Embrapa Suínos e Aves
Sistemas de Produção, 3
ISSN 1678-8850 Versão Eletrônica
Nov/2007
Recomendações técnicas para a produção, abate, processamento e comercialização de frangos de corte coloniais
Elsio Antonio Pereira de Figueiredo
Gilberto Silber Schmidt
Valdir Silveira de Avila
Fátima Regina Ferreira Jaenisch
Doralice Pedroso de Paiva

Sumário

Apresentação
Introdução
Importância econômica
Aspectos agro e zooecológicos
Raças, características e exigências ecológicas (genética)
Instalações
Alimentação
Manejo
Cuidados sanitários
Preparo para o mercado
Mercado e comercialização
Coeficientes técnicos, custos, rendimento e rentabilidade
Referências
Glossário

Expediente

Alimentação

Para os sistemas mais rudimentares e em pequena escala recomenda-se adquirir a ração de fornecedor idôneo, de preferência certificado para Boas Práticas de Fabricação-BPF. Quando houver condições na propriedade para fabricação de ração recomenda-se utilizar formulações convencionais, buscando-se a autosuficiência na propriedade, através da utilização de misturas incluindo produtos e subprodutos de custo mais baixo do que as formulações comerciais. A Figura 1 ilustra o ingrediente milho úmido ensilado pronto para ser misturado na propriedade rural, o que é uma alternativa para produtores com baixa capacidade de armazenamento de grãos. Antes de iniciar sua atividade, os futuros criadores que não tiverem acesso a um profissional de ciências agrárias autônomo, devem procurar assistência via órgãos públicos, como EMBRAPA ou EMATER, para obter informações seguras de como arraçoar suas aves.

Foto: Avila (2005)
Fig. 1. Detalhe de um silo trincheira com silagem de milho grão úmido, e também com detalhes de coloração de núcleo e da ração resultante.

Para as fases inicial e crescimento, uma opção é fabricá-las com aquisição dos respectivos núcleos, como mostra o exemplo de ração de frangos de corte oferecido por Gessulli, (1999) misturando-se 10% do núcleo de frango de corte caipira/colonial para a fase inicial com 60 % de milho moído, mais 30% de farelo de soja 46% de PB. Da mesma forma para fabricar a ração recria/crescimento, aquele autor sugere uma mistura de 10% do núcleo de frango de corte para a fase crescimento com 65% de milho moído, mais 25% de farelo de soja 46% de PB, mas, em ambos os casos, observar as quantidades e instruções de mistura do fabricante do núcleo.

Tratando-se de criações de maior porte, como empresas avícolas integradoras, a formulação das rações deve atender a certas exigências que vão além do aspecto econômico e do ponto de vista de exigências nutricionais de acordo com os estágios de crescimento das aves. Deve-se também atender às exigências da norma oficial, devendo-se sobretudo não fazer uso de gorduras e farinhas de origem animal e não incluir promotores de crescimento. Além disso, no caso de criações orgânicas, deve-se fornecer alimentos livres de contaminação de produtos químicos de síntese, e sem inclusão de vegetais transgênicos. Isto requer que na fábrica de rações seja possível rastrear a origem dos ingredientes e monitorar todo o processo de mistura até o momento de ensacamento.

Os requerimentos nutricionais dos frangos coloniais, por fase da criação estão mostrados na Tabela 1.

O arraçoamento deve ser diário, com incrementos semanais, para cada fase de vida da ave. As aves devem ser alimentadas com ração inicial balanceada (isenta de aditivos e promotores de crescimento) à vontade, até 28 dias de idade. Após essa idade, a dieta deve ser complementada com alimentos alternativos, principalmente pastagens e sobras de hortaliças e frutas, o que auxilia na pigmentação da pele e na diferenciação do sabor da carne, proporcionando o sabor característico de ave colonial.

A Tabela 2 apresenta sugestões de fórmulas de ração para frangos de corte coloniais, por fase da criação, com a respectiva composição nutricional.

Tabela 1. Exigências nutricionais do frango de corte Embrapa 041 por fase da criação.

Nutrientes

Inicial 1-28 dias

Crescimento 29-60 dias

Terminação 61-91 dias

Energia metabolizável Kcal/kg

2800

2900

2900

Proteina bruta %

19,5

17,5

16,5

Cálcio %

1,0

1,0

0,95

Fósforo total %

0,71

0,67

0,61

Fonte: Manual da linhagem (Embrapa, 2001).

Tabela 2. Sugestão de fórmulas de ração para frangos de corte colonial

Ingrediente

Ração inicial

Ração crescimento

Ração final

Milho grão

54,381

63,051

63,2125

Farelo de soja 45% PB

30,796

27,216

21,372

Farelo de trigo

10,000

4,303

12,00

Calcáreo calcítico

1,299

1,373

1,450

Fosfato bicálcico

1,738

1,670

1,3285

Sal comum

0,403

0,411

0,4058

Dl-metionina

0,117

0,107

0,1211

Caulim ou areia lavada

1,115

1,740

-

Premix mineral

0,050

0,050

0,050

Premix vitamínico

0,100

0,080

0,060

Total

100,000

100,000

100,00

Preço R$

0,3803

0,3673

0,3437

COMPOSIÇÃO QUÍMICA

Energia metabolizável Kcal/Kg

2800

2900

2900

Proteina bruta %

20,00

18,00

16,50

Fibra bruta %

4,0

3,4263

3,8678

Cálcio %

1,00

1,00

0,95

Fósforo disponível

0,468

0,435

0,386

Sódio %

0,15

0,15

0,15

Lisina %

1,005

0,90

0,7879

Metionina

0,400

0,38

0,384

Met + Cistina

0,7981

0,758

0,6363

Triptofano

0,2825

0,2487

0,2225

Treonina

0,7697

0,6994

0,6267

Arginina

1,3754

1,2285

1,004

Fenilalanina

0,9492

0,8581

0,7681

Glicina+Serina

1,9167

1,7349

1,5798

Isoleucina

0,8378

0,7557

0,6699

Leucina

1,7223

1,6123

1,466

Fenilalanina+Tirosina

1,7578

1,5989

1,4223

Valina

0,9440

0,8550

0,7797

Ácido linoleico

1,5272

1,5691

1,7405

Sódio

0,1800

0,1800

0,1800

Extrato etéreo

2,6528

2,6775

2,9829

Fonte: Avila (2005).

É possível obter lotes mais pesados na idade mínima para abate. Nesse caso basta utilizar ração mais energética (em torno de 3000 kcal/kg e nível mais elevado de proteina 20, 18 e 18%, respectivamente, para as três fases da criação.), esperando-se, como consequência, um desempenho próximo daquele exemplificado na Tabela 3. Uma outra prática consiste em manter as aves confinadas por um período mais longo, isto é permitir o acesso ao piquete somente aos 35 ou aos 42 dias de idade. Também é possível melhorar a média de peso do lote na mesma idade se as aves forem separadas por sexo na data da liberação para os piquetes, constituindo-se um lote somente de fêmeas e outro somente de machos, o que evita a competição entre aves, permitindo o acesso mais uniforme aos comedouros.

Tabela 3. Potencial genético para frangos coloniais alimentados com ração mais energética (3000 kcal/kg) e proteica.

Idade

dias

Peso vivo g

Ganho Semanal g

Consumo de ração

g

Conversão alimentar

Viabilidade %

Semanal

Acumulado

Semanal

Acumulado

0

40

40

100

7

120

80

96

96

1,200

1,200

98,6

14

260

140

169

265

1,207

1,207

98,4

21

455

195

340

605

1,744

1,330

98,2

28

680

225

450

1055

2,000

1,551

97,9

35

925

245

540

1595

2,204

1,724

97,7

42

1180

255

615

2210

2,412

1,873

97,5

49

1440

260

690

2900

2,654

2,014

97,3

56

1703

263

745

3645

2,833

2,140

97,1

63

1968

265

795

4440

3,000

2,256

96,9

70

2228

260

825

5265

3,173

2,363

96,7

77

2483

255

870

6135

3,412

2,471

96,5

84

2728

245

900

7035

3,673

2,579

96,3

91

2963

235

925

7960

3,936

2,686

96,0

Fonte: Figueiredo (2005).
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