Embrapa Algodão
Sistemas de Produção, 3
ISSN 1678-8710 Versão Eletrônica
Jan/2003

Cultivo do Algodão Irrigado

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Expediente

Plantas daninhas


As plantas daninhas, também denominadas de infestantes e invasoras, devido à interferência (competição + alelopatia) podem causar danos à cultura do algodão irrigado, reduzindo substancialmente (até mais de 90% em caso de não controle) a produtividade, em especial as perenes e de difícil controle como é o caso da tiririca (Ciperus rotundus L.), muito comum nas áreas irrigadas do Nordeste brasileiro, apesar de ser exótica, sendo originária da Nova Zelândia.


Uma das dez piores plantas daninhas do mundo, é a tiririca, devido à alta nocividade, agressividade e larga amplitude ecológica. No Brasil, especialmente nas áreas irrigadas do Nordeste, está bastante difundida, sendo a água um excelente veículo de sua propagação. É disseminada, também, quando se faz sistematização de terras e preparo do solo, sem o cuidado prévio de limpar os implementos agrícolas. Os órgãos subterrâneos desta ciperácea produzem inibidores da germinação e do crescimento de sementes e plantas de outras espécies, fenômeno chamado de alelopatia.

Além da competição e da alelopatia que as plantas daninhas podem causar ao algodoeiro herbáceo irrigado, algumas podem reduzir também a qualidade final da fibra, devido à aderência de algumas das suas estruturas, em especial frutos e/ou sementes a ela, como por exemplo, o capim carrapicho (Cinchrus echinnatus L.) e o picão (Bideus pilosa L.). Algumas podem, também, hospedar nematóides, vírus e outros agentes causadores de doenças e pragas ao algodoeiro.

 

Período crítico de competição 


O período crítico de competição das plantas daninhas com o algodoeiro herbáceo irrigado depende da cultivar, em especial de sua precocidade, da composição das plantas daninhas em termos de espécies e tipos (se perene ou anual), da densidade populacional de cada uma delas e do tipo do solo, englobando a composição química, em especial em nutrientes, e a natureza física, principalmente a textura e a estrutura. Em geral, o período crítico de competição das plantas daninhas com o algodoeiro herbáceo irrigado, varia da emergência das plântulas até 60 a 80 dias após a emergência, de acordo com o ciclo da cultivar (110 a 160 dias). 



Métodos de Controle.


Nas áreas irrigadas, vários são os métodos de controle que podem ser usados na cotonicultura, com destaque para a prevenção e o controle nas suas diversas modalidades. A prevenção consiste em impedir ou evitar que as plantas daninhas sejam transportadas para áreas agrícolas onde elas ainda não existem, fazendo-se com cuidado a limpeza das máquinas e implementos agrícolas, usando-se sementes certificadas ou fiscalizadas, deslintadas e tratadas, mantendo-se os canais de irrigação e as bordas dos reservatórios de água sempre limpas, entre outras providências, para evitar contaminações. O controle envolve diversos segmentos como o mecânico, o químico, o cultural e o integrado que engloba pelo menos duas modalidades. Os cultivos devem ser feitos superficialmente, com no máximo 3,0 cm de profundidade para evitar danos (cortes) no sistema radicular da cultura, podendo-se usar a tração animal ou mecânica. Em geral, no período crítico de competição das plantas daninhas (Figura 1) com o algodoeiro herbáceo irrigado, há necessidade de duas a quatro limpas de acordo com o ciclo da cultivar (110 a 160 dias), da composição das plantas daninhas, do solo e de outros fatores. 



Controle mecânico


É um dos mais utilizados na cultura do algodoeiro herbáceo irrigado, em especial em pequenas áreas de até 5,0 ha. Pode ser realizado manualmente com o uso da enxada ou com o uso de cultivadores tracionados por força animal ou trator.


No caso de se usar a enxada, deve-se ter todo o cuidado com a profundidade de corte, que não deve ser superior a 3,0cm, devido à superficialidade das raízes do algodoeiro, evitando que sejam cortadas, danificando a planta e, assim a distribuição de assimilados entre os frutos e as raízes com ferimentos. Em geral, gastam-se 15 homens/dia para capinar um hectare  de algodão irrigado, quando as plantas daninhas estão com uma média de 10,0 cm de altura. No caso de se usar o cultivador, deve-se utilizá-lo com muita cautela, a pouca profundidade, para não danificar o sistema radicular das plantas. Utilizando-se  o cultivador a tração animal, gastam-se em média 2,0 dias/homem/cultivador nas entre-linhas e 5 a 8 dias/homem para o retoque a enxada. Com a utilização do trator, a velocidade de 7 a 8 km/h e em uma faixa de 2,00m de largura, gasta-se  cerca de uma hora/ha.


Controle Cultural


Este método reúne várias sub-modalidades, indo desde o preparo adequado do solo, utilizando-se o método invertido e arado de aiveca em solo úmido ou mesmo seco, até o uso de espaçamentos mais estreitos e populações mais densas, com mais de 150.000 plantas /ha. O uso de cultivares mais competitivas, também, é um elemento do controle cultural.


Controle químico


No tocante ao uso de herbicidas, em geral, recomendam-se misturas de produtos, seletivas para a cultura, sendo um deles com ação sobre as plantas daninhas de folhas largas, ou seja, latifolicida, e outro, com ação nas plantas daninhas de folhas estreitas, gramíneas e ciperáceas (Figura 2). No caso específico da tiririca (Cyperus rotundus L.), planta daninha perene, muito agressiva, altamente competitiva e alelopática, recomenda-se preparar o solo com um escarificador ou arado de aiveca com profundidade de no mínimo 30 cm deixar a tiririca crescer e quando estiver com o máximo de área foliar, em torno de 8 a 12 folhas, porém sem ter entrado em floração, aplicar o herbicida glyphosate (N – (fofonometil) glicina) na dosagem de 2,5 a 3,2 kg i.a/ha misturado com um pouco de uréia a 5% com relação ao volume da calda de aplicação, em torno de 300 l/ha.


É um produto translocável no solo, sendo degradado pelos microorganismos do meio edáfico. Quando as plantas da tiririca estiverem secando, faz-se o plantio, de acordo com o sistema de irrigação utilizado, de maneira a permitir a cobertura do solo mais rapidamente, fazendo assim o controle cultural, pois a tiririca necessita de cerca de 12 horas de luminosidade por dia e sem este fator de ambiente ela é totalmente inibida. No tocante aos herbicidas de solo aplicados em pré-emergência da cultura e das plantas daninhas, recomenda-se o uso de misturas duplas ou triplas de produtos seletivos, registrados no Ministério da Agricultura e do Abastecimento para a cultura do algodão e com dosagens variando de acordo com o tipo de solo; quanto maiores os teores de argila e matéria orgânica, maiores deverão ser as dosagens usadas. Algumas das misturas de herbicidas para a cotonicultura irrigada são:

·   Alachlor + diuron, aplicação de pré-emergência: dosagens variando, em função do tipo de solo, de 0,86 a 1,29 + 1,2 a 1,6 kg/ha. Esta mistura controla a maioria das plantas daninhas de folhas largas e de folhas estreitas. Não deve ser utilizada em solos arenosos.

·   Alachlor + cyanazina, aplicação de pré-emergência: dosagens variando, em função do tipo de solo, de 0,86 a 1,29 + 1,25 a 1,50 kg/ha. Esta mistura controla um amplo espectro de plantas daninhas. Não deve ser utilizada em solos muitos arenosos.

·   Alachlor + prometrina, aplicação de pré-emergência: dosagens variando de 0,86 a 1,29 + 1,2 a 1,6 kg/ha, a depender dos conteúdos de argilas e matéria orgânica do solo. Controla várias gramíneas e latifoliadas.

·   Pendimentalin + diuron, aplicação de pré-emergência: dosagens variando de 1,25 a 1,75 + 1,2 a 1,6 kg/ha, dependendo do tipo de solo. Controla grande número de plantas daninhas mono e dicotiledôneas.

·   Metolachlor + diuron, aplicação de pré-emergência: dosagens 1,8 a 2,16 + 1,2 a 1,6 kg/ha, dependendo do tipo de solo. Controla grande número de plantas daninhas.

Controle Integrado


Este tipo de controle é o mais estável e indicado, tendo como base o uso simultâneo de mais de um método de controle, como o químico e o cultural, envolvendo o uso de espaçamentos mais estreitos, que podem alterar o período crítico de competição das plantas daninhas com a cultura. Na cotonicultura irrigada, um tipo de controle integrado, envolve  o uso de fileiras duplas com o uso de herbicidas em pré-emergência da cultura e das plantas daninhas. 

 

 

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