Embrapa Arroz e Feijão
Sistemas de Produção, No. 7
ISSN 1679-8869 Versão eletrônica
Setembro/2006
Cultivo do Arroz de Terras Altas no Estado de Mato Grosso

José Geraldo da Silva
Cleber Morais Guimarães
Jaime Roberto Fonseca

Importância econômica
Clima
Solos
Preparo do solo e semeadura
Correção da acidez e fertilização do solo
Cultivares
Produção de sementes
Irrigação
Manejo de plantas daninhas
Doenças e métodos de controle
Pragas e métodos de controle
Normas gerais sobre o uso de agrotóxicos
Colheita
Pós-colheita
Mercado e comercialização
Coeficientes técnicos, custos de produção e rentabilidade
Referências
Glossário
Autores

Expediente

 

Preparo do Solo e Semeadura

No Estado de Mato Grosso, o arroz pode ser cultivado no sistema de preparo convencional do solo (SPC) ou no sistema plantio direto (SPD). Entre outros objetivos, no SPC, a operação de preparo do solo é feita para controlar plantas daninhas, descompactar o solo e propiciar condições satisfatórias ao plantio, à germinação das sementes, à emergência de plântulas e ao desenvolvimento da cultura. Normalmente, o SPC consiste da realização de duas gradagens com grade aradora, ou de uma aração com arado de disco mais duas gradagens, para destorroamento e/ou nivelamento do terreno. Por outro lado, no SPD, as práticas de revolvimento do solo com arados e grades são dispensadas, mas o sistema exige a dessecação das plantas daninhas com herbicidas e o uso de semeadoras especiais para cortar a palhada e o solo não preparado e abrir sulcos para a semeadura do arroz.
O solo é um importante recurso que precisa ser preservado e melhorado. Assim, muita atenção deve ser dada ao seu preparo para uso agrícola. Quando esse preparo é bem conduzido, observa-se melhoria na sua estrutura física, porosidade e rugosidade superficial - características essas que facilitam a penetração da água no solo e reduzem a possibilidade de ocorrer erosão e, conseqüentemente, a perda de matéria orgânica e de outros componentes de sua fertilidade.

Métodos de preparo do solo
Preparo com arado
Preparo com grade aradora
Incorporação da resteva com grade, seguida de aração profunda
Preparo mínimo
Plantio direto
Época de preparo
Desempenho operacional de arados e grades
Semeadura
Época e densidade
Espaçamento e profundidade
Semeadora adubadora
Dosadores de sementes
Dosador de adubo
Disco de corte de palhada
Sulcador e compactador

Métodos de preparo do solo
Os principais métodos de preparo do solo empregados para o cultivo do arroz de terras altas são: preparo com arado; preparo com grade aradora; incorporação da resteva com grade, seguida de aração profunda; preparo mínimo; e plantio direto.

Preparo com arado - Consiste da aração seguida de uma ou mais gradagens leves para destorroamento, logo após a aração, e de uma gradagem para nivelamento, imediatamente antes do plantio. A profundidade de aração alcançada é de 20 cm a 25 cm, e a da gradagem, de 5 cm a 10 cm. Na aração direta, principalmente em presença de restos culturais e de plantas daninhas de grande porte, a área fica mal nivelada, resultando em leiva e torrões presos às raízes das plantas. Essas irregularidades implicam na necessidade de um maior número de gradagens para o destorroamento, o que ocasiona a desestruturação na camada superficial do solo e, ao mesmo tempo, afeta a porosidade criada pela aração, formando, em condições de solo úmido, o pé-de-grade. O perfil do solo preparado por esse método é heterogêneo, em virtude do desempenho inadequado do arado de disco que, na presença de restos culturais e plantas daninhas, penetra irregularmente no solo. Nessa situação, além dos obstáculos criados à operação da semeadura, a lenta decomposição dos resíduos pode provocar desordens fisiológicas à cultura. O arado de disco não descompacta o solo convenientemente, saltando nos pontos de maior resistência, principalmente em condições de pouca umidade.

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Preparo com grade aradora - É o método mais utilizado no Cerrados. As grades aradoras intermediárias ou pesadas realizam, numa só operação, a aração e a gradagem. O perfil do solo preparado pela maioria das grades aradoras é superficial, da ordem de 10 cm a 15 cm de profundidade. A estrutura superficial do solo apresenta-se extremamente fina e frágil. O solo preparado constantemente com esse implemento apresenta nítida descontinuidade entre o perfil preparado e o solo imediatamente abaixo. O corte superficial e a pressão dos pneus do trator e dos discos da grade sobre o solo adensam a sua camada subsuperficial, resultando na formação do pé-de-grade, com 5 cm ou mais de espessura, dificultando o crescimento das raízes e favorecendo a erosão laminar. Normalmente, são necessárias duas passagens de grade aradora. Em alguns casos, a segunda gradagem é substituída por uma ou duas gradagens leves. Em todos os casos, a tendência é a formação de uma superfície ainda mais pulverizada e de um pé-de-grade mais denso, que varia de acordo com o número de passadas do implemento e o teor de umidade do solo. Na superfície pulverizada pode originar-se uma camada endurecida de 2 cm a 3 cm de espessura, prejudicando a emergência das plântulas e a infiltração da água no solo.

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Incorporação da resteva com grade, seguida de aração profunda - Consiste na inversão da ordem de realização das operações de preparo do solo. Inicialmente é feita a gradagem do terreno com a grade aradora ou a “niveladora”, dependendo da quantidade de plantas daninhas, restos culturais e teor de umidade do solo. De 10 a 30 dias após, é realizada a aração com arado de discos e, imediatamente antes do plantio, a gradagem para nivelar o solo. As principais vantagens desse método são: incorporação mais homogênea dos restos culturais no perfil do solo, da superfície até a soleira da aração; formação de uma boa estrutura no solo; não-formação do pé-de-grade superficialmente; maior eficiência no controle de plantas daninhas; e promoção da recuperação da fertilidade em profundidade.
Quando o solo é arado com teor de umidade adequado e com implemento bem regulado, a semeadura pode ser feita sem a necessidade de gradagem de nivelamento antes do plantio, preservando a porosidade e a estrutura criada pela aração.
O preparo do solo por esse método tem proporcionado aumento significativo na produtividade do arroz de terras altas, por reduzir sensivelmente os riscos de déficit hídrico durante os curtos períodos de estiagem. Isso tem sido possível devido ao maior armazenamento de água no perfil do solo, ao enraizamento mais vigoroso e profundo e à melhoria das propriedades físicas do solo. Deve ser utilizado, preferencialmente, para solos que apresentem compactação em profundidade e muito infestado de plantas daninhas.

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Preparo mínimo - Consiste na passagem de implementos como o arado escarificador ou a grade niveladora, visando romper apenas a camada superficial adensada e, no caso da grade, controlar as plantas daninhas de pequeno porte. O uso da grade niveladora é recomendado para solos descompactados e com pouca incidência de plantas daninhas, cujo principal objetivo é a manutenção da estrutura do solo, além da redução dos custos. Já o uso do arado escarificador é recomendado para solos com compactação subsuperficial – aproximadamente 20 cm– pois esse implemento rompe o solo numa profundidade de 20 cm a 30 cm e mantém grande parte dos resíduos vegetais na superfície, protegendo o solo da erosão. Além disso, o escarificador permite o preparo do solo seco, maior rendimento operacional e economia de combustível e de tempo de operação, quando comparado com os arados de disco e de aiveca.

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Plantio direto – Método de semeadura pelo qual a semente e o adubo são colocados diretamente no solo não-revolvido, usando-se semeadoras adubadoras especiais. É recomendado para solos descompactados, com fertilidade homogênea no perfil superficial – 0-25 cm-, sendo o controle de plantas daninhas dependente de herbicidas. A superfície do terreno deve possuir uma camada de restos culturais que auxilie a conservação do solo e da umidade. Antes da implantação do plantio direto, o solo deve ser corrigido para que se obtenha um vigoroso desenvolvimento do sistema radicular.
Segundo a Federação Brasileira de Plantio Direto na Palha (FEBRAPDP), em 2003, o SPD, no Cerrados, estava implantado em aproximadamente nove milhões de hectares, principalmente com a cultura de soja.
É um sistema que melhora a dinâmica da matéria orgânica, a atividade biológica e a estrutura do solo, por minimizar o revolvimento do solo e adicionar a esse quantidades consideráveis de restos de culturas, graças à produção de palhada e às alternâncias de culturas adotadas pelo sistema. Por outro lado, as áreas sob SPD podem apresentar solos com densidades mais elevadas, em virtude do não-revolvimento do solo e da movimentação das máquinas e implementos agrícolas usados nas várias etapas do processo produtivo, o que pode vir a comprometer a produtividade do arroz. O sistema radicular, nessas condições, é menos desenvolvido (Figura 1), mas, quando as condições físicas do solo são favoráveis, atinge maiores profundidades.
Há vários trabalhos com registros de menores produtividades de arroz no SPD em área de soja, quando comparado a sistemas de preparo que revolvem o solo. Se, por um lado, o arroz cultivado nas áreas de plantio direto é favorecido pelo nitrogênio fixado pela soja e armazenado no solo, por outro, tem de conviver com uma camada de solo mais compactada. Isso tem sido decisivo na adaptação do arroz de terras altas ao SPD, pelo fato de o sistema radicular da planta de arroz ser muito sensível à compactação do solo. Nesse ambiente, as raízes da planta de arroz são menos profundas, o que não acarreta maiores problemas quando há boa disponibilidade hídrica no solo; porém, a cultura pode sofrer sob veranico, pela incapacidade da planta em explorar maior volume de solo. Um sistema radicular superficial - com 90% do volume radicular na camada de 0-20 cm do solo - não absorve os nutrientes, especialmente o potássio, que se movimentam para as camadas subsuperficiais do solo. Isso é particularmente importante nas regiões com alta precipitação pluvial e em solos arenosos, como, por exemplo, Neossolos Quartzarênicos, o segundo tipo de solo mais freqüente no Cerrados.

Fig. 1. Sistema radicular do arroz de terras altas sob SPD.
Foto: Embrapa Arroz e Feijão

As semeadoras de SPD equipadas com dispositivos como a haste sulcadora, para romper mais eficientemente as camadas compactadas do solo, têm apresentado resultados positivos na indução do aprofundamento do sistema radicular do arroz de terras altas (Figura 2). Esse artifício tem proporcionado aumento na produtividade, quando períodos de veranicos expõem a planta ao estresse hídrico. Entretanto, quando a disponibilidade hídrica é adequada e a fertilidade do solo é satisfatória, esse efeito não tem sido observado. O uso de hastes, associado à própria capacidade de adaptação das cultivares, tem-se constituído numa ferramenta importante para o cultivo do arroz em áreas de plantio direto, em sucessão a outras culturas anuais, como a soja, por exemplo.

Fig. 2. Haste sulcadora de semeadora adubadora.
Foto:Embrapa Arroz e Feijão

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Época de preparo
Antes de preparar o solo, deve-se avaliar a possibilidade de trafegar no terreno com trator e máquinas pesadas. A capacidade do solo em suportar e permitir o trabalho dessas máquinas depende muito da umidade existente. A época ideal para se preparar o solo é determinada quando o trator opera com o mínimo de esforço, produzindo uma melhor qualidade no serviço que estiver realizando no que se refere à estrutura, tamanho de agregados, porosidade do solo e controle de plantas daninhas. A época ideal de preparo do solo é definida como ponto de friabilidade, ou seja, momento em que o solo está com um teor de umidade tal que parte dele, sendo comprimida na mão, é facilmente moldada, mas que tão logo cessada essa força, a amostra é facilmente esboroada, isto é, reduzida a pequenos fragmentos.
Quando o preparo é feito em solo muito úmido, ocorrem danos físicos na estrutura do solo, principalmente no sulco deixado pelas rodas do trator e na aderência nos órgãos ativos dos implementos, até o ponto de inviabilizar a operação. Por outro lado, o preparo com o solo muito seco exige maior número de operações para o destorroamento e maiores gastos de combustível e de tempo.
A época de preparo do solo pode variar conforme os objetivos da operação. Caso o principal objetivo seja o controle de plantas daninhas ou a incorporação de resíduos vegetais, o preparo pode ser realizado com bastante antecedência à semeadura. Nesse caso, recomenda-se proceder à aração, após a última colheita, realizando a gradagem imediatamente antes da implantação da nova cultura, ou incorporar o material vegetal ao solo com o uso de grade e, 10 a 30 dias após, realizar a aração.
A aração deve anteceder o plantio em cerca de 30 dias, para permitir a decomposição da matéria orgânica, e a gradagem de nivelamento final do solo deve ser feita imediatamente antes da semeadura.

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Desempenho operacional de arados e grades
As operações de preparo do solo podem ser realizadas com diferentes combinações de equipamentos ou sistemas de preparo, que resultam em diferentes consumos de energia. A seleção de um sistema de preparo depende da energia requerida individualmente por um equipamento, da forma que o requerimento irá variar em combinação com outros equipamentos e de seus efeitos sobre a conservação da água e do solo e a produção das culturas, e do nível e tipo de infestação de plantas daninhas. O preparo ótimo representa a adequação entre as condições do solo que favorecem o desenvolvimento das culturas, proporcionando máxima produtividade, com a disponibilidade de nutrientes e o custo operacional mínimo, especialmente em gastos de energia.
O consumo de combustível pode ser empregado como um índice para comparar o requerimento de energia das operações de preparo, embora seu valor seja influenciado por fatores como textura e estrutura do solo, teor de água, tipo e regulagem do equipamento, velocidade de trabalho, profundidade do preparo, deslizamento das rodas do trator, habilidade do operador, dimensão da área a ser trabalhada e potência do trator. Quanto mais potência tiver o trator, maior será o seu consumo específco em litros, por metro cúbico de solo mobilizado, principalmente quando o conjunto trator e equipamento não estiver bem dimensionado.
O consumo específico de combustível requerido é menor quando os solos possuem teor de água próximo do limite de plasticidade. Teores de água acima ou abaixo desse limite favorecem, respectivamente, o aumento do patinamento das rodas do trator e da resistência do solo ao cisalhamento, aumentando, conseqüentemente, o consumo de combustível.
Em geral, o consumo de combustível, em litros por hectare, é mais elevado com o uso do arado de discos ou de aivecas, devido à menor capacidade de trabalho desses implementos e ao maior volume de solo mobilizado. A grade aradora requer menor consumo de combustível e apresenta maior capacidade de campo, sem diferir muito do arado escarificador. Quando se compara o consumo de combustível, em relação ao volume de solo mobilizado por hectare, não se verifica diferença significativa entre os equipamentos de preparo do solo.
Em estudos realizados no sudeste dos Estados Unidos, em doze séries de solos, cujas texturas variavam de textura franco-argilosa a franco-arenosa, verificou-se que a operação com arado de aivecas consumiu mais combustível por hectare, seguida pelo arado escarificador, pela grade pesada e, por último, pelo equipamento de semeadura direta. O consumo de combustível variou: de 26 L a 40 L/ha para o sistema de preparo do solo com o arado de aivecas; de 21 L a 28 L/ha para o preparo reduzido, à base de escarificação ou de gradagem; e de 2 L a 3 L/ha para o de plantio direto.
No Brasil, em trabalho desenvolvido por pesquisadores da Embrapa Cerrados, foi avaliado o desempenho de um arado de disco, operando em Latossolo Vermelho, com diferentes teores de água – 12%, 22% e 27% - com base na massa seca. Verificou-se que o aumento do teor de umidade no solo condicionou diferentes formas de consistência, causando decréscimo na exigência de força específica na barra de tração do trator. Quando o solo passou da consistência dura para a friável e de friável para a plástica, as reduções foram de 10% e 15%, respectivamente. Quanto ao desempenho do arado, que operou com ângulos horizontais dos discos de 41º31’, 36º52’ e 31º15’, à velocidade de 4,9 km h-1, no solo com 16% de água, constatou-se que a redução do ângulo horizontal causou decréscimos de até 20% na largura de corte, de 43% na profundidade de corte, de 47% na força de tração específica e de 21% na capacidade de campo.
Num outro estudo sobre o desempenho de um arado de disco, operando em diferentes velocidades de deslocamento, em um Latossolo Vermelho de textura argilosa, foram registrados acréscimos de até 215% na potência específica demandada e de até 193% na capacidade de campo, ao se variar a velocidade de 3,0 km para 8,2 km/h.

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Semeadura

Época e densidade - Em Mato Grosso, a semeadura do arroz é feita no início do período chuvoso, concentrando-se nos meses de novembro e dezembro. A densidade de semeadura deve permitir uma boa distribuição das sementes dentro do sulco, sem que haja falhas. A obtenção de uma boa distribuição de sementes, com baixa densidade de semeadura, irá depender da precisão e da boa regulagem das máquinas de plantio. Caso a semeadora seja pouco precisa, deve-se aumentar a densidade de sementes. Normalmente, a densidade recomendada varia de 60 a 80 sementes por metro.

Espaçamento e profundidade - A determinação do espaçamento é importante por ter influência em muitos aspectos agronômicos. Menores espaçamentos possibilitam produtividades mais elevadas, mas aumentam a suscetibilidade às doenças, ao acamamento e aos estresses por veranico. Além disso, é oportuno lembrar que os limites adequados para cada cultivar devem ser respeitados. Para o arroz de terras altas, o espaçamento pode variar de 20 cm a 50 cm, e a profundidade de plantio, de 3 cm a 5 cm, realizada uniformemente. O fertilizante deve ser depositado a 5 cm abaixo das sementes.

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Semeadora adubadora
Para obter desempenho satisfatório na operação de plantio, a máquina semeadora adubadora deve: ajustar-se ao plantio em diferentes espaçamentos entre linhas e densidades de semeadura; possuir mecanismos dosadores de sementes e de adubo eficientes e de fácil regulagem; proporcionar baixo porcentual de danos às sementes; depositar a semente e o adubo nos sulcos de plantio, uniformemente, em profundidade constante e com pouca remoção de terra; ter boa capacidade de penetração no solo, mesmo no SPD; semear e adubar de forma adequada na presença de restos culturais; e possuir autonomia e capacidade de trabalho satisfatórias.

Dosadores de sementes - As semeadoras adubadoras podem ser equipadas com mecanismos dosadores dos tipos rotor acanalado, disco perfurado horizontal, disco perfurado inclinado e disco pneumático. O rotor acanalado, com reentrância na sua periferia, gira dentro de uma moega, levando as sementes ao tubo condutor e, daí, ao solo. Para regular a vazão de sementes, deve-se deslocar lateralmente o rotor ou variar, por meio de engrenagem, a sua velocidade de rotação. Esse dosador é mais indicado para sementes pequenas distribuídas em grande densidade, como o arroz. Os discos perfurados trabalham dentro do depósito de sementes na posição horizontal ou inclinada. O disco que opera na posição horizontal é o mais utilizado nas semeadoras, e tem como característica principal a simplicidade de construção e de operação. Por outro lado, esse mecanismo apresenta desempenho insuficiente, no que refere à uniformidade de semeadura, quando essa é feita em velocidade superior a 6 km/h. O disco inclinado difere do horizontal por não possuir raspadores de excesso e expulsor de sementes dos furos do disco. É indicado para sementes graúdas, como feijão, milho e soja. O disco pneumático pode ser do tipo pressurizado ou a vácuo. A pressurização, ou o vácuo, é produzida por turbina própria da semeadora, que é acionada pela tomada de força do trator. Os dois tipos de discos operam na posição vertical dentro de câmaras que recebem as sementes do reservatório de grãos. Possuem várias células nas quais as sementes se prendem pelo efeito da pressão ou do vácuo. À medida que o disco gira, as sementes são elevadas até uma posição despressurizada, se soltam e, então, são encaminhadas para o tubo condutor e, daí, para o solo. Também é indicado para sementes graúdas. Para regular a vazão de sementes, deve-se substituir o disco por outro que possua um número de células diferente, ou alterar a sua velocidade de rotação, com a mudança de engrenagem. Esse mecanismo apresenta como principais vantagens a uniformidade de distribuição e a pouca danificação mecânica das sementes.

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Dosador de adubo - As semeadoras adubadoras de arroz podem ser equipadas com mecanismos do tipo roseta, rotor e rosca sem-fim. A roseta em forma de disco dentado opera no fundo do reservatório de adubo, sendo acionada por um conjunto de coroa e pinhão. O adubo é arrastado pelos dentes da roseta para uma comporta de abertura regulável, que o descarrega no condutor de adubo e, daí, ao solo. O mecanismo do tipo rotor consta de um eixo com palheta em sua superfície externa que, ao girar em torno de um eixo horizontal, no fundo do depósito, conduz o adubo para uma comporta de abertura regulável. A rosca sem-fim, ao girar, empurra uma certa quantidade de adubo para fora do depósito e, daí, para o sulco de semeadura. A dosagem de adubo por esse mecanismo, ao contrário da roseta e do rotor, não é influenciada significativamente pela variação da velocidade de operação da semeadora adubadora. Para regular a vazão de adubo das semeadoras, deve-se alterar a abertura das comportas - dosadores rotor e roseta -, ou variar, com a mudança de engrenagens, a velocidade de giro do dosador rosca sem-fim.

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Disco de corte de palhada - No SPD, a máquina deve ter um disco simples, com cerca de 16 pol. a 20 pol. de diâmetro, instalado à frente do sulcador adubador para cortar a palhada. Conforme a movimentação no solo, os discos simples são classificados em ondulados, estriados e lisos, e abrem sulcos com cerca de 9 cm, 5 cm e 3 cm de largura, respectivamente. O disco ondulado tende a empolar em solo argiloso, principalmente quando molhado, enquanto o estriado e o liso apresentam menos problemas em solos argilosos. Na presença de maior umidade no solo, o disco com melhor desempenho é o liso. Quando a quantidade de palhada sobre o terreno é pequena, a presença de disco duplo defasado na semeadora adubadora pode substituir o disco simples de corte e realizar o plantio direto com eficiência.

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Sulcador e compactador - Em geral, em cada linha de plantio, as semeadoras adubadoras são equipadas com sulcador provido de um conjunto de discos duplos para semeadura e uma haste extirpadora para adubação ou de dois conjuntos de discos duplos, sendo um para semeadura e outro para adubação, ou, ainda, de um só conjunto de disco duplo para semeadura e adubação – o qual, apesar de ser menos eficiente, é o mais utilizado em máquinas para plantio de arroz. O compactador de sulco de plantio é um dispositivo constituído de roda, localizado na parte posterior da linha de semeadura, com a função de melhorar o contato da semente com o solo. Os compactadores indicados para o arroz são do tipo convexo que compactam bem o solo sobre a semente dentro do sulco de plantio. A regulagem é feita pela alteração da pressão de molas, o que resulta em diferentes graus de compactação do solo sobre as sementes, e/ou pela alteração do ângulo das rodas.

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Tecnologia para o arroz de terras altas.
Tillage draft and energy measurements for twelve southeastern soil series.

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