Embrapa Meio-Norte
Sistemas de Produção, 4
ISSN 1678-8818 Versão Eletrônica
Nov/2007
Sistema Alternativo de Criação de Galinhas Caipiras
Autores
Apresentação
Introdução
Origem genealógica e raças
Alimentação
Alimentos alternativos
Instalações e equipamentos
Sanidade
Reprodução
Comercialização
Mercado
Referências
Glossário

Expediente
Sanidade

A maioria das enfermidades que ocorrem na avicultura são controladas pelo uso correto de procedimentos sanitários, que incluem inclusive coberturas vacinais elaboradas de acordo com o histórico da região. Esse controle tanto protege o grupo de aves que se pretende trabalhar como o consumidor dos seus produtos.

O sucesso do processo de proteção do plantel e do consumidor vai depender de todos os setores envolvidos na cadeia produtiva, já que a falha em um único segmento poderá trazer transtornos e danos irreparáveis para o desenvolvimento da atividade.

A limpeza pessoal das pessoas envolvidas no manejo das aves, limpeza e higienização das instalações e equipamentos, processamento criterioso e controle de qualidade dos ingredientes dietéticos, programas de vacinação, manipulação correta dos produtos, controle ativo de pragas (insetos e roedores), descarte de aves problema e manejo adequado para os resíduos (aves mortas, cama, restos de ração etc.) são as principais medidas que devem ser mantidas nos núcleos de produção.

Não se deve levar em conta somente a influência das doenças sobre o desempenho zootécnico (peso médio, conversão alimentar, mortalidade, rendimento de carcaça etc.), mas também o efeito negativo sobre a demanda e a imagem do produto no mercado.

Nas galinhas caipiras, o programa vacinal deve visar, prioritariamente, o controle das principais doenças virais, como: newcastle, marek, gumboro, bronquite infecciosa e bouba aviária. Outras doenças importantes que provocam efeito negativo sobre a produtividade são: ascite, coccidiose, doenças respiratórias, salmoneloses e mitoxicoses.

Como medida de biossegurança deverá ocorrer, rotineiramente, o combate aos principais vetores das doenças e os procedimentos de limpeza e higienização das instalações, e o controle de qualidade de insumos e de materiais. Os programas de vacinação e vermifugação devem ser previamente estabelecidos e implementados (Fig. 1 a 4).

Foto: F.J.V. Barbosa

Fig.1. Controle da bouba aviária por meio de
punctura na asa.

Foto: F.J.V. Barbosa

Fig.2. Aplicação de coquetel via ocular para
controle de doenças como newcastle, bronquite
infecciosa e gumboro.

Foto: F.J.V. Barbosa

Fig.3. Higienização das instalações por meio
de caiação.

Foto: F.J.V. Barbosa

Fig.4. Renovação sistemática do substrato que
reveste o piso do aviário.


Calendário de vacinação

As medidas de biossegurança garantem a não-entrada do agente infeccioso antes da estimulação imunogênica. Essas medidas necessariamente têm que abranger todo o processo produtivo, desde reprodução, incubação, eclosão, crescimento das aves, abate, fabricação de ração e exposição dos produtos.

A vacinação pode ser feita de forma coletiva (via água nos bebedouros/ pulverização) ou individual (injeção ou gota ocular). Apesar do esforço para se vacinar todo o plantel, ocorrem casos de aves mal imunizadas, mesmo que tenham recebido dose eficiente (Tabela 1). Outra causa é a baixa eficiência da dose do vírus vacinal.

Os tipos de vacinas mais comuns são: vacina de vírus vivo (pouco utilizada), vacina atenuada e vacina inativa (morta). Dentre as vantagens da utilização de vacina atenuada, podem-se enumerar o baixo custo, possibilidade de vacinação coletiva, grande número de doses em pequeno volume, rápido início de imunidade e imunidade local precoce. No entanto, sempre podem ocorrer reações pós-vacinação, como difusão de algumas cepas, curta persistência de imunidade, possível interferência de anticorpos maternos e interferência de dois vírus do mesmo tropismo.

Tabela 1. Calendário de vacinação para galinhas caipiras de acordo com a fase de criação.
Fase Via Período
Newcastle Ocular Mensal
Bronquite infecciosa Ocular Mensal
Gumboro Ocular Mensal
Bouba aviária Punctura na asa 1ª semana de vida
Fonte: Embrapa Meio-Norte

O criador pode utilizar alternativas medicamentosas como o fornecimento de caldas com cascas de plantas medicinais como o angico-preto (Anadenanthera macrocarpa), o jatobá (Hymenaea courbaril), o pau-ferro (Caesalpinia ferrea), o alho (Allium sativum L.) e o limão (Citrus limon), para controle de doenças oportunistas transmitidas por bactérias. Podem também ser utilizadas como alternativas de vermífugos naturais as sementes de melancia, mamão, melão e perfilhos de bananeira. Para o controle de ectoparasitas, banhos com sabão e fumo (Nicotiana tabacum) são medidas tidas como rotineiras (Fig. 5).

Foto: F.J.V. Barbosa

Fig.5. Reprodutor recebendo banho antiparasitário.

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