Embrapa Arroz e Feijão
Sistemas de Produção, No. 7
ISSN 1679-8869 Versão eletrônica
Setembro/2006
Cultivo do Arroz de Terras Altas no Estado de Mato Grosso

Alcido Elenor Wander

Importância econômica
Clima
Solos
Preparo do solo e semeadura
Correção da acidez e fertilização do solo
Cultivares
Produção de sementes
Irrigação
Manejo de plantas daninhas
Doenças e métodos de controle
Pragas e métodos de controle
Normas gerais sobre o uso de agrotóxicos
Colheita
Pós-colheita
Mercado e comercialização
Coeficientes técnicos, custos de produção e rendimentos
Referências
Glossário
Autores

Expediente

 

Importância Econômica
Consumo
Produção
Importância econômica

CONSUMO
O arroz está entre os cereais mais importantes do mundo. A Ásia é responsável por 88,95% do consumo mundial, seguida das Américas (4,94%), África (4,91%), Europa (1,03%) e Oceania (0,16%). Os países em desenvolvimento são responsáveis por 95,2% do consumo mundial e por 95,9% da produção.
Em 2002, o consumo per capita de arroz no Brasil foi de 52,5 kg/hab/ano de arroz base casca; na década de 70, chegou a alcançar patamares de 57,5 kg/hab/ano. Essa redução é atribuída, ao longo do tempo, a vários fatores, entre os quais se destacam: a substituição do arroz por fontes de proteína de origem animal; e a mudança de hábito alimentar com o advento do fast food. No Brasil há variações regionais na quantidade consumida.

PRODUÇÃO
De acordo com dados da FAO, divulgados em 2006, entre os continentes, a Ásia é o maior produtor mundial (90,5%), seguido das Américas (5,9%), África (3,0%), Europa (0,5%) e Oceania (0,1%). O Brasil é o nono produtor mundial de arroz e o primeiro fora do continente asiático.
Considerando os diferentes tipos de arroz produzidos e consumidos mundialmente, a produção mundial foi de 618 milhões de toneladas em 2005. Os nove maiores produtores mundiais foram responsáveis por 84,8% da produção mundial naquele ano, sendo China e Índia os maiores produtores, participando com 30,0% e 20,9%, respectivamente (Tabela 1).
Nos últimos 30 anos, de 1975 a 2005, o Brasil reduziu sua área de plantio em torno de 26% e, mesmo assim, aumentou sua produção de arroz em 69%, graças ao aumento de 128% na produtividade média. Esse aumento da produção permitiu ao país tornar-se auto-suficiente em arroz na safra 2003/2004, segundo o Instituto de Economia Agrícola. Em 2005, o Brasil chegou a exportar 272 mil toneladas de arroz.

 

Tabela 1. Produção de arroz no mundo em 2005.

País
Produção
Tonelada
Participação (%)
Participação acumul. (%)
China
185.454.000
30,0
30,0
Índia
129.000.000
20,9
50,9
Indonésia
53.984.592
8,7
59,6
Bangladesh
40.054.000
6,5
66,1
Vietnã
36.341.000
5,9
72,0
Tailândia
27.000.000
4,4
76,4
Myanmar
24.500.000
4,0
80,4
Filipinas
14.800.000
2,4
82,8
Brasil
13.140.900
2,1
84,9
Demais países
93.666.587
15,1
100
Total
617.941.079
100
-
Fonte: FAO (2006).

Não obstante o grande volume de produção mundial de arroz, apenas cerca de 5% é destinado à exportação. Em 2004, quatro países foram responsáveis por 75,7% da exportação de arroz: Tailândia, 34,5%; Índia, 16,5%; Vietnã, 14,1%; e Estados Unidos, 10,6%; o que resultou numa movimentação de U$ 8,9 bilhões com a transação desse produto.

Topo da Página

Importância econômica
No Brasil, os principais Estados produtores de arroz são Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Mato Grosso, Maranhão e Pará.
O Estado de Mato Grosso sempre esteve entre os quatro maiores produtores brasileiros de arroz. Em 1996 tornou-se o segundo produtor nacional de arroz, chegando a ser responsável por 13,5% da produção nacional em 2004. Em virtude de diversos fatores conjunturais ocorridos na safra 2004/2005 houve uma redução significativa da área de plantio e, em conseqüência, da produção mato-grossense no ano de 2005, o que fez com que o Estado, nesse ano, voltasse a ser o terceiro produtor nacional, logo atrás de Santa Catarina.
No Estado de Mato Grosso, no período de 1980 a 2005, a área cultivada com arroz em terras altas apresentou uma redução de 4,8%, passando de 896,5 mil ha para 853,6 mil ha, respectivamente. Por outro lado, nesse mesmo período, a produtividade teve um aumento significativo, de 1.311 kg/ha passou para 2.651 kg/ha, evidenciando um acréscimo de 102,2%.
Os dez municípios mato-grossenses maiores produtores de arroz de terras altas são Nova Ubiratã, Sinop, Tabaporã, Porto dos Gaúchos, Santa Carmem, Feliz Natal, Querência, Água Boa, Paranatinga e Nova Mutum (Tabela 2), os quais, em 2005, responderam por 43,28% da produção estadual.

 

Tabela 2. Produção, área colhida e produtividade de arroz no Estado de Mato Grosso, em 2005.

Município
Quantidade produzida
Área colhida
Produtividade
(kg/ha)
t
%
ha
%
Nova Ubiratã
147.891
6,54
49.297
5,78
3.000
Sinop
132.711
5,86
44.217
5,18
3.001
Tabaporã
108.627
4,80
36.209
4,24
3.000
Porto dos Gaúchos
98.655
4,36
32.885
3,85
3.000
Santa Carmem
91.425
4,04
29.303
3,43
3.120
Feliz Natal
86.811
3,84
27.299
3,20
3.180
Querência
84.000
3,71
30.000
3,51
2.800
Água Boa
79.200
3,50
40.000
4,69
1.980
Paranatinga
78.000
3,45
50.000
5,86
1.560
Nova Mutum
72.000
3,18
25.000
2,93
2.880
Demais municípios
1.283.543
56,72
481.371
57,33
2.623
Total
2.262.863
100,00
853.581
100,00
2.651
Fonte: IBGE (2006).

Historicamente, a cultura do arroz em sistema de cultivo em terras altas tem sido utilizada para a abertura de novas áreas no Estado de Mato Grosso. Assim, sua produção se concentrava em áreas de fronteira agrícola. Como as áreas de fronteira agrícola estão diminuindo, a cultura passa a fazer parte de sistemas de rotação, integrando sistemas mais complexos com outras culturas ou até mesmo com pastagens.
Aproximadamente a metade do arroz de terras altas é produzido em área nova, na qual se procede a derrubada da vegetação e, no ano seguinte, a queima da coivara, destoca e catação de raízes, para que se possa iniciar o preparo do solo. A outra metade se constitui de arroz cultivado em área ocupada com soja ou pastagem.
O cultivo do arroz de terras altas após derrubada de vegetação nativa tende a desaparecer em razão dos altos impactos ambientais como a mudança climática e a severa perda de biodiversidade.

Informações Relacionadas
Base de dados FAOSTAT.
As exportações brasileiras de arroz: motivo de comemoração ou de preocupação?
Fontes de crescimento e sistema produtivo da orizicultura no Mato Grosso.
Mudanças na distribuição geográfica da produção e consumo do arroz no Brasil.
Perspectivas de mercado para o arroz dentro e fora do Brasil.
Produção agrícola municipal 2005.
Prognóstico agrícola 2005/06.

Todos os direitos reservados, conforme Lei nº 9.610.

Topo da Página