Embrapa Algodão
Sistemas de Produção, No. 7
ISSN 1678-8710 Versão Eletrônica
Dez/2006

Cultivo do Amendoim

Fábio Aquino de Albuquerque
Roseane Cavalcanti dos Santos

Sumário

Apresentação
Importância econômica
Clima
Solos
Adubação
Cultivares
Mudas e sementes
Plantio
Irrigação
Tratos culturais
Plantas daninhas
Doenças
Pragas
Uso de agrotóxicos
Colheita e pós-colheita
Mercado e comercialização
Coeficientes técnicos
Referências
Glossário

Expediente


Pragas

Vários são os insetos e ácaros que ocorrem durante o ciclo fenológico da cultura, atacando tanto a parte subterrânea quanto a parte aérea da planta. Entretanto, nem sempre a ocorrência destes organismos na cultura representa um risco à sua produtividade, dependendo principalmente do nível populacional da praga e dos danos provocados. Algumas táticas de controle de pragas têm sido recomendadas como uniformidade da época do plantio, rotação cultural, destruição dos restos culturais, uso de variedades resistentes, arranquio das plantas - soca e o controle químico. Este último, só é recomendado caso haja risco econômico da produção.
Os insetos que atacam o amendoizeiro são divididos em pragas de solo e da parte aérea além daquelas que atacam o amendoim quando armazenado.

Pragas de solo:

  • Larva alfinete (Diabrotica speciosa) (Germar, 1824) (Coleoptera: Chrysomelidae). As larvas são de coloração branca-leitosa e de formato afilado (Figura 1). O adulto é vulgarmente conhecido como vaquinha. A larva perfura as vagens ainda não completamente formadas, além facilitar a penetração de patógenos. O adulto alimenta-se do limbo foliar, provocando perfurações circulares.

Foto: D. N. Gassen
Fig. 1. Larva alfinete

Foto: Raul P. de Almeida
Fig. 2. Adulto da larva alfinete (vaquinha).


  • Lagarta rosca (Agrotis ipsilon) (Hufnagel, 1767) (Lepidoptera: Noctuidae). A coloração da lagarta varia de cinza-escuro a verde-escuro, tem o hábito de quando tocada enrolar-se rapidamente. O adulto é uma mariposa de coloração marrom. Esta praga corta o coleto da planta em nível de solo (Figura 3). O ataque intenso reduz significativamente o estande de plantas.


Foto: Raul P. de Almeida
Fig. 3. Lagarta rosca.


  • Lagarta elasmo (Elasmopalpus lignosellus) (Zeller, 1848) (Lepidoptera: Pyralidae), é considerada uma das mais severas pragas para o amendoinzeiro. A lagarta apresenta listras transversais e coloração verde-azulada e produz uma teia característica (Figura 4). Os adultos apresentam coloração pardo-avermelhada, pardo-escuro a cinza. Este inseto pode atacar o ginóforo e as vagens (Figura 5). Além do dano direto, sua injúria facilita a penetração de patógenos.

Foto: Raul P. de Almeida
Fig. 4. Teia produzida pela lagarta elasmo..



Foto: Raul P. de Almeida
Fig. 5. Injúrias da lagarta elasmo.

  • Percevejo-castanho (Scaptocoris castanea) (Perty, 1830) e percevejo-preto (Cyrtonemus mirabilis) (Hemiptera: Cydnidade) (Figuras 6 e 7). As formas jovens e adultas aderem-se às raízes sugando a seiva, enfraquecendo a planta, podendo causar a morte das plantas. Uma característica que denuncia a presença deste insetos no campo é o forte cheiro exalado quando o solo é revolvido para plantio.



Foto: D. N. Gassen
Fig. 6. Adulto do percevejo castanho.

Foto: D. N. Gassen
Fig. 7. Adulto do percevejo preto.



Pragas da parte aérea:

  • Tripes-dos-folíolos (Enneothrips flavens) (Moulton, 1941) e Tripes-do-prateamento (Caliothrips brasiliensis) (Morgan, 1929) (Thysanoptera: Thripidae). Estes insetos são de tamanho bastante reduzido, com asas franjadas. Perfuram as células vegetais e sugam a seiva exsudada, geralmente preferem alimentar-se das folhas do ponteiro, provocando seu enrolamento, onde também ovipositam. Os folíolos atacados apresentam estrias e deformações (Figura 8).




Foto: Raul P. de Almeida
Fig. 8. Injúrias causadas por tripes.

  • Cigarrinha verde (Empoasca kraemeri) (Ross & Moore, 1957) (Hemiptera: Cicadellidae). De coloração verde tem como característica locomover-se lateralmente (Figura 9); durante a alimentação introduzem seu aparelho bucal nos vasos de seiva da planta sugando-a, deixando as folhas com as bordas voltadas para baixo e ligeiramente amareladas.



Foto: Raul P. de Almeida
Fig. 9. Ninfa de cigarrinha.

  • Gafanhoto do Nordeste (Schistocerca pallens) (Thrunberg, 1815) (Orthoptera: Acrididae), as ninfas são de coloração verde (Figura 10)e à medida que mudam de ínstar escurecem, até atingirem a cor acinzentada quando adulto (Figura 11). Esta praga remove grandes quantidades de área foliar, deixando a planta completamente desfolhadas (Figura 12).



Foto: Raul P. de Almeida
Fig. 10. Ninfa de gafanhoto-Saltão

Foto: Raul P. de Almeida
Fig. 11. Adulto de gafanhoto.


Foto: Raul P. de Almeida
Fig. 12. Injúrias do gafanho do Nordeste.


  • Lagarta-da-soja (Anticarsia gemmatalis) (Hübner, 1818) (Lepidoptera: Noctuidae), apresenta coloração variável de verde a preto, tendo como característica duas estrias brancas no dorso (Figura 13). A mariposa apresenta coloração parda com duas manchas pretas nas asas posteriores (Figura 14). Inicialmente redilha os folíolos e à medida que se desenvolve consome todo o limbo foliar.



Foto: Raul P. de Almeida
Fig. 13. Lagarta da soja.

Foto: Raul P. de Almeida
Fig. 14. Adulto da lagarta da soja.



  • Curuquerê-dos-capinzais (Mocis latipes) (Guenée, 1852) (Lepidoptera: Noctuidae). As lagartas são de coloração amarelada com listras longitudinais castanho-escuro.  A cabeça também apresenta estrias longitudinais amarelas. O adulto apresenta coloração parda. Locomovem-se como mede palmo. Atacam as ramas e os folíolos, podendo em altas infestações consumir toda área foliar.




  • Lagarta-da-teia (Stylopalpia costalimai) (Almeida, 1960) (Lepidoptera: Pyralidae). Esta  lagarta apresenta coloração esverdeada a cinza. O ataque caracteriza-se pela presença de vários insetos sobre uma mesma planta, podendo causar o seccionamento na altura do coleto. Pode ainda formar um emaranhado de teia entre as hastes e a região do coleto.




  • Lagarta-do-cartucho (Spodoptera frugiperda) J.E. Smith,1797 (Lepidoptera: Noctuidae). Estes insetos apresentam coloração variando de pardo-escuro ao verde a quase preto, apresentado um “Y” invertido na parte frontal da cabeça. No dorso verifica-se três linhas longitudinais branco-amareladas, lateralmente logo abaixo destas linhas, uma linha escura mais larga e, inferior a esta, uma linha amarela irregular marcada de vermelho (Figura 15). Este inseto alimenta-se vorazmente do limbo foliar, e à medida que desenvolvem-se seu consumo aumenta. Em altas infestações pode consumir completamente a área foliar das plantas.




Foto: Raul P. de Almeida
Fig. 15. Lagarta do cartucho.


  • Lagarta-do-pescoço-vermelho (Stegasta bosquella, Chambers, 1975) (Lepidoptera: Gelechiidae), esta lagarta apresenta como característica marcante a coloração avermelhada nos dois primeiros seguimentos torácicos (Figura 16). Se alimentam dos folíolos jovens, ocasionando perfurações simétricas (Figura 17). Seu ataque ocasiona redução no desenvolvimento das plantas em função das gemas serem danificadas.



Foto: Raul P. de Almeida
Fig. 16. Lagarta do pescoço vermelho.




Foto: Raul P. de Almeida
Fig. 17. Injúrias da lagarta do pescoço vermelho.


  • Ácaro rajado (Tetranychus urticae) (Koch, 1836) (Acari: Tetranychidae), estes artrópodos são de tamanho bastante reduzidos, apresentando na sua fase adulta quatro pares de pernas. Tem como característica principal duas manchas escurecidas na face dorsal do corpo. Localizam-se na face inferior dos folíolos e tecem considerável quantidade de teia, em altas infestações migram para o ponteiro da planta para dispersão. As injúrias são muito parecidas com as causadas por tripes. Durante a alimentação introduzem seus estiletes nas células das folhas e sugam o conteúdo celular extravasado. As plantas geralmente apresentam as folhas cloróticas, e com a evolução do ataque tornam-se bronzeadas, podendo cair.

  • Ácaro vermelho (Tetranychus evansi) (Baker & Pritchard, 1960) (Acari: Tetranychidae), morfologicamente estes ácaros são muito parecidos com o ácaro rajado, porém apresentam coloração vermelha intensa. Os sintomas são os mesmos do ácaro rajado, ou seja, formação de teia e clorose nos folíolos. 

    Os ácaros não são tão importantes como praga do amendoinzeiro em condições normais, entretanto quando da ocorrência de veranico (alta temperatura e baixa unidade) podem se tornar problema sério, pois nestas condições seu desenvolvimento populacional é bastante acelerado.


Pragas de armazém:
  • Traça das vargens (Corcyra cephalonica) (Stainton, 1865) (Lepidoptera: Pyralidae), o adulto é uma pequena mariposa de coloração cinza nas asas anteriores. As lagartas são de coloração branco-pérola. No caso desta praga apenas a forma jovem causa injúria. Os insetos atacam os grãos defeituosos sobre os quais abrem uma galeria. Em grãos inteiros atacam a região do embrião. A lagarta ainda pode penetrar no fruto (Figura 19).

Foto: Bayer S.A.
Fig. 19. Injúrias da traça das vargens.


  • Gorgulho (Tribolium castaneum) (Herbst, 1797) (Coleoptera: Tenebrionidae), as larvas são de coloração branco-amarelada e os adultos são achatados de coloração castanha-avermelhada (Figura 20). Tanto os adultos como as larvas provocam perfurações nos grãos. A ocorrência desta praga está relacionada à presença, anteriormente, de uma praga primária.



Foto: Bayer S.A.
Fig. 20. Gorgulho

As condições assépticas do armazém são determinantes para a redução destas pragas. Caso contrário, as ótimas condições ambientais no armazém e a ausência de inimigos naturais, favorecerá o pleno desenvolvimento da praga, causando sérios prejuízos além de favorecer o aparecimento de fungos.

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