Embrapa Mandioca e Fruticultura
Sistema de Produção, 10
ISSN 1678-8796 Versão eletrônica
Jan/2003
Cultivo da Banana para o Pólo Petrolina Juazeiro
Zilton José Maciel Cordeiro

Início

Importância econômica
Clima
Solos
Adubação
Cultivares
Mudas e sementes
Plantio
Irrigação
Tratos culturais
Plantas daninhas
Doenças
Pragas
Uso de agrotóxicos
Colheita e pós-colheita

Processamento
Mercado e comercialização
Coeficientes técnicos
Referências bibliográficas
Glossário


Expediente

Colheita e Pós-colheita

Quando colher
Como colher
Manejo pós-colheita
Conservação pós-colheita
Maturação controlada – climatização

 

Quando colher

Critérios como desaparecimento das quinas ou angulosidades da superfície dos frutos ainda são utilizados. Porém, preferencialmente, deve-se utilizar o critério de idade do cacho a partir da emissão do coração que é  adaptado a todos os grupos de cultivares. Nesta ocasião marca-se a planta com fita plástica, usando-se diferentes cores para as várias datas de emissão. A marcação é feita a partir da emissão da 5a penca, correspondendo sempre a um período de 15 dias por cor, sendo usadas duas cores por mês num total de 8 cores para fechar o ciclo da marcação à colheita.  Com base nesse controle pode-se fazer previsões de receitas futuras para melhor administrar o bananal, bem como melhorar o acompanhamento dos cachos.

 

Como colher

Nas cultivares Prata Anã e Pacovan, utilizadas neste sistema, em função do peso de seus cachos, é fundamental que a colheita envolva dois operários. Quando as plantas estão altas (geralmente a partir do segundo ciclo) é necessário que um operário corte parcialmente o pseudocaule à meia altura entre o solo e o cacho e o outro evite que o cacho atinja o solo, segurando-o pela ráquis ou aparando-o sobre o ombro, utilizando um travesseiro de espuma para transportá-lo até o carreador ou cabo aéreo. 

 

Manejo pós-colheita

O transporte dos cachos para o local de despencamento e embalagem deve ser feito por carreadores, de forma manual ou mecânica, em carrocerias de veículos automotivos ou carreta de trator, forradas com espuma sintética. Não se dispondo de galpão para beneficiamento da fruta, deve-se improvisar um local para pendurar os cachos e proceder o despencamento. As pencas, preferencialmente, devem sair do cacho para um tanque com água, onde serão lavadas e, posteriormente, embaladas em caixas.

Classificação

Não se conhece uma classificação definida e padronizada para as variedades Prata Anã e Pacovan. No caso da Prata Anã, o Norte de Minas e o Projeto Formoso em Bom Jesus da Lapa, estão adotando a seguinte classificação: 

Primeira: bananas cm 14 a 20 cm de comprimento por 4cm de diâmetro;
Segunda: bananas de 12 a 14 cm de comprimento por 3,5cm de diâmetro;
Descarte: bananas com menos de 12cm de comprimento.

Embalagem 

Após a lavagem, classificação, pesagem e etiquetagem, os buquês ou pencas são colocados em caixas revestidas com plástico de baixa densidade para proteção dos frutos contra escoriações. Podem ser utilizadas caixas de papelão, de madeira ou de plástico fabricadas especificamente para frutos. Em todos os casos, as dimensões são de 52 x 39 x 24,5 cm (comprimento x largura x altura), com capacidade para aproximadamente 18 kg de frutos.

 

Conservação pós-colheita


Frigoconservação

As bananas podem ser conservadas sob refrigeração pelo período de uma a três semanas, findo o qual devem ser removidas para câmaras de maturação, onde são tratadas com etileno ou, previamente, com ethephon. A temperatura mínima de armazenagem depende da sensibilidade da banana a danos pelo frio, sensibilidade esta que é afetada pela cultivar, condições de cultivo e tempo de exposição a uma dada temperatura. 

A umidade na câmara também afeta a qualidade da banana, sendo recomendado o seu armazenamento na faixa de 85 a 95% de U.R. do ar. Embora esta faixa de umidade possa ser mantida em câmaras sem controle automático, regando-se o piso com água duas vezes por dia, a operação é tediosa e consome tempo. Por esta razão, é recomendável a frigoconservação em câmaras automatizadas, que controlam tanto a temperatura quanto a umidade relativa. 

 

Maturação controlada – climatização


Temperatura e umidade relativa na câmara

A faixa ótima de temperatura do ar para a climatização é de 13,9 a 23,9ºC, na qual não ocorrem alterações na qualidade dos frutos. O aumento da temperatura reduz o tempo para atingir-se um determinado estágio de cor da casca. 

A manutenção da umidade relativa entre 85 e 95% durante a maturação é vital para a obtenção de frutos de boa qualidade de cor e sabor. Alta umidade relativa com adequada temperatura contribui grandemente para melhorar a aparência, a palatabilidade e aumentar o período de comercialização. 

Empilhamento das caixas na câmara

Uma adequada circulação de ar na câmara é essencial para uniformização da maturação. O sistema de ventilação da câmara e o tipo de empilhamento das caixas afetam sensivelmente a circulação do ar.

Uma vez que a temperatura aumenta devido à respiração das bananas, a área exposta do topo das caixas é muito importante para prevenir aumento de temperatura na pilha e manter a temperatura da polpa estável durante a climatização. Para operação paletizada usando paletes de 1,00 x 1,20 m (40” x 48”), o melhor padrão de empilhamento é o 4-bloco alternado.

As pilhas devem ser distribuídas uniformemente na câmara, para propiciar um bom fluxo de ar, necessário ao controle da temperatura da polpa e progresso da coloração. Os paletes não devem ser colocados a menos de 45 cm das paredes frontal e traseira da câmara. Quando se usa o padrão 4-bloco alternado, as pilhas podem ser justapostas. No entanto, se for usado outro padrão de empilhamento, deve-se deixar 10 cm entre cada pilha.

Procedimentos para climatização

Bananas de diferentes variedades e origens não devem ser climatizadas numa mesma câmara. Dentro de um mesmo cacho existem pencas com distintos graus de maturidade, sendo que as pencas do ápice (extremidade do engaço) são mais imaturas do que as pencas da base. Por esta razão, os cachos devem ser separados em dois lotes: um contendo as seis ou oito pencas mais velhas e o outro as demais. Quando não for possível, deve-se colocar o lote mais jovem no fundo e o mais velho na frente da câmara, pois este amadurecerá mais cedo.

Aproximadamente 12 horas antes de aplicar-se o etileno, a temperatura da câmara deve ser ajustada para 15,5ºC a 16,7ºC. A dosagem recomendada para climatização com etileno é 0,1% ou 28 L para cada 28 m3 da câmara. Se for usado produto comercial (Etil-S ou Azetil) a quantidade será de 280 L por 28m3. Durante as primeiras 24 horas após aplicação do gás, a câmara deve ser mantida hermeticamente fechada. Após este tempo procede-se a ventilação por 15 a 20 minutos, para suprir a câmara com o oxigênio essencial para a respiração normal das bananas. Como alternativa à utilização do gás etileno, pode-se usar o ethefon, conforme descrito a seguir.

Climatização com ethephon

O ethephon (Ethrel ou similar), é utilizado na maturação em concentrações inferiores a 1%, não oferecendo riscos durante o manuseio. 

Concentração da solução de ethephon

Para cultivares do grupo AAB, como ‘Prata Anã’, recomenda-se 166 mL do produto comercial para 100 litros de solução. Para ‘Nanica’ e ‘Nanicão’ utiliza-se 833 mL para 100 litros de solução e banana tipo ‘Terra’ 208 mL para 100 litros de solução. Quando são cultivadas bananas de todos os grupos, visando facilitar o procedimento de climatização, utiliza-se apenas a concentração mais alta. A solução pode ser reutilizada por até 200 dias.

Tratamento de indução da maturação

O tratamento consiste em submergir as pencas ou subpencas de banana, contidas ou não em caixas de madeira ou de plástico, na solução de ethephon por dez minutos. Quando se utiliza caixas de papelão, as bananas devem ser embaladas após evaporação da solução. Pode-se utilizar tanques de cimento, amianto ou de alvenaria ou mesmo tonéis. Como regra geral, enche-se o tanque em torno de 2/3 da sua capacidade.

Um tanque de 1.000 litros comporta cerca de 250 pencas de banana e um tonel de 200 litros, 50 pencas. Assumindo-se que o tempo de tratamento de cada lote pode durar 30 minutos, incluindo o despencamento e a lavagem prévia, num dia de trabalho é possível tratar 4.000 pencas no tanque e 800 no tonel.

A solução destinada à reutilização deve ser armazenada no próprio recipiente de tratamento. Para evitar perda da solução por evaporação, o recipiente deve ser hermeticamente tampado. Apesar das bananas absorverem apenas pequena quantidade de solução, durante o tratamento sempre ocorre perda de solução quando as bananas são removidas do tanque. Quando o nível não mais cobrir todas as bananas, pode-se completar o volume com solução recém-preparada, na mesma concentração da anterior ou reduzir a quantidade de banana. 

Instalações para climatização com ethephon

Para a obtenção de produto com qualidade ótima de cor e de consumo, as bananas tratadas com ethephon devem ser armazenadas nas mesmas condições de temperatura e umidade relativa utilizadas na climatização com etileno. Quando não se dispuser de câmaras com controle de temperatura e umidade,  pode-se usar galpões já existentes na propriedade ou construí-lo. As dimensões dependerão da quantidade de banana a ser climatizada. Idealmente, o galpão deve ser construído em local sombreado, sob árvores dispostas nas laterais, para evitar temperaturas elevadas no seu interior. Na ausência de árvores, podem ser plantadas variedades de banana de porte alto (Prata, Pacovan ou Terra) em espaçamento denso (1,50m), nas laterais e no fundo do galpão. A temperatura no interior do galpão deve ficar entre 14 e 26ºC.

Para as regiões e estações do ano com umidade do ar inferior a 80%, é imprescindível construir valas impermeabilizadas no piso, ao longo das paredes, para colocação de água; uso de forro sob o telhado e porta com boa vedação. Pode-se também, para garantia de elevada umidade, regar o piso com água diariamente.

Copyright © 2003, Embrapa