Embrapa Mandioca e Fruticultura
Sistema de Produção, 6
ISSN 1678-8796 Versão eletrônica
Jan/2003
Cultivo da Banana para o Estado do Amazonas
Marilene Fancelli

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Mudas e Sementes

Produção e obtenção de mudas

As mudas têm papel fundamental na qualidade fitotécnica e fitossanitária do bananal, uma vez que, problemas como nematóides, broca-do-rizoma, Sigatoka-negra, mal-do-Panamá, moko, podridão-mole e vírus podem ser levados pela muda.

As mudas para plantio devem ser, preferencialmente, de cultura de tecidos, adquiridas de firmas idôneas que fazem indexação de vírus, garantindo a sanidade quanto aos vírus CMV e BSV.

Se o produtor optar por mudas oriundas de bananais, escolher plantios que não apresentam sintomas ou sinais de incidência de nematóides, como plantas caídas, com o sistema radicular destruído; e livres do ataque do moko e do mal-do-panamá.

Os principais métodos para produção de mudas são:

Propagação convencional

As bananeiras são normalmente propagadas vegetativamente por meio de mudas desenvolvidas a partir de gemas do seu caule subterrâneo, o rizoma. O ideal é que as mudas sejam oriundas de viveiros, que são áreas estabelecidas com a finalidade exclusiva de produção de material propagativo de boa qualidade.

No caso da inexistência de viveiros, as mudas devem ser obtidas de bananal com plantas bem vigorosas e em ótimas condições fitossanitárias, cuja idade não seja superior a quatro anos e que não apresente mistura de variedades e presença de plantas daninhas de difícil erradicação, a exemplo da tiririca ou dandá (Cyperus rotundus). As mudas assim obtidas são classificadas como:

  • Chifrinho: apresentam de 20 a 30 cm de altura e têm unicamente folhas lanceoladas.
  • Chifre: apresentam de 50 a 60 cm de altura e folhas lanceoladas.
  • Chifrão: é o tipo ideal de muda, com 60 a 150 cm  de altura, já apresentando uma mistura de folhas lanceoladas com folhas características de planta adulta.
  • Adulta: são mudas com rizomas bem desenvolvidos, em fase de diferenciação floral, e que apresentam folhas largas, porém ainda jovens.
  • Pedaço de rizoma: tipo de muda oriundo de frações de rizoma com no mínimo uma gema bem entumescida e peso de 800 g.
  • Rizoma com filho aderido: muda de grande peso e que, devido ao filho aderido, exige cuidado em seu manuseio, de forma a evitar danos ao mesmo.
  • Guarda-chuva: mudas pequenas, rizomas diminutos, mas com folhas típicas de plantas adultas. Devem ser evitadas, pois além de possuírem pouca reserva  aumentam a duração do ciclo vegetativo.

Para produção de mudas na fazenda, devem ser adotados os seguintes cuidados:

  • Utilizar solos que ainda não tenham sido cultivados com bananeiras.
  • Usar mudas comprovadamente isentas de pragas e doenças.
  • Fazer desinfestação das ferramentas no viveiro, ao passar de uma planta a outra.
  • Os rizomas das mudas oriundas de bananais devem ser lavados, descorticados, removendo-se todas as raízes e os tecidos apodrecidos com o uso de faca ou facão, visando à eliminação ou redução de inóculo contido nas mudas. Posteriormente, as mudas descorticadas e lavadas devem ser tratadas com nematicidas, imergindo-as em solução de Furadan 350 SC, na dosagem de 400 mL/100L de água por 10 minutos. Além da quimioterapia, a termoterapia é outra opção que também pode ser usada. Após o descorticamento e lavagem dos rizomas, as mudas podem ser submetidas a temperatura de 65ºC, por 5 minutos, ou 55ºC, por 20 minutos. A combinação tempo/temperatura deve levar em consideração o diâmetro do rizoma a ser tratado.

Fracionamento de rizoma

Esta é uma técnica de propagação bastante simples, indicada para qualquer variedade de banana, consistindo das seguintes etapas:

a) Arranquio das plantas, preferencialmente aquelas com rizoma bem desenvolvido.

b) Limpeza do rizoma mediante a remoção de raízes e partes necrosadas, de forma a eliminar brocas e manchas pretas que apareçam.

c) Eliminação de parte das bainhas do pseudocaule, de modo a expor as gemas entumescidas.

d) Fracionamento do rizoma em tantos pedaços quantas forem as gemas existentes.

e) Plantio dos pedaços de rizoma em canteiros devidamente preparados com matéria orgânica.

Para o plantio, abrem-se sulcos com profundidade suficiente para enterrar completamente os pedaços de rizoma, utilizando o espaçamento de cerca de 20 cm entre sulcos por 5 cm entre frações. Durante toda a fase de canteiro, deve-se proceder a irrigação para manter o solo sempre úmido, o que assegura um índice de pegamento em torno de 70%. Como as gemas apresentam diferentes estádios de desenvolvimento fisiológico, a transferência para campo inicia a partir do 3° mês, devendo ser levadas com todo o sistema radicular.

Micropropagação

A micropropagação ou propagação in vitro, em laboratório, consiste no cultivo de segmentos muito pequenos de plantas, os chamados explantes.

Atualmente a técnica mais empregada para a produção de mudas in vitro é a partir dos meristemas apicais retirados de mudas tipo chifrinho, e envolve as seguintes etapas:
a) coleta de mudas;
b) preparo do explante, diminuindo o tamanho do rizoma até que se chegue a um bloco com cerca de 1 cm de rizoma e 2 cm de pseudocaule;
c) desinfestação, em câmara de fluxo laminar, a fim de eliminar a presença de microrganismos responsáveis pela contaminação dos explantes;
d) excisão do explante, com um tamanho em torno de 0,5 cm de rizoma e 1 cm de pseudocaule;
e) incubação em meio de cultura sem fitohormônios;
f) comprovação da ausência de microrganismos durante os 30 primeiros dias, eliminando-se os explantes contaminados;
g) transferências dos explantes sadios para meio com 4 mg/L de benzilaminopurina (BAP), visando a formação de brotos adventícios;
h) enraizamento das plântulas em meio de cultura sem fitohormônios;
i) transferência das plantas para substrato, em casa de vegetação, para o endurecimento; e
j) plantio das mudas no campo, de preferência em período de chuvas ou sob irrigação.

As mudas de laboratório são geneticamente uniformes, mais vigorosas, permitem tratos culturais e colheitas mais uniformes. São ainda mais produtivas e evitam a disseminação de pragas e doenças.

 

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