Embrapa Clima Temperado
Sistemas de Produção, 12
ISSN 1806-9207 - Versão Eletrônica
Setembro/2008
Sistema de Produção da amoreira-preta
Bernardo Ueno
Sumário

Importância
Introdução
Condições climáticas
Classificação botânica, origem e cultivares
Nutrição e adubação
Produção de mudas
Plantio e tratos culturais
Irrigação e cultivo protegido
Doenças fúngicas
Insetos pragas e seu controle
Nematóides fitoparasitas
Manejo e conservação pós-colheita
Caracteristicas funcionais
Custos e coeficientes técnicos de produção
Referências
Glossário
Expediente
 
Doenças fúngicas

Estudos relacionados à ocorrência de doenças fúngicas em amoreira-preta são importantes na identificação e controle das mesmas. Porém ainda, os estudos sobre as doenças que ocorrem nessa cultura são muito incipientes, tornando necessários trabalhos de levantamento e monitoramento dos problemas fitossanitários, que podem ou poderão ocasionar perdas na produção dessas fruteiras.
A melhor estratégia de controle de doenças está na prevenção, evitando a sua introdução em uma área com histórico de problemas. Como a cultura da amoreira-preta ainda é pouco difundida no Brasil, o trabalho de prevenção de doenças se torna mais fácil.
Uma vez feita a identificação, foram feitas propostas de controle, baseadas em informações de outras culturas que apresentem problemas similares ou iguais, determinando a melhor estratégia de manejo para a redução dos danos provocado pela doença.
Materiais vegetais apresentando sintomas foram coletados de caules, folhas, flores e frutos de variedades de amoreira-preta e amoreira nativa.
Os principais gêneros de fungos identificados foram:


Cultura

Parte da Planta

Fungo

amoreira-preta

folha

Trichoderma sp

flor

Aspergillus spp

Trichoderma sp

fruto

Botrytis sp

caule

Alternaria sp

Amoreira nativa

folha

Pestalotia sp

fruto

Colletotrichum spp

caule

Alternaria sp

amoreira-preta sem espinho

folha

Botrytis sp

Pestalotia sp

flor

Trichoderma sp

Botrytis sp

fruto

Colletotrichum spp

caule

Pestalotia sp



Fontes dos materiais coletados no Banco Ativo de Germoplasma (BAG) da Embrapa Clima Temperado.
Sintomas, comportamento e controle dos fungos encontrados:


Alternaria spp:

Sintomas: no caule, lesões e manchas concêntricas pardas; nas folhas, estas lesões e manchas podem chegar a 2 cm de diâmetro; nas flores causam necroses florais e deformações (Figura 1, 2, 3 e 4).
Comportamento: a disseminação do patógeno é feita pelas sementes, pelo vento e mudas. Pode sobreviver em restos de cultura e em vários hospedeiros. Se desenvolve em temperaturas entre 2 e 36ºC, com um ótimo em torno de 28ºC. Em condições ótimas, o ciclo se desenvolve em cerca de 5 dias.
Controle: até o presente momento não há resultados de pesquisa que permitam a recomendação de medidas adequadas para o seu controle.

Crédito: Bernardo Ueno
Figura 1: Detalhe do caule de amoreira-preta atacado por Alternaria spp.


Crédito: Bernardo Ueno
Figura 2: Folhas, flores e fruto de amoreira-preta com sintomas de Alternaria spp.


Crédito: Bernardo Ueno
Figura 3: Caule de amoreira nativa atacado por Alternaria spp.


Crédito: Bernardo Ueno
Figura 4: Caule de amoreira nativa atacado por Alternaria spp.

Aspergillus spp:

Sintomas: presença de esporulação preta pulverulenta de fácil remoção. Sintoma tipo mancha (Figura 5 e 6).

Comportamento: a infecção da planta pode ocorrer no transporte ou durante o armazenamento, pelo contato entre os frutos, pelo manuseio, por ferimentos mecânicos ou por disseminação dos esporos por corrente de ar. Umidade e temperatura elevadas favorecem o crescimento e a disseminação do fungo.
Controle: redução de injúrias durante as operações de colheita, classificação, armazenamento. Embalagem e transporte; armazenamento em locais com boa aeração; manter o local de armazenamento limpo e sanitizado, à baixa temperatura e umidade relativa.

Crédito: Bernardo Ueno
Figura 5: Flor de amoreira-preta atacada por Aspergillus spp.


Crédito: Bernardo Ueno
Figura 6: Folha de amoreira-preta atacada por Aspergillus spp.

Botrytis sp:

Sintomas: os frutos podem ser afetados em qualquer estágio de desenvolvimento. No início, a podridão se apresenta como mancha de tamanho variável, de cor marrom claro, com uma consistência mole, mas não aquosa, que evolui rapidamente por todo fruto apodrecendo-o completamente. Este, finalmente se apresenta seco e firme, recoberto com um bolor cinzento, constituído por conidióforos e conídios do fungo. Eventualmente, os frutos podem se tornar mumificados. O fungo afeta também outras partes da planta com características semelhantes (Figura 7 e 8).
Comportamento: é um agente patogênico que causa podridões em várias espécies vegetais. É um parasita facultativo que pode se desenvolver saprofiticamente em restos de matéria orgânica, onde forma escleródios e micélio dormente que lhe permite sobreviver às condições desfavoráveis. Os conídios do fungo, formados na superfície dos fungos, são facilmente disseminados dentro da cultura, pelo vento. As melhores condições para o aparecimento da doença são de alta umidade e temperatura ao redor de 20ºC.
Controle: recomenda-se o plantio em locais e épocas não sujeitos a cerrações (neblina).

Crédito: Bernardo Ueno
Figura 7: Caule de amoreira-preta com frutos e flores atacados por Alternaria spp, Botrytis spp e Aspergillus spp, respectivamente.


Crédito: Bernardo Ueno
Figura 8: Fruto de amoreira-preta atacado por Botrytis spp.

Colletotrichum spp:

Sintomas: mancha necrótica, preta, deprimida, com os bordos ligeiramente elevados e apresentando, sob condições favoráveis, os acérvulos do fungo. Estes produzem grande massa de conídios que podem ser vistos, macroscopicamente, como uma massa de coloração rósea. A mancha necrótica, inicialmente pequena, desenvolve-se rapidamente no sentido longitudinal do órgão e mais lentamente no transversal.
Comportamento: o fungo esporula, em condições favoráveis, na superfície das lesões, dando grande quantidade de inóculo dentro da cultura. Temperaturas mais elevadas parecem favorecer o desenvolvimento do agente. Este fungo é causador da doença conhecida como antracnose.
Controle: durante a produção de frutos, deve-se tomar os mesmos cuidados para o controle das podridões de frutos (antes da colheita: no campo; após a colheita: durante a comercialização).

Pestalotia sp:

Sintomas: caracterizado por pequenas manchas necróticas, quase circulares quando distribuídas no limbo foliar (por isso o nome da doença causada pela Pestalotia se chamar Mancha Foliar), e maiores, quando localizadas no ápice e bordo das folhas. As manchas são de coloração pardo-acinzentada, com bordo mais escuro em relação à parte central. Os frutos afetados apresentam lesões necróticas escuras e deprimidas. Sua disseminação é feita, principalmente, pelo vento, insetos e respingos de chuva (Figura 9, 10 e 11).
Comportamento: favorecido por regiões com umidade elevada e alta temperatura. Controle: espaçamento adequado, exposição da área, podas, retirada e enterrio de frutos, queima de ramos podados.

Crédito: Bernardo Ueno
Figura 9: Caule e flores de amoreira-preta sem espinho atacados por Pestalotia spp e Botrytis spp, respectivamente.


Crédito: Bernardo Ueno
Figura 10: Detalhe da folha de amoreira-preta sem espinho atacada.


Crédito: Bernardo Ueno
Figura 11: Folhas de amoreira nativa atacadas por Pestalotia spp.

Rhizopus sp:

Sintomas: os tecidos afetados apresentam-se com coloração marrom, macios ao tato e encharcados, ocorrendo ainda a formação abundante de um micélio branco apresentando pontos escuros.
Comportamento: sua importância se dá no processo de comercialização, onde o fungo pode depreciar o produto. A infecção e a deterioração são extremamente influenciadas por condições ambientais durante o transporte e o armazenamento. A infecção geralmente ocorre em umidade relativa de 75 a 85%. Uma atmosfera mais seca inibe o fungo.
Controle: evitar ferimentos durante as operações de colheita, classificação, armazenamento, embalagem e transporte, separando e descartando os frutos contaminados. Efetuar a limpeza e sanitização dos ambientes onde são realizadas as operações pós-colheita, bem como as embalagens, fazendo uso de detergentes e sanitizantes específicos. Controlar a temperatura e a umidade, pois baixa umidade e temperatura no ambiente onde são armazenadas as frutas, diminui sensivelmente a ocorrência da doença.

Trichoderma sp:

É um fungo saprofítico em solo ou madeira, muito comum, algumas espécies são relatadas como parasitas de outros fungos, por isso usadas como controle biológico.
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