Embrapa Algodão
Sistemas de Produção, 3
ISSN 1678-8710 Versão Eletrônica
Jan/2003

Cultivo do Algodão Irrigado

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Importância econômica


Em termos de Brasil como um todo, os efeitos da propagação do bicudo do algodoeiro e da abertura da economia para o exterior, na cotonicultura nacional, foram a redução ocorrida na produção e o aumento das importações de algodão em pluma. Observa-se, na Figura 1, como a produção de algodão foi se  distanciando do consumo nacional, até o ano agrícola 1996/97. O risco da continuação da desvalorização da taxa cambial, a necessidade de produtos alternativos que pudessem ser produzidos em rodízio com a soja nos cerrados brasileiros e os progressos verificados com a pesquisa para a produção de algodão nos cerrados do Mato Grosso, fizeram com que aumentasse a competitividade da produção nacional, passando-se a utilizar tecnologia compatível com a utilizada nos principais países exportadores de fibra de algodão. Como resultado, retoma-se a produção de algodão (Figura 1) e as importações são reduzidas de forma significante (Figura 2). Estas haviam assumido tendência de crescimento positivo a partir de 1984/85, com pico em 1996/97.
 

Figura 1. Produção e consumo de algodão em pluma no Brasil. 

FONTE: Cotton World Statistics (1993, 1998)
FERREIRA (s.d. b)
Cotton World Markets and Trade (1997)
Cotton World Markets and Trade (2002)

Figura 2. Evolução das importações de algodão em pluma no Brasil.

FONTE: COTTON WORLD STATISTICS(1993,1998)
COTTON WORLD MARKETS AND TRADE (1997)
COTTON WORLD MARKETS AND TRADE (2002
)



Em termos regionais, pode-se observar, na Tabela 1, que no Nordeste, devido não só a períodos de seca, como em 1987, 1991-1993 e 1998 mas, também, à propagação do bicudo e à abertura do mercado brasileiro para o exterior, visualiza-se uma tendência decrescente na produção de algodão em caroço, até 1997/98. Nos três últimos anos do período em análise constata-se, na Tabela 1, recuperação da produção e do rendimento médio, fato que se pode atribuir ao aumento da produção de algodão no cerrado da Bahia e no Ceará, principalmente irrigado, com uso de tecnologia que se aproxima daquela utilizada no Mato Grosso. Na região Nordeste, existe atualmente uma área plantada, estimada em 12.000ha de algodoeiro herbáceo sob regime de irrigação, cujo rendimento médio situa-se na faixa de 3500 a 4000 kg/ha. Contudo, com a tecnologia disponível na Embrapa Algodão e com as cultivares adaptadas ao cultivo irrigado, pode-se esperar uma produtividade em torno de 5000 kg/ha.

Nas regiões Sudeste e Sul é nítida a tendência declinante na produção de algodão (Tabela 1), principalmente após a abertura do mercado brasileiro ao exterior, a partir de 1990. O impacto da globalização da economia brasileira no mercado de algodão dessas regiões é, pois, negativo, em particular caso se considere que a agricultura familiar, que predominava na produção de algodão, foi a mais afetada.

O efeito positivo da abertura do mercado brasileiro ao exterior, no mercado do algodão, foi sentido na região Centro – Oeste, onde se utiliza, principalmente no Mato Grosso, tecnologia competitiva com a dos principais países produtores de algodão. Verifica-se, na Tabela 1, que o rendimento médio nesta região teve tendência crescente no período analisado atingindo, no ano agrícola 2000/01, 3.552 kg/ha de algodão em caroço, próximo de 1.400 kg/ha de pluma, maior do que o do México (998 kg/ha), classificado em primeiro lugar pelo Cotton: World Markets and Trade, de agosto de 2001, situando-se o Brasil em segundo lugar (992 kg/ha).


Tabela 1. Produção e rendimento médio de algodão herbáceo em caroço, nas principais regiões produtoras brasileiras, safras 1984/85 a 2000/011.

Safra

Nordeste

Sudeste

Sul

Centro-Oeste

Produção

(1000t)

Rend. Médio

kg/ha

Produção

(1000t)

Rend. Médio

kg/ha

Produção

(1000t)

Rend. Médio

kg/ha

Produção

(1000t)

Rend. Médio

kg/ha

1984/85

454,82

449

911,17

1692

1035,66

1918

244,17

1654

1985/86

388,12

406

869,17

1679

768,43

1852

167,29

1644

1986/87

129,45

374

627,05

1373

711,88

1844

142,27

1600

1987/88

481,80

690

849,31

1647

903,10

1921

194,73

1539

1988/89

200,45

360

591,49

1485

805,28

1940

193,83

1703

1989/90

151,36

458

574,81

1335

852,60

1740

189,74

1550

1990/91

217,44

648

545,58

1507

1024,11

1657

247,66

1517

1991/92

167,35

465

475,41

1393

972,80

1381

236,68

1308

1992/93

118,6

650

295,44

1279

448,08

1299

244,93

1662

1993/94

284,83

705

333,63

1429

422,54

1798

270,58

1681

1994/95

174,62

482

361,32

1497

509,60

1820

350,06

1760

1995/96

119,81

484

249,52

1467

287,06

1578

334,81

1706

1996/97

142,34

500

246,62

1851

113,00

1893

234,15

2131

1997/98

59,01

368

313,33

1534

175,49

1502

624,45

1824

1998/99

106,38

812

238,12

1909

107,00

2184

959,69

2682

1999/00

244,19

1075

247,97

2155

124,47

2313

1385,13

3438

2000/012

212,71

1729

235,98

2169

167,09

2364

2020,95

3552

2001/022

240,58

1448

268,53

2452

93,15

2250

1730,49

3547

Média

215,98

511

507,07

1527

534,61

1742

344,49

1742

FONTE: Embrapa (2002)
1Dados atualizados em junho de 2002
2Dados sujeitos a alteração


Como nova fronteira para o algodão, a partir da safra 1992/93, a região Centro-Oeste já era destacada por Urban et al. (1995:38) ao afirmarem que ela apresenta algumas vantagens sobre as regiões Sudeste e Sul, por permitir, em primeiro lugar e devido à declividade do terreno, a mecanização completa da atividade, incluindo a colheita; em segundo, por ensejar maior homogeneidade da fibra, em virtude da regularidade climática e, por último, por propiciar a instalação de culturas com elevado padrão tecnológico, o que possibilita a obtenção de rendimentos médios elevados. "Esses fatores, associados a alguns outros decorrentes de políticas federais e estaduais de atração de investimentos na região, podem concretizar, num futuro não muito distante, uma cotonicultura intensiva em capital no Centro- Oeste, em detrimento daquela praticada na Zona Meridional" (Urban et al., 1995:38)1.  Realmente o futuro não era distante.

1A Zona Meridional compreende os Estados produtores de algodão das Regiões Sudeste e Sul do Brasil

 

 

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