Embrapa Algodão
Sistemas de Produção, 2
ISSN 1678-8710 Versão Eletrônica
Jan/2003

Cultura do Algodão no Cerrado

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O cerrado brasileiro, apresenta amplas condições de clima favoráveis ao desenvolvimento de doenças que afetam a cultura do algodoeiro. Algumas doenças consideradas pouco expressivas nas regiões tradicionalmente produtoras despontam no cerrado, podendo ocasionar perdas consideráveis à produção, caso não sejam tomadas as medidas de controle necessárias em tempo hábil.

Principais doenças do algodoeiro no cerrado



Tombamento



É uma doença bastante comum e de ocorrência generalizada em todas as áreas produtoras de algodão do cerrado, sobretudo aquelas onde são verificados maiores índices pluviométricos, podendo causar sérios prejuízos ao estabelecimento da cultura, em função, principalmente, dos efeitos sobre a redução do estande.

Os sintomas de tombamento podem ser observados logo após a emergência das plântulas, nas folhas cotiledonares e primárias, as quais apresentam lesões irregulares de coloração pardo-escura. Estas lesões também podem ser observadas no caule da plântula, na mesma face de inserção da folha e imediatamente abaixo do coleto. Essas lesões, ao circundarem todo o caule, induzem o tombamento e morte da plântula. Entre os patógenos causadores de tombamento podem-se destacar os fungos dos gêneros Colletotrichum, Fusarium, Pythium e Rhizoctonia, sendo este último o mais importante. O controle da doença é feito por meio do tratamento de sementes conforme a Tabela 1.


Ramulose

Doença causada pelo fungo Colletotrichum gossypii var. cephalosporioides é caracterizada por ocasionar encurtamento dos internódios e superbrotamento da região apical, dando aspecto de vassoura aos ramos terminais (Figura 1). É uma das mais importantes doenças do algodoeiro, particularmente no cerrado. Alta pluviosidade e fertilidade do solo, temperaturas entre 25º e 30ºC e umidade relativa do ar acima de 80% favorecem a ação do fungo. O controle é realizado através do uso de cultivares resistentes: as principais recomendadas pela Embrapa são: BRS Aroeira e BRS Sucupira. O controle químico pode ser realizado conforme a  Tabela 2


Mancha angular

A mancha angular é causada pela bactéria Xanthomonas axonopodis pv. malvacearum e caracteriza-se por apresentar manchas foliares de formato anguloso, delimitadas pelas nervuras. As manchas, de início oleosas (Figura 3) adquirem posteriormente, aspecto necrótico e apresentam coloração marrom ou parda-escura. As lesões também podem se localizar ao longo das nervuras principais, formando uma zona necrótica adjacente a estas; nos caules e ramos podem ser observadas lesões deprimidas, escuras e alongadas, podendo atingir vários centímetros de comprimento no sentido longitudinal, enquanto nas maçãs, lesões circulares inicialmente encharcadas de coloração verde escuro, são formadas na parede do carpelo e posteriormente se tornam escuras e causam a podridão das maçãs. O controle desta doença é feito unicamente com o uso de cultivares resistentes. O controle químico com o uso de antibióticos é de elevado custo e de eficiência duvidosa. As principais cultivares recomendadas para controle são: BRS Aroeira, BRS Ipê e BRS Sucupira.

 


Mancha branca ou mancha de ramulária

Causada pelo fungo Ramularia areola, caracteriza-se por apresentar manchas esbranquiçadas, de formato anguloso em ambas as superfícies foliares; sob condições de alta umidade e ambientes sombreados, sobretudo no terço inferior da planta pode afetar o algodoeiro ainda precoce e ocasionar queda de folhas (Figura 4). Lesões com as mesmas características daquelas ocasionadas nas folhas, podem ocorrer nas brácteas; não é comum sobre plântulas, em especial nos cotilédones, porém quando ocorrem, os cotilédones se tornam cloróticos e avermelhados e há queda de folhas. Não existem cultivares resistentes, porém existem algumas tolerantes tais como a BRS Sucupira, BRS Ipê e BRS Aroeira. A Cultivar BRS Antares é altamente suscetível. O controle químico em cultivares suscetíveis deve se iniciar a partir dos 40 dias após a emergência utilizando-se os fungicidas descritos na tabela 3, abaixo.


Manchas de alternária e estefilium

Causadas pelos fungos Alternaria sp e Stemphylium solani. Caracterizam-se por apresentar manchas necróticas circulares no início, evoluindo para manchas irregulares no caso de S solani e circulares com anéis concêntricos quando ocasionadas por Alternaria sp. São cíclicas, não obedecendo um padrão lógico de ocorrência a cada ano. As cultivares da Embrapa recomendadas para o cerrado apresentam resistência a estas doenças. O controle químico pode ser feito utilizando-se fungicidas estanhados conforme a Tabela 3.


Murcha de fusarium

Doença causada pelo fungo Fusarium oxysporum f. sp. vasinfectum Os sintomas caracterizam-se pela murcha das folhas e ramos. Muitas plantas jovens podem morrer em poucos dias após os primeiros sintomas externos serem observados, comuns quando as plantas encontram-se com, aproximadamente seis semanas de idade. Algumas plantas afetadas podem sobreviver à doença emitindo novas brotações próximas ao solo mas, em geral, os ramos originados a partir desses novos brotos não são produtivos. As plantas mortas perdem todas as suas folhas e as pequenas brotações caem, permanecendo apenas o caule enegrecido. A maioria das plantas que não morrem, sofrem severa redução de crescimento. Os sintomas internos caracterizam-se pela descoloração dos feixes vasculares os quais sofrem bloqueio impedindo a livre circulação de água e seiva bruta para a parte aérea, induzindo a murcha (Figura 6). A murcha de fusarium é ainda mais severa quando ocorre associada com nematóides, especialmente os do gênero Meloidogyne, Rotylenchus e Pratylenchus formando o que se convencionou chamar de complexo fusarium-nematóide. O controle desta doença é feito somente através de cultivares resistentes. A Embrapa recomenda o plantio da BRS Aroeira nas áreas de cerrado, sobretudo de Goiás, onde a murcha de fusarium tem ocorrido.


Doença Azul

É uma doença de natureza virótica cujo agente causal ainda não foi descrito, caracteriza-se por induzir o encurtamento dos entrenós, o que acarreta redução do porte das plantas (Figura 7). As folhas apresentam palidez das nervuras, curvatura das bordas para baixo e rugosidade. A doença tem como vetor o pulgão Aphis gossypii. Os sintomas desenvolvem-se ente nove e 28 dias após a inoculação. O controle da doença é feito com cultivares resistentes e com o controle do vetor através da pulverização com inseticidas. As principais cultivares resistentes são: BRS Aroeira e BRS Sucupira. As cultivares BRS Ipê e CNPA Ita 90 apresentam suscetibilidade a esta virose.


Tabela 1. Fungicidas empregados no tratamento de sementes de algodoeiro.

Nome técnico

Produto Comercial

Dose para 100 kg de semente

Ingrediente ativo

Produto comercial

Captan

Captan 750 TS

120g

160g

Thiran

Rhodiaurum 500 SC

280ml

560ml

Difenoconazole 

Spectro

5ml

33,4ml

Tolylfluanid

Euparen 50WS

75g

150g

Pencycuron

Monceren 50PM

150g

300g

Quintozene (PCNB)

Kobuto/Brassicol

300g

400g

Carboxin + Thiran

Vitavax-Thiran 200 SC

100 + 100ml

500ml

Benomyl

Benlate 500

100g

200g

Thiadimenol

Baytan FS

30ml

200ml

Carbendazin 

Derosal 500 SC

40ml

80ml

Fonte: Goulart (1998).


Tabela 2.
 Fungicidas para controle da ramulose do algodoeiro.

Nome Técnico

Nome comercial

Dosagem do produto comercial (kg/ha)

Carbendazin + Trifenil Hidróxido de Estanho

Derosal + Brestanid

0,5 + 0,4

Trifenil Acetato de Estanho + Tiofanato Metílico

Hokko Suzu + Cercobin

1,0 + 0,7

Azoxystrobin

Priori

0,2 a 0,3

Tebuconazole + Tiofanato Metílico

Folicur + Support

0,6 + 0,75

Clorothalonil + Tiofanato Metílico

Cerconil

1,5

Tabela 3. Fungicidas para controle da mancha de ramulária do algodoeiro.

Nome Técnico

Nome Comercial

Dosagem do produto comercial (kg/ha)

Azoxystrobin

Priori

0,2

Trifenil Acetato de Estanho + Tiofanato Metílico

Hokko Suzu + Cercobin

1,0 + 0,7

Carbendazin

Derosal

0,5

Epoxiconazole

Opus

0,15

Obs. Os dados acima, constituem resultados de pesquisa. Embora esses produtos sejam aplicados regularmente pelos produtores de algodão do cerrado, apenas o Carbendazin (Derosal), possui registro no Ministério da Agricultura Pecuária e Abastecimento, para pulverização em algodoeiro


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