pragas, principalmente o bicudo que é a mais importante praga do algodoeiro no Nordeste Brasileiro. Na Figura 1 mostra-se uma planta exibindo o caracter cluster cujo gene confere à planta uma floração agrupada com redução do número de ramos vegetativos e redução de entre-nós. Utilizando-se este gene nas populações sob melhoramento e outros como internódios curtos e ramos frutíferos opostos no mesmo nó (Figura 5) consegue-se compactar mais a planta do algodoeiro, concentrando sua floração e conseqüentemente propiciando escape ao ataque de pragas. Este tem sido um dos principais objetivos dos programas de melhoramento do algodão para a região Nordeste, a precocidade.

    Foto: Luiz Paulo de Carvalho

        Fig. 1. Planta com o gene cluster exibindo a frutificação agrupada.

Algumas características foram sendo modificadas ou aprimoradas nas cultivares durante os trabalhos de melhoramento desde 1975, início do programa, conforme a demanda como se verifica pela Tabela 1. As principais melhorias foram na precocidade que passou de 100 – 110 dias para abertura do primeiro capulho, nas cultivares mais antigas, para 80 dias nas mais atuais, tornando-as mais precoces, como a CNPA Precoce 1, hoje não mais em uso pelos produtores, conforme a Tabela 1. Outra mudança sensível foi na percentagem de fibra que passou de 34.7% nas primeiras cultivares para 40% - 43% nas mais recentes, Tabela 1. O ganho genético médio anual para a produtividade no programa de melhoramento foi de 1,03% ao ano, no período de 1980 a 1994.


Tabela 1. Evolução das características das cultivares/Nordeste

Cultivares

Dias 1° Capulho

Peso de capulho (g)

Porcentagem de fibra (%)

Comprimento (2,5% mm)

Finura (mic.)

Resistência (lb/mg)

SU 0450

99

4,9

34,7

30,0

4,6

7,2

BR 1

99

4,8

36,6

29,8

4,8

7,5

CNPA 2H

104

5,0

38,0

29,5

4,2

7,6

CNPA 3H

101

5,3

36,9

30,2

4,9

7,7

CNPA 6H

118

5,8

39,6

29,5

4,6

7,4

CNPA Precoce1

80

5,0

40,3

29,5

3,8

7,3

CNPA 7H

101

6,7

39,1

29,3

3,8

7,4

CNPA Precoce2

80

6,2

43,2

29,8

3,9

6,7

Fonte: Embrapa Algodão.
*Dados médios de vários ensaios, locais e anos
Ganho genético anual (1980 a 1994) = 1,03% ao ano

Outros caracteres morfológicos da planta podem ser utilizados no melhoramento para o controle de pragas, como plantas com folhagem avermelhada, folha okra e bráctea frego, entre outros, como nas Figuras 2, 3 e 4

Foto: Luiz Paulo de Carvalho

        Fig 2. Planta exibindo coloração arroxeada da folha

    Foto: Luiz Paulo de Carvalho

        Fig. 3. Planta exibindo o carater folha okra

    Foto: Cristina Schetino Bastos

         Fig. 4. Planta exibindo o carater bráctea frego

                Foto: Luiz Paulo de Carvalho

                   Fig. 5. Planta exibindo entre-nós curtos

Cultivares de algodão para uso na Região Nordeste

BRS 187 8H

A BRS 187 8H é uma cultivar de algodoeiro herbáceo, com características de tolerância à seca. Possui o ciclo médio ou seja do plantio à colheita gasta em torno de 130 dias e o início de sua floração se dá aos 45 dias após o plantio, ambos em condições de sequeiro. O porte da planta é de 1 m, em média. Em anos de precipitação regular na região Nordeste sob condições de sequeiro ela pode atingir mais de 3.000 Kg/ha. Em condições de irrigação ela pode atingir até 4.500  Kg/ha. A cultivar apresenta resistência a virose (doença azul) e a Alternária. Possui tolerância à ramulose e bacteriose e é suscetível à ramulose. A BRS 187 8H é uma cultivar de fibra média (28 mm - 30 mm) e com percentagem de fibra de 38 a 40%. Deve ser plantada na região Nordeste em localidades com precipitações pluviais iguais ou superior a 600 mm anuais.

BRS 201

A BRS 201 é uma cultivar de algodoeiro herbáceo e possui, em média, ciclo, do plantio à colheita, de 135 dias, podendo ser considerada de ciclo médio. O porte da planta é de 1 m, em média, nas condições de sequeiro na região Nordeste. Em ensaios em anos considerados secos ela obteve produtividade média de 1.942 Kg/ha podendo atingir 3.000 kg/ha caso a precipitação seja normal e bem distribuída nesta região. Em condições irrigadas pode atingir mais de 3.000 kg/ha. A BRS 201 apresenta resistência à bacteriose, viroses, tolerância à ramulária e Stemphylium e é suscetível à Alternária.  É uma cultivar de fibra média (28 mm - 30 mm), com alta percentagem de fibra, 40% em média, deve ser plantada na região Nordeste, em localidades com precipitações pluviais iguais ou superior a 600 mm anuais.

BRS CAMAÇARI

A BRS Camaçari é também uma cultivar de fibra média (28 mm - 30 mm), tendo sido avaliada nos cerrados e na região Nordeste, com bons desempenhos nesta última. Apresenta porte médio da planta em torno de 1,10 m. Nos ensaios da região Nordeste obteve produtividade média de 1630 Kg/ha e em lavouras comerciais em Missão Velha, CE, atingiu 3000 Kg/ha em regime de sequeiro. A cultivar possui rendimento de fibra em torno de 39%, resistência a viroses e resistência moderada à bacteriose, ramulose, ramulária, alternaria + stemphylium. Um dos destaques da cultivar é a excelente qualidade de fibra, semelhante à CNPA ITA 90, no que se refere à resistência da fibra (em torno de 30 gf/tex), uniformidade, finura, elongação, reflectância e índice de fibras curtas.

Cultivares de algodão de fibras coloridas

BRS 200

É uma cultivar oriunda de algodoeiros arbóreos coletados na região Nordeste que mostravam fibra na cor marrom claro, cor também predominante na variedade, já que esta pode apresentar uma percentagem de plantas com fibras na cor branca. Por ter sido derivada a partir destes materiais coletados no Nordeste possui elevada resistência à seca, com produtividades bem acima do algodoeiro mocó, considerando-se a cultivar CNPA 5M, e equivalente à CNPA 7H em regime de sequeiro. É uma cultivar de ciclo semi-perene, com 3 anos de exploração econômica podendo ser plantada nas regiões do seridó e sertão, preferencialmente nas localidades zoneadas para o cultivo do algodoeiro arbóreo. Pode ser explorada em regime irrigado obtendo rendimentos de até 3.000 Kg/ha.

BRS VERDE

A BRS Verde é uma cultivar de algodoeiro herbáceo que apresenta fibra na cor verde. A mesma é derivada do cruzamento de um material de fibra verde introduzido, com a CNPA 7 H. Esta cultivar apresenta altura média de plantas em torno de 1.30 m, com ciclo da emergência à colheita de 130 a 140 dias. Em condições de sequeiro seu comportamento em termos de rendimento é semelhante ao da CNPA 7H , podendo chegar a 3.000 Kg/ha caso a precipitação seja normal e bem distribuida, na região Nordeste. O comprimento e resistência da fibra são semelhantes aos da CNPA 7H, em torno de 30mm e 26 gf/tex, respectivamente. A cor verde da fibra tem uma particularidade que é o pequeno desvanecimento da cor verde no campo caso o produtor atrase muito a colheita deixando os capulhos expostos ao sol por vários dias. Por isso é aconselhado fazer duas colheitas evitando-se que isso aconteça. Esta cultivar pode ser plantada em outras regiões, além do Nordeste, mas para isso deve-se ter precaução quanto às doenças , evitando-se áreas livres destas, pois a cultivar é suscetível à maioria delas.

                                                 Foto: Luiz Paulo de Carvalho

                                      Fig. 6. BRS VERDE

BRS RUBI

A BRS Rubi é uma cultivar de algodoeiro herbáceo que pode ser explorada na região Nordeste nos locais zoneados para este tipo de algodão. Ela é o resultado do cruzamento de um material introduzido de fibra marrom escuro e a CNPA 7H. Sua fibra possui uma cor marrom escura ou marrom avermelhado. Apresenta altura média de plantas em torno de 1,10 m e o ciclo do plantio até a colheita de 140-150 dias. Comparativamente à CNPA 7H, a BRS RUBI possui características de fibra um pouco inferiores, contudo quanto ao rendimento apresentou, nos ensaios, médias maiores que esta, 1539 e 1894 K/ha, respectivamente, em regime de sequeiro, na região Nordeste, chegando a produzir mais de 3.500 Kg/ha em alguns casos. A BRS RUBI poderá ser plantada em outras regiões além do Nordeste, contudo deve-se escolher para o plantio áreas livres de doenças, pois a cultivar é suscetível à maioria delas.

                                               Foto: Luiz Paulo de Carvalho

                                    Fig. 7. BRS RUBI

BRS SAFIRA

A BRS SAFIRA é uma cultivar de algodoeiro herbáceo que pode ser explorada na região Nordeste nos locais zoneados para este tipo de algodão. Ela é o resultado do cruzamento de um material introduzido de fibra marrom escuro e a CNPA Precoce 3. Sua fibra possui uma cor marrom escura ou marrom avermelhado, porém em tonalidade mais clara que a fibra da BRS RUBI. Apresenta altura média de plantas em torno de 1,30 m e o ciclo do plantio até a colheita de 140-150 dias. Comparativamente à CNPA 7 H , a BRS SAFIRA possui características de fibra um pouco inferiores e rendimento semelhante, de 1.283 e 1.221 Kg/ha respectivamente, em regime de sequeiro, na região Nordeste, podendo produzir até 3.000K g/ha caso as precipitações sejam normais e bem distribuidas. A BRS SAFIRA poderá ser plantada em outras regiões além do Nordeste contudo deve-se escolher para o plantio, áreas livres de doenças pois a cultivar é suscetível à maioria delas. A cultivar BRS SAFIRA apresenta resistência ao pulgão do algodoeiro.

                                                   Foto: Luiz Paulo de Carvalho

                                       Fig. 8. BRS SAFIRA





 

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