Embrapa Algodão
Sistemas de Produção, No. 7
ISSN 1678-8710 Versão Eletrônica
Dez/2006

Cultivo do Amendoim

Roseane Cavalcanti dos Santos
Tarcísio Marcos de Sousa Gondim
Odilon Reny Ribeiro Ferreira da Silva

Sumário

Apresentação
Importância econômica
Clima
Solos
Adubação
Cultivares
Mudas e sementes
Plantio
Irrigação
Tratos culturais
Plantas daninhas
Doenças
Pragas
Uso de agrotóxicos
Colheita e pós-colheita
Mercado e comercialização
Coeficientes técnicos
Referências
Glossário

Expediente


Tratos culturais


Amontoa

A prática da amontoa, também conhecida como roçagem, consiste no chegamento de terra ao pé das plantas, é procedida na primeira limpa ou capina. É uma prática imprescindível porque além de proteger a base da planta, também facilita a penetração do ginóforo (“esporões”) no solo. É feita com enxadas e em áreas onde o plantio é realizado em fileiras. Quando o plantio é feito em leirões, essa prática pode ser abolida. Existem implementos apropriados ao sistema de plantio em pequenas propriedades para fazer esta operação – consultar item Implementos.

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Rotação de cultura

O uso de rotação de cultura apresenta vantagens quanto ao aspecto da fertilidade do solo e fitossanitários, resultando em melhor rendimento das culturas. A rotação de culturas cana-de-açúcar/amendoim é prática comum nas condições do estado de São Paulo. Em cultivo mínimo, a semeadura sobre a palhada da cana-de-açúcar tem proporcionado economia de herbicidas, do número de operações (até mais de 70% no consumo de óleo diesel) e na mão-de-obra. Os pequenos produtores do Estado do Ceará, adotam a rotação cultural deixando a área em repouso (formação de capoeira), ou por meio de cultivos anos alternados (amendoim - milho-amendoim).

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Consórcio

Por apresentar ciclo rápido, o cultivo do amendoim em consórcio com outras culturas tem sido utilizado por produtores de algodão, milho, sorgo, mandioca, mamona etc. Em sistemas de cultivo com bom nível tecnológico, arranjos espaciais envolvendo culturas intercalares tem apresentado resultados e benefícios satisfatórios. Na produção de amendoim com mão–de-obra familiar no Cariri cearense, o amendoim tem grande participação no consórcio com milho.


Controle de plantas invasorass

A competição com plantas daninhas pode reduzir a produção entre 40 e 85%. A cultura deve ser mantida livre de plantas invasoras nos primeiros 45 dias após o plantio quando a floração está em intensa atividade e os ginóforos estão em pleno crescimento geotrópico para desenvolvimento das vagens. O controle químico é feito com herbicidas e para o amendoim, sugere-se os ingredientes ativos: Treflan (PPI), na dosagem de 0,54 a 1,08 kg/ha ou Herbadox (PPI), na dosagem de 0,75 a 1,5 kg/ha. Em pré-emergência sugere-se o Alaclor, na dosagem de 2,4 a 3,36 kg/ha. Para os casos de pós-emergência, sugere-se Basagran, na dosagem de 0,72 a 0,96 kg/ha (BOLONHEZI et al., 2005). Em todos os casos, deve-se seguir as instruções do fabricante.

Como alternativa ao controle químico sugere-se capinas manuais, com uso de enxada, ou tração animal, com uso de cultivador – ver ítem “Implementos”. Uma vez que a floração inicia-se entre 25 e 28 dias após a emergência (Figura 11), em qualquer um dos casos acima, deve-se tomar cuidado para não danificar o sistema radicular, a emissão dos ginóforos e as vagens em desenvolvimento. O número de capinas efetuado é geralmente de três quando se usa o espaçamento de 0,70 m x 0,20 m ou duas, quando se utiliza 0,50 m x 0,20 m.

                                     Foto: Roseane Cavalcanti dos Santos

                                     Fig. 1.  Florescimento do amendoim

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Máquinas para o amendoim

Preparo do solo: O solo ideal para a cultura do amendoim deve ter textura leve e permeável teores de argila inferiores a 15%, o que permite facilidades no seu preparo, quer através da tração animal ou tratorizado. No caso da tração animal, o equipamento mais adequado é o arado de aiveca fixo ou reversível que pode arar a uma profundidade de 15 cm a 20 cm revolvendo com eficiência a camada superficial do solo, enterrando restos culturais e destruindo as ervas ervas daninhas (Figura 1). O complemento desta operação poderá ser feito com a grade de dentes que, além de nivelar o solo, também ajuda a eliminar as ervas daninhas (Figura 2). No caso do uso do trator, o preparo deverá ser realizado com uma aração com arado de discos complementado com grade leve deixando o solo bem preparado para o plantio do amendoim.


Foto: Adaptado de EMBRAER, 1983
Fig. 1.  Arado fixo de tração animal.

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Foto: Adaptado de EMBRAER, 1983
Fig. 2.  Grade de dentes tração animal.

Equipamentos para o plantio: O plantio manual é a maneira mais simples de se implantar o amendoim, que consiste na abertura de um sulco no solo para deposição das sementes. O sulco é recomendado sempre em curva de nível, permitindo a orientação do plantio em linha, facilitando a colocação das sementes e do adubo no solo; auxilia o controle eficiente das ervas daninhas que nascem no sulco, junto com as plantas, através do chegamento de terra (amontoa) aos seus caules, além de facilitar o aterramento da planta (amontoa), prática recomendada e necessária para o amendoim. Para esta operação há vários equipamentos que poderão ser adaptados de forma simples, porém bastante eficazes na operação de sulcamento, em que o primeiro seria uma adaptação do cultivador a tração animal em que se utilizam somente os braços laterais incorporando-lhes enxadas do tipo coração (Figura 3); a profundidade do sulco deve ser em torno de 5 cm a 7 cm. Outro equipamento disponível no mercado é o sulcador a tração animal, feito através de uma armação de madeira, em cuja coluna se agrega um bico sulcador (Figura 4). Para ambos os sulcadores, a fonte de potência seria um animal de tração. Existe ainda um sulcador a tração humana composto de uma roda metálica, rabiças e chassi; na parte inferir do chassi é atrelado um bico sulcador. É de fácil operação e o sulco é feito com rapidez e eficiência (Figura 5); e, uma vez realizado o sulcamento, a distribuição das sementes poderá ser feita de forma manual ou mecanizada. O plantio a tração animal é outra alternativa importante para a implantação da cultura. No caso do amendoim, deve ter o cuidado de usar discos de distribuição das sementes especiais para não lhes provocar danos (Figura 6). De forma semelhante ocorre com a semeadora tratorizada, em que o número de sementes distribuído por metro linear, deve ser entre 15 e 20, consumindo-se em torno de 85 a 120 kg/ha.

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Foto: Adaptado de EMBRAER, 1983
Fig. 3.  Cultivador adaptado para o sulcamento.

Foto: Adaptado de EMBRAER, 1983

Fig. 4. Sulcador tração animal.

Foto: Odilon Reny Ribeiro Ferreira da Silva
Fig. 5.  Sulcador tração humana.

Foto: Odilon Reny Ribeiro Ferreira da Silva
Fig. 6. Semeadora adubadora a tração animal.

Equipamentos para o controle das ervas daninhas: O período crítico de competição entre a cultura e as plantas daninhas ocorre nos primeiros 40 dias após a emergência, tempo em que a cultura deverá permanecer no limpo, o controle das plantas daninhas poderá ser manual, a enxada ou manual com enxada adaptada, que consiste de uma roda metálica, chassi e rabiças. Na parte inferior do chassi é colocada uma lâmina para efetuar um cultivo raso, extirpando as plantas daninhas quando se passa o equipamento sobre a área a ser limpa, entre as fileiras do amendoim. A capacidade operacional do equipamento, em solo leve e desprovido de pedra equivale ao trabalho de três homens com a enxada (Figura 7). Outro equipamento utilizado para o controle das plantas daninhas é o cultivador a tração animal, devidamente regulado para este cultivo.

                Foto: Tarcísio Marcos de Souza Gondim
                Fig. 7. Enxada adaptada de ação manual.

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Equipamento para o arranquio das plantas de amendoim

Em pequenas propriedades, especialmente nas de base familiar do Nordeste, o arranquio pode ser feito de forma manual, quando a textura do solo for arenosa, entretanto, em solos mais argilosos esta prática deixa de ser eficiente, haja visto que as vagens se destacam das plantas, permanecendo no solo e provocando perdas exigindo, assim, o uso da enxada para o afofamento da terra; nesta situação, outra alternativa para reduzir a força de trabalho humana é o uso da tração animal por meio de um equipamento composto de uma armação em madeira de um aradinho com roda de apoio para a tração de um único animal, na qual é acoplada uma lâmina tipo facão denominada arrancador de amendoim (Figura 8). Esta lâmina pode ser direita ou esquerda de modo que o aradinho possa atuar no lado direito ou esquerdo da fileira, de acordo com a conveniência e habilidade do operador. A regulagem de profundidade de trabalho da lâmina é feita por intermédio do seu ângulo de ação no solo, da roda de apoio e do comprimento da corrente de atrelamento do equipamento ao animal.

A lâmina arrancadora deve atuar a uma profundidade média de 15 cm, cortando a raiz pivotante da planta, promovendo o afofamento da terra com vistas a facilitar a extração das plantas do solo, de forma manual. Estudos realizados pela Embrapa Algodão sobre a eficiência de arranquio do amendoim envolvendo vários órgãos ativos a tração animal, revelam que o arrancador tipo facão demandou menor esforço de tração, menor potência e menor consumo de energia quando comparado com a enxada asa de andorinha, meia lua, bico de pato e arrancador tipo aiveca, além de apresentar a vantagem de não desagregar o solo. A largura de trabalho foi de 23,8 cm e a velocidade média de deslocamento do conjunto equipamento/eqüino foi de 0,74 m/s. Após o arranquio manual as plantas são juntadas em feixes e dispostas em fileiras com as vagens para cima, de maneira a favorecer o processo de cura ou a secagem, em condições de campo.

Foto: Taís de Moraes Falleiro Suassuna
Fig. 8.  Armação de um aradinho com enxada tipo facão para o arranquio de plantas de amendoim.


Descascador manual de amendoim

Visando oferecer alternativas tecnológicas passíveis de aumentar a capacidade de trabalho do pequeno produtor rural e reduzir os custos, principalmente da operação de descascamento do amendoim, desenvolveu-se um equipamento de acionamento manual, (Figuras 9 e 9.1), dotado de um chassi feito com cantoneiras de ferro, para sustentação do mecanismo descascador, o qual é composto de um côncavo, confeccionado com barras chatas e redondas de ferro, que formam uma tela curva; um semi-cilindro formado por barras chatas de ferro dotadas de fileiras de grampo galvanizado de cerca, com a função de promover a quebra das vagens e uma alavanca de acionamento do sistema descascador. A fricção das vagens no côncavo, provocada pelo movimento alternado semi-circular do semi-cilindro, induz à quebra das cascas das vagens, e estas, juntamente com as sementes, fluem através das malhas do côncavo, caindo sobre uma lona de pano ou de plástico. A alimentação é feita por um operador, que coloca as vagens de forma contínua e uniforme, em uma espécie de moega, que é continuação do côncavo. Por se tratar de um equipamento simples, o mesmo não dispõe de dispositivo de separação da casca das sementes, necessitando, assim, que esta operação seja feita de forma manual, com o auxílio de uma peneira e do vento para a abanação e, consequentemente, da limpeza dos grãos. Em testes de avaliação, o equipamento apresentou capacidade média operativa de 83 a 113 kg/hora de trabalho efetivo, com eficiência de descascamento entre 95% a 96% e quebra das sementes abaixo de 6%, dependendo das condições de umidade das vagens do amendoim. O custo operacional foi 83% inferior ao descascamento manual.

Foto: Odilon Reny Ribeiro Ferreira da Silva
Fig. 9.  Descascador manual de amendoim.

Foto: Odilon Reny Ribeiro Ferreira da Silva
Fig. 9.1.  Operador manuseando o descascador de amendoim.

Para agricultores que utilizem mecanização, a Figura 10 mostra a ilustração de um equipamento acoplado no hidráulico do trator que arranca e inverte e enleira as plantas de amendoim.

Foto: Odilon Reny Ribeiro Ferreira da Silva
Fig. 10.  Arrancador de amendoim.



Tabela 1. Características operacionais de diferentes órgãos ativos acoplados a um arado a tração animal para o arranquio de plantas de amendoim. Mogeiro, PB, 1998


Tratamentos

Tempo Operacional efetivo p/ o arranquio a Tração Animal

(h/ha)

Tempo Operacional

efetivo para o enleiramento manual das plantas

(h/ha)

Tempo Operacional efetivo para o arranquio + enleiramento

(h/ha)

Estimativa

de custo para o arranquio e enleiramento

(R$/ha)1


Arranquio Manual


-


-


15,02b


11,25c


Arrancador tipo Facão


6,31b


8,63b


14,93b


15,87b


Arrancador tipo Aiveca


7,51a


15,43a


22,94a


22,82a


Enxada Meia Lua


6,04b


15,51a


21,55a


20,65a


Enxada Bico de Pato


5,84b


15,42a


21,27a


20,33a

Enxada Asa de Andorinha


5,60b


9,14b


14,74b


15,27b

MÉDIA

              6,26

             12,83

               18,41

        17,70

CV

              5,99

             13,34

9,15

            7,6

F

            15,75*

13,35*

21,29*

40,58*

1Considerou-se R$6,00 a diária do trabalhador rural e R$12,00 a diária do animal de tração com o operador. 
2Em ambos os casos, considerou-se a eficiência operacional de 70%
3As médias seguidas pela mesma letra não diferem pelo teste de Tukey, a 5% de probabilidade

Fonte: Watson (1981) e Stout et al (1980).

Tabela 2. Custo dos dois processos de descascamento do amendoim. Campina Grande, 1998

Descrição

Máq. Descacadora (R$/h)

Desc.Manual (R$/h)

CUSTOS FIXOS/HORA

Juros do capital 1

0,04

-

Depreciação da máquina

0,11

-

Reparação e manutenção

0,12

-

Alojamento

0,01

-

CUSTOS VARIÁVEIS/HORA



Mão-de-obra para acionamento da máquina

1,40

-

Mão-de-obra p/limpeza da semente

1,37

-

Mão-de-obra para o descascamento manual

-

0,63

CUSTO TOTAL/HORA

3,05

0,63

1O valor de aquisição da máquina descascadora foi estimado em R$1.200,00. 

Fonte: Embrapa Algodão


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