Embrapa Meio-Norte
Sistemas de Produção, 4
ISSN 1678-8818 Versão Eletrônica
Nov/2007
Sistema Alternativo de Criação de Galinhas Caipiras
Autores
Apresentação
Introdução
Origem genealógica e raças
Alimentação
Alimentos alternativos
Instalações e equipamentos
Sanidade
Reprodução
Comercialização
Mercado
Referências
Glossário

Expediente
Alimentos alternativos

Além dos grãos de milho moído e do farelo de soja, que são os mais largamente utilizados em dietas de frangos, pintos e galinhas, outras opções de alimentos podem ser utilizadas desde que tenham composição química adequada e sejam isentos de substâncias antinutricionais que dificultem a disgestibilidade e a absorção de nutrientes.

Essas alternativas alimentares geralmente resultam do processamento de produtos comestíveis, por isso são chamados de subprodutos. Também podem ser restos culturais da agricultura ou pecuária, tendo, geralmente, ocorrência sazonal (Fig. 01). Uma vez selecionados para compor a mistura dietética, devem ser limpos e processados, isentos de qualquer toxidade e perfeitamente apropriados para o consumo.

Essas alternativas alimentares geralmente resultam do processamento de produtos comestíveis, por isso são chamados de subprodutos. Também podem ser restos culturais da agricultura ou pecuária, tendo, geralmente, ocorrência sazonal (Fig. 1). Uma vez selecionados para compor a mistura dietética, devem ser limpos e processados, isentos de qualquer toxidade e perfeitamente apropriados para o consumo.

Foto: F.J.V.Barbosa

Fig.1. Misturas dietéticas com níveis diferentes de
inclusão de folha e raiz de mandioca.


Avaliação de desempenho e digestibilidade de frangos caipiras

É de grande interesse que o criador saiba como seu plantel está convertendo a alimentação ingerida em produção, principalmente em carne e ovos. Para isso, ele deve medir o consumo de alimento de cada fase de criação, o ganho de peso das aves encontradas na fase de cria, recria e engorda, e a produção de ovos das aves em reprodução. A esse tipo de avaliação, denomina-se avaliação de desempenho (Fig. 2). De acordo com os resultados, deverão ser feitos os ajustes necessários.

Em criatórios mais especializados, uma outra forma de avaliação da capacidade de conversão é por meio de ensaio de metabolismo (Fig. 3). Nesse caso, o técnico nutricionista terá que ter o apoio de um laboratório que lhe forneça todos os dados relativos à composição química e bromatológica da mistura dietética e dos ingredientes separadamente, para que possam ser comparados com a composição dos excrementos, resultando assim no conhecimento da capacidade das aves de digerir os alimentos.

Foto: M.E. Ribeiro

Fig.2. Frangas caipiras em avaliação de desempenho.

Foto: F.J.V. Barbosa

Fig.3. Gaiolas metabólicas ocupadas por frangos caipiras.


Inclusão de plantas forrageiras e frutos na alimentação de galinhas caipiras

No SACAC, predomina o sistema de criação de galinhas soltas em piquetes, com as aves buscando considerável porção da sua alimentação nas partes mais tenras das plantas, nos frutos e nos restos de colheita e de culturas, insetos, minhocas, etc. De fato, dada a grande diversidade, frutos e partes das folhas de inúmeras plantas são selecionados e ingeridos pelas aves, contribuindo para a riqueza da sua dieta e para a economia de ração balanceada, reduzindo os custos da criação.

O cultivo e uso mais adequado de plantas possuidoras de maior potencial de produção e valor nutritivo, com certeza, contribuirão para a melhoria do sistema de criação. A vantagem de tal sistema será a alimentação mais barata, saudável, produzida na propriedade e que resultará no aspecto e sabor peculiar "caipira" da carne e ovos. A forragem verde, pelo seu conteúdo de vitamina A (VEIGA, 2005), faz com que a gema do ovo tenha a cor amarelo-avermelhada, característica do ovo caipira.

É necessário frisar que, para a alimentação das aves, as plantas precisam ter elevado valor nutritivo, baixo teor de fibra e alta digestibilidade. Mesmo quando alimentadas com plantas de elevada qualidade, as aves, devido às suas exigências nutricionais, necessitam de complementação da dieta com ração balanceada. O valor nutricional varia entre diferentes plantas e depende da fertilidade do solo. Em uma mesma planta, depende da parte considerada (folhas, ramos e frutos) e da sua idade. Folhas tenras são mais ricas e nutritivas que folhas maduras, com maior teor de fibra.

É comum o uso de restolhos de culturas, como as raízes e as folhas de mandioca (Manihot esculenta Cranz), (Fig. 4), da batata-doce (Ipomoea batatas), de frutos como a abóbora (Cucurbita pepo L.), mamão (Carica papaya L.), banana (Musa spp), caju (Anacardium occidentale), melancia (Citrullus vulgaris Schrad) e manga (Mangifera indica), além de uma infinidade de hortaliças.

Foto: F.J.V.Barbosa

Fig.4. Plantio de mandioca no ponto de desbaste.

Essas alternativas alimentares podem ser oferecidas verdes ou processadas como farinha. Isso vai depender da quantidade, das condições de consumo e de armazenamento. No caso de leguminosas como o feijão-guandu (Cajanus cajan), a leucena (Leucaena leucocephala) e a sabiá (Mimosa caesalpiniaefolia Benth), pau-ferro (Caesalpinia ferrea) e algaroba (Prosopis juliflora), dentre outras, os folíolos podem ser esidratados, moídos e misturados à dieta, pois são boas fontes protéicas (Fig. 5 a 9).

Foto: G.M.Ramos

Fig.5. Leucena em época de floração.

Foto: M.S.Bona Nascimento

Fig.6. Árvore de sabiá em floração.

Foto: M.S.Bona Nascimento

Fig.7. Algaroba em época de floração.

Foto: M.S.Bona Nascimento

Fig.8. Banco de proteína de feijão-guandu.

Foto: M.S.Bona Nascimento

Fig.9. Pau-ferro em época de floração.

Outra forma de as galinhas caipiras terem acesso a alimento verde é através do uso de áreas de pastagens, compostas de plantas herbáceas nativas ou cultivadas. Nessas áreas, além de ingerir as partes mais tenras das plantas, as aves também se alimentam de alguns insetos que são bastante ricos em proteína. As gramíneas mais adequadas são as de folhas finas e raízes firmes, difíceis de serem arrancadas pelas aves. As partes mais tenras de outras gramíneas, como o capim-elefante, podem ser fornecidas picadas (Fig. 10 a 14).

Foto: F.J.V. Barbosa

Fig.10. Piquete composto por vegetação nativa.

Foto: F.J.V. Barbosa

Fig.11. Piquete composto por pastagem cultivada.

Foto: M.S.Bona Nascimento

Fig.12. Área de capineira de capim-elefante.

Foto: M.S.Bona Nascimento

Fig.13. Área cultiva com capim-tifton.

Foto: M.S.Bona Nascimento

Fig.14. Área cultivada com capim-tanzãnia.

No SACAC, principalmente quando se usa alimentação à base de mandioca, a pigmentação da carne e ovos pode ser melhorada com a utilização plantas pigmentantes, na ração, por exemplo, as sementes de urucum (Bixa orellana L.) (Fig. 15).

Foto: F.J.V. Barbosa

Fig.15. Sementes de urucum moídas.

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