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Expediente
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Importância
econômica
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Em termos de Brasil como um todo, os efeitos da propagação do bicudo
do algodoeiro e da abertura da economia para o exterior, na cotonicultura
nacional, foram a redução ocorrida na produção e o aumento das importações
de algodão em pluma. Observa-se, na Figura 1, como a produção de algodão
foi se distanciando do consumo nacional, até o ano agrícola 1996/97.
O risco da continuação da desvalorização da taxa cambial, a necessidade
de produtos alternativos que pudessem ser produzidos em rodízio com
a soja nos cerrados brasileiros e os progressos verificados com a
pesquisa para a produção de algodão nos cerrados do Mato Grosso, fizeram
com que aumentasse a competitividade da produção nacional, passando-se
a utilizar tecnologia compatível com a utilizada nos principais países
exportadores de fibra de algodão. Como resultado, retoma-se a produção
de algodão (Figura 1) e as importações são reduzidas de forma significante
(Figura 2). Estas haviam assumido tendência de crescimento positivo
a partir de 1984/85, com pico em 1996/97.
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Figura 1. Produção e consumo
de algodão em pluma no Brasil.
FONTE: Cotton World
Statistics (1993, 1998)
FERREIRA (s.d. b)
Cotton World Markets and Trade (1997)
Cotton World Markets and Trade (2002)
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Figura 2. Evolução
das importações de algodão em pluma no Brasil.
FONTE:
COTTON WORLD STATISTICS(1993,1998)
COTTON WORLD MARKETS AND TRADE (1997)
COTTON WORLD MARKETS AND TRADE (2002)
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Em termos regionais, pode-se observar, na Tabela 1, que no Nordeste,
devido não só a períodos de seca, como em 1987, 1991-1993 e 1998 mas,
também, à propagação do bicudo e à abertura do mercado brasileiro
para o exterior, visualiza-se uma tendência decrescente na produção
de algodão em caroço, até 1997/98. Nos três últimos anos do período
em análise constata-se, na Tabela 1, recuperação da produção e do
rendimento médio, fato que se pode atribuir ao aumento da produção
de algodão no cerrado da Bahia e no Ceará, principalmente irrigado,
com uso de tecnologia que se aproxima daquela utilizada no Mato Grosso.
Na região Nordeste, existe atualmente uma área plantada, estimada
em 12.000ha de algodoeiro herbáceo sob regime de irrigação, cujo rendimento
médio situa-se na faixa de 3500 a 4000 kg/ha. Contudo, com a tecnologia
disponível na Embrapa Algodão
e com as cultivares adaptadas ao cultivo irrigado, pode-se esperar
uma produtividade em torno de 5000 kg/ha.
Nas regiões Sudeste e Sul
é nítida a tendência declinante na produção de algodão (Tabela 1), principalmente
após a abertura do mercado brasileiro ao exterior, a partir de 1990. O
impacto da globalização da economia brasileira no mercado de algodão dessas
regiões é, pois, negativo, em particular caso se considere que a agricultura
familiar, que predominava na produção de algodão, foi a mais afetada.
O efeito positivo da abertura
do mercado brasileiro ao exterior, no mercado do algodão, foi sentido
na região Centro – Oeste, onde se utiliza, principalmente no Mato
Grosso, tecnologia competitiva com a dos principais países produtores
de algodão. Verifica-se, na Tabela 1, que o rendimento médio nesta
região teve tendência crescente no período analisado atingindo, no
ano agrícola 2000/01, 3.552 kg/ha de algodão em caroço, próximo de
1.400 kg/ha de pluma, maior do que o do México (998 kg/ha), classificado
em primeiro lugar pelo Cotton: World Markets and Trade, de agosto
de 2001, situando-se o Brasil em segundo lugar (992 kg/ha).
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Tabela 1. Produção
e rendimento médio de algodão herbáceo em caroço, nas principais
regiões produtoras brasileiras, safras 1984/85 a 2000/011.
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Safra
|
Nordeste
|
Sudeste
|
Sul
|
Centro-Oeste
|
|
Produção
(1000t)
|
Rend. Médio
kg/ha
|
Produção
(1000t)
|
Rend. Médio
kg/ha
|
Produção
(1000t)
|
Rend. Médio
kg/ha
|
Produção
(1000t)
|
Rend. Médio
kg/ha
|
|
1984/85
|
454,82
|
449
|
911,17
|
1692
|
1035,66
|
1918
|
244,17
|
1654
|
|
1985/86
|
388,12
|
406
|
869,17
|
1679
|
768,43
|
1852
|
167,29
|
1644
|
|
1986/87
|
129,45
|
374
|
627,05
|
1373
|
711,88
|
1844
|
142,27
|
1600
|
|
1987/88
|
481,80
|
690
|
849,31
|
1647
|
903,10
|
1921
|
194,73
|
1539
|
|
1988/89
|
200,45
|
360
|
591,49
|
1485
|
805,28
|
1940
|
193,83
|
1703
|
|
1989/90
|
151,36
|
458
|
574,81
|
1335
|
852,60
|
1740
|
189,74
|
1550
|
|
1990/91
|
217,44
|
648
|
545,58
|
1507
|
1024,11
|
1657
|
247,66
|
1517
|
|
1991/92
|
167,35
|
465
|
475,41
|
1393
|
972,80
|
1381
|
236,68
|
1308
|
|
1992/93
|
118,6
|
650
|
295,44
|
1279
|
448,08
|
1299
|
244,93
|
1662
|
|
1993/94
|
284,83
|
705
|
333,63
|
1429
|
422,54
|
1798
|
270,58
|
1681
|
|
1994/95
|
174,62
|
482
|
361,32
|
1497
|
509,60
|
1820
|
350,06
|
1760
|
|
1995/96
|
119,81
|
484
|
249,52
|
1467
|
287,06
|
1578
|
334,81
|
1706
|
|
1996/97
|
142,34
|
500
|
246,62
|
1851
|
113,00
|
1893
|
234,15
|
2131
|
|
1997/98
|
59,01
|
368
|
313,33
|
1534
|
175,49
|
1502
|
624,45
|
1824
|
|
1998/99
|
106,38
|
812
|
238,12
|
1909
|
107,00
|
2184
|
959,69
|
2682
|
|
1999/00
|
244,19
|
1075
|
247,97
|
2155
|
124,47
|
2313
|
1385,13
|
3438
|
|
2000/012
|
212,71
|
1729
|
235,98
|
2169
|
167,09
|
2364
|
2020,95
|
3552
|
|
2001/022
|
240,58
|
1448
|
268,53
|
2452
|
93,15
|
2250
|
1730,49
|
3547
|
|
Média
|
215,98
|
511
|
507,07
|
1527
|
534,61
|
1742
|
344,49
|
1742
|
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FONTE:
Embrapa (2002)
1Dados atualizados em junho de 2002
2Dados sujeitos a alteração
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Como nova fronteira para o algodão, a partir da safra 1992/93, a região
Centro-Oeste já era destacada por Urban et al. (1995:38) ao afirmarem que
ela apresenta algumas vantagens sobre as regiões Sudeste e Sul, por permitir,
em primeiro lugar e devido à declividade do terreno, a mecanização completa
da atividade, incluindo a colheita; em segundo, por ensejar maior homogeneidade
da fibra, em virtude da regularidade climática e, por último, por propiciar
a instalação de culturas com elevado padrão tecnológico, o que possibilita
a obtenção de rendimentos médios elevados. "Esses fatores, associados a
alguns outros decorrentes de políticas federais e estaduais de atração
de investimentos na região, podem concretizar, num futuro não muito distante,
uma cotonicultura intensiva em capital no Centro- Oeste,
em detrimento daquela praticada na Zona Meridional" (Urban et al., 1995:38)1.
Realmente o futuro não era distante.
1A Zona Meridional
compreende os Estados produtores de algodão das Regiões Sudeste e Sul do
Brasil
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