A
cultura da amora-preta (Rubus spp.) é uma promissora
alternativa de renda principalmente para as pequenas propriedades
familiares, em razão dos custos de implantação
e de manutenção do pomar serem relativamente baixos
quando comparados aos de outras fruteiras; por tratar-se de
uma cultura rústica, com menor incidência de pragas
e maior adaptação aos diferentes tipos de solo
e condições climáticas; e pela produção
poder ser destinada ao mercado de frutas frescas e/ou ao processamento
industrial. O sabor diferenciado e as propriedades nutracêuticas
são os principais atrativos da amora-preta, havendo mercado
no Brasil e no exterior, tanto para consumo in natura como da
fruta industrializada, nas formas de geléias, sucos,
doces em pasta, sorvetes, iogurtes e tortas.
Atualmente, estima-se que a área cultivada com
amora-preta no Brasil esteja ao redor de 250 hectares (Raseira,
2004). Segundo informações de viveiristas, esta
área deve aumentar consideravelmente neste ano, em função
das perspectivas de mercado existentes.
A amora-preta pertence à família Rosaceae, gênero
Rubus, sendo conhecidas mais de trezentas espécies (Santos
et al., 1997). As espécies de amora-preta apresentam
grande variabilidade quanto às características
morfológicas e organolépticas dos frutos, hábito
de crescimento das plantas, adaptação aos agroecossistemas
e exigências climáticas. Estas
Produção de mudas de amora-preta por meio de cultura
de tecidos características devem ser cuidadosamente analisadas
quando da escolha da cultivar a ser utilizada na implantação
do pomar.
A temperatura é um dos principais fatores limitantes
à produção de amora-preta. A cultura requer
uma combinação de horas de frio (abaixo de 7,2oC),
nas estações mais frias, variando de 100 a até
1.000 horas, em função da espécie/cultivar,
e calor abundante, nas estações mais quentes,
para que ocorram adequadas brotação, floração
e produtividade. Por essas razões, a cultura da amora-preta
é recomendada, principalmente, para o Estado do Rio Grande
do Sul e para as regiões de microclima de Santa Catarina,
Paraná, São Paulo e Minas Gerais.
A implantação do pomar com mudas de qualidade
é uma etapa essencial para o sucesso da produção
de amora-preta. A muda com fidelidade genética, padrão
fitotécnico adequado e isenta de patógenos potencializa
o nível de resposta a toda tecnologia empregada no processo
produtivo. Embora esse tipo de muda geralmente apresente um
custo maior, trata-se de um investimento com retorno garantido
em termos de produtividade e de qualidade da fruta. Mais do
que isso, trata-se de um componente decisivo para o sucesso
do agricultor, por proporcionar redução de custos,
principalmente com defensivos químicos, e maior competitividade
no mercado, o qual tem apresentado aumento constante do nível
de exigência dos consumidores.
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