Embrapa Algodão
Sistemas de Produção, 2
ISSN 1678-8710 Versão Eletrônica
Jan/2003

Cultura do Algodão no Cerrado

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Sementes


A semente constitui um dos insumos de menor custo no sistema de produção do algodoeiro, correspondendo, em média a 2,3 a 3,0 % do custo total da lavoura (Freire et al. 1999).

As sementes são produzidas por produtores e empresas especializadas. A semente é um pacote cujo conteúdo são todos os genes que caracterizam a espécie e a cultivar. Se uma determinada cultivar é eleita pela pesquisa e pelo consenso entre produtores, é porque o seu comportamento é o melhor possível para as condições de clima, solo e de tecnologia agrícola da região, e as características de seus produtos, são as mais aceitas. Conseqüentemente, o patrimônio genético desta cultivar, que basicamente diferencia seu comportamento, tem que ser protegido. (Carvalho & Nakagawa, 1980).

O produtor que adquire uma semente de qualidade, deve esperar que o seu plantio resulte na reprodução das características especificadas pela descrição da cultivar, com o máximo de uniformidade.

O controle de qualidade das sementes é regulamentada pelo Governo Federal em legislação específica que trata do comércio e fiscalização de sementes e mudas.

A legislação brasileira recente, permitiu a implantação, em todo o país, de sementes certificadas.

A produção de sementes envolve diferentes entidades, responsáveis pelas sucessivas etapas que resultam na disponibilização das sementes aos produtores.

Carvalho & Nakagawa (1980), definem o papel das diferentes entidades envolvidas na produção de sementes como segue:


Entidade certificadora:

Desempenha diferentes papéis no processo de produção de sementes certificadas.

É responsável pelo programa de melhoramento genético, do qual resultam novas cultivares as quais são registradas, protegidas e recomendadas aos produtores;


Multiplica as sementes das cultivares geradas, resultando no que se denomina de semente básica;


Exerce papel fiscalizador das etapas do processo produtivo, podendo aprovar ou rejeitar o trabalho de produção da semente;


Pode produzir a semente certificada. Entretanto esse papel vem sendo desempenhado pelo setor privado, por meio de contratos estabelecidos entre o obtentor da cultivar e uma entidade produtora.


Entidade produtora

Pode ser do setor público ou privado. Caracteriza-se por ser responsável pelo nível de qualidade constante do certificado. Quem emite o certificado, de acordo com as análises realizadas, é a entidade certificadora, porém quem se responsabiliza perante o cliente consumidor pelo que consta no certificado, é a entidade produtora.


Cooperante


É o indivíduo em cuja área agrícola serão produzidas as sementes. Quando a entidade produtora não dispõe de área suficiente para produzir toda a semente a que se propõe, faz contratos específicos com outros produtores para este fim.

No cerrado brasileiro, para a produção de sementes de algodão, normalmente a entidade produtora é, também, cooperante, uma vez que produz as sementes em sua própria área agrícola.


Classes de Sementes

A semente certificada é o resultado de um material vegetal, de cujas caracterísiticas genéticas, os atores envolvidos no processo produtivo, têm pleno conhecimento.  Para que se produza a semente certificada, o ponto de partida é uma pequena quantidade de sementes de determinada cultivar, obtidas pelo melhoramento genético ou da multiplicação das sementes de uma cultivar já existente, sob condições rigorosamente controladas (Carvalho & Nakagawa, 1980).

Essa pequena quantidade de sementes, ao ser multiplicada, resulta no aparecimento de algumas classes intermediárias, até se alcançar o nível de semente certificada.

I) Semente genética: é produzida sob responsabilidade do melhorista e mantida dentro de suas características de pureza genética. A partir desta é produzida a  semente básica.

II) Semente básica: é aquela que resulta da multiplicação da semente genética, produzida sob a responsabilidade do obtentor ou de uma instituição por ele autorizada. Em geral é a partir desta classe que se produz a certificada, dependendo da quantidade produzida. Se esta não for suficiente, exige uma nova multiplicação, da qual resulta a semente registrada.

III) Semente Fiscalizada: resulta da multiplicação da semente básica, Certificada ou da própria Fiscalizada, categorias A e B mantendo sua pureza varietal e identidade genética e produzidas sob controle da entidade certificadora.

IV) Semente certificada: resulta da multiplicação da semente básica, da registrada ou da própria certificada categoria A. É produzida pela entidade produtora de acordo com normas estabelecidas pela entidade certificadora. É a classe de sementes que será disponibilizada aos produtores.

No Estado de Mato Grosso, de acordo com a portaria 93, de 1-9-1998, existem duas classes de sementes certificadas (A e B) e três classes de sementes Fiscalizadas (A, B e C), sendo o produto derivado da Semente Fiscalizada C, destinado a indústria de óleo e torta.


Estabelecimento de campo para produção de sementes:

 

O estabelecimento de um campo de produção de sementes requer uma série de medidas, cujo objetivo principal é evitar que as sementes sofram contaminação genética ou varietal durante qualquer uma das fases do processo produtivo. As principais medidas a serem tomadas visando a produção de sementes são:

a) Definição da cultivar;

b) Registro do produtor ou contrato firmado com o obtentor da cultivar;

c) Escolha da área;

d) Isolamento dos campos de produção e

e) Purificação ou "roguing"


Cuidados a serem tomados no processo de produção de sementes de algodoeiro

 

Taxa de cruzamento natural: também conhecida como taxa de alogamia. É considerada bastante baixa no cerrado, em função da baixa população de abelhas silvestres, grande extensão de lavouras comerciais e alta frequência de aplicação de inseticidas qua provocam a morte de insetos polinizadores. Esta taxa varia de 0 a 15% no Mato Grosso.

Misturas mecânicas: podem ocorrer durante as operações de plantio, colheita e armazenamento, beneficiamento, ensacamento e deslintamento. Devem ser tomadas medidas preventivas visando evitar as misturas, destacando-se: evitar o plantio de algodão em área previamente plantada com algodão; passar corrente de ar com uso de compressor pelos fusos da colheitadeira e dutos da algodoeira; limpar as máquinas entre o beneficiamento de uma cultivar e outra; eliminar uma pequena parte do material beneficiado após a mudança de cultivar.

Degeneração genética natural: fenômeno que ocorre de forma natural, principalmente quando a cultivar é derivada de hibridação interespecífica. Para minimizar tal problema deve-se evitar o plantio sucessivo de algodão em uma mesma área e isolar os campos de produção de sementes.

O isolamento de um campo de produção de sementes de algodão deve levar em consideração as seguintes distâncias entre campos cultivados com diferentes variedades:


Isolamento de campos para produção de sementes básica e certificada:

 

50 metros quando houver barreira vegetal;

800 metros quando não houver barreira vegetal;


Isolamento de campos para produção de semente fiscalizada:

 

30 metros quando houver barreira vegetal;

500 metros quando não houver barreira vegetal

Freire et al. (1999)


Inspeções no campo

 

O objetivo das inspeções nos campos de produção de sementes é comparar a qualidade dos mesmos, com os padrões de lavoura recomendados oficialmente.

Estas inspeções visam assegurar que as sementes não estejam contaminadas, física ou geneticamente além dos limites tolerados (Vieira & Beltrão, 1999)

Os campos de produção de algodoeiro devem ser inspecionados pelo menos três vezes visando confirmar os padrões de isolamento, presença e incidência de plantas fora do padrão, de plantas de outras espécies, raças e cultivares, ervas daninhas proibidas e doenças, entre outros.

Os estádios fenológicos onde as inspeções devem ocorrer são os seguintes:

Pré-floração: compreendido o período de crescimento vegetativo que precede o florescimento;

Floração: período em que as flores estão abertas, o estigma receptivo e a antera liberando pólen. Para fins de inspeção, 5% ou mais de plantas florescidas, caracteriza o período de floração;

Pré-colheita: quando 50% das maçãs encontram-se abertas, as sementes se aproximam da maturação fisiológica e estão completamente formadas. É possível que, inspeções posteriores, sejam necessárias

(Vieira & Beltrão, 1999)

–Padrões de campos de produção de sementes exigidos no estado de Mato Grosso:

–presença de outras espécies de algodão: zero (Tabela1)

–presença de outras cultivares: 1:12.000; 1:8.000 1:4.000 para as classes básica, certificada e fiscalizada, respectivamente

–presença de plantas silvestres comuns e nocivas toleradas: o mínimo possível, com atenção especial para carrapicho e picão preto;

–presença de plantas nocivas proibidas: zero para Oryza sativa - arroz preto, Vigna spp (feijáo de corda), Cyperus rotundus (tiririca), Sorghum halepense (capim maçambaia), Rottboellia exaltata (capim camalote).

bicudo do algodoeiro (Anthonomus grandis): caso o ataque seja generalizado, com mais de 40% de maçãs atacadas, deve-se eliminar o campo;

–Murcha de Fusarium: (Fusarium oxysporum f. sp. vasinfectum): eliminar o campo quando a incidência for generalizada. Caso a doença ocorra em reboleiras, a área deve ser isolada e as plantas eliminadas até em torno de 10 metros em volta da reboleira, programando-se uma nova inspeção para acompanhar a evolução da doença. É recomendável eliminar o campo quando a incidência for acima de 1%, tal como ocorre em São Paulo.

–Ramulose (Colletotrichum gossypii var. cephalosporioides): tolerar até, no máximo, 5% de plantas infectadas. Estas devem ser arrancadas e incineradas


Existem, também, padrões de sanidade de sementes de algodão definidos por uma comissão que trata desse assunto a nível nacional (Tabela 2)


A Embrapa Algodão possui vários parceiros licenciados para produção de sementes de algodoeiro em diferentes regiões do Brasil, os quais produzem as sementes de cultivares lançadas pelo melhoramento genético, a partir dos programas de pesquisa existentes nos diferentes estados produtores.

 

 

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