Embrapa Clima Temperado
Sistemas de Produção, 3
ISSN 1806-9207 Versão Eletrônica
Nov./2005

Cultivo do Arroz Irrigado no Brasil

Autores

Sumário
Início
 
Importância Econômica,
Agrícola e Alimentar do Arroz
Condições Climáticas Para o
Cultivo do Arroz no Brasil
Solos Cultivados com Arroz
Irrigado na Região Subtropical
do Rio Grande do Sul
Manejo da Adubação Mineral e da Calagem para a Cultura do Arroz Irrigado
Cultivares de Arroz Irrigado para
o Brasil
Produção de Sementes de Arroz
Sistemas de Cultivo - Plantio Direto e Cultivo Mínimo en Arroz Irrigado
Sistemas de Cultivo - Convencional
Sistemas de Cultivo - Pré-germinado Transplante de Mudas em Arroz Irrigado
Manejo da Água em Arroz Irrigado
Plantas Daninhas em Arroz Irrigado
Doenças do Arroz Irrigado e seus Métodos de Controle
Pragas do Arroz Irrigado
Uso de Agrotóxicos
Colheita do Arroz Irrigado
Pós-Colheita e Industrialização
de Arroz
Cultivo da Soca de Arroz Irrigado
Consumo, Mercado e Comercialização do Arroz no Brasil
Coeficientes Técnicos do Arroz Irrigado no Rs
Referências
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Expediente
Sistemas de Cultivo Pré-germinado Transplante de Mudas

Sistema Pré-germinado

No Rio Grande do Sul define-se sistema pré-germinado como um conjunto de técnicas de cultivo de arroz irrigado adotadas em áreas sistematizadas onde as sementes, previamente germinadas, são lançadas em quadros nivelados e inundados.

Este sistema é, atualmente, uma alternativa viável para áreas que apresentam problemas de produtividade, principalmente pela alta infestação de arroz vermelho. Em Santa Catarina e Rio Grande do Sul o sistema pré-germinado ocupa respectivamente,100% e 12% da área total de arroz irrigado.

O sistema pré-germinado apresenta as seguintes vantagens: controle mais eficiente do arroz vermelho, menor dependência do clima para o preparo do solo e semeadura, menor consumo de água para irrigação e permite o planejamento mais efetivo das atividades da lavoura.

No Rio Grande do Sul identificam-se algumas dificuldades para a adoção e expansão do sistema: a mão de obra carece de maior capacitação; maior custo inicial para a implantação da lavoura pelo processo de sistematização do solo; em determinadas regiões ocorre ataque de aves e moluscos no período de emergência; falta de domínio no manejo da água e falta de cultivares melhor adaptadas ao sistema pré-germinado.

Implantação do sistema Pré-germinado de arroz irrigado

A implantação do sistema tem como objetivos o controle do arroz vermelho, aumento da produtividade, redução dos custos de produção, e melhoria na qualidade industrial do arroz.

A sistematização da área é um importante requisito para o sistema, de modo que adota-se quadros fixos, regulares e em geral de pequenas dimensões, separados por taipas permanentes.

Em algumas situações de topografia é viável utilizar as áreas entre taipas em curvas de nível. Outros requisitos importantes para a implantação do sistema devem ser levados em consideração: pré-germinação da semente, controle efetivo da irrigação e drenagem, uso de equipamentos adequados e utilização de sementes isentas de arroz vermelho.

Sistematização do solo

Para implantar o sistema pré-germinado é importante que as áreas estejam sistematizadas. A sistematização consiste no nivelamento do solo com adequação dos sistemas de irrigação, drenagem e viário. Recomenda-se sistematizar em nível (cota zero) ou próximo de zero (0,02 cm) o que facilita a drenagem para a colheita do arroz e para o caso de estabelecer-se um plano de rotação de culturas nesta área. O projeto de sistematização deve incluir: taipas permanentes, tamanho e forma adequada dos quadros, com irrigação e drenagem independentes.

Preparo do solo

Recomenda-se que o preparo do solo seja sempre feito em condições de solo seco. A água pode ser utilizada nos procedimentos de acabamento da superfície do solo. Na entressafra a área deve ser mantida o mais drenada possível.

Adubação

Após a análise do solo, a aplicação de fósforo e potássio deve ser feita por ocasião do preparo do solo. A adubação nitrogenada deve obedecer a recomendação da pesquisa, sendo que é indicado aplicar metade da dose no início do perfilhamento e a outra metade um pouco antes da diferenciação floral. Entretanto, recomenda-se observar as condições climáticas e o desenvolvimento vegetativo da cultura para a aplicação do nitrogênio.

Cultivares

A escolha da variedade para semeadura deve basear-se em características consideradas essenciais: ciclo, qualidade da semente, adaptação ao manejo do sistema, resistência à brusone, resistência à toxidez por ferro e resistência ao acamamento.

Época de semeadura e densidade de sementes

A melhor época de semeadura para arroz irrigado no Rio Grande do Sul compreende o período de 21 de setembro a 10 de dezembro, dependendo da região e do ciclo da variedade. Como parâmetro geral recomenda-se 150 Kg ha-1 de sementes viáveis (corrigir a % de germinação para 100%) para semeaduras até final de outubro e 125 Kg ha-1 para semeaduras a partir de novembro. Para variedades pouco perfilhadoras recomenda-se 200 Kg ha-1.

Pré-germinação das sementes

Hidratação: imersão das sementes (25 a 30 Kg) em água por 24 horas acondicionadas em embalagens de polipropileno trançado.

Incubação: após a hidratação as sementes são colocadas à sombra por 24 a 36 horas, dependendo da temperatura do ar. As sementes devem ser umedecidas sempre que for necessário. O coleóptilo e radícula deverão atingir de 2 a 3 mm para o momento adequado da semeadura.

Semeadura

A semeadura é realizada em solo com lâmina de água de 5 a 10 cm, sendo recomendável que seja feita no período do dia em que o vento seja mínimo e que a água dos quadros esteja limpa. No RS, em função do tamanho da lavoura, esta operação pode ser feita manualmente ou através de semeadoras a lanço e aviões agrícolas.

Manejo da água de irrigação

Em áreas infestadas de arroz vermelho recomenda-se, após o preparo do solo, deixar uma lâmina de água (10 cm) durante 20 a 30 dias antes da semeadura. Um a dois dias após a semeadura é recomendável a drenagem da área, tendo-se o cuidado de não deixar água acumulada, pois isto favorece possíveis danos causados por moluscos, insetos aquáticos e aves. O solo deve permanecer sempre saturado ou encharcado para favorecer o desenvolvimento da planta. A medida que as plântulas forem desenvolvendo-se deve-se retornar gradativamente a lâmina de água, mantendo-a de 5 a 10 cm até próximo da colheita.

Manejo de Plantas Daninhas

O controle de plantas daninhas neste sistema pode ser realizado pela utilização de herbicidas após a semeadura, em solo drenado (pulverizada) ou diretamente na água de irrigação (benzedura ou pulverização). Em "solo drenado" a água é retirada ao redor de 15 dias após a semeadura e pulveriza-se os herbicidas nas plantas daninhas em solo seco. Neste caso recomenda-se inundar o quadro respeitando o mecanismo de ação dos agroquímicos. É importante observar que este método apresenta maior consumo de água e necessita agilidade na irrigação.


Em "benzedura" há a possibilidade de aplicação de herbicidas em qualquer condição de tempo, além disso, é utilizada menor quantidade de água com esta prática. Neste caso aplica-se o herbicida diretamente na água de irrigação quando as plantas daninhas estiverem com duas a três folhas, o que normalmente ocorre de 10 a 15 dias após a semeadura. Recomenda-se que durante o período de ação dos herbicidas a água de irrigação deve permanecer estagnada (sem retirada da área), proporcionando vantagens ao meio ambiente.

A relação dos herbicidas recomendados, formulação, concentração, dose e época de aplicação constam na publicação " Arroz Irrigado: Recomendações Técnicas da Pesquisa para o Sul do Brasil (2003)".

Pragas

Bicheira-da-raiz: as larvas do gorgulho aquático (Oryzophagus oryzae) danificam o sistema radicular. As plantas apresentam crescimento reduzido, coloração amarelada e secamento do ápice das folhas. Os adultos podem danificar, na semente, a estrutura denominada mesocótilo, responsável pela formação da plântula de arroz. Os adultos são encontrados em seguida da irrigação, e as larvas 10 dias após. Para controle são utilizados inseticidas a base de Carbofuran e Benfucarbe. O nome comercial, formulação, concentração e dose dos produtos recomendados constam na publicação " Arroz Irrigado: Recomendações Técnicas da Pesquisa para o Sul do Brasil (2003)".

Moluscos: o caramujo (Pomacea canaliculata) tem causado danos severos ao cultivo do arroz no sistema pré-germinado. Recomenda-se observar sua presença a partir da semeadura. Não existem produtos registrados no Ministério da Agricultura e Abastecimento para o seu controle na cultura do arroz irrigado. Indica-se, como alternativas de controle os seguintes métodos: limpeza e drenagem dos canais de irrigação; coleta e destruição de posturas e caramujos nos locais de entrada de água; colocação de telas nos canais de irrigação; drenagem dos quadros para facilitar o ataque de predadores e implantação de poleiros nas áreas de arroz para facilitar a sua captura pelo gavião caramujeiro.

Sistema de Transplante de Mudas

O transplante de mudas é um sistema de semeadura indireta onde as plantas crescem inicialmente em um viveiro de mudas (fase de produção de mudas) e posteriormente são plantadas em local definitivo (fase de transplantio), sendo sua principal vantagem permitir a produção de sementes geneticamente puras. A operação de transplante é feita quando as mudas atingem de 13 a 15 cm. A área sistematizada é drenada pouco antes da operação de transplante, mantendo o solo saturado por 2 a 3 dias. A partir deste momento as práticas culturais, como o manejo do solo, da cultura e da água e o controle de plantas daninhas, pragas e doenças são semelhantes as usadas no sistema pré-germinado.

 

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