Embrapa Algodão
Sistemas de Produção,  3 - 2a. edição
ISSN 1678-8710 Versão Eletrônica
Set/2006

Cultivo do Algodão Irrigado

Autores

Sumário

Apresentação
Importância econômica
Clima
Solos
Adubação
Cultivares
Mudas e sementes
Plantio
Irrigação
Tratos culturais
Plantas daninhas
Doenças
Pragas
Uso de agrotóxicos
Colheita e pós-colheita
Mercado e comercialização
Coeficientes técnicos
Referências
Glossário

Expediente


Plantas daninhas

As plantas daninhas, também denominadas de infestantes e invasoras, devido à interferência (competição + alelopatia) podem causar danos à cultura do algodão irrigado, reduzindo substancialmente – em até mais de 90%, caso não sejam controladas - a produtividade, destacando-se as perenes e de difícil controle, como a tiririca (Ciperus rotundus L.), muito comum nas áreas irrigadas do Nordeste brasileiro, apesar de ser originária da Nova Zelândia.

A tiririca está entre as dez piores plantas daninhas do mundo, devido à alta nocividade, agressividade e larga amplitude ecológica. No Brasil, especialmente nas áreas irrigadas do Nordeste, está bastante difundida, sendo a água um excelente veículo de sua propagação. É disseminada, também, quando se faz sistematização de terras e preparo do solo, sem o cuidado prévio de limpar os implementos agrícolas. Os órgãos subterrâneos desta ciperácea produzem inibidores da germinação e do crescimento de sementes e plantas de outras espécies, fenômeno chamado de alelopatia.

Além da competição e da alelopatia, as plantas daninhas podem causar ao algodoeiro herbáceo irrigado, redução da qualidade final da fibra, devido à aderência de algumas das suas estruturas, em especial frutos e/ou sementes, como o capim carrapicho (Cinchrus echinnatus L.) e o picão (Bideus pilosa L.). Algumas podem, também, hospedar nematóides, vírus e outros agentes causadores de doenças e pragas no algodoeiro.

Período crítico de competição

Define-se como período crítico de competição entre plantas daninhas e algodoeiro, a fase do ciclo desta fibrosa na qual a presença das referidas plantas daninhas interferem no crescimento e no desenvolvimento da planta do algodoeiro, reduzindo a sua capacidade produtiva. È neste período em que se deve fazer o controle das plantas daninhas.O período crítico de competição das plantas daninhas com o algodoeiro herbáceo irrigado depende da cultivar, em especial de sua precocidade, da composição das plantas daninhas em termos de espécies e tipos (se perene, ou anual), da densidade populacional de cada uma delas e do tipo do solo, englobando a composição química, em especial em nutrientes, e a natureza física, principalmente a textura e a estrutura. Em geral, o período crítico de competição das plantas daninhas com o algodoeiro herbáceo irrigado, varia da emergência das plântulas até 60 a 80 dias após a emergência, de acordo com o ciclo da cultivar (110 a 160 dias).



Métodos de controle

Nas áreas irrigadas, vários são os métodos de controle que podem ser usados na cotonicultura, com destaque para a prevenção e o controle nas suas diversas modalidades. A prevenção consiste em impedir ou evitar que as plantas daninhas sejam transportadas para áreas agrícolas onde elas ainda não existem, fazendo-se com cuidado a limpeza das máquinas e implementos agrícolas, usando-se sementes certificadas ou fiscalizadas, deslintadas e tratadas, mantendo-se os canais de irrigação e as bordas dos reservatórios de água sempre limpas, entre outras providências, para evitar contaminações. O controle envolve diversos segmentos como o mecânico, o químico, o cultural e o integrado que engloba pelo menos duas modalidades. Os cultivos devem ser feitos superficialmente, com no máximo 3,0 cm de profundidade para evitar danos (cortes) no sistema radicular da cultura, podendo-se usar a tração animal ou mecânica. Em geral, no período crítico de competição das plantas daninhas (Figura 1) com o algodoeiro herbáceo irrigado, há necessidade de duas a quatro limpas de acordo com o ciclo da cultivar (110 a 160 dias), da composição das plantas daninhas, do solo e de outros fatores.

Controle mecânico

É um dos mais utilizados na cultura do algodoeiro herbáceo irrigado, em especial em pequenas áreas de até 5,0 ha. Pode ser realizado manualmente com o uso da enxada ou com o uso de cultivadores tracionados por força animal ou trator.

No caso de se usar a enxada, deve-se ter todo o cuidado com a profundidade de corte, que não deve ser superior a 3,0 cm, devido à superficialidade das raízes do algodoeiro, evitando que sejam cortadas, danificando a planta e, assim a distribuição de assimilados entre os frutos e as raízes com ferimentos. Em geral, gastam-se 15 homens/dia para capinar um hectare de algodão irrigado, quando as plantas daninhas estão com uma média de 10,0 cm de altura. No caso de se usar o cultivador, deve-se utilizá-lo com muita cautela, a pouca profundidade, para não danificar o sistema radicular das plantas. Utilizando-se o cultivador a tração animal gastam-se, em média, 2,0 dias/homem/cultivador nas entre-linhas e 5 a 8 dias/homem para o retoque a enxada. Com a utilização do trator, a velocidade de 7 a 8 km/h e em uma faixa de 2,00 m de largura, gasta-se cerca de uma hora/ha.

Controle cultural

Este método reúne várias sub-modalidades, indo desde o preparo adequado do solo, utilizando-se o método invertido e arado de aiveca em solo úmido ou mesmo seco, até o uso de espaçamentos mais estreitos e populações mais densas, com mais de 150.000 plantas/ha. O uso de cultivares mais competitivas, também, é um elemento do controle cultural.

Controle químico

No tocante ao uso de herbicidas, em geral, recomendam-se misturas de produtos, seletivas para a cultura, sendo um deles com ação sobre as plantas daninhas de folhas largas, ou seja, latifolicida, e outro, com ação nas plantas daninhas de folhas estreitas, gramíneas e ciperáceas (Figura 2). No caso específico da tiririca (Cyperus rotundus L.), planta daninha perene, muito agressiva, altamente competitiva e alelopática, recomenda-se preparar o solo com um escarificador ou arado de aiveca com profundidade de no mínimo 30 cm deixar a tiririca crescer e quando estiver com o máximo de área foliar, em torno de 8 a 12 folhas, porém sem ter entrado em floração, aplicar o herbicida glyphosate (N – (fofonometil) glicina) na dosagem de 2,5 a 3,2 kg i.a/ha misturado com um pouco de uréia a 5% com relação ao volume da calda de aplicação, em torno de 300 l/ha.

É um produto translocável no solo, sendo degradado pelos microorganismos do meio edáfico. Quando as plantas da tiririca estiverem secando, faz-se o plantio, de acordo com o sistema de irrigação utilizado, de maneira a permitir a cobertura do solo mais rapidamente, fazendo assim o controle cultural, pois a tiririca necessita de cerca de 12 horas de luminosidade por dia e sem este fator de ambiente ela é totalmente inibida. No tocante aos herbicidas de solo aplicados em pré-emergência da cultura e das plantas daninhas, recomenda-se o uso de misturas duplas ou triplas de produtos seletivos, registrados no Ministério da Agricultura e do Abastecimento para a cultura do algodão e com dosagens variando de acordo com o tipo de solo; quanto maiores os teores de argila e matéria orgânica, maiores deverão ser as dosagens usadas. Algumas das misturas de herbicidas para a cotonicultura irrigada são:

  • Alachlor + diuron, aplicação de pré-emergência: dosagens variando, em função do tipo de solo, de 0,86 a 1,29 + 1,2 a 1,6 kg/ha. Esta mistura controla a maioria das plantas daninhas de folhas largas e de folhas estreitas. Não deve ser utilizada em solos arenosos.

  • Alachlor + cyanazina, aplicação de pré-emergência: dosagens variando, em função do tipo de solo, de 0,86 a 1,29 + 1,25 a 1,50 kg/ha. Esta mistura controla um amplo espectro de plantas daninhas. Não deve ser utilizada em solos muitos arenosos.

  • Alachlor + prometrina, aplicação de pré-emergência: dosagens variando de 0,86 a 1,29 + 1,2 a 1,6 kg/ha, a depender dos conteúdos de argilas e matéria orgânica do solo. Controla várias gramíneas e latifoliadas.

  • Pendimentalin + diuron, aplicação de pré-emergência: dosagens variando de 1,25 a 1,75 + 1,2 a 1,6 kg/ha, dependendo do tipo de solo. Controla grande número de plantas daninhas mono e dicotiledôneas.

  • Metolachlor + diuron, aplicação de pré-emergência: dosagens 1,8 a 2,16 + 1,2 a 1,6 kg/ha, dependendo do tipo de solo. Controla grande número de plantas daninhas.

Controle integrado

Este tipo de controle é o mais estável e indicado, tendo como base o uso simultâneo de mais de um método de controle, como o químico e o cultural, envolvendo o uso de espaçamentos mais estreitos, que podem alterar o período crítico de competição das plantas daninhas com a cultura. Na cotonicultura irrigada, um tipo de controle integrado, envolve o uso de fileiras duplas com o uso de herbicidas em pré-emergência da cultura e das plantas daninhas.

Foto: Demóstenes Marcos P. de Azevedo

Fig. 1. Plantas daninhas competindo com o algodoeiro irrigado por pivô central, Touros, RN.

Foto: Demóstenes Marcos P. de Azevedo

Fig. 2. Controle de ervas daninhas com uso de herbicidas em algodoeiro irrigado por pivô central, Touros, RN.

 

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