Embrapa Algodão
Sistemas de Produção, 3
ISSN 1678-8710 Versão Eletrônica
Jan/2003

Cultivo do Algodão Irrigado

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Práticas culturais


Entende-se por manejo cultural o conjunto de práticas que permitem que uma lavoura expresse ao máximo sua potencialidade produtiva. Nesta tela serão enfocadas considerações sobre métodos, direção e profundidade de semeadura, espaçamento, densidade de plantio, arranjos, uso de reguladores de crescimento e desfolhantes na cultura do algodoeiro irrigado.

Semeadura 


A semeadura do algodoeiro pode ser efetuada através de semeadeira tratorizada, a tração animal, através do uso da matraca e pelo processo manual. Não se pode definir o melhor método, porque tudo vai depender das condições econômicas do produtor. Para grandes produtores, por exemplo, o uso da semeadeira  tratorizada, seria o método mais adequado, mas para pequenos produtores, deve-se incentivar o uso de matraca ou semeadeira a tração animal.

A profundidade de semeadura deverá fixar-se entre 3 e 5 cm, conforme a textura e a capacidade de armazenamento de água do solo. De maneira geral, quanto maior a capacidade de retenção de água do solo, menor a profundidade de plantio. Solos de textura arenosa e baixa capacidade de armazenamento de água, requerem maior profundidade que os solos de textura pesada. Para os primeiros, recomenda-se o plantio a uma profundidade de 5 cm, e para os outros, a uma profundidade de 3 cm.

Época de plantio 


A época de plantio do algodoeiro irrigado está relacionada ao grau de incidência de pragas, a doenças e à possibilidade de colheita em período chuvoso. Esta cultura requer pelo menos 600mm de água durante o ciclo, para alcançar uma produção mínima aceitável. Do plantio ao início da floração, a lavoura necessita de água, mas em menor quantidade que nas outras fases do seu ciclo. O déficit hídrico e o excesso de umidade no período compreendido entre 60 e 100 dias após a emergência (DAE), podem induzir à queda das estruturas frutíferas e comprometer a produção. Segundo Ferraz & Lamas (1988), 80% das estruturas responsáveis pela produção do algodoeiro são emitidos neste período. 

Para qualquer tipo de algodoeiro, cultivado em regime de sequeiro ou irrigado, recomenda-se que a época de plantio não se prolongue além de um mês. A falta de uniformidade poderá acarretar problemas com pragas, particularmente com lagarta rosada, bicudo e percevejos, com reflexos no rendimento. 

No Nordeste e no Norte de Minas, grande parte das áreas com potencial para o cultivo do algodoeiro herbáceo irrigado localiza-se nos vales dos rios nordestinos (Figura 1). Para esta região e para as condições de cultivo, em regime de irrigação, a melhor época de plantio é o final do período chuvoso. Este procedimento minimizará os efeitos maléficos de algumas pragas e doenças ocorrentes, na estação chuvosa, além de reduzir os riscos de se colher no início do período chuvoso subseqüente.

Espaçamento/densidade de plantio


Entende-se por espaçamento, o intervalo entre duas fileiras, e por, densidade de plantio, o espaço deixado entre plantas dentro da fileira de uma lavoura. O espaçamento e a densidade de plantio são aspectos tecnológicos, que definem a população e o arranjo de plantas, podendo interferir no rendimento e nas operações a serem realizadas em uma lavoura. As recomendações de espaçamento e densidade de plantio baseiam-se em três aspectos:
a) disponibilidade de água no solo;
b) fertilidade do solo e
c) a presença da praga do bicudo.

Para o algodoeiro irrigado, quando houver condições de elevada disponibilidade de água e solos férteis, recomendam-se o uso de populações mais elevadas que no cultivo em condições de sequeiro. Quando a água de irrigação for aplicada através de sistemas de sulcos, recomenda-se o uso de arranjos de fileiras (Figura 2) simples ou de fileiras duplas (Figura 3). O arranjo de fileiras duplas têm a vantagem do melhor aproveitamento da umidade nos dois lados da secção de condução da água. No sistema de fileiras simples não há acamamento de plantas e a condução da lavoura torna-se mais fácil.  Em solos de boa fertilidade natural, recomenda-se o uso de populações de 100.000 a 200.000 plantas/ha (Tabela 1).

Reguladores de crescimento 
 

A manipulação da arquitetura da planta do algodoeiro através de biorreguladores é uma estratégia agronômica que visa ao incremento da produção e à maior eficiência no uso de defensivos e na colheita.

Reguladores de crescimento são compostos sintéticos que atuam no metabolismo da planta inibindo a síntese dos hormônios de crescimento (auxinas, giberelinas, citocianinas, etileno e ácido abissícico). Os principais produtos usados como reguladores de crescimento em algodão são:

Cloreto de mepiquat (pix) – 1,0 litro ha-1. Aplicar quando houver de 8 a 10 flores /10m de algodão ou quando as plantas atingiram 0,50m de altura; Cloreto de clormequat (tuval) – 50g ha-1. Em condições semelhantes ao produto anterior;

Cloreto de clorocolina (CCC) – 0,50 litro ha-1. Aplicar entre 50-70 dias após germinação ou quando as plantas atingirem 1,0m de altura.

Recomenda-se fazer aplicação dos produtos parceladamente. No caso do pix, por exemplo, 1 litro do produto comercial seria aplicado: 100 ml ha-1 nos primeiros botões; 200ml ha-1 7 a 14 dias após; 300ml ha-1 7 a 14 dias após; 400ml ha-1 7 a 14 dias após. Os efeitos esperados destes produtos na planta do algodoeiro são: plantas mais compactas, maior penetração de luz no dossel da planta, frutificação mais precoce, maior produção por planta, menor incidência de pragas e maior eficiência na colheita.


Desfolhantes e maturadores


Desfolhantes e maturadores são produtos químicos utilizados com o propósito de otimizar o desempenho da colheita do algodoeiro. Dentre os efeitos atribuídos a estes insumos destacam-se: redução dos problemas ocasionados com o excesso de sombreamento como apodrecimento das maçãs no baixeiro da planta, redução da umidade das fibras e das sementes, obtenção de um produto mais limpo, redução dos custos de beneficiamento, precocidade e uniformidade de abertura dos frutos, além de facilitar a colheita manual e mecânica. Estes produtos também reduzem a frutificação tardia e a incidência de pragas como a do bicudo do algodoeiro e a lagarta rosada. Dentre os fatores ambientais, a temperatura é o que mais influencia a ação destes produtos. Os produtos mais usados em algodoeiro são:

Thidiazuron – 0,075 a 0,150 kg ha-1   com 60% de frutos abertos

romoxinil -   Bramoxinil 0,232 kg ha-1   com 60% de frutos abertos

Ethefon+cyclanilide – 0,72+1,20 ha-1  com 90 % de frutos abertos.

Destruição de restos culturais


A destruição dos restos culturais (soqueiras) é obrigatória por lei federal e regulamentada por portarias estaduais. O principal  objetivo desta prática é a eliminação de pragas e doenças. Com a destruição das soqueiras do algodoal, as pragas e agentes de doenças não têm alimento nem abrigo na entressafra. Na destruição das soqueiras, recomenda-se o cultivo tradicional através do roço baixo, aração e gradagem ou através do arranquio, enleiramento, queima e gradagem. A destruição poderá ser feita com cultivo direto ou mínimo através da roçada baixa e do manejo químico.

Tabela 1. Alternativas para escolha do espaçamento, arranjo e população para o algodoeiro herbáceo irrigado.

Espaçamento

Número de plantas/cova

População (1000 plantas/ha)

Fileiras Simples

Fileiras Duplas

Disponibilidade de Água

A

B

A

B

0,60 x 0,20m

-

2

1

100

50

0,80 x 0,15m

-

2

1

133

66

1,00 x 0,10m

-

2

1

200

100

-

1,65 x 0,35 x 0,40m

2

1

100

50

-

0,75 x 0,35 x 0,30m

2

1

120

60

-

0,60 x 0,40 x 0,30m

2

1

133

66

A - Alta disponibilidade de água.
B - Baixa disponibilidade de água.

 

 

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