Embrapa Clima Temperado
Sistemas de Produção, 2
ISSN 1806-9207 Versão Eletrônica
Nov./2005

Cultivo da Ameixeira

Cláudio José da Silva Freire
Maria Laura Turino Mattos

Sumário
Início
 
Introdução
Condições Edafoclimáticas
Adubação e Calagem
Cultivares
Produção e Obtenção de Mudas
Preparo do Solo e Plantio
Irrigação
Tratos Culturais
Manejo de Plantas Daninhas
Doenças e Métodos de Controle
Pragas e Métodos de Controle
Normas Gerais sobre o Uso de Agrotóxicos
Colheitas e pós-Colheita
Coeficientes Técnicos para Custos, Rentabilidade
Referências
Glossário
Autores
 
Expediente
Adubagem e Calagem

No Brasil, a ameixeira é plantada desde o sul de Minas Gerais até o Rio Grande do Sul, ocupando uma grande diversidade de solos, os quais apresentam variações quanto à textura, profundidade, fertilidade e acidez. Em comum, têm uma elevada acidez, elevados teores de elementos tóxicos, principalmente alumínio e manganês e baixa fertilidade natural. Por isso, a calagem e a adubação são práticas indispensáveis que, em conjunto com outras possibilita altas produtividades.

Quando as informações sobre a necessidade e quantidade de fertilizantes e de corretivos não estão à disposição dos produtores, cria-se um clima de insegurança, passando estas práticas a serem efetuadas mais por especulação e por interesses comerciais do que por embasamento técnico.

Convém lembrar que o melhor método de diagnose e de recomendação de adubação e de corretivos é aquele que prevê o uso desses insumos somente quando existe uma expectativa de resposta econômica.

Amostragem do Solo

A coleta de amostras representativas é fundamental para a correta avaliação das necessidades de corretivo da acidez do solo e de fertilizantes. Para a sua obtenção, é necessária a coleta de várias subamostras, em diversos pontos de uma mesma área.

O primeiro passo para realiar a amostragem do solo consiste em dividir a área em porções aparentemente homogêneas, considerando-se o tipo, a topografia, a textura, a cor, o grau de erosão, a profundidade, a cobertura vegetal, a drenagem, entre outros aspectos. No entanto, se uma área for homogênea quanto a todos os fatores acima citados, existindo, no entanto, uma porção já adubada ou que já tenha recebido calcário, esta deverá ser amostrada em separado. A área abrangida por cada amostra é função da homogeneidade do solo. Normalmente, o número de subamostras é de 10 a 15.

Na tomada de amostra pelo sistema de amostragem composta, cada área deve ser percorrida, em ziguezague, coletando-se, ao acaso, as subamostras, que após são reunidas. Após homogeneizada, retira-se cerca de 500g de solo para ser enviada ao laboratório. Os procedimentos de amostragem do solo são os recomendados pela Comissão de Fertilidade do Solo RS/SC.

As amostras de solo podem ser coletadas em qualquer época do ano. No entanto, para que o produtor disponha dos resultados de análise e de recomendação de adubação e de calcário em tempo hábil, a coleta deverá ser realizada, no mínimo, quatro meses antes do plantio das mudas, ou antes do início do período de dormência, quando se tratar de nova calagem em pomares já instalados.

Em pomares instalados, deve-se amostrar a camada arável do solo, ou seja, de 17 a 20 cm de profundidade, já que nesta porção de solo é que se concentram a maioria das raízes absorventes da ameixeira. Entretanto, para pomares a serem implantados, as amostras devem ser tomadas em duas profundidades, isto é, de 0 a 20 cm e separadamente de 20 a 40 cm de profundidade.

Recomendação de Calagem

Para a ameixeira, assim como para a maioria das culturas, a calagem visa elevar o pH em água para 6,0, o que neutraliza ou reduz os efeitos danosos do alumínio e/ou do manganês e proporciona melhores condições de absorção de alguns nutrientes essenciais, como o fósforo, por exemplo.

Na implantação do pomar, o produtor tem a melhor oportunidade, se não a única, de melhorar as características químicas do solo mediante uma boa incorporação de corretivos de acidez e de fertilizantes, em face da distribuição do sistema radicular e das características de perenidade das plantas. Medidas corretivas em pomares plantados são difíceis por serem onerosas e de efeitos muito lentos, quando possíveis.

A aplicação do calcário na cova não é recomendável, pela pequena fração de solo que é beneficiada.

A quantidade de corretivo a aplicar é estimada por meio da análise de solo. No Rio Grande do Sul e em Santa Catarina, utiliza-se o método SMP, para estimar a necessidade de calcário para elevar o pH em água do solo até 6,0.

A elevação do pH do solo ao valor desejado depende, entre outros fatores, da quantidade de corretivo aplicada, da sua mistura com o solo, do seu teor de umidade, do tempo de contato do corretivo com o solo e da granulometria do mesmo.

O efeito da calagem na correção da acidez atinge o ponto máximo, em geral, em três a doze meses após a aplicação do calcário. Após quatro a seis anos, o pH começa a diminuir. Assim, novas aplicações de calcário devem ser feitas após esse período, mediante nova análise. Se a amostragem do solo for realizada após um a dois anos da aplicação do calcário, a recomendação de nova calagem, pelo método SMP, pode não ser válida com base nessa amostra, pelo fato de que a fração mais grosseira do corretivo pode estar ainda reagindo com o solo. No caso de ser aplicada, inicialmente, somente uma fração da dose recomendada, deve-se ter o cuidado para que a soma das doses parciais não ultrapasse a recomendação inicial, no período de quatro a seis anos.

Vários materiais podem ser usados como corretivos da acidez dos solos. No entanto, o mais comum é o uso da rocha calcária moída, conhecido como calcário agrícola.

Tendo em vista a grande variação na qualidade dos corretivos da acidez dos solos existentes no mercado, na sua escolha deve-se considerar tanto o seu PRNT (Poder Relativo de Neutralização Total), como o seu frete até a propriedade. Assim, ao se adquirir um calcário deve-se considerar o custo do produto por unidade de PRNT, posto na propriedade. O poder relativo de neutralização total (PRNT) é uma medida da qualidade dos corretivos, o qual é avaliado pelo valor de neutralização e pelo tamanho das partículas. Assim, quanto maior o PRNT, melhor a qualidade do calcário e, conseqüentemente, mais rápida é a sua reação no solo. Como as recomendações de calagem são baseadas em PRNT 100%, a dose a ser aplicada deve ser corrigida com base no PRNT do material disponível, do seguinte modo:

Quantidade a ser aplicada (t ha-1) = recom. de calcário (t ha-1) x 100/PRNT do calcário

Com referência à qualidade dos corretivos, além do PRNT, deve-se, também, considerar o teor de magnésio do material, já que os solos onde a ameixeira é cultivada no Brasil são normalmente pobres nesse nutriente. Por isso, deve-se dar preferência aos materiais que contenham magnésio, como é o caso dos calcários dolomíticos. De acordo com a legislação brasileira, os calcários que contenham até 5% de MgO são denominados calcíticos; os que apresentam entre 5 a 12% são denominados de magnesianos; e, quando o teor de óxido de magnésio for superior a 12%, são chamados de dolomíticos.

Além do calcário agrícola, outros produtos podem ser utilizados como corretivos da acidez dos solos, como: cal virgem, cal apagada, calcário calcinado, conchas marinhas moídas, cinzas etc..

Para que se obtenham os efeitos esperados, o calcário deve ser aplicado, no mínimo três meses antes do plantio das mudas. Quando se tratar de nova calagem em pomares já instalados, esta deverá ser feita no meio do outono.

Quando for feita a correção da acidez de toda a área, o calcário deve ser distribuído uniformemente, dando-se preferência aos implementos que aplicam o produto próximo à superfície do solo. Deve ser evitada a aplicação de corretivos, principalmente aqueles com PRNT elevado, em dias com vento.

Quando a recomendação for superior a 5 t ha-1 deve-se aplicar a metade da dose, a seguir lavrar, aplicar o restante, lavrar e gradear. Para quantidades inferiores a esta dose, uma boa incorporação tem sido obtida com uma gradagem seguida de aração e outra gradagem. Para ambas as situações acima expostas se conseguirá uma incorporação homogênea do calcário na profundidade desejada.

Recomendações de Adubação Fosfatada e Potássica de Pré-Plantio

Antes da instalação do pomar de ameixeira, a análise de solo é o único método de diagnose para se estimar as necessidades de fósforo (P) e de potássio (K). As quantidades exigidas de P e K são determinadas na mesma amostra de solo usada para se estimar a necessidade de corretivos da acidez e constam na Tabela 1. Em pomares com menos de cinco metros de distância entre as linhas de plantio, os adubos devem ser espalhados em toda a superfície. No entanto, onde essa distância for superior a cinco metros e não houver interesse em se estabelecer cultura intercalar, a adubação poderá ser executada somente numa faixa de três metros de largura ao longo da linha de plantio.

Os adubos fosfatados e potássicos, usados antes do plantio, devem ser aplicados por ocasião da instalação do pomar, preferentemente a lanço, e incorporados, no mínimo, na camada arável.

Tabela 1. Recomendação de adubação fosfatada e potássica, de pré-plantio, para a cultura da ameixeira em função da análise de P e de K no solo.

Interpretação de
P e K no solo

Adubação fosfatada
kg P2O3 ha-1
Adubação potássica
kg K 2O ha-1
Limitante
120
130
Muito baixo
90
100
Baixo
60
70
Médio
30
40
Suficiente
0
20
Alto
0
0

Fonte: Comissão (1995)

Recomendação de Adubação Nitrogenada de Crescimento

Durante a fase de crescimento das plantas, que vai desde o plantio das mudas até o terceiro ano, recomenda-se usar somente nitrogênio. Supõe-se que o P e o K, fornecidos por intermédio da adubação de pré-plantio, sejam suficientes até o momento em que as plantas entrem em plena produção.

Como a ameixeira tem necessidade de N praticamente constante durante todo o ciclo vegetativo, aliada à possibilidade de perda desse nutriente por lixiviação, recomenda-se fracionar a dose anual em três parcelas. As doses recomendadas, bem como as épocas, constam na Tabela 2. O adubo nitrogenado deve ser distribuído ao redor das plantas, formando uma coroa distanciada 20 cm do tronco, sob a projeção da copa.

Tabela 2. Recomendação de adubação nitrogenada de crescimento para a ameixeira.

Ano

Grama de N/ planta
Épocas
 
10
30 dias após a pega das mudas
Primeiro
10
45 dias após a primeira aplicação
 
10
60 dias após a segunda aplicação
     
 
20
Início da brotação
Segundo
20
45 dias após a primeira aplicação
 
20
60 dias após a segunda aplicação
     
 
45
Início da brotação
Terceiro
30
45 dias após a primeira aplicação
 
15
60 dias após a segunda aplicação
Fonte: Comissão (1995).

Adubação da Manutenção

Quando as plantas entram em plena produção, os nutrientes e as quantidades a serem aplicadas devem resultar de uma análise conjunta dos seguintes parâmetros: análise foliar, análise periódica do solo, idade das plantas, crescimento vegetativo, adubações anteriores, produções obtidas e espaçamento.

A adubação nitrogenada de manutenção é feita parceladamente, em três épocas. A primeira (50% do total) é realizada no final do inverno (início do ciclo vegetativo anual); a segunda (30% do total), após o raleio dos frutos e a última (20% do total), cerca de um mês antes do início do período de dormência das plantas. Quando for recomendado o uso de adubos potássicos e/ou fosfatados, estes devem ser aplicados ao solo no início da brotação. Com o objetivo de se aumentar a eficiência do uso dos fertilizantes, recomenda-se aplicar os adubos quando o solo não estiver seco e incorporá-los logo após a aplicação, principalmente os nitrogenados.

Para a adubação de manutenção, o uso de uma tabela de adubação não representa um quadro ideal, já que, agindo-se dessa forma, todos os pomares seriam tratados de uma mesma maneira, o que não corresponde à realidade, pois suas condições nutricionais são distintas. Ao contrário, a análise foliar, por ser um método de diagnose e de recomendação de adubação que trata cada caso isoladamente, constitui-se no procedimento mais indicado.

Para a realização da análise foliar da ameixeira, devem ser colhidas folhas completas (limbo com pecíolo) da porção média dos ramos do ano, posicionados em altura facilmente acessível, sem o uso de escada, nos diferentes lados das plantas, entre a 13ª e 15ª semanas após a plena floração, independente se a amostra for de cultivar precoce ou tardia. No entanto, se acontecer que a época indicada para a coleta de amostra de folhas coincidir com o período de colheita dos frutos de alguma cultivar, ou após o mesmo, a tomada de amostra deverá ser antecipada de uma a duas semanas, de modo que a amostragem de folhas seja sempre feita antes da colheita dos frutos. Cada amostra deve ser composta de, aproximadamente, 100 folhas, podendo representar um grupo de plantas ou um pomar, dependendo da homogeneidade. Em pomares com mais de 100 plantas, porém homogêneas, deve-se coletar quatro folhas por planta em 25 plantas distribuídas aleatoriamente e representativas da área. Cada amostra relaciona-se a uma condição nutricional. Assim, folhas com sintomas de deficiência nutricional não devem ser misturadas com folhas sadias. Cada amostra deve ser constituída de folhas de plantas adultas da mesma idade e da mesma cultivar. Não devem se coletadas amostras de ramos ladrões, que não refletem o crescimento médio dos ramos do ano. As folhas que compõem a amostra devem estar livres de doenças e de danos causados por insetos e não devem entrar em contato com embalagens usadas de defensivos, fertilizantes etc. A amostra deve ser acondicionada em saco de papel comum perfurado e enviada ao laboratório o mais rapidamente possível, acompanhada do respectivo questionário. Caso o tempo previsto para a chegada da amostra ao laboratório seja superior a dois dias, sugere-se fazer uma prévia secagem ao sol, sem retirar as folhas do saco, até que elas se tornem quebradiças. Um sistema informatizado apresenta os resultados de análise em termos de concentração de nutrientes, interpretados em cinco faixas nutricionais em forma de gráfico. Isso possibilita aos produtores, os quais não têm conhecimento dos teores dos nutrientes que correspondem a cada faixa, visualizar o estado nutricional das plantas relativo à amostra. No rodapé do certificado de análise, são incluídas algumas sugestões, as quais não se constituem em recomendações definitivas. Estas, sim, devem ser de responsabilidade do técnico encarregado de orientar o pomar, o qual, de posse dos dados de análise foliar, de análise do solo e com o conhecimento das condições do pomar, terá, por certo, melhores condições para elaborar uma recomendação de adubação mais ajustada à realidade local.

Para a adubação dos pomares de ameixeira em cada uma das três etapas, não existem estudos que mostrem a superioridade de uma fonte de nutriente sobre a outra. Recomenda-se, portanto, a aplicação da fonte mais econômica, seja ela mineral ou orgânica.

Sempre que o produtor tiver disponibilidade de matéria orgânica, seu uso é desejável em substituição à adubação mineral, desde que economicamente viável.

Para a aplicação de uma mesma quantidade de nutrientes, usa-se maior volume de esterco em relação ao adubo mineral, devido à menor concentração no adubo orgânico. Além disso, grande parte dos nutrientes do esterco são encontrados na forma orgânica e necessitam ser mineralizados para se tornarem disponíveis às plantas.

Para se obter uma maior eficiência do fósforo e evitar perdas de nitrogênio por volatilização, os materiais orgânicos devem ser incorporados ao solo. Além disso, eles devem ser aplicados no dia do plantio ou próximo a ele, a fim de se evitarem perdas de N por lixiviação, já que parte deste elemento encontra-se na forma mineral Dificilmente as necessidades nutricionais da ameixeira são total e equilibradamente supridas somente com o uso de materiais orgânicos, pois a concentração de N, de P2O5 e de K2O nesses materiais difere muito das proporções comumente necessárias. Para se evitar a adição de nutrientes em quantidades superiores às exigidas, recomenda-se calcular a dose de adubo orgânico tomando por base o nutriente cuja quantidade for suprida com a menor dose.

Análise Visual do Pomar

A análise visual de um pomar é um valioso instrumento para o diagnóstico de deficiências ou de toxidez nutricionais. A deficiência indica uma condição aguda de falta de nutriente, já que os sintomas somente se evidenciam quando esta se encontra em estágio avançado, ocasionando, nesse caso, um retardamento do crescimento e prejuízos à produção e à qualidade dos frutos, entre outros problemas.

Quando a observação das folhas revela determinadas características, pode se suspeitar de uma deficiência nutricional. Tais padrões são mais ou menos específicos para cada nutriente. No entanto, os sintomas carenciais variam de acordo com a espécie, cultivar e fatores ambientais. Lamentavelmente, não são, ainda, conhecidos os sintomas carenciais para todos os nutrientes e culturas. Por vezes, acontece que os sintomas visuais de dois nutrientes são idênticos.

Quando os sintomas são bem conhecidos, esse método de diagnose nutricional, sem dúvida, é o mais rápido, fácil e barato que se conhece.

Com o objetivo de auxiliar os produtores de ameixa, são descritos, a seguir, os sintomas visuais de carência dos principais nutrientes, sendo que alguns são ilustrados por meio de fotografias.

Nitrogênio (N): Em razão da grande mobilidade do nitrogênio na planta, o que faz com que ele se transloque das folhas mais velhas para as mais novas, os primeiros sinais de carência são notados nas folhas maduras, localizadas mais próximo à base dos ramos. Nesse estádio, o sintoma corresponde a um amarelecimento das folhas basais. Persistindo as limitações no suprimento, a coloração amarela aumenta gradativamente, progredindo para as folhas da extremidade dos ramos.

Fósforo (P): Provavelmente devido à pequena necessidade de fósforo e pela capacidade da ameixeira extraí-lo do solo, mesmo em situações limitantes, os sintomas carenciais são difíceis de serem observados. No entanto, em mudas de ameixeira cultivadas em solução nutritiva da qual o P foi omitido, as folhas apresentam-se com uma coloração verde-escura, com uma concentração de 0,08%, interpretado como abaixo do normal.

Potássio (K): Com relação aos sintomas de deficiência de potássio, inicialmente, aparecem manchas necróticas ao longo de quase toda a borda do limbo, progredindo em direção à nervura central, sem, no entanto, atingirem toda a folha. Nesse momento, o teor foliar de K situa-se ao redor de 0,3%. Com a evolução da deficiência, as manchas necróticas situadas entre a nervura central e a margem do limbo destacam-se, deixando a folha perfurada. As bordas das folhas enrolam-se para cima, até tocarem-se, formando um cartucho característico (Figura 1). Na Figura 2 são apresentadas folhas de ameixeira com sintomas carenciais de potássio desde o surgimento até a situação mais aguda.

Do mesmo modo que ocorre com relação ao N, a carência de K também se manifesta, em primeiro lugar, nas folhas mais velhas, devido à mobilidade desse nutriente na planta. Em geral, uma planta deficiente em K desenvolve-se pouco, apresenta ramos finos e frutos pequenos com polpa pouco espessa. Convém lembrar a semelhança entre os sintomas foliares provocados pela carência de potássio (Figura 3) com aquele ocasionado pela Escaldadura das folhas da ameixeira (Xylella fastidiosa). Isto faz com que ambos sejam facilmente confundidos. A diagnose correta, nos dois casos, é feita por meio de testes de laboratório. A Embrapa Clima Temperado, tem à disposição dos produtores, um serviço que permite a identificação correta.

Cálcio (Ca): Em condições de pomar, dificilmente observam-se plantas de ameixeira com sintomatologia carencial de cálcio, porque mesmo em solos pobres, o teor desse elemento situa-se acima do nível crítico. Os sintomas de deficiência induzida experimentalmente caracterizam-se pelo murchamento de folhas e de ramos mais finos. Com a evolução da deficiência, ocorre a paralisação do crescimento da parte aérea da planta. Devido à extrema imobilidade desse nutriente na planta, ocorre, a seguir, a morte das gemas terminais.

Magnésio (Mg): Quando há carência de magnésio, inicialmente, as folhas mais velhas apresentam manchas amarelo-palha na borda do limbo. Com o passar do tempo, elas evoluem para manchas necróticas, deixando o limbo perfurado, ocorrendo, também, queda das folhas. No momento em que os primeiros sintomas surgem, o teor foliar de Mg encontra-se em torno de 0,2%. Ocorre, também, uma clorose internerval ao redor da nervura central. Sob condições de campo, é bastante difícil a identificação dos sintomas carenciais agudos desse nutriente, já que a deficiência causa um intenso desfolhamento da planta, da parte basal para a apical dos ramos.

Zinco (Zn): O primeiro indício da deficiência de zinco é a clorose irregular, de coloração amarelo-pálido, entre as nervuras das folhas mais velhas. Há encurtamento dos entrenós e, em casos severos, estes tornam-se tão curtos, que há a formação de rosetas.

 
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