Embrapa Florestas
Sistemas de Produção, 7 - 2 ª edição
ISSN 1678-8281 - Versão Eletrônica
Nov/2010
Cultivo da Araucária
Itamar Antonio Bognola; Paulo Ernani Ramalho Carvalho

Sumário

Taxonomia
Descrição da espécie
Biologia reprodutiva e fenologia
Ocorrência natural
Aspectos econômicos e ambientais
Aspectos ecológicos
Clima
Solos
Sementes
Produção de mudas
Características silviculturais
Melhoramento genético
Conservação genética
Crescimento e produção
Principais pragas
Principais doenças
Características da madeira
Produtos e utilizações
Espécies afins
Sistemas agroflorestais
Referências
Glossário

Autores
Expediente

Solos


O pinheiro-do-paraná é bastante exigente em solos bons, principalmente sob o ponto de vista físico, ou seja, a espécie exige solos que não possuem impedimentos por compactação forte (até pelo menos 40 cm da superfície do terreno), pela presença de rochas em profundidades de até 60 cm da superfície e ou lençóis freáticos a menos de 90 cm de profundidade. Essas condições tornam-se restritivas ao crescimento do pinheiro. Como exemplo de diferentes tipos de solos, com suas diversas limitações, pode-se citar os seguintes casos: No sul do Estado do Paraná, dentro da área natural da Araucaria angustifolia e sob o mesmo regime climático, existem plantios que apresentam produção anual (incremento médio anual) de até 27 m3 ha-1ano-1 e outros de apenas 1 m3 ha-1ano-1. Na Serra da Mantiqueira, sul de Minas Gerais, dentro de uma mesma propriedade, podem existir bons plantios em solos sob mata, com uma produção estimada de 18 m3 ha-1ano-1 e plantios ruins em solos de campo, com uma produção estimada de apenas 3 m3 ha-1ano-1 . Chega-se ao paradoxo de que, dentro de sua área natural, somente 25% da superfície apresenta condições economicamente vantajosas para o seu cultivo.

Ainda, a espessura do solo, associada a outras características físicas, como uma boa porosidade, por exemplo, possibilita a utilização de uma maior área para a penetração das raízes, desenvolvendo-se uma raiz pivotante que pode atingir até 4 m de profundidade, além de um maior volume para se ter uma maior capacidade de retenção de água. Dessa forma, a planta pode buscar uma maior quantidade de nutrientes disponíveis no solo, mesmo que este tenha um teor nutricional não muito significativo.

Por outro lado, vários trabalhos no País constataram que as características químicas do solo não representam os melhores parâmetros para explicar a variação do crescimento e da produtividade do pinheiro. A baixa correlação entre o crescimento das árvores e as características químicas do solo deve-se ao fato de que estas indicam apenas as concentrações dos nutrientes que, teoricamente, estariam disponíveis para a planta em apenas um estrato do solo, não constituindo um indicador seguro da disponibilidade de nutrientes, devido às grandes diferenças em termos de capacidade de troca catiônica, de suas características mineralógicas, da espessura da camada mais orgânica, do teor de carbono, além das diferenças de quantidade e profundidade de exploração do solo pelas raízes.

Lassere et al. (1972) ressaltam que a profundidade do solo é mais importante do que suas características químicas, pois foram observados maiores crescimentos, em volume, associados a uma maior sobrevivência, quando A. angustifolia encontrava-se em solos profundos (média de 20 m³ ha-¹), em comparação a crescimentos em solos pedregosos (16,6 m³ ha-¹) e solos rasos (média de 12,2 m³ ha-¹). Puchalski et al. (2006), estudando populações naturais de A. angustifolia, conjuntamente com as características climáticas da sua área de ocorrência natural no Estado de Santa Catarina, constataram que as diferenças encontradas ao longo das áreas avaliadas são fatores importante para determinar o porte médio das plantas. Por outro lado, fatores relacionados à fertilidade do solo (pH, teores de P, K e Ca) não foram importantes para diferenciar os locais avaliados. Nestas condições, segundo estes autores, fatores como a dinâmica da sucessão e a ocorrência de distúrbios no local podem ter sido mais importantes para produzir diferenças na estrutura demográfica atual da espécie.

Também, o tipo e a espessura do horizonte A (camada mais superficial do solo) são significativamente correlacionados com o crescimento das árvores. A influência da maior espessura do horizonte A no desenvolvimento do pinheiro foi relatada por Reissmann et al. (1987), que constataram ser o crescimento afetado significativamente pela profundidade desse horizonte. Os maiores teores de matéria orgânica e atividade biológica estão diretamente relacionados com a quantidade de nutrientes disponíveis no solo, com a capacidade de retenção de água e com o percentual de aeração. Existe uma relação adequada entre a espessura do horizonte A e o crescimento da espécie, sendo os melhores ambientes, para a araucária, aqueles que anteriormente se encontravam cobertos por florestas exuberantes nativas.

Também é atribuída à capacidade produtiva de um solo, a sua qualidade e quantidade de volume disponível ao desenvolvimento do sistema radicular, incluindo como fatores importantes a textura (ou seja, a capacidade de aderência de uma pequena amostra de solo, quando úmido, entre os dedos da mão: polegar e indicador), a distribuição do espaço poroso (necessidade de boa aeração) e a capacidade de retenção de água.

Quanto às classes de solos, observam-se menores crescimentos em Gleissolos (solos de drenagens deficientes) e nas unidades de Neossolos Litólicos (solos rasos), pois estes tipos de solos condicionam ao maior crescimento de raízes fasciculadas, com grande crescimento lateral, em detrimento do maior desenvolvimento das raízes pivotantes (SILVA et al., 2001). Já nos Latossolos e Argissolos, geralmente, encontram-se reflorestamentos de A. angustifolia com excelente crescimento. No entanto, a utilização de unidades de solo para classificação de ambientes apresenta restrições, salvo no caso de locais que possuem levantamentos pedológicos detalhados ou semi-detalhados.

A escolha do local adequado para o cultivo da araucária tem, portanto, influência decisiva sobre o êxito da plantação, sendo tão importante quanto as condições de qualidade e origem da semente, espaçamento, tratos culturais, época de desbastes, etc.


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