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Embrapa Algodão |
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Cultivo do Algodão Irrigado |
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Importância econômica |
Mercado e comercialização |
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A fibra do algodão, que era classificada por
técnicos treinados e experientes, passou a ser classificada por diversos
aparelhos através da determinação das características físicas da fibra,
entre eles o fibrógrafo (determina o comprimento e a uniformidade de comprimento),
o micronaire (determina a finura e a maturidade) e o estelômetro que, além
de analisar a resistência da fibra, determina também o alongamento. Com
a necessidade de modernizar e tornar mais rápido o processo de classificação
da fibra, em curto período, surgiram os novos equipamentos HVI “ High Volume
Instruments”. Através desses equipamentos as fiações de algodão passaram
a receber um volume maior de informações sobre cada fardo consumido.
A indústria têxtil nacional exige fibras média,
longa e extralonga com as características que a indústria considera ideais
para fibra, cada vez mais finas e resistentes, que possam ser fiadas em
rotores de alta velocidade. Para as fiações modernas, estas devem apresentar
índice de micronaire na faixa de 3,5 à 4,2 mg/in e resistência em HVI
superior a 24gf/tex (SANTANA et al. 1999). O processo
de beneficiamento e embalagem é a fase que antecede a sua industrialização.
Os diferentes tratamentos de pré-limpeza da fibra podem influir sobre a
qualidade comercial e industrial do produto têxtil. É recomendável que o algodão
em caroço oriundo da colheita manual e mecânica, ao entrar na usina de
beneficiamento, esteja isento de impurezas e de contaminação por pragas
e doenças, além de apresentar um grau satisfatório de maturidade.
Há vários métodos para
se fazer o beneficiamento do algodão, os quais dependem do grau de desenvolvimento
e da tecnificação da cultura em cada país:
1.
o produtor que dispuser
de uma usina pode beneficiar sua produção; 2.
o produtor que
não beneficia sua produção paga uma tarifa a empresas comerciais ou cooperativas
pela operação de descaroçamento, ficando com ele a semente e a fibra; 3.
o produtor vende
sua produção de algodão em caroço diretamente ou através
de intermediário a uma usina, que o
beneficia e passa a ser proprietária da semente e da fibra.
Por esta diversidade de métodos, é difícil se
determinar, de modo agregado, o custo real da operação de beneficiamento
do algodão.
No Brasil, a embalagem de algodão é processada
pelo sistema de módulos, que consiste na prensagem do algodão recém-colhido
em módulos compactos, formando fardos com peso entre 7 e 10 toneladas,
prensados e identificados por uma etiqueta que deve conter número de fardos,
peso, número de lote, data e nome da usina para serem conduzidos ao depósito
e, posteriormente, transportados à indústria de fiação, sem nenhum tipo
de amarração feito no campo ou na usina de beneficiamento. Este sistema
é adotado nas grandes lavouras das regiões Sudeste, Sul e Centro-Oeste
do Brasil.
O sistema de transporte e descarga do algodão
em caroço dentro da usina consiste na remoção da matéria-prima das tulhas,
reboques ou fardos para alimentação da unidade de descaroçamento de forma
constante e uniforme por meio de sistema pneumáticos e mecânicos (SILVA
& CARVALHO, 1999).
Os preços de comercialização do algodão são determinados
no mercado internacional. Considerando as constantes alterações que ocorrem
no mercado de algodão, é importante que o produtor se posicione quanto
à situação atual e futura do mercado mundial, bem como analise suas condições
de produção. Além disso, por possuir a fibra do algodão um custo de produção
elevado e forte competição com as fibras sintéticas, os países que utilizam
maior nível tecnológico na produção são, em geral, os que conseguem influenciar
mais fortemente a determinação do preço de produção.
A comercialização da produção de algodão constitui
uma das etapas mais importantes da atividade algodoeira, pois é nela que
se concretiza a receita que irá fazer face aos custos de produção e o excedente
destinado à manutenção e reprodução da força de trabalho do cotonicultor
e de sua família.
O valor de mercado atual (CONAB CONJUNTURA SEMANAL),
descontadas as despesas com frete, corretagem e outras, representa para
o produtor, na zona de produção, um faturamento líquido de R$ 30,57/@.
Para receber o preço mínimo líquido, o produtor teria que comercializar
o produto, posto São Paulo, por R$33,76/@.
O mercado mundial de algodão foi, no período de
1997/98 a 2000/01, caracterizado por níveis de consumo inferiores aos da
oferta (estoque inicial mais produção), gerando excedentes de, em média,
9,2 milhões de toneladas, o que correspondeu a 48,0% da produção, nível
que pode ser considerado bastante elevado (Tabela 1).
Para a temporada 2001/02, as perspectivas não são
diferentes, tendo em vista a produção mundial recorde prevista em 21,32
milhões de toneladas, 10,35% maior que a passada. Acrescentando-se o estoque
inicial, a oferta deve totalizar 36,45 milhões
de toneladas, ou seja, 6,2% superior à da temporada anterior. Por outro
lado, o consumo deverá variar muito pouco, ou apenas 1,5% em comparação
com o do ano anterior, e ficar em 20,35 milhões de toneladas, o equivalente
a 95,4% da produção (CONAB CONJUNTURA SEMANAL).
A tendência do comércio mundial dessa fibra não
foi constante no decorrer desses anos; contudo, em 2001/02, as exportações
poderão ser ampliadas em 12,3 % e alcançar 6,4 milhões de toneladas (CONAB
CONJUNTURA SEMANAL). O mercado futuro de Nova York apresentou na primeira
quinzena de julho de 2002 a cotação de US$ 49,98 Cents /lb, para entrega
em fevereiro de 2003 (CONAB CONJUNTURA SEMANAL).
Nos últimos 28 anos, os preços do algodão foram
mais baixos que os atuais apenas entre junho e setembro de 1986. Os preços
internacionais do algodão, medidos pelo índice COTTON OUTLOOK A, despencaram
de 66 cents por libra em dezembro de 2000, para 46,36 cents no período
de 08 a 12 de julho de 2002 (CONAB CONJUNTURA SEMANAL). O cenário atual
do algodão em pluma é reflexo direto do desaquecimento da economia mundial
e do excesso de oferta do produto no mercado internacional. Análise do MercadoInternacional
Os indicadores
de mercado permitem inferir que ainda há espaço para acréscimo dos preços.
No relatório recém-divulgado pelo USDA, os números ali consubstanciados
confirmam a tendência anterior de redução da produção mundial, para a safra
2002/03, totalizando 19,81 mil toneladas, contra 21,32 produzidas na safra
anterior, e também a retração no estoque de passagem
e o aumento no consumo, totalizando 20,79 mil toneladas. Mercado Interno
a.
A produção brasileira de
algodão em pluma, na atual safra (estimada em 804.000 mil toneladas), não
será suficiente para atender à demanda da indústria
nacional de fiação. b.
Os volumes de importação
terão que ser maiores, em relação ao ano anterior (estimativa inicial de
133.000 toneladas), sendo que até a primeira semana de julho as indústrias
internalizaram o equivalente a 37.900 toneladas, com custo aproximado de
US$ 42,91 cents/lb, ou R$ 40,44/@ no câmbio atual, de R$ 2,85. c.
A paridade
de importação, para o produto colocado no pátio da indústria em São Paulo,
é R$ 43,69/@, estabelecendo um diferencial a maior, em relação ao mercado
interno (R$ 34,01/@), de aproximadamente 28,4%. d.
A paridade atual de exportação
FOB Paranaguá - PR, para o produto da safra 2001/2002, tipo 5/6, é de aproximadamente
R$ 38,80/@,
Vale ressaltar que a atual
conjuntura de mercado vem favorecendo o produtor, e os números obtidos
a partir de suas ações demonstram que, relativamente à safra 2001/2002,
o volume de algodão efetivamente exportado, até a primeira quinzena do
corrente mês, totalizou cerca de 35.700 toneladas de pluma. Para a safra
2002/2003, a partir do final de maio houve forte evolução de registros
de exportação na BM&F, totalizando cerca de 36.300 toneladas. Informações
procedentes do mercado indicam que, a esse valor, devem ser adicionadas
cerca de 27.000 toneladas não registradas naquela
Instituição, perfazendo um total aproximado de 63.300 toneladas, já comprometidas
para a próxima temporada (Tabela 2).
Não é demais lembrar que,
na atual temporada, o processo de comercialização
vem sendo feito de forma cadenciada: os produtores estão, no momento, dosando
os quantitativos de produto que vem sendo colocado nos mercados interno
e externo, evitando a forte pressão de oferta,
em nível interno, e o aviltamento do preço.
Nos leilões do PEP realizados pela Conab até 11 de julho, os vários segmentos da cadeia do algodão (indústrias de fiação, comerciantes, beneficiadores e exportadores) arremataram cerca de 218.684 toneladas de algodão, de um total ofertado de 245,0 mil toneladas. Para o dia 19, próximo serão ofertadas mais 20.000 toneladas nas modalidades, convencional e futuro. |
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Tabela 1. Suprimento de pluma no mercado internacional. Algodão
em pluma Suprimento
mundial
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Fonte: USDA Elab: CONAB (1)- Estimativa; (2) Previsão. |
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| Tabela 2. Suprimento de pluma no mercado nacional. Suprimento
de algodão em pluma – Brasil (1995 a 2002 – em mil ton.) |
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Fonte:
CONAB/SRF-MF/SINDITEXTIL-ABIT/COOPERTIVAS Elaboração:
CONAB (1) Preliminar; (2) Estimativa. |
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