Embrapa Algodão
Sistemas de Produção, 2
ISSN 1678-8710 Versão Eletrônica
Jan/2003

Cultura do Algodão no Cerrado

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Cultivares.


Programa de melhoramento no cerrado

O programa de melhoramento do algodoeiro nas condições do cerrado foi iniciado em 1989, nas condições do Chapadão dos Parecis em Mato Grosso.

Posteriormente este programa foi expandido para os cerrados dos Estados de Goiás e Bahia, resultando em uma série de cultivares desenvolvidas especificamente para essas condições. As principais características exigidas pelos produtores de algodoeiro, para uma cultivar a ser utilizada nos cerrados são: produtividade elevada (200 a 300 arrobas/ha); alto rendimento de fibras (38 a 41%); ciclo normal a longo (150 a 180 dias de ciclo); características tecnológicas modernas medidas em HVI (high volume instrument) incluindo: finura de 3,9 a 4,2 I.M ; resistência acima de 28 gf/tex ;  maturidade acima de 82% ; teor de fibras curtas inferior a 7% ; comprimento de fibras acima de 28,5 mm ; número de neps na fibra inferior a 250 ; fiabilidade acima de 2.200 ; alongamento em torno de 7% . As características extrínsecas devem ser correspondentes aos tipos 4,5 a 6,0 com refletância (Rd) acima de 70% e grau de amarelecimento (+b) menor que 10,0 e com índice de caramelização ou açúcar inferior a 0,40%.

São exigidas também resistência múltipla às principais doenças causadas por vírus (doença azul , vermelhão e  mosaico comum), bactérias (bacteriose ou mancha angular), fungos (ramulose, mancha branca, causada por ramulária areola, pintas pretas causadas por Alternaria ou stemphylium, fusariose, verticilose, cercosporiose, antarcnose, tombamento, podridão das maçãs) e nematóides das galhas e reniforme. A resistência a pragas sugadoras e transmissoras de viroses como pulgões e mosca branca é altamente desejável.

As cultivares devem apresentar boas respostas a aplicação de insumos modernos, incluindo fertilizantes químicos, inseticidas, herbicidas, fungicidas, reguladores de crescimento e desfolhantes  É exigida boa adaptação a colheita mecanizada, devendo as plantas apresentarem a inserção do primeiro ramo frutífero acima de 20 cm do solo; porte ereto, mesmo quando fixarem todo seu potencial produtivo; capulhos bem aderidos as cápsulas e que não caiam mesmo após fortes chuvas e ventos. Devem ser tolerantes aos veranicos prolongados, que ocorrem normalmente nos cerrados de Goiás, Bahia, Maranhão e Piauí; devendo apresentar sistema radicular vigoroso e profundo; possuírem alta capacidade de fixação de capulhos nas plantas, inclusive até nos ponteiros; e suportarem espaçamentos estreitos e altas densidades de plantas/metro linear de sulco.

Como resultados da continuidade de seu programa de melhoramento a Embrapa já desenvolveu onze cultivares de algodoeiro para as condições do cerrado, incluindo-se a CNPA ITA 90, CNPA ITA 92, BRS ITA 96, CNPA ITA 97, BRS ANTARES, BRS FACUAL, BRS AROEIRA , BRS IPÊ , BRS SUCUPIRA , BRS ITAUBA e BRS CEDRO, além de estarem em fase final de avaliação e aumento de sementes mais seis novas cultivares. Dessas as cultivares  BRS ITA 96 , BRS FACUAL , BRS ANTARES e BRS ITAUBA são indicadas para os produtores familiares pela sua alta resistência múltipla a doenças, rusticidade e poderem ser trabalhadas com baixos custos de produtividade, além de serem bem adaptadas para colheita manual. As cultivares indicadas para a safra 2002/2003 para plantio no cerrado são a CNPA ITA 90 ,BRS IPÊ , BRS AROEIRA , BRS SUCUPIRA e BRS CEDRO. Para obter as melhores respostas e custos mais baixos todas as cultivares devem ser exploradas em esquema de rotação de culturas, onde após a abertura do cerrado se faria uma safra com arroz , três safras com soja, seguido-as de duas safras com algodão e depois uma de milho. Usando-se a rotação do algodão em ciclos trianuais com soja e milho evita-se o agravamento dos problemas com doenças e pragas, além de serem obtidas produtividades mais elevadas e custos mais baixos com as três lavouras e melhor aproveitamento da mão de obra e das maquinas na propriedade.

CNPA ITA 90

Cultivar mais plantada no cerrado brasileiro, com mais de 50% da área cultivada. Em alguns Estados como Mato Grosso e Mato Grosso do Sul chega a ocupar mais de 85% da área. Com essa cultivar os produtores do cerrado tem obtido as mais altas produtividades, com rendimentos médios de 300 @/ha, podendo chegar, em algumas lavouras, a até 400 @/ha. O seu rendimento de fibras está em torno de 30 a 39%, além de apresentar excelentes características tecnológicas de fibras, com resistência forte (30,0 gf/tex) , comprimento no HVI-SL 2,5% de 30,2 mm , finura de 4,2 a 4,5 mm , refletância de 72%, grau de amarelecimento de 7,9 e fiabilidade (CSP) entre 2.200 a 2.500. Possui resistência moderada a ramulose, mancha de ramularia e pinta preta. É medianamente susceptível a bacteriose e altamente susceptível a viroses (doença azul, vermelhão  e mosaico comum), devendo-se usar o MIP, considerando o pulgão como vetor de viroses, ou seja, nunca permitir que a população de pulgões passe de 10% de plantas infestadas, até os 130 dias do ciclo, após o qual será permitida a elevação dessa população para 30% de plantas infestadas por pequenas colônias. Possui ciclo longo (170 a 180 dias), devendo ser plantada cedo outubro a novembro no Estado de Mato Grosso do Sul, novembro nos Estados da Bahia , Goiás e Maranhão e 20 de novembro a 30 de dezembro no Estado de Mato  Grosso.


Exige a regulação do porte com reguladores de crescimento, que devem ser aplicados a partir dos 25 a 30 dias, além de adubação elevada. Essa cultivar é a mais indicada para produtores altamente tecnificados, inclusive dos chapadões de maior altitude dos Estados de Goiás , Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, resultando em excelentes rendimentos para chapadões de até 1.100m de altitude. As sementes originais dessa cultivar começaram a ser distribuídas em 1992, encontrando-se atualmente em franca degeneração.  Atualmente a Embrapa e seus licenciados estão distribuindo uma nova semente genética, denominada CNPA ITA 90 II, que preserva todas as caracteristicas da cultivar original, além de ser mais uniforme e apresentar produtividade 25 @/ha superior a cultivar original.

 


BRS IPÊ


Esta cultivar apresenta em media produtividade equivalente ou até 10% superior a CNPA ITA 90 e ciclo igual (170 a 180 dias), obtendo melhor desempenho nas regiões de chapadões de altitude (até 1.100 m). Apresenta rendimento de fibras de 38%, resistência de fibras forte (28,8 gf.tex), finura media (IM de 4,2) e comprimento de fibras no HVI –SL 2,5% de 29,7 mm. Apresenta tolerância a ramulose , bacteriose, mancha de Alternaria  e Ramularia e viroses. Deve ser manejada como uma cultivar sensível a viroses, porém utilizando MIP com 20% de plantas infestadas com pulgões até os 110 dias, após os quais se toleraria 40% de plantas com colônias pequenas de pulgões. Deve-se controlar o porte das plantas e a mancha de Ramularia cedo,iniciando as aplicações de fungicidas e reguladores aos 40 dias da emergência.

 


BRS AROEIRA


Possui produtividade de algodão em caroço em torno de 10% acima da CNPA ITA 90, porém possui rendimento de fibras 1% inferior (media de 37%). Apresenta ciclo normal (160 a 170 dias), sendo em média 10 dias mais precoce que a CNPA ITA 90. Possui boas características de fibras com comprimento no HVI-SL 2,5% de 29,4 ; resistência de 28 gf/tex e finura (IM) de 4,1. Sua grande vantagem está na resistência múltipla a doenças, por apresentar resistência a ramulose , viroses , mancha de stemphylium, além de tolerância a bacteriose, manchas de ramulária , alternária e ao complexo fusarium-nematóide. Com essas características pode ser indicada com vantagens para o cerrado de Goiás e Mato Grosso do Sul, inclusive nas áreas com infestação de fusarium-nematóide.


Na sincronia de plantio nas fazendas, essa cultivar deve ser plantada mais cedo (outubro a novembro na maioria das regiões), para se obter vantagens de sua resistência a doenças.  Deve-se controlar o porte das plantas e a mancha de ramulária cedo (iniciando as aplicações de fungicidas e reguladores aos 40 dias da emergência). É uma cultivar para uso em sistema de produção de baixo custo, devendo para isto ser usada adubação média, menos aplicação de N na fundação e apenas duas coberturas; usar MIP com controle de pulgões apenas quando se detectar 60% de plantas com colônias e programar apenas uma aplicação de fungicida para a mancha de ramulária aos 30-40 dias da emergência, quando aparecerem os primeiros sintomas nas folhas do terço inferior.


BRS SUCUPIRA

Cultivar de algodoeiro indicada para os cerrados de Mato Grosso e Bahia, por apresentar resistência múltipla a doenças e alta resistência a veranicos e solos de baixa fertilidade, inclusive arenosos. Apresenta em média, produtividade de algodão em caroço  e de fibras 5% e 2% acima da CNPA ITA 90, respectivamente. Possui ciclo longo (170 a 180 dias), rendimento de fibras de 37 a 38% , resistência de fibras de 30,0 gf/tex e finura (I.M.) de 3,9.


Apresenta resistência múltipla a doenças, incluindo viroses , ramulose e bacteriose, além de tolerância as manchas de ramulária, alternária e a seca. Na sincronia de plantio nas fazendas, essa cultivar deve ser plantada mais cedo (outubro a novembro na maioria das regiões), para se obter vantagens de sua resistência a doenças.  Deve-se controlar o porte das plantas e a mancha de Ramulária cedo (iniciando as aplicações de fungicidas e reguladores aos 40 dias da emergência). É uma cultivar para uso em sistema de produção de baixo custo, devendo para isto ser usada adubação media, menos aplicação de N na fundação e apenas duas coberturas; usar MIP com controle de pulgões apenas quando se detectar 60% de plantas com colônias de pulgões e programar apenas uma aplicação de fungicida para ramulária aos 30-40 dias da emergência, quando aparecerem os primeiros sintomas nas folhas do terço inferior.

 


BRS CEDRO

Cultivar de alta produtividade (até 310 @/ha) e alto rendimento de fibras (40 a 41%). Apresenta, também, resistência a viroses e tolerância a ramulose, ramularia e bacteriose. Possui ciclo longo, porte alto e alta resistência de fibras (acima de 28 gf/tex), comprimento HVI-SL 2,5% de 30mm e finura (I.M) de 4,3.


O plantio dessa cultivar deve ser efetuado em novembro no Mato Grosso do Sul e em dezembro no Mato Grosso. Por ser resistente a viroses pode-se trabalhar com MIP normal, utilizando-se o nível de controle de pulgão de 60% de plantas infestadas. Por ser de porte alto recomenda-se iniciar as aplicações de reguladores aos 25 a 30 dias, programando-se 2,0 l de regulador/ha. Cultivar adequada para produtores altamente tecnificados. Recomenda-se prever a possibilidade de controle de ramulária e ramulose iniciando-se as aplicações aos 30-40 dias no início do aparecimento dos sintomas.


Tabela 1.
Características médias das cultivares de algodoeiro indicadas para os chapadões de altitude do Centro-Oeste.

Características 

CNPA ITA 90

BRS IPÊ

BRS CEDRO

Produtividade (@/ha)

Até 300

Até 330

Até 330

Rendimento de fibras (%)

38 - 39

38 - 39

39 - 40-

Comprimento de fibras (HVI - mm)

30,2

29,7

30,0

Resistência de fibras (gf/tex)

30,0

28,8

29,2

Finura (Í.Micronaire)

4,4

4,2

4,4

Resistência a viroses

Susceptível

Medianamente Resistente

Resistente

Resistência a ramulose

Medianamente Resistente

Medianamente Resistente

Medianamente Resistente

Ciclo (dias)

170 - 180

170 - 180

170 - 180


Tabela 2.
Características médias das cultivares de algodoeiro indicadas para os cerrados de baixa altitude do Centro-Oeste e Nordeste do Brasil.

Características 

BRS AROEIRA

BRS SUCUPIRA

CNPA ITA 90

Produtividade (@/ha)

Até 330

Até 315

Até 300

Rendimento de fibras (%)

37 - 38

37 - 38

38 - 39

Comprimento de fibras (HVI - mm)

29,4

30,8

30,2

Resistência de fibras (gf/tex)

28,0

30,0

30,0

Finura (Í.Micronaire)

4,1

3,9

4,4

Resistência a viroses

Resistente

Resistente

Susceptível

Resistência a ramulose

Resistente

Resistente

Medianamente Resistente

Ciclo (dias)

150 -160

170 - 180

170 - 180









 

 

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