Embrapa Mandioca e Fruticultura
Sistemas de Produção, 5
ISSN: 1678-8796 Versão eletrônica
Jan/2003
Cultivo da Banana para o Agropólo Jaguaribe-Apodi, Ceará
Ana Lúcia Borges

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Expediente

Adubação

Nutrição, calagem e adubação

Exigências nutricionais
Sintomas de deficiências
Recomendações de calagem e adubação

Exigências nutricionais

O cultivo da banana demanda grandes quantidades de nutrientes para manter um bom desenvolvimento e obtenção de altos rendimentos, pois produz bastante massa vegetativa, absorvendo e exportando elevadas quantidades de nutrientes. Potássio (K) e nitrogênio (N) são os nutrientes mais absorvidos e necessários para o crescimento e produção da bananeira. Em ordem decrescente a bananeira absorve os seguintes nutrientes: macronutrientes: K > N > Ca > Mg > S > P; micronutrientes: Cl > Mn > Fe > Zn > B > Cu. Em média, um bananal retira, por tonelada de cachos, 1,9 kg de N; 0,23 kg de P; 5,2 kg de K; 0,22 kg de Ca e 0,30 kg de Mg.

A bananeira, apesar de absorver grande quantidade de nutrientes, 66% da massa vegetativa produzida na colheita retornam ao solo, em forma de pseudocaules, folhas e rizoma. Desta maneira, há uma recuperação significativa da quantidade de nutrientes absorvida, em razão da ciclagem dos mesmos. As quantidades de nutrientes que retornam ao solo de um plantio de banana são consideráveis, podendo chegar a valores máximos aproximados, na época da colheita, em kg/ha/ciclo, de 170 de N; 9,6 de P; 311 de K; 126 de Ca; 187 de Mg e 21 de S.

Sintomas de deficiências

Quando um nutriente está em deficiência, a planta expressa este desequilíbrio por sintomas visuais que se manifestam, principalmente, por meio de alterações nas folhas, como coloração, tamanho e outras, uma vez que este é o órgão da planta em plena atividade fisiológica e química. Assim, pode-se avaliar o estado nutricional da bananeira visualmente pelos sintomas de deficiências de macro e micronutrientes nas folhas (Tabela 1) e também nos cachos e frutos (Tabela 2).

TABELA 1. Sintomas visuais de deficiências de nutrientes em folhas da bananeira.

Nutrientes

Idade da folha

Sintomas no limbo

Sintomas adicionais

N

Todas as idades

Verde-claro uniforme.

Pecíolos róseos.

Cu

Todas as idades

-

Nervura principal se dobra.

Fe

Jovens

Folhas amarelas, quase brancas.

-

S

Jovens

Folhas, inclusive nervuras, tornam-se verde-pálidas a amarelas.

Engrossamento das nervuras secundárias.

B

Jovens

Listras perpendiculares às nervuras secundárias.

Folhas deformadas (limbos incompletos).

Zn

Jovens

Faixas amareladas ao longo das nervuras secundárias.

Pigmentação avermelhada na face inferior das folhas jovens.

Ca

Jovens

Clorose nos bordos.

Engrossamento das nervuras secundárias; clorose marginal descontínua e em forma de "dentes de serra"; diminuição do tamanho da folha.

Mn

Medianas

Limbo com clorose em forma de pente nos bordos.

Ocorrência do fungo Deightoniella torulosa, que pode contaminar os frutos.

P

Velhas

Clorose marginal em forma de "dentes de serra".

Pecíolo se quebra; folhas jovens com coloração verde-escura tendendo a azulada.

Mg

Velhas

Clorose da parte interna do limbo; nervura central e bordos permanecem verdes.

Descolamento das bainhas.

K

Velhas

Clorose amarelo-alaranjada e necroses nos bordos.

Limbo se dobra na ponta da folha, com aspecto encarquilhado e seco.

 

TABELA 2. Sintomas de deficiências de nutrientes nos cachos e frutos da bananeira.

Nutrientes

Sintomas

N

Cachos raquíticos, menor número de pencas.

P

Frutos com menor teor de açúcar.

K

Cachos raquíticos, frutos pequenos e finos, maturação irregular, polpa pouco saborosa.

Ca

Maturação irregular, frutos verdes junto com maduros, podridão dos frutos, pouco aroma e pouco açúcar. A sua falta pode ser uma das causas do empedramento da banana ‘Maçã’.

Mg

Cacho raquítico e deformado, maturação irregular, polpa mole, viscosa e de sabor desagradável, apodrecimento rápido do fruto.

S

Cachos pequenos.

B

Deformações do cacho, poucos frutos e atrofiados. A sua falta pode levar ao empedramento da banana ‘Maçã’.

Fe

Pencas anormais, frutos curtos.

Zn

Frutos tortos e pequenos, com ponta em forma de mamilo (Cavendish) e de cor verde-pálida.

Essas tabelas, adaptadas da literatura, indicam o resultado de diversos trabalhos de pesquisa e observações de campo, devendo ser utilizadas pelos produtores e extensionistas para caracterizar uma possível deficiência nutricional. No entanto, a diagnose visual é apenas uma das ferramentas para estabelecer as deficiências nutricionais em bananeira, devendo ser complementada pelas análises químicas de solos e folhas, que confirmarão ou não a deficiência nutricional.

Recomendações de calagem e adubação

Pela análise química do solo é possível determinar os teores de nutrientes nele existentes e assim recomendar as quantidades de calcário e de adubo que devem ser aplicadas. Com a aplicação adequada de fertilizantes, espera-se aumento mínimo de 50% na produtividade.


Calagem

Caso o laboratório não envie a recomendação de calagem, esta pode ser calculada baseando-se na elevação da saturação por bases para 70%, quando esta for inferior a 60%, segundo a fórmula:

onde:
V1 = saturação por bases atual do solo
CTC = capacidade de troca catiônica do solo (cmolc/dm3)
PRNT = poder relativo de neutralização total do calcário.


Adubação orgânica

A aplicação de calcário, quando recomendada, deve ser a primeira prática a ser realizada, com antecedência mínima de 30 dias do plantio. O calcário deve ser aplicado a lanço em toda a área, após a aração e incorporado por meio da gradagem. Caso não seja possível o uso da máquina, a incorporação pode ser efetuada na época da capina. Recomenda-se o uso do calcário dolomítico, que contém cálcio (Ca) e magnésio (Mg), evitando assim, o desequilíbrio entre potássio (K) e Mg e, conseqüentemente, o surgimento do distúrbio fisiológico "azul da bananeira" (deficiência de Mg induzida pelo excesso de K).

A presença de camadas subsuperficiais com baixos teores de Ca e/ou elevados teores de Al trocáveis leva ao menor aprofundamento do sistema radicular, refletindo em menor volume de solo explorado, ou seja, menos nutrientes e água disponíveis para a bananeira. O gesso agrícola (CaSO4.2H2O) pode ser recomendado para correção de camadas subsuperficiais, sugerindo-se aplicar a dose de 25% da necessidade de calagem (NC), para a melhoria do ambiente radicular das camadas abaixo da arável.


Adubação fosfatada

A bananeira necessita de pequenas quantidades de fósforo (P), que se não aplicada, prejudica o desenvolvimento do sistema radicular da planta e, conseqüentemente, afeta a produção. A quantidade total recomendada após análise do solo (40 a 120 kg de P2O5/ha) deve ser colocada na cova, no plantio. Pode ser aplicado sob as formas de superfosfato simples (18% P2O5), superfosfato triplo (45% P2O5), fosfato diamônico (DAP) (45% P2O5) e fosfato monoamônico (MAP) (48% P2O5). Anualmente deve ser repetida a aplicação, após nova análise química do solo. Solos com teores de P acima de 30 mg/dm3 (extrator de Mehlich) dispensam a adubação fosfatada.


Adubação nitrogenada

O nitrogênio (N) é um nutriente muito importante para o crescimento vegetativo da planta, recomendando-se de 160 a 400 kg de N mineral/ha/ano, dependendo da produtividade esperada. A primeira aplicação deve ser feita em cobertura, em torno de 30 a 45 dias após o plantio. Recomendam-se como adubos nitrogenados: uréia (45% N), sulfato de amônio (20% N), nitrato de cálcio (14% N) e nitrato de amônio (34% N).


Adubação potássica 

O potássio (K) é considerado o nutriente mais importante para a produção de frutos de qualidade superior. A quantidade recomendada varia de 100 a 750 kg de K2O/ha dependendo do teor no solo. A primeira aplicação deve ser feita em cobertura, no 3º ou 4º mês após o plantio. Caso o teor de K no solo seja inferior a 59 mg/dm3 (0,15 cmolc/dm3), iniciar a aplicação aos 30 dias, juntamente com a primeira aplicação de N. Pode ser aplicado sob as formas de cloreto de potássio (60% K2O), sulfato de potássio (50% K2O) e nitrato de potássio (48% K2O). Solos com teores de K acima de 234 mg/dm3 (0,60 cmolc/dm3) dispensam a adubação potássica.


Adubação com micronutrientes

O boro (B) e o zinco (Zn) são os micronutrientes com maior freqüência de deficiência nas bananeiras. Como fonte, usar fritas, aplicando no plantio 50 g de FTE BR12 ou material similar por cova. Para teores de B no solo inferiores a 0,21 mg/dm3 (extrator de água quente), deve-se aplicar 2,0 kg de B/ha e para teores de Zn no solo inferiores a 0,6 mg/dm3 (extrator de DTPA), recomenda-se 6,0 kg de Zn/ha.


Parcelamento das adubações

O parcelamento vai depender da textura e da CTC (capacidade de troca catiônica) do solo. A freqüência da fertirrigação, em solos arenosos e com baixa CTC deve ser semanal; enquanto em solos argilosos pode ser quinzenal.

Para o monitoramento da fertirrigação recomenda-se a análise química do solo, incluindo a condutividade do extrato de saturação do solo, a cada seis meses.



Localização dos fertilizantes



Preparo da solução fertilizante

O pH da solução fertilizante deve ser mantido entre 5,0 e 6,5, sendo que acima de 7,5 pode ocorrer precipitação de carbonatos de cálcio e de magnésio, causando entupimento das mangueiras, microaspersores e gotejadores. A condutividade elétrica da solução deve ser mantida entre 1,44 e 2,88 dS/m, para evitar riscos de salinização. Se a condutividade elétrica da água for superior a 1 dS/m, deve-se trocar o cloreto de potássio (índice salino/unidade = 1,98) pelo nitrato de potássio (índice salino/unidade = 1,30) ou pelo sulfato de potássio (índice salino/unidade = 0,96). Recomenda-se, também, nesses casos, empregar a uréia (índice salino/unidade = 1,70), não sendo aconselhável o uso do nitrato de amônio (índice salino/unidade = 3,28) ou do sulfato de amônio (índice salino/unidade = 3,45).

Os macro e micronutrientes podem ser aplicados via água de irrigação, desde que se considere a compatibilidade entre eles no preparo da solução. De maneira geral, os nutrientes mais aplicados na bananeira via água de irrigação são o nitrogênio e o potássio.

O fertilizante é diluído em um balde ou tanque cujo volume é calculado pela equação:

Onde:
M = massa do fertilizante (fonte do nutriente) (g);
Qs = vazão de aplicação da solução fertilizante no sistema de irrigação (L/h). A vazão de aplicação da solução de fertilizantes corresponde à vazão de uma bomba injetora elétrica ou hidráulica, ou de um venturi, ou de um tanque diferencial (Ex: 60 L/h);
Cn = concentração do nutriente no fertilizante (Ex: 0,45 no caso da uréia);
Qf = vazão da linha de irrigação (L/h). Corresponde à vazão total dos emissores (aspersor, microaspersor ou gotejador) durante a fertirrigação;
Cf = concentração do nutriente na saída dos emissores (mg/L). Pode ser tomada entre 200 e 700 mg/L, sendo que dependerá da disponibilidade do recipiente para o preparo da solução e do tempo para fertirrigar a área.

Assume-se que a concentração dos nutrientes na água de irrigação é mínima.

 

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