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O solo pode ser considerado resultado da adaptação
das rochas às condições de equilíbrio do meio em que se encontram expostas,
geralmente diferentes daquele que condicionou sua gênese. Os problemas
ambientais têm sido e são abordados como conseqüência, entre outras, das
disfunções que a atividade humana provoca, e de suas repercussões. A ação
às vezes negligente, do agricultor sobre o solo, tem conduzido à deterioração,
freqüentemente irreversível, das suas propriedades,
afetando o seu potencial produtivo, no processo complexo conhecido como
degradação das interações físicas, químicas e biológicas.
Na natureza, além dos processos
de formação dos solos, existem outros, principalmente derivados da ação
dos agentes erosivos, que atuam em sentido contrário. Normalmente, produz-se
uma harmonia entre a ação de uns e de outros, estabelecendo-se um equilíbrio
entre os mecanismos de "desgaste" e de "formação" do solo. Nos ambientes semi-áridos e tropicais, este equilíbrio é muito frágil
e fácil de se romper, na maioria das vezes em prejuízo do solo. É na zona
semi-árida, onde se cultiva a maior área com algodão irrigado e quando
o homem interfere de forma decisiva, sobre este equilíbrio, pode desnivelá-lo
a favor dos mecanismos de desgaste.
Os principais constituintes
do solo são:
Textura
A textura do solo refere-se
à proporção relativa em que se encontram, em determinada massa de solo,
os diferentes tamanhos de partículas. Refere-se, especificamente,
às proporções relativas das partículas ou frações de areia, silte e argila
na terra fina seca ao ar (TFSA). É a propriedade
física do solo que menos sofre alteração ao longo do tempo. É muito importante
na irrigação porque tem influência direta na taxa de infiltração de água,
na aeração, na capacidade de retenção de água, na nutrição, como também
na aderência ou força de coesão nas partículas do solo. Os
teores de areia, silte e argila no solo influem diretamente no ponto de
aderência aos implementos de preparo do solo e plantio, facilitando ou
dificultando o trabalho das máquinas. Influi também, na escolha do método
de irrigação a ser utilizado.
Para simplificar as análises,
principalmente quanto às práticas de manejo, os solos são agrupados em
três classes de textura:
Solos de Textura Arenosa
(Solos Leves) - Possuem
teores de areia superiores a 70% e o de argila inferior a 15%; são
permeáveis, leves, de baixa capacidade de retenção de água e de baixo teor
de matéria orgânica. Altamente susceptíveis à erosão, necessitando de cuidados
especiais na reposição de matéria orgânica, no preparo do solo e nas práticas
conservacionistas. São limitantes ao método de irrigação por sulcos, devido
à baixa capacidade de retenção de água o que ocasiona uma alta taxa de
infiltração de água no solo e conseqüentemente elevadas perdas por percolação.
Solos de Textura Média
(Solos Médios) - São solos que apresentam certo equilíbrio entre os teores de
areia, silte e argila. Normalmente, apresentam boa drenagem, boa
capacidade de retenção de água e índice médio de erodibilidade. Portanto,
não necessitam de cuidados especiais, adequando-se a todos os métodos de
irrigação.
Solos de Textura Argilosa
(Solos Pesados) - São solos com teores de argila superiores a 35%. Possuem baixa permeabilidade e alta capacidade de retenção
de água. Esses solos apresentam maior força de coesão entre as partículas,
o que além de dificultar a penetração, facilita a aderência do solo aos
implementos, dificultando os trabalhos de mecanização. Embora sejam mais
resistentes à erosão, são altamente susceptíveis à compactação, o que merece
cuidados especiais no seu preparo, principalmente no que diz respeito ao
teor de umidade, no qual o solo deve estar com consistência friável. Apresentam
restrições para o uso da irrigação por aspersão quando a velocidade de
infiltração básica for muito baixa.
Estrutura do Solo
A estrutura do solo consiste na disposição geométrica das partículas primárias
e secundárias; as primárias são isoladas e as secundárias são um conjunto
de primárias dentro de um agregado mantido por agentes cimentantes. O ferro,
a sílica e a matéria orgânica são os principais agentes cimentantes.
A textura e a estrutura do
solo influenciam na quantidade de ar e de água que as plantas em crescimento
podem obter.
Porosidade do Solo
É constituída pelo espaço poroso, após o arranjo dos componentes da parte
sólida do solo e que, em condições naturais, é ocupada por água e ar.
As areias retêm pouca água,
porque seu grande espaço poroso permite a drenagem livre da água dos solos.
As argilas absorvem relativamente, grandes quantidades de água e seus menores
espaços porosos a retêm contra as forças de gravidade. Apesar dos solos
argilosos possuírem maior capacidade de retenção de água que os solos arenosos,
esta umidade não está totalmente disponível para as plantas em crescimento.
Os solos argilosos (e aqueles com alto teor de matéria orgânica) retêm
mais fortemente a água que os solos arenosos. Isto significa mais água
não disponível.
Muitos solos do Brasil e
da região tropical, apesar de terem altos teores de argila, comportam-se,
em termos de retenção de água, como solos arenosos. São solos com argilas
de baixa atividade (caulinita e sesquióxidos), em geral altamente porosos.
Muitos Latossolos sob cerrado apresentam esta característica.
Profundidade do Solo
Os solos quanto a espessura da camada arável podem ser classificados em:
Solos Rasos - Normalmente, a camada
arável não alcança os 20cm de profundidade, o que dificulta o crescimento
das culturas (Figura
1). Além do pequeno espaço disponível para as plantas explorarem
suas necessidades nutricionais e orgânicas, esses solos tanto podem encharcar
facilmente provocando anorexia às plantas, como podem secar rapidamente,
provocando estresse hídrico. Esse tipo de solo,
geralmente, apresenta altos índices de erodibilidade, devendo ser revolvido
o mínimo possível.
Solos com Afloramento de
Rocha - Dificultam
o tráfego normal de máquinas, tornando o preparo irregular e heterogêneo,
assim como apresentam altos riscos de dano aos implementos e aos operadores
(Figura 2).
Portanto, não devem ser usados com culturas anuais mecanizadas.
Solos Profundos - Geralmente sua camada
arável se aprofunda em mais de 60cm, onde as raízes têm um largo espaço
para buscar alimentos e as plantas não sentem tanto o excesso de chuvas
nem o déficit de água (Figura 3). Esse tipo de solo facilita
as técnicas de preparo e de manejo do solo, além de aumentar a
eficiência do uso da água de irrigação.
O princípio básico em agricultura
consiste em respeitar a aptidão natural do solo, ou seja, utilizá-lo de
acordo com a sua capacidade de uso.
Capacidade de uso
A capacidade de uso do solo pode ser expressa como sua adaptabilidade para
fins diversos, sem que sofra depauperamento pelos fatores de desgaste e
empobrecimento, através de cultivos anuais, perenes, pastagem, reflorestamento
e vida silvestre.
Com respeito à avaliação
de terras para desenvolvimento agrícola, existem inúmeros sistemas de classificação,
em que diversas modalidades de interpretação podem
ser realizadas em função do seu objetivo. Assim sendo o uso mais conveniente
que se deve dar ao solo depende da localização, do tamanho da propriedade,
da quantidade da terra para outros fins, da disponibilidade e localização
de água, da habilidade do proprietário e dos recursos disponíveis.
No caso específico do algodoeiro irrigado, para alcançar altos rendimentos
de algodão e fibra de boa qualidade, seu cultivo deve ser em solos que
apresentem características físicas, químicas e de fertilidade adequadas.
Os solos rasos, com afloramento de rochas, salinos, excessivamente arenosos
e/ou pedregosos, demasiadamente argilosos e/ou siltosos e de baixa permeabilidade, devem ser evitados por suas características de difícil
correção.
Um fator adverso para a capacidade
de uso do solo é a erosão, pois destrói o maior patrimônio do homem, que
é o solo (Figura 4),
provocando problemas de natureza:
Física: destrói a estrutura do
solo (quebra o esqueleto) dificultando a movimentação do complexo ar-água-nutrientes
e prejudicando o crescimento de raízes e vida do solo.
Química: provoca a perda da fertilidade
natural, a diminuição do teor de matéria orgânica e a falta de nutrientes.
Biológica: resulta em alteração da
vida do solo, mal formação das raízes e poluição da água, prejudicando
os seres aquáticos.
Econômica: provoca a perda do solo,
arrastando calcário, adubo e semente, aumentando o custo de produção e
diminuindo os rendimentos do produtor.
Social: é fator favorável ao êxodo rural
pois, diante dos baixos rendimentos, o agricultor busca nas cidades
a realização do sonho de uma vida melhor.
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