Embrapa Mandioca e Fruticultura
Sistema de Produção, 6
ISSN 1678-8796 Versão eletrônica
Jan/2003
Cultivo da Banana para o Estado do Amazonas
Marilene Fancelli

Início

Importância econômica
Clima
Solos
Adubação
Cultivares
Mudas e sementes
Plantio
Irrigação
Tratos culturais
Plantas daninhas
Doenças
Pragas
Uso de agrotóxicos
Colheita e pós-colheita
Mercado e comercialização
Coeficientes técnicos
Referências bibliográficas
Glossário


Expediente

Doenças


Doenças e métodos de controle


Sigatoka-negra
Sigatoka-amarela
Mal-do-panamá
Mancha do cordana
Doenças de pré-colheita
Doenças de pré-colheita
Doenças bacterianas

Sigatoka-negra

A Sigatoka-negra é causada pelo fungo Mycosphaerella fijiensis, cuja fase anamórfica é o fungo Paracercospora fijiensis.

A doença foi constatada em fevereiro de 1998, nos Municípios de Tabatinga e Benjamin Constant, região fronteiriça do Brasil com a Colômbia e o Peru. Atualmente encontra-se disseminada em toda a Região Norte do Brasil e no Estado do Mato Grosso.

Com relação ao progresso da doença, trabalhos de epidemiologia mostraram que, no Amazonas, durante todo o ano não ocorre nenhuma restrição com relação a fatores de ambiente, tais como temperatura, umidade relativa e duração do molhamento foliar, favoráveis à ocorrência da doença.

As principais vias de disseminação têm sido folhas infectadas colocadas entre os cachos ou pencas de banana para prevenir ferimentos, utilização de mudas infectadas e/ou oriundas de região com histórico da doença e principalmente vento, que carrega os esporos do agente causador a longas distâncias. Além disso, os esporos do patógeno podem ser disseminados a longas distâncias aderidos à superfície de frutos, madeira, papelão, plásticos, tecidos e veículos.

Sintomas

Inicialmente são observadas, na fase abaxial, via de regra na margem esquerda e próximas à extremidade distal, pequenas pontuações claras ou áreas despigmentadas (Fig. 18). Essas pontuações progridem dando origem a estrias de coloração marrom-clara, que podem atingir de 2 a 3 mm de comprimento. Com o progresso da doença, essas pequenas estrias expandem radial e longitudinalmente, ainda com coloração marrom-clara, e já podem ser visualizadas na face adaxial, podendo atingir até 3 cm de comprimento (Fig.19). A partir desse estádio, as estrias só expandem radialmente e adquirem coloração marrom-escura na face abaxial. Em estádio mais avançado da doença, as estrias de coloração marrom-escura assumem o formato de manchas escuras. Via de regra, o coalescimento de várias manchas (Fig. 20), as quais correspondem às lesões da doença, dá ao limbo foliar uma coloração próxima à negra, justificando, dessa forma, o nome atribuído à doença: Sigatoka-negra.

Nos estádios finais da doença, as lesões podem, às vezes, em função do genótipo, apresentar-se com um halo interno proeminentemente marrom-escuro circundado por um pequeno halo amarelo. Ocorre, pela coalescência de várias lesões, morte prematura do limbo foliar que adquire coloração branco-palha (Fig. 21). Em geral, pode-se visualizar nas regiões do limbo, na face adaxial, pontuações escuras representadas pela frutificação do agente causal na sua fase teliomórfica.

Figura 18. Sintomas iniciais da Sigatoka-negra, com estrias de coloração marrom-clara.
(Foto: L. Gasparotto).
Figura 19. Estrias de coloração café expandindo-se radial e longitudinalmente, causadas pela Sigatoka-negra.
(Foto: L. Gasparotto)


Figura 20. Sintomas da Sigatoka-negra, com coalescência das lesões e manchas escuras.
(Foto:L. Gasparotto)
Figura 21. Folha com áreas necróticas e manchas escuras causadas pela Sigatoka-negra.
(Foto: L. Gasparotto).


Danos

A Sigatoka-negra é a mais grave e destrutiva doença da bananeira em quaisquer regiões do mundo onde ocorre. Pelo fato de a bananeira não emitir mais folhas após o florescimento, não ocorrendo, portanto, compensação, a doença torna-se extremamente destrutiva após o florescimento (Fig. 22).

As perdas devidas ao ataque da Sigatoka-negra podem atingir 100% na produção de bananas dos subgrupos Prata (Fig. 23) e Cavendish (Fig. 24), já a partir do primeiro ciclo produtivo, e 70% na produção de plátanos a partir do segundo ciclo produtivo.

Devido à sua maior agressividade, a Sigatoka-negra substitui a Sigatoka- amarela num curto período de tempo que pode variar de seis meses até três anos. Além de infectar cultivares que são resistentes à Sigatoka-amarela, a Sigatoka-negra causa elevação do custo de produção do bananal na medida em que são necessárias até 52 pulverizações por ano com fungicidas protetores ou até 26 pulverizações com fungicidas sistêmicos para o efetivo controle da doença em cultivares suscetíveis como aquelas dos subgrupos Prata e Cavendish, o que significa um custo quatro a cinco vezes maior do que o necessário para controlar a Sigatoka-amarela.

Figura 22. Planta da cultivar Maçã com as folhas totalmente destruídas pela Sigatoka-negra.
(Foto: L. Gasparotto).


Figura 23. Cacho da cultivar Prata afetada pela Sigatoka-negra com bananas pequenas, maturação precoce e desuniforme.
(Foto: L. Gasparotto)


Figura 24. Planta da cultivar Nanica com as folhas totalmente destruídas pela Sigatoka-negra.
(Foto: L. Gasparotto).

Controle

Com relação às estratégias de controle da Sigatoka-negra, a ênfase tem sido dada à utilização de técnicas de controle econômicas e socio-ambientalmente corretas para reduzir ou impedir a introdução de resíduos de defensivos agrícolas na cadeia trófica, principalmente em regiões e/ou bananais com baixa adoção de tecnologia e também próximos a lagos e mananciais como na Região Amazônica.

a) Utilização de cultivares de bananeiras resistentes

A utilização de cultivares resistentes constitui-se na estratégia de controle mais econômica e socio-ambientalmente correta, pois é de fácil aplicação, não depende de ações complementares por parte dos bananicultores e é estável do ponto de vista de preservação do meio ambiente.

As cultivares recomendadas são: Caipira, Thap Maeo, Prata Zulu, Prata (Pacovan) Ken, FHIA 18, FHIA 01, FHIA 02 AM e Pelipita. As reações dessas cultivares e genótipos às principais doenças são apresentadas na Tabela 3.

Tabela 3. Reação de cultivares às principais doenças da bananeira.

Cultivar 

 Grupo  Genômico

 Sigatoka-negra

 Sigatoka-amarela

 Mal-do-panamá

 Moko

Caipira

AAA

R*

R

R

S

Thap Maeo

AAB

R

R

R

S

Prata Zulu

AAB

R

R

S

S

Prata Ken

AAAB

R

R

R

S

FHIA 18

AAAB

R

MS

S

S

FHIA 01

AAAB

R

MS

-

S

FHIA 02 AM

AAAA

R

R

R

S

Pelipita

ABB

R

R

R

S

*R = Resistente; S = Suscetível; MS = Moderadamente suscetível.

b) Controle químico

Apesar de existirem vários fungicidas eficientes, testados e avaliados pela pesquisa, no controle da Sigatoka-negra, para o Estado do Amazonas não se recomenda a adoção do controle químico. Essa decisão está embasada nos seguintes pontos: no Amazonas, as cultivares resistentes recomendadas atendem plenamente os consumidores; os plantios são constituídos por pequenas áreas; a maioria dos produtores não tem tradição no uso de defensivos e, além disso, o Amazonas é rico em mananciais e conta com exuberante biodiversidade que poderão ser afetados pelo uso indiscriminado de defensivos agrícolas.

c) Controle cultural

A utilização de medidas culturais que reduzem as condições favoráveis ao progresso da doença ou pela redução do molhamento foliar ou pela redução de luz incidente, bem como pela redução da formação de ventos convectivos, os quais disponibilizam os esporos do agente causal nas correntes de fluxo de ventos horizontais, permite um convívio harmonioso com a doença. Nesse sentido, os resultados de pesquisa e observações em propriedades rural têm demonstrado que plantas cultivadas sob condições de sombreamento apresentam pouca ou nenhuma doença. Não obstante plantas mantidas sob condições de sombra apresentarem maior período de ciclo produtivo e menor peso de cachos, a utilização de sombreamento pode viabilizar o cultivo de bananeiras, do ponto de vista de comercialização, como as cultivares Maçã, Prata Anã, D´Angola e Terra, para pequenos produtores, inclusive em sistemas agroflorestais.

Além de melhorar o crescimento geral das plantas, a drenagem rápida de qualquer excesso de água no solo reduz as possibilidades de formação de microclimas adequados ao desenvolvimento da doença.

Sigatoka-amarela

A Sigatoka-amarela ou mal-de-Sigatoka ainda constitui-se em uma das principais doenças da bananeira nas regiões Sul, Sudeste e Nordeste. Na Região Amazônica, mais especificamente no Estado do Amazonas, a Sigatoka-amarela tem sido rapidamente substituída pela Sigatoka-negra, ocorrendo atualmente em poucas micro-regiões e/ou na periferia das cidades. A doença é causada pelo fungo  Mycosphaerella musicola, cuja fase anamórfica é o fungo Pseudocercospora musae.

Sintomas

Embora as infecções ocorram nas folhas um, dois ou três, a partir da folha bandeira ou vela, os sintomas só são observados a partir da quarta ou quinta folha.

Inicialmente, são observados pontos apresentando leve descoloração entre as nervuras secundárias. Estas áreas despigmentadas expandem-se e tomam o formato de estria de coloração marrom-escura (Fig. 25). Com o progresso da doença, as estrias expandem-se radialmente e assumem o formato de manchas necróticas, elíptico-alongadas e se dispõem paralelas às nervuras secundárias (Fig.26). A partir desse estádio, a mancha apresenta o centro deprimido, com a parte central acinzentada e um halo amarelo proeminente.

Em geral, as lesões concentram-se a partir do primeiro terço médio, no sentido da bordadura no limbo, existindo, portanto, poucas lesões próximas à nervura principal.

Embora a freqüência de infecções seja menor (em relação à observada para Sigatoka-negra), com o progresso da doença, as lesões tendem a coalescer, podendo causar a seca total da folha. A menor freqüência de infecções (lesões por centímetro quadrado de área foliar) e as manchas de formato oval alongado (elíptico), com halo amarelo proeminente, permitem distinguir a Sigatoka-amarela da negra.

Figura 25. Folhas com lesões necróticas e alongadas, causadas pela Sigatoka-amarela.
(Foto: L. Gasparotto)
Figura 26. Folhas com manchas necróticas causadas pela Sigatoka-amarela.
(Foto: L. Gasparotto)


Controle

As mesmas cultivares resistentes recomendadas para o controle da Sigatoka-negra são resistentes à Sigatoka-amarela, exceto a FHIA 18, que é suscetível.

Mal-do-pananá

O mal-do-Panamá é causado por Fusarium oxysporum f. sp. cubense. É uma doença endêmica por todas as regiões produtoras de banana do mundo. No Brasil, o problema é ainda mais grave em função das cultivares plantadas, que na maioria dos casos, são suscetíveis. No Estado do Amazonas, a doença prevalece em solos de ecossistema de terra firme, não sendo detectada em solos de várzea.

As principais formas de disseminação do patógeno são o contato dos sistemas radiculares de plantas sadias com esporos liberados por plantas doentes e, em muitas áreas, o uso de material de plantio contaminado. O fungo também é disseminado por água de irrigação, de drenagem, de inundação, assim como pelo homem, por animais e equipamentos.

          Sintomas

As plantas infectadas por F. oxysporum f. sp. cubense exibem externamente um amarelecimento progressivo das folhas mais velhas para as mais novas, começando pelos bordos do limbo foliar e evoluindo no sentido da nervura principal. Posteriormente, as folhas murcham, secam e se quebram junto ao pseudocaule (Fig. 27). Em conseqüência, ficam pendentes, o que confere à planta a aparência de um guarda-chuva fechado. É comum constatar-se que as folhas centrais das bananeiras permanecem eretas mesmo após a morte das mais velhas. É possível notar, próximo ao solo, rachaduras do feixe de bainhas (Fig. 28), cuja extensão varia com a área afetada no rizoma.

Internamente, observa-se uma descoloração pardo-avermelhada na parte mais externa do pseudocaule provocada pela presença do patógeno nos vasos (Fig. 29).

Figura 27. Planta afetada pelo mal-do-Panamá, com amarelecimento das folhas, murcha e colapso do pecíolo junto ao pseudocaule.
(Foto: L. Gasparotto)
Figura 28. Parte do pseudocaule de bananeira afetada pelo mal-do-Panamá, apresentando rachaduras na bainha.
(Foto: L. Gasparotto).

Figura 29. Corte transversal do pseudocaule de bananeira, apresentando necrose dos tecidos disposta em anéis concêntricos, causada pelo mal-do-Panamá.
(Foto: L. Gasparotto)

Danos

O mal-do-Panamá, quando ocorre em cultivares altamente suscetíveis como a banana Maçã, provoca perdas de 100% na produção. Já nas cultivares tipo Prata, que apresentam grau de suscetibilidade bem menor do que a ‘Maçã’, a incidência do mal-do-Panamá, geralmente, situa-se num patamar de 20% de perdas. Por outro lado, o nível de perdas é também influenciado por características de solo, que em alguns casos comporta-se como supressivo ao patógeno. Como se trata de uma doença letal, não há porque comentar sobre distúrbios fisiológicos.

Controle

O melhor meio para o controle do mal-do-Panamá é a utilização de cultivares resistentes, dentre as quais podem ser citadas as cultivares do subgrupo Cavendish e do subgrupo Terra, a Caipira, Thap Maeo e Prata (Pacovan) Ken.

Como medidas preventivas recomendam-se as seguintes práticas:

  • Evitar plantios em áreas com histórico de ocorrência do mal-do-Panamá.
  • Utilizar mudas comprovadamente sadias e livres de nematóides.
  • Corrigir o pH do solo, mantendo-o com níveis ótimos de cálcio e magnésio, que são condições menos favoráveis ao patógeno.
  • Dar preferência a solos com teores mais elevados de matéria orgânica; isso aumenta a concorrência entre as espécies, dificultando a ação e a sobrevivência de F. oxysporum f sp. cubense no solo.
  • Manter as populações de nematóides sob controle; eles podem ser responsáveis pela quebra da resistência ou facilitar a penetração do patógeno, através dos ferimentos.
  • Manter as plantas bem nutridas, guardando sempre uma boa relação entre potássio, cálcio e magnésio.

Nos bananais já estabelecidos e que a doença comece a se manifestar, recomenda-se a erradicação das plantas doentes, utilizando herbicida glifosate na dosagem de 1 ml do produto comercial injetado no pseudocaule de plantas adultas e/ou chifrão. Isso evita a propagação do inóculo na área de cultivo. Na área erradicada, aplicar calcário ou cal hidratada.

Mancha do cordana

Doença causada pelo fungo Cordana musae, de importância secundária, normalmente associada a alguma forma de estresse na planta. Via de regra, a mancha de cordana está associada à outra doença, principalmente à Sigatoka-amarela e/ou à deficiência mineral.

Os sintomas, no início da doença, podem ser confundidos com os da Sigatoka-amarela. Às vezes, ocorre superposição de lesões de ambas as doenças. No caso específico da mancha de cordana, as lesões apresentam, devido ao maior crescimento radial, um formato piriforme, com zonas concêntricas e circundadas por um halo amarelo (Fig. 30).

No controle, recomenda-se o plantio de cultivares resistentes e o uso de adubações balanceadas. Em geral, as cultivares resistentes às doenças do tipo Sigatoka também o são à mancha de cordana.

Figura 30. Folhas com manchas piriformes, esbranquiçadas e halo amarelo, causada por Cordana musae.
(Foto: L. Gasparotto)

 

Doenças de pré-colheita

Lesão-de-Johnston, causada pelo fungo Pyricularia grisea; mancha-parda, causada por Cercospora hayi; mancha-losango, cujo invasor primário é Cercospora hayi, seguido por Fusarium solani, F. roseum e possivelmente outros fungos; pinta-de-deightoniella, causada pelo fungo Deightoniella torulosa, que é um habitante freqüente de folhas e flores mortas; ponta-de-charuto, cujos patógenos mais consistentemente isolados das lesões são Verticillium theobromae e Trachysphaera fructigena.

Controle

As medidas de controle visam basicamente à redução de inóculo pela eliminação de partes senescentes e redução do contato entre patógeno e hospedeiro. São elas:

  • Eliminação de folhas mortas ou em senescência.
  • Eliminação periódica de brácteas, principalmente durante o período chuvoso.
  • Ensacamento dos cachos com saco de polietileno perfurado, tão logo ocorra a formação dos frutos.
  • Implementação de práticas culturais adequadas, orientadas para a manutenção de boas condições de drenagem e de densidade populacional, bem como para o controle de plantas daninhas, a fim de evitar um ambiente muito úmido na plantação.
Doenças de pré-colheita

Antracnose

Causada pelo fungo Colletotrichum musae, é considerada o mais grave problema na pós-colheita da banana.

O controle deve começar no campo, com boas práticas culturais, ainda na pré-colheita. Na fase de colheita e pós-colheita, todos os cuidados devem ser tomados a fim de evitar ferimentos nos frutos, que são a principal via de penetração dos patógenos. As práticas de despencamento, lavagem e embalagem devem ser executadas com manuseio extremamente cuidadoso dos frutos e medidas rigorosas de assepsia. Em último caso, o controle químico pode ser feito por imersão ou por atomização dos frutos. Os seguintes princípios ativos têm sido utilizados: thiabendazole; benomil, tiofanato metílico e imazalil. O agricultor pode, ainda, optar pelo uso do fungicida natural Ecolife na dosagem de 1,5 ml/l. As dosagens recomendadas para thiabenzole, benomil e tiofanato metílico variam de 200 a 400 mg do ingrediente ativo/ l de água, dependendo da distância do mercado consumidor. Essas recomendações são válidas também para o controle da podridão-da-coroa.

Podridão-da-coroa

Os fungos mais freqüentemente associados ao problema são: Fusarium roseum, Verticillium theobromae e Gloeosporium musarum (Colletotrichum musae). Outros fungos também têm sido isolados, porém com menor freqüência.

Doenças bacterianas

Moko

A doença é causada pela bactéria Ralstonia solanacearum, raça 2. Na Região Norte do Brasil, o moko ou murcha bacteriana da bananeira está presente nos Estados do Amazonas, Pará e Amapá. No Estado do Amazonas, a doença prevalece em solos do ecossistema de várzea; apenas seis por cento dos casos ocorrem em solos do ecossistema de terra firme.

A disseminação da bactéria pode ocorrer de diferentes formas, dentre as quais se destacam o uso de ferramentas infectadas nas várias operações que fazem parte do trato dos pomares, bem como a contaminação de raiz para raiz ou do solo para a raiz. Outro veículo importante de transmissão são os insetos visitadores de inflorescências, tais como as abelhas (Trigona spp.), vespas (Polybia spp.), mosca-das-frutas (Drosophila spp.).

Sintomas

O moko ou murcha bacteriana da bananeira, por ser uma doença vascular, pode atingir todas as partes da planta.

Os sintomas da doença em plantas jovens caracterizam-se pela má- formação foliar, necrose e murcha da folha cartucho ou vela, seguidos de amarelecimento das folhas baixeiras (Fig. 31). Em plantas adultas, ocorre amarelecimento das folhas basais e murcha das folhas mais jovens, progredindo para as folhas mais velhas (Fig. 32). Em solos férteis, com bom teor de umidade, ocorre quebra dos pecíolos junto ao pseudocaule, dando à planta o aspecto de um guarda-chuva fechado. Além desses, internamente, ocorrem os seguintes sintomas:

  • No pseudocaule, escurecimento vascular, não localizado, de coloração pardo-avermelhada intensa, atingindo inclusive a região central (Fig. 33). O escurecimento vascular também ocorre no engaço (Fig. 34).
  • No rizoma, além do escurecimento vascular na região central, ocorre também na região de conexão do rizoma principal com o rizoma das brotações.
  • Nas ráquis masculina e feminina pode ocorrer escurecimento vascular, na forma de pontos avermelhados dispostos uniformemente.
  • Nos frutos, além do amarelecimento precoce, observa-se o escurecimento da polpa, seguido de podridão seca (Fig. 35).
  • Exsudação de pus bacteriano de coloração pérola clara, logo após o corte de órgãos infectados.

Para um teste rápido, destinado a detectar a presença da bactéria nos tecidos da planta, utiliza-se um copo transparente com água até dois terços de sua altura, em cuja parede se adere uma fatia delgada da parte afetada (pseudocaule ou engaço), cortada no sentido longitudinal, fazendo-a penetrar ligeiramente na água. Dentro de aproximadamente um minuto ocorrerá a descida do fluxo bacteriano.

Figura 31. Planta jovem afetada pelo moko, apresentando as folhas baixeiras murchas e o cartucho com necrose e murcha.
(Foto: L. Gasparotto)


Figura 32. Bananeira afetada pelo moko, com algumas folhas basais mortas, outras amarelas apresentando colapso do pecíolo.
(Foto: L. Gasparotto)


Figura 33. Pseudocaule de bananeira com escurecimento dos feixes vasculares, inclusive os localizados no cilindro central, causado pelo moko.
(Foto: L. Gasparotto)


Figura 34. Engaço do cacho de banana com escurecimento dos feixes vasculares causado pelo moko.
(Foto: L. Gasparotto).


Figura 35. Frutos de bananeira afetados pelo moko, apresentando polpa escurecida e podridão seca.
(Foto: L. Gasparotto)

Danos

As perdas causadas pela doença podem atingir até 100% da produção, mas com vigilância permanente, é possível conviver com a doença e mantê-la em baixa percentagem de incidência.

Controle

A base principal do controle do moko é a detecção precoce da doença e a rápida erradicação das plantas infectadas como das que lhes são adjacentes, as quais embora aparentemente sadias podem ter contraído a doença. Para tanto, é indispensável que um esquema de inspeção de cada planta seja cumprido por pessoas bem treinadas e repetido a intervalos regulares de duas a quatro semanas, dependendo do grau de incidência da doença.

A erradicação é feita mediante a aplicação de herbicida como o glifosate, injetado no pseudocaule na dosagem de 1 ml do produto comercial por planta adulta e/ou por chifrão.

É importante que a área erradicada permaneça limpa durante o pousio (12 meses). Nas áreas virgens onde houver infestação de espécies de Heliconia, estas deverão ser destruídas com herbicidas, mantendo-se a área em pousio durante 12 meses.

Outras medidas importantes para o controle do moko:

  • Desinfestação das ferramentas usadas nas operações de desbaste e colheita com hipoclorito de sódio a 2,5%, formol 5%, ou com germicidas comerciais do tipo pinho.
  • Eliminação do coração em cultivares com brácteas caducas, assim que as pencas tiverem emergido. Essa prática visa impedir a transmissão pelos insetos. A remoção deve ser feita quebrando-se a parte da ráquis com a mão.
  • Plantio de mudas comprovadamente sadias.
  • Na medida do possível, o uso de herbicidas ou a roçagem do mato deve substituir as capinas manuais ou mecânicas.

Podridão-mole

A podridão-mole é causada pela bactéria Erwinia carotovora subsp. carotovora. O número de casos de podridão-mole tem aumentado no Brasil nos últimos anos. Na Região Norte do País, notadamente no Amazonas, raramente tem ocorrido. O problema pode ser observado em todas as regiões produtoras, mas aparece com maior freqüência nas áreas irrigadas, provavelmente por deficiência no manejo da irrigação, que tem possibilitado o excesso de umidade em pontos localizados dentro da plantação.

Sintomas

A doença inicia-se no rizoma, causando seu apodrecimento, progredindo posteriormente para o pseudocaule. Ao se cortar o rizoma ou pseudocaule de uma planta afetada, pode ocorrer a liberação de grande quantidade de material líquido fétido, daí o nome podridão aquosa. Na parte aérea, os sintomas podem ser confundidos com os do moko ou mal-do-Panamá. A planta normalmente expressa sintomas de amarelecimento e murcha das folhas, podendo ocorrer quebra da folha no meio do limbo ou junto ao pseudocaule. Os sintomas são mais típicos em plantas adultas, mas tendem a ocorrer com maior severidade em plantios jovens estabelecidos em solos infectados, devido à presença de ferimentos gerados pela limpeza das mudas.

Danos

Não existem dados a respeito das perdas. Geralmente as plantas afetadas entram em colapso devido à murcha, seguida de podridão, provocada pela bactéria.

Controle

As medidas de controle não incluem intervenções com agrotóxicos, e sim algumas práticas que mantenham as condições menos favoráveis ao desenvolvimento da bactéria, tais como:

  • Manejar corretamente a irrigação, de modo a evitar excesso de umidade no solo.
  • Eliminar plantas doentes ou suspeitas, procedendo-se vistorias periódicas da área plantada.
  • Utilizar, em lugares com histórico de ocorrência de doenças, mudas já enraizadas, para prevenir infecções precoces.
  • Utilizar práticas culturais que promovam a melhoria da estrutura e aeração do solo.

Viroses

No Brasil, assim como no mundo, há poucos dados sobre as perdas ocasionadas por viroses em bananeira. Geralmente os danos causados por uma virose são pouco visíveis e passam despercebidos.

Até o momento, já foram encontrados infectando bananeira no Amazonas o vírus das estrias da bananeira (Banana streak virus, BSV) e o vírus do mosaico do pepino (Cucumber mosaic virus, CMV).

Virose das estrias da bananeira

Esta doença é causada pelo vírus das estrias da bananeira (Banana streak virus, BSV), transmitido de bananeira para bananeira pela cochonilha Planococcus citri, e por meio de mudas infectadas.

Esse vírus possui uma importância potencial muito grande, uma vez que, até o momento, não existe um método que permita eliminá-lo de plantas infectadas. A cultura de tecidos não permite obter mudas sadias a partir de matrizes infectadas.

O BSV produz inicialmente estrias amareladas nas folhas (Fig. 36), que posteriormente ficam escurecidas ou necrosadas (Fig. 37). Pode ocorrer a deformação dos frutos e a produção de cachos menores. As plantas apresentam menor vigor, podendo em alguns casos ocorrer a morte do topo da planta, assim como a necrose interna do pseudocaule. Geralmente os sintomas são percebidos apenas em alguns períodos do ano. No Estado do Amazonas, quatro estirpes do BSV têm sido detectadas, ocorrendo nas cultivares Thap Maeo, Prata Zulu, FHIA 21 e FHIA 20.

Figura 36. Folha afetada pela estria da bananeira, causada pelo BSV (Banana streak virus).

(Foto: L. Gasparotto)
Figura 37. Folha velha de bananeira com estrias amarelas e escuras, causada pelo BSV (Banana streak virus).
(Foto: L. Gasparotto)

Mosaico, clorose infecciosa ou “heart rot”

Esta virose é causada pelo vírus do mosaico do pepino (Cucumber mosaic virus, CMV), que é transmitido por várias espécies de pulgões. A fonte de inóculo para a infecção de novos plantios provém geralmente de outras culturas ou de plantas daninhas, especialmente trapoeraba ou maria-mole (Commelina diffusa).

Os sintomas variam de estrias amareladas (Fig. 38), mosaico, redução de porte, distorção foliar até necrose do topo; pode haver também distorção dos frutos, com o surgimento de estrias cloróticas ou necrose interna; necrose da folha apical e do pseudocaule, quando ocorrem temperaturas abaixo de 24ºC.

Presente nas principais áreas produtoras de bananeira, essa virose pode provocar perdas elevadas em plantios novos, especialmente quando eles são estabelecidos em áreas com elevada incidência de trapoeraba e alta população de pulgões. No Amazonas, o CMV ocorre nas cultivares FHIA 02, FHIA 18, SH 3640 e PV 0344.

Figura 38. Folha afetada pelo mosaico da bananeira, causado pelo vírus do mosaico do pepino (Cucumber mosaic virus, CMV).
(Foto: L. Gasparotto)

Controle das viroses

  • Utilizar mudas livres de vírus.
  • Evitar a instalação de bananais próxima a plantios de melancia, pepino, abóbora ou jerimum e maxixe (hospedeiras de CMV).
  • Controlar as plantas daninhas dentro e em volta do bananal.
  • Erradicar, nos plantios já estabelecidos, as bananeiras com sintomas.

Nematóides

Os nematóides são microorganismos tipicamente vermiformes que, em sua maioria, completam o ciclo de vida no solo. Sua disseminação é altamente dependente do homem, seja por meio de mudas contaminadas, deslocamento de equipamentos de áreas contaminadas para áreas sadias, ou por meio da irrigação e/ou água das chuvas.

O resultado dessa doença pode ser observado pela redução no porte da planta, amarelecimento das folhas, seca prematura, má-formação de cachos, refletindo em baixa produção e reduzindo a longevidade dos plantios. Nas raízes, podem ser observados o engrossamento e as nodulações, que correspondem às galhas e massa de ovos, em decorrência da infecção por Meloidogyne spp. (nematóide-das-galhas) ou mesmo necrose profunda ou superficial provocada pela ação isolada ou combinada das espécies Radopholus similis (nematóide cavernícola), Helicotylenchus spp. (nematóide espiralado), Pratylenchus sp. (nematóide das lesões) ou Rotylenchulus reniformis (nematóide reniforme), que são os mais freqüentes na bananicultura brasileira e mundial. Esses nematóides contribuem para a formação de áreas necróticas extensas que podem também ser parasitadas por outros microorganismos.

Os danos causados pelos fitonematóides podem ser confundidos ou agravados com outros problemas de ordem fisiológica, como estresse hídrico, deficiência nutricional, principalmente deficiência de fósforo, ou pela ocorrência de pragas e doenças de origem virótica, bacteriana ou fúngica, devido à redução da capacidade de absorver água e nutrientes, pelo sistema radicular. A sustentação da planta é também bastante comprometida. A diagnose correta deve ser realizada por meio de amostragem de solo e raízes e do conhecimento da cultivar utilizada.

Controle

Após o estabelecimento de fitonematóides no bananal, o seu controle é muito difícil. Portanto, a medida mais eficaz é a utilização de mudas sadias, micropropagadas, em áreas livres de nematóides. O descorticamento do rizoma, combinado com o tratamento térmico ou químico, pode reduzir sensivelmente a população de nematóides nas mudas infectadas. Nesse caso, após limpeza, os rizomas devem ser imersos em água à temperatura de 55oC por 20 minutos.

Em solos infestados, a utilização de plantas antagônicas, como crotalária (Crotalaria spectabilis, C. paulinea), incorporadas ao solo antes do seu florescimento, pode reduzir a população dos nematóides e favorecer a longevidade da cultura. Em pomares já instalados, a eficiência dessa estratégia está relacionada principalmente ao nível populacional, tipo de solo e idade da planta, sendo recomendado o plantio dessas espécies ao redor das bananeiras. A utilização de matéria orgânica junto ao rizoma é mais benéfica que a matéria orgânica depositada entre as linhas de cultivo. Para evitar a disseminação dos nematóides, por meio de equipamentos de desbrota ou capinas, recomenda-se a lavagem completa e a desinfestação superficial dos equipamentos com solução de formaldeído (20g/l). Esses tratos culturais devem, sempre que possível, ser iniciados em áreas de melhor condição nutricional e sanitária. Dessa forma, evita-se a disseminação de pragas e doenças passíveis de serem encontradas em áreas menos vigorosas.

No controle químico dos nematóides em bananais em formação, recomenda-se a aplicação dos nematicidas 30 dias após o plantio, quando as mudas já possuem raízes que facilitarão a absorção do produto. São recomendados os produtos Furadan 50 G e Counter 50 G, nas dosagens de 80 a 60 g/planta, respectivamente. Posteriormente, no desbaste que ocorre mais ou menos seis meses após o plantio, realiza-se outra aplicação. Nessa aplicação, o nematicida será colocado na abertura do furo deixado pela “Lurdinha”, na remoção do perfilho, utilizando-se 20% a 30% da dosagem recomendada para aplicação no solo.

 

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