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As plantas daninhas, também denominadas de infestantes e invasoras, devido
à interferência (competição + alelopatia) podem causar danos à cultura
do algodão irrigado, reduzindo substancialmente (até mais de 90% em caso
de não controle) a produtividade, em especial as perenes e de difícil controle
como é o caso da tiririca (Ciperus rotundus L.), muito comum
nas áreas irrigadas do Nordeste brasileiro, apesar de ser exótica, sendo
originária da Nova Zelândia.
Uma das dez piores plantas daninhas do mundo, é a tiririca, devido à alta
nocividade, agressividade e larga amplitude ecológica. No Brasil, especialmente
nas áreas irrigadas do Nordeste, está bastante difundida, sendo a água
um excelente veículo de sua propagação. É disseminada, também, quando se
faz sistematização de terras e preparo do solo, sem o cuidado prévio de
limpar os implementos agrícolas. Os órgãos subterrâneos desta ciperácea
produzem inibidores da germinação e do crescimento de sementes e plantas
de outras espécies, fenômeno chamado de alelopatia.
Além da competição e da
alelopatia que as plantas daninhas podem causar ao algodoeiro herbáceo
irrigado, algumas podem reduzir também a qualidade final da fibra, devido
à aderência de algumas das suas estruturas, em especial frutos e/ou sementes
a ela, como por exemplo, o capim carrapicho (Cinchrus echinnatus
L.) e o picão (Bideus pilosa L.). Algumas podem, também,
hospedar nematóides, vírus e outros agentes causadores de doenças e pragas
ao algodoeiro.
Período
crítico de competição
O período crítico de competição das plantas daninhas com o algodoeiro herbáceo
irrigado depende da cultivar, em especial de sua precocidade, da composição
das plantas daninhas em termos de espécies e tipos (se perene ou anual),
da densidade populacional de cada uma delas e do tipo do solo, englobando
a composição química, em especial em nutrientes, e a natureza física, principalmente
a textura e a estrutura. Em geral, o período crítico de competição das
plantas daninhas com o algodoeiro herbáceo irrigado, varia da emergência
das plântulas até 60 a 80 dias após a emergência, de acordo com o ciclo
da cultivar (110 a 160 dias).
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Nas áreas irrigadas, vários são os métodos de controle que podem ser usados
na cotonicultura, com destaque para a prevenção e o controle nas suas diversas
modalidades. A prevenção consiste em impedir ou evitar que as plantas daninhas
sejam transportadas para áreas agrícolas onde elas ainda não existem, fazendo-se
com cuidado a limpeza das máquinas e implementos agrícolas, usando-se sementes
certificadas ou fiscalizadas, deslintadas e tratadas, mantendo-se os canais
de irrigação e as bordas dos reservatórios de água sempre limpas, entre
outras providências, para evitar contaminações. O controle envolve diversos
segmentos como o mecânico, o químico, o cultural e o integrado que engloba
pelo menos duas modalidades. Os cultivos devem ser feitos superficialmente,
com no máximo 3,0 cm de profundidade para evitar danos (cortes) no sistema
radicular da cultura, podendo-se usar a tração animal ou mecânica. Em geral,
no período crítico de competição das plantas daninhas (Figura 1) com o algodoeiro herbáceo
irrigado, há necessidade de duas a quatro limpas de acordo com o ciclo
da cultivar (110 a 160 dias), da composição das plantas daninhas, do solo
e de outros fatores.
Controle mecânico
É um dos mais utilizados
na cultura do algodoeiro herbáceo irrigado, em especial em pequenas áreas
de até 5,0 ha. Pode ser realizado manualmente com o uso da enxada ou com
o uso de cultivadores tracionados por força animal ou trator.
No caso de se usar a enxada, deve-se ter todo o cuidado com a profundidade
de corte, que não deve ser superior a 3,0cm, devido à superficialidade
das raízes do algodoeiro, evitando que sejam cortadas, danificando a planta
e, assim a distribuição de assimilados entre os frutos e as raízes com
ferimentos. Em geral, gastam-se 15 homens/dia para capinar um hectare
de algodão irrigado, quando as plantas daninhas estão com uma média de
10,0 cm de altura. No caso de se usar o cultivador, deve-se utilizá-lo
com muita cautela, a pouca profundidade, para não danificar o sistema radicular
das plantas. Utilizando-se o cultivador a tração animal, gastam-se em
média 2,0 dias/homem/cultivador nas entre-linhas e 5 a 8 dias/homem para
o retoque a enxada. Com a utilização do trator, a velocidade de 7 a 8 km/h
e em uma faixa de 2,00m de largura, gasta-se cerca de uma hora/ha.
Controle Cultural
Este método reúne várias sub-modalidades, indo desde o preparo adequado
do solo, utilizando-se o método invertido e arado de aiveca em solo úmido
ou mesmo seco, até o uso de espaçamentos mais estreitos e populações mais
densas, com mais de 150.000 plantas /ha. O uso de cultivares mais competitivas,
também, é um elemento do controle cultural.
Controle químico
No tocante ao uso de herbicidas, em geral, recomendam-se misturas de produtos,
seletivas para a cultura, sendo um deles com ação sobre as plantas daninhas
de folhas largas, ou seja, latifolicida, e outro, com ação nas plantas
daninhas de folhas estreitas, gramíneas e ciperáceas (Figura 2). No caso específico da tiririca
(Cyperus rotundus L.), planta daninha perene, muito agressiva, altamente
competitiva e alelopática, recomenda-se preparar o solo com um escarificador
ou arado de aiveca com profundidade de no mínimo 30 cm deixar a tiririca
crescer e quando estiver com o máximo de área foliar, em torno de 8 a 12
folhas, porém sem ter entrado em floração, aplicar o herbicida glyphosate
(N – (fofonometil) glicina) na dosagem de 2,5 a 3,2 kg i.a/ha misturado
com um pouco de uréia a 5% com relação ao volume da calda de aplicação,
em torno de 300 l/ha.
É um produto translocável no solo, sendo degradado pelos microorganismos
do meio edáfico. Quando as plantas da tiririca estiverem secando, faz-se
o plantio, de acordo com o sistema de irrigação utilizado, de maneira a
permitir a cobertura do solo mais rapidamente, fazendo assim o controle
cultural, pois a tiririca necessita de cerca de 12 horas de luminosidade
por dia e sem este fator de ambiente ela é totalmente inibida. No tocante
aos herbicidas de solo aplicados em pré-emergência da cultura e das plantas
daninhas, recomenda-se o uso de misturas duplas ou triplas de produtos
seletivos, registrados no Ministério da Agricultura e do Abastecimento
para a cultura do algodão e com dosagens variando de acordo com o tipo
de solo; quanto maiores os teores de argila e matéria orgânica, maiores
deverão ser as dosagens usadas. Algumas das misturas de herbicidas para
a cotonicultura irrigada são:
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Alachlor + diuron, aplicação
de pré-emergência: dosagens variando, em função do tipo de solo, de 0,86
a 1,29 + 1,2 a 1,6 kg/ha. Esta mistura controla a maioria das plantas daninhas
de folhas largas e de folhas estreitas. Não deve ser utilizada em solos
arenosos.
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Alachlor + cyanazina, aplicação
de pré-emergência: dosagens variando, em função do tipo de solo, de 0,86
a 1,29 + 1,25 a 1,50 kg/ha. Esta mistura controla um amplo espectro de
plantas daninhas. Não deve ser utilizada em solos muitos arenosos.
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Alachlor + prometrina,
aplicação de pré-emergência: dosagens variando de 0,86 a 1,29 + 1,2 a 1,6
kg/ha, a depender dos conteúdos de argilas e matéria orgânica do solo.
Controla várias gramíneas e latifoliadas.
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Pendimentalin + diuron,
aplicação de pré-emergência: dosagens variando de 1,25 a 1,75 + 1,2 a 1,6
kg/ha, dependendo do tipo de solo. Controla grande número de plantas daninhas
mono e dicotiledôneas.
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Metolachlor + diuron, aplicação
de pré-emergência: dosagens 1,8 a 2,16 + 1,2 a 1,6 kg/ha, dependendo do
tipo de solo. Controla grande número de plantas daninhas.
Controle
Integrado
Este tipo de controle é o mais
estável e indicado, tendo como base o uso simultâneo de mais de um
método de controle, como o químico e o cultural, envolvendo o uso
de espaçamentos mais estreitos, que podem alterar o período crítico
de competição das plantas daninhas com a cultura. Na cotonicultura
irrigada, um tipo de controle integrado, envolve o uso de fileiras
duplas com o uso de herbicidas em pré-emergência da cultura e das
plantas daninhas.
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