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A cultura do algodão é de grande expressão socioeconômica para os setores
primário e secundário do Brasil. Todavia, as pragas constituem-se um dos
fatores limitantes para sua exploração, caso não sejam tomadas medidas
eficientes de controle.
Dentre as pragas que atacam o algodão cultivado na área irrigada,
destacam-se: as brocas (Eutinobothrus brasiliensis e Conotrachellus denieri),
a lagarta
rosca (Agrotis spp.), os pulgões (Aphis gossypii e Myzus persicae), o tripes
(Frankliniella spp.), o percevejo de renda (Gargaphia torresi), o curuquerê (Alabama argillacea), o bicudo (Anthonomus grandis), a lagarta-das-maçãs (Heliothis
virescens),
as lagartas do gênero Spodoptera (S.frugiperda e S. eridania), a lagarta
rosada (Pectinophora gossypiella), os ácaros (Tetranychus urticae, Polyphagotarsonemus
latus),
os percevejos (Horcias nobilellus e Dysdercus spp.) e a mosca branca (Bemisia tabaci). Para controlar essas pragas,
o agricultor geralmente utiliza-se das aplicações de inseticidas químicos
de forma inadequada, ocasionando danos ao meio ambiente e à saúde
do agricultor. No entanto, pode-se reduzir o efeito negativo desses
inseticidas, através do manejo integrado de pragas (MIP), o qual é
constituído de várias estratégias de controle. Todavia, para o sucesso
no emprego destas estratégias é necessário que se façam amostragens
para determinação dos níveis de controle das pragas e de ação dos
inimigos naturais, visando otimizar a utilização de inseticidas.
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Tomadas de decisões, que visem aumentar e preservar as populações de inimigos
naturais dentro do agroecossistema algodoeiro, são ações promissoras, técnica
e ecologicamente viáveis, que poderão resultar em grande economia para
os cotonicultores, na melhoria da qualidade do meio ambiente e na redução
dos problemas de saúde pública decorrentes do uso indiscriminado de produtos
químicos. Portanto, é necessário que o cotonicultor esteja apto em reconhecer
as pragas e seus inimigos naturais que, porventura, venham a ocorrer durante
o ciclo da cultura, realizando amostragens periódicas na lavoura para uma
tomada de decisão inteligente e que seja econômica, social e ecologicamente
indicada para as condições de sua empresa. Geralmente, as amostragens deverão
ser feitas em intervalo de cinco dias, tomando-se aleatoriamente 100 plantas
em talhões com até 100 ha, área homogênea, através do caminhamento em
ziguezague, dentro da cultura de tal maneira que se observem plantas que
estejam bem distribuídas na lavoura. Para amostrar-se o curuquerê, em cada
planta, deve-se examinar a terceira folha, contada a partir do ápice para
a base. No caso do bicudo, deve-se observar um botão floral de tamanho
médio, tomado aleatoriamente, na metade superior da planta, a fim de se
verificar a presença ou não de orifícios de oviposição e\ou alimentação;
as amostragens deverão ser feitas a partir do surgimento dos primeiros
botões florais até o aparecimento do primeiro capulho na cultura.
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O manejo integrado de pragas tem como base fundamental a integração de
várias estratégias de controle de pragas, tais como: manipulação de cultivar,
controle cultural (plantio, conservação do solo e adubação, densidade de
plantio, catação de botões florais e maçãs caídas no solo, destruição dos
restos de cultura e rotação de cultura), controle climático, controle
biológico e controle químico. A seguir, serão apresentadas as principais
estratégias para o controle das pragas do algodoeiro.
Manipulação de cultivar e plantio
Sugere-se a utilização de cultivares produtivas
de algodão de ciclo curto resistentes a virose
e uniformidade da época de plantio, sempre que possível, em áreas e períodos
comprovadamente com menor incidência de pragas, visando quebrar a sincronia
entre a fonte alimentar da praga e sua ocorrência, além de possibilitar
a antecipação
da colheita e, conseqüentemente, a destruição precoce dos restos de cultura.
Conservação do solo e adubação
A utilização correta do solo, baseada
em recomendações técnicas de preparo e adubação, constitui-se em ferramenta
indispensável para manutenção da sua
fertilidade e estrutura, contribuindo diretamente para a formação de plantas vigorosas e,
portanto, menos vulneráveis ao ataque de pragas.
Densidade de plantio
A densidade de plantio deverá ser constituída de tal maneira que se evite
o adensamento excessivo da cultura, facilitando a penetração dos raios solares e
o deslocamento de gotas da calda do inseticida até o alvo biológico.
Catação de botões florais e maçãs caídas no solo
Para grandes áreas, sugere-se coletar nas bordaduras (15 a 20 fileiras
ao redor do campo) e com frequência de uma a duas
vezes por semana, dependendo do nível populacional da praga. As estruturas
reprodutivas deverão ser queimadas ou enterradas no solo. Se o produtor
conhecer as pragas, as estruturas reprodutivas podem ser mantidas em pequenas
caixas teladas, até a emergência dos adultos do bicudo e de seus parasitóides.
Os adultos do bicudo serão destruídos e os parasitóides liberados na cultura
do algodão.
Controle climático
Nas regiões brasileiras cujas condições edafoclimáticas são caracterizadas
por insolação excessiva tem exercido um papel preponderante na redução
populacional de pragas. A insolação aumenta a taxa de evaporação d´água
presente no solo e nos insetos, funcionando como fator limitante para a
sua sobrevivência, principalmente da broca e do bicudo.
Controle Biológico
Sugere-se efetuar, uma vez por semana, liberações inundativas de 100.000
ovos parasitados/ha, pela vespinha Trichogramma pretiosum no momento
do aparecimento na lavoura de lepidópteros-praga, como: curuquerê, lagartas
do gênero Spodoptera spp., lagarta rosada e lagarta-das-maçãs. A
liberação deverá ser feita com 15 cartões de 2 pol2 contendo
ovos parasitados distribuídos em 15 pontos equidistantes entre si por hectare.
Outra alternativa é efetuar pulverizações com
o inseticida microbiológico a base de Bacillus thuringiensis, na
dosagem comercial de 8-16 e 16-32 g.i.a./ha, respectivamente, quando o
curuquerê e a lagarta-das-maçãs atingirem o nível de controle. Deve-se
ter bastante atenção para a presença de predadores (joaninhas, sirfídeos,
bicho-lixeiro e aranhas) e parasitóides (vespinha: Lysiphlebus testaceipes)
do pulgão na lavoura, obedecendo o nível de ação desses inimigos naturais
(Tabela 1). A tecnologia da produção de Trichogramma pretiosum encontra-se
à disposição de cotonicultores, na Embrapa Algodão .
Controle Químico
O controle químico das principais pragas do algodoeiro somente deverá
ser efetuado quando necessário, ou seja, quando a praga atingir o
nível de controle (Tabela 1). Até o aparecimento das primeiras maçãs
firmes (cerca de 70 dias), não devem ser utilizados inseticidas piretróides.
A escolha dos inseticidas químicos deverá contar com a participação
efetiva de um entomologista, sendo então, levados em consideração
a eficácia, a seletividade, a toxicidade, o poder residual, o período
de carência, o método de aplicação, a formulação e o preço.
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Tabela 1. Pragas
e inimigos naturais, nível de controle, ingrediente ativo, dosagem
e nível de ação sugeridos para o controle das principais pragas
do algodoeiro.
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Pragas e inimigos
naturais
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Nível de controle
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Ingrediente
ativo
|
Dosagem
(g.i.a.\ha)
|
Nível de ação
|
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Brocas
|
-
|
Carbofuran
Dissulfanl
|
3.000,0 a 4.000,0
16.600,0
|
-
|
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Lagarta rosca
|
-
|
Carbaril
|
960,0
|
-
|
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Tripes
|
70% de plantas atacadas
|
Tiometon
Dimetoato
Monocrotofos
|
175,0
126,0
250,0
|
-
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Pulgão
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10% ou 70% de plantas atacadas
com colônia, respectivamente, suscetíveis ou tolerantes à virose
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Pirimicarb
Tiometon
Monocrotofos
|
37,5 a 50,0
65,5
120,0
|
-
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Percevejo de renda
|
53% das plantas com colônia
|
Tiometon
|
125,0
|
-
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Curuquerê
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22% ou 53% das plantas atacadas
por lagartas > ou < 15mm, respectivamente
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Diflubenzuron
Clofluazuron
Tefluazuron
Tefubenozide
Endosulfan
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12,5
25,0 a 37,5
7,5
300,0
350,0
|
-
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Bicudo
|
10% das plantas com botões
florais danificados
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Endosulfan
Phosmet
Carbaryl
|
525,0
750,0
1400,0
|
-
|
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Lagarta das maçãs
|
13% de plantas com lagartas
|
Endosulfan
Carbaryl
|
525,0 a 700,0
1.200,0
|
-
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Spodoptera spp.
|
13% de plantas com lagartas
|
Endosulfan
Carbaryl
|
525,0 a 700,0
1.200,0
|
-
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Lagarta rosada
|
11% das plantas com macas
danificadas
|
Carbaryl
|
1.200,0
|
-
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Ácaros
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40% de plantas com colônia
|
Abamectin
Propargite
|
7,2
681,0
|
-
|
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Percevejos
|
20% de plantas atacadas
|
Endosulfan
Dimetoato
|
525,0
126,0
|
-
|
|
Mosca branca
|
-
|
Endosulfan
Dimetoato
|
525,0 a 700,0
126,0
|
-
|
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Predadores e parasitóides
|
-
|
-
|
-
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71% de plantas c/ predadores
e/ou múmias
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1/ Fonte:
Silva & Almeida (1998)
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Destruição dos restos de cultura
Imediatamente após a colheita, deve-se proceder à destruição dos restos
de cultura, tais como: raízes, caules, botões florais, flores, maçãs, carimãs
e capulhos não colhidos, respectivamente, através do arranquio e/ou coleta,
para destruição e incorporação no solo. A destruição dos restos de cultura
no final da safra visa quebrar o ciclo biológico das pragas, através da
eliminação dos sítios de proteção, alimentação e reprodução.
Rotação de cultura
O cultivo alternado do algodoeiro com outras culturas, em sucessões
repetidas, adotando-se uma seqüência definida, além de contribuir
para a redução de pragas específicas associadas a uma delas, concorre
favoravelmente para a melhoria das condições físicas e químicas do
solo.
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O MIP baseia-se em amostragens periódicas da cultura. Assim, o cotonicultor
poderá decidir qual a estratégia correta que deverá ser aplicada para o
controle de determinada praga.
O cotonicultor deve aprender
a tolerar a presença de insetos na sua lavoura, enquanto esses não atingirem
o nível de controle.
Lavouras
de algodão de diferentes idades, em uma mesma região, favorecem a sobrevivência
e o surgimento precoce de pragas, aumentando o custo de produção.
A destruição de restos de
cultura na lavoura algodoeira é obrigatória por lei e seu descumprimento
é crime.
A adoção desses critérios
de seleção conduzirá a diversos benefícios, tanto para o agricultor, como
para a sociedade. Para o agricultor, a utilização do MIP resultará em economia
nos custos de produção, melhoria na sua qualidade de vida, garantia de
que esta atividade agrícola poderá permanecer viável economicamente por
muito tempo, enquanto para a sociedade, em garantia de preservação da biodiversidade,
dos mananciais hídricos (lençóis, poços, açudes e rios) e em certeza da
redução de resíduos nos subprodutos do algodão.
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