Embrapa Mandioca e Fruticultura
Sistema de Produção, 9
ISSN 1678-8796 Versão eletrônica
Jan/2003
Sistema de produção de banana para o Estado do Pará
Zilton José Maciel Cordeiro

Início

Importância econômica
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Adubação
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Mudas e sementes
Plantio
Irrigação
Tratos culturais
Plantas daninhas
Doenças
Pragas
Uso de agrotóxicos
Colheita e pós-colheita
Mercado e comercialização
Coeficientes técnicos
Referências bibliográficas
Glossário


Expediente

Doenças

Doenças e métodos de controle

As bananeiras são afetadas, durante todo o seu ciclo vegetativo e produtivo, por um grande número de doenças, que podem ser causadas por fungos bactérias, vírus e nematóides.

Doenças fúngicas
Doenças bacterianas
Viroses
Nematóides

 

Doenças fúngicas

Entre as doenças fúngicas a Sigatoka-amarela, Sigatoka-negra e o mal-do-Panamá são as mais importantes.

Sigatoka-amarela

Esta é uma das mais importantes doenças da bananeira, sendo também conhecida como cercosporiose ou mal-de-Sigatoka.

Agente causal

A sigatoka-amarela é causada por Mycosphaerella musicola, Leach (forma perfeita ou sexuada)/Pseudocercospora musae (Zimm) Deighton (forma imperfeita ou assexuada).

Sintomas

O infecção ocorre nas folhas mais novas da vela até a três. Os sintomas iniciais da doença aparecem como uma leve descoloração em forma de ponto entre as nervuras secundárias da segunda à quarta folha, a partir da vela. A contagem das folhas é feita de cima para baixo, onde a folha da vela é a zero e as subseqüentes recebem os números 1, 2, 3, 4, e assim por diante. Essa descoloração aumenta, formando uma estria de tonalidade amarela. Com o tempo as pequenas estrias amarelas passam para marrom e posteriormente para manchas pretas, necróticas, circundadas por um halo amarelo, adquirindo a forma elíptica-alongada, apresentando de 12-15 mm de comprimento por 2-5 mm de largura, dispondo-se paralelamente às nervuras secundárias da folha (Fig. 5). Em alta freqüência de lesões, dá-se a junção das mesmas e a conseqüente necrose do tecido foliar

Figura 5. Sigatoka-amarela, mostrando coalescimento das lesões com necrose do tecido foliar.

Danos e distúrbios fisiológicos

Os prejuízos causadas pela Sigatoka–amarela são da ordem de 50% da produção mas, em microclimas muito favoráveis, esses prejuízos podem atingir os 100%, uma vez que os frutos quando produzidos sem nenhum controle da doença, não apresentam valor comercial. Os prejuízos são resultantes da morte precoce das folhas e do conseqüente enfraquecimento da planta, com reflexos imediatos na produção (Fig. 6). Entre os distúrbios observados em plantações afetadas podem ser listados: diminuição do número de pencas por cacho; redução do tamanho dos frutos; maturação precoce dos frutos no campo e/ou durante o transporte, podendo provocar a perda total da carga; enfraquecimento do rizoma e por conseqüência perfilhamento lento.

Figura 6. Bananal altamente afetado pela Sigatoka-amarela com perda acentuada de área foliar e elevadas perdas na produção.


Sigatoka-negra

Foi constatada no Brasil em fevereiro de 1998, no Estado do Amazonas estando presente no Acre, Rondônia, Pará, Roraima, Amapá e Mato Grosso. O desenvolvimento de lesões de Sigatoka e a sua disseminação são fortemente influenciados por fatores ambientais como umidade, temperatura e vento.

Agente Causal

O fungo causador da Sigatoka-negra é um ascomiceto conhecido como Mycosphaerella fijiensis Morelet (fase sexuada)/Paracercospora fijiensis (Morelet) Deighton (fase anamórfica).

Sintomas

Os sintomas causados pela evolução das lesões produzidas pela Sigatoka-negra se assemelham aos decorrentes do ataque da Sigatoka-amarela, também ocorrendo a infecção nas folhas mais novas. Já os primeiros sintomas aparecem na face inferior da folha como estrias de cor marrom (Fig. 7), evoluindo para estrias negras(Fig. 8). Os reflexos da doença são sentidos pela rápida destruição da área foliar, reduzindo-se a capacidade fotossintética da planta e, consequentemente, a sua capacidade produtiva.

Figura 7. Estrias marrons causadas pela Sigatoka-negra, observadas na face inferior da folha.

 

Figura 8. Folha de uma planta afetada pela Sigatoka-negra, exibindo alta densidade de lesões e necrose do tecido.

Danos e distúrbios fisiológicos

A Sigatoka-negra é a mais grave e temida doença da bananeira no mundo, implicando em aumento significativo de perdas, que podem chegar a 100% da produção, onde o controle não é realizado. Devido à sua agressividade, nas regiões onde a Sigatoka-negra é introduzida, a amarela desaparece em cerca de três anos. Ataca severamente as variedades tipo Prata e Cavendish.


Mal-do-Panamá

O mal-do-Panamá é uma doença endêmica por todas as regiões produtoras de banana do mundo. No Brasil, o problema é ainda mais grave em função das variedades cultivadas, que na maioria dos casos são suscetíveis.

Agente causal

O mal-do-Panamá é causado por Fusarium oxysporum f. sp. cubense (E.F. Smith) Sn e Hansen. As principais formas de disseminação da doença são o contato dos sistemas radiculares de plantas sadias com esporos liberados por plantas doentes e, em muitas áreas, o uso de material de plantio contaminado. O fungo também é disseminado por água de irrigação, de drenagem, de inundação, assim como pelo homem, por animais e equipamentos.

Sintomas

Plantas infectadas exibem um amarelecimento progressivo das folhas mais velhas para as mais novas, começando pelos bordos do limbo foliar e evoluindo no sentido da nervura principal. Posteriormente, as folhas murcham, secam e se quebram junto ao pseudocaule dando-as a aparência de um guarda-chuva fechado (Fig. 9). É comum constatar-se que as folhas centrais das bananeiras permanecem eretas mesmo após a morte das mais velhas. É possível notar, próximo ao solo, rachaduras do feixe de bainhas, cuja extensão varia com a área afetada no rizoma.

Internamente, observa-se uma descoloração pardo-avermelhada na parte mais externa do pseudocaule provocada pela presença do patógeno nos vasos (Fig. 10).

Figura 9. Planta com mal-do-Panamá, exibindo amarelecimento progressivo das folhas mais velhas em direção às mais novas e posterior quebra junto ao pseudocaule. Figura 10. Escurecimento dos vasos, observado por meio de corte realizado no pseudocaule de plantas afetadas pelo mal-do-Panamá.

Danos e distúrbios fisiológicos

O mal-do-Panamá, quando ocorre em variedades altamente suscetíveis como a banana ‘Maçã’, provoca perdas de 100% na produção. Já nas variedades tipo Prata, que apresentam um grau de suscetibilidade bem menor do que a ‘Maçã’, a incidência do mal-do-Panamá, geralmente, situa-se num patamar dos 20% de perdas. Por outro lado, o nível de perdas é também influenciado por características de solo, que em alguns casos comporta-se como supressivo ao patógeno.

Todavia, como o sistema proposto, prevê a utilização de variedades resistentes as sigatokas amarela e negra e mal-do-Panamá, não serão apresentadas informações sobre o controle das mesmas.


Doenças de frutos

Os frutos são afetados na pré e pós-colheta por diversos fungos, principalmente nos climas quentes e húmidos como no Estado do Pará.


Doenças de pré-colheita

Lesão-de-Johnston, causada pelo fungo Pyricularia grisea; Mancha-parda, causada por Cercospora hayi; Mancha-losango, cujo invasor primário é Cercospora hayi, seguido por Fusarium solani,  F. roseum e possivelmente outros fungos; Pinta-de-deightoniella, causado pelo fungo Deightoniella torulosa, que é um habitante freqüente de folhas e flores mortas; Ponta-de-charuto cujos patógenos mais consistentemente isolados das lesões são Verticillium theobromae e Trachysphaera fructigena.

Controle

As medidas de controle visam basicamente a redução do potencial de inóculo pela eliminação de partes senescentes e redução do contato entre patógeno e hospedeiro.

  • Eliminação de folhas mortas ou em senescência.
  • Eliminação periódica de brácteas, principalmente durante o período chuvoso.
  • Ensacamento dos cachos com saco de polietileno perfurado, tão logo ocorra a formação dos frutos.
  • Implementação de práticas culturais adequadas, orientadas para a manutenção de boas condições de drenagem e de densidade populacional, bem como para o controle de plantas daninhas, a fim de evitar um ambiente muito úmido na plantação.

Doenças de pós-colheita

Podridão-da-coroa, os fungos mais freqüentemente associados ao problema são: Fusarium roseum (Link) Sny e Hans., Verticillium theobromae (Torc.) Hughes e Gloeosporium musarum Cooke e Massel (Colletotrichum musae Berk e Curt.).  Uma série de outros fungos também têm sido isolados, porém com menor freqüência.

Antracnose é considerada o mais grave problema na pós-colheita desta fruta, sendo causada por  Colletotrichum musae.

Controle

O controle deve começar no campo, com boas práticas culturais, ainda na pré-colheita. Na fase de colheita e pós-colheita todos os cuidados devem ser tomados no sentido de evitar ferimentos nos frutos, que são a principal via de penetração dos patógenos. As práticas de despencamento, lavagem e embalagem devem ser executadas com manuseio extremamente cuidadoso dos frutos e medidas rigorosas de assepsia. Por último, o controle químico pode ser feito por imersão ou por atomização dos frutos (Tabela 3).

Doenças Bacterianas

Moko

No Brasil, o moko ou murcha bacteriana está presente em todos os Estados da região Norte com exceção do Acre. Surgiu também no Estado de Sergipe em 1987 e posteriormente em Alagoas, onde vem sendo mantida sob controle, mediante erradicação dos focos que têm surgido periodicamente.

Agente causal

A doença é causada pela bactéria Ralstonia solanacearum Smith (Pseudomonas solanacearum), raça 2. A transmissão e disseminação da doença pode ocorrer de diferentes formas, dentre as quais se destaca o uso de ferramentas infectadas nas várias operações que fazem parte do trato dos pomares, bem como a contaminação de raiz para raiz ou do solo para a raiz. Outro veículo importante de transmissão são os insetos visitadores de inflorescências, tais como as abelhas (Trigona spp.), vespas (Polybia spp.), mosca-das-frutas (Drosophyla spp.) e muitos outros gêneros.

Sintomas

Nas plantas jovens e em rápido processo de crescimento, uma das três folhas mais novas adquire coloração verde-pálida ou amarela e se quebra próximo à junção do limbo com o pecíolo. No espaço de poucos dias a uma semana muitas folhas se quebram. O sintoma mais característico do moko, entretanto, se manifesta nas brotações novas que foram cortadas e voltaram a crescer. Estas escurecem, atrofiam e podem apresentar distorções. As folhas, quando afetadas, podem amarelecer ou necrosar.

A descoloração vascular do pseudocaule é mais intensa no centro (Fig. 11) e é menos aparente na região periférica, ao contrário do que ocorre na planta atacada pelo mal-do-Panamá. Os sintomas em frutos aparecem na forma de  podridão seca, firme, de coloração parda (Fig. 12).

Figura 11. Corte realizado em plantas afetadas pelo moko, mostrando a descoloração vascular concentrada no centro do pseudocaule.

Figura 12. Frutos exibindo os sintomas de podridão seca, observada na polpa, típica dos casos de moko.

Para um teste rápido, destinado a detectar a presença da bactéria nos tecidos da planta, utiliza-se um copo transparente com água até dois terços de sua altura, em cuja parede se adere uma fatia delgada da parte afetada (pseudocaule ou engaço), cortada no sentido longitudinal, fazendo-a penetrar ligeiramente na água. Em menos de um minuto ocorre a descida do fluxo bacteriano, de coloração leitosa.

Tabela 3. Produtos químicos registrados no MAPA para o controle de patógenos em frutos de banana.

Indicação

Produtos formulados indicados

Form

    Classe

Dose do produto      comercial (PC)

Intervalo de segurança (dias)

Marca comercial

Ingrediente ativo

Tox.

Amb.

Ceratocystis paradoxa

Cuprozeb

mancozeb + oxicloreto de cobre

WP

III

*

250 g / 100 l

21

Persist SC

mancozeb

SC

III

 

630 ml / 100 l1

21

Tecto 600

thiabendazole

WP

IV

*

40-80 g / 100 l3

   

Tecto SC

Thiabendazole*

SC

III

II

41–92 ml / 100 l

 

Colletotrichum musae

Magnate 500 CE

Imazalil*

EC

I

II

200 ml / 100 l

  

Tecto 600

thiabendazole

WP

IV

*

40-80 g / 100 l

 

Tecto SC

thiabendazole

SC

III

II

41–92 ml / 100 l

 

Deightoniella torulosa

Tecto 600

thiabendazole

WP

IV

*

40-80 g / 100 l

 

Fusarium sp.

Tecto 600

thiabendazole

WP

IV

*

40-80 g / 100 l

 

Tecto SC

thiabendazole

SC

III

II

41–92 ml / 100 l

 
Fonte: Brasil, 2002.

Apenas esses dois princípios ativos têm registro no MAPA para o tratamento de frutos na Pós-colheita

Danos e distúrbios fisiológicos

As perdas causadas pela doença podem atingir até 100% da produção, mas com vigilância permanente e erradicação de plantas afetadas, é possível conviver com a doença e mantê-la em baixa percentagem de incidência.

Controle

Como na região não há casos relatados de ocorrência de moko, a base do controle é evitar a introdução da doença, não introduzindo na área do projeto, mudas de banana ou de qualquer outra musacea, oriundas das regiões de ocorrência.


Podridão-mole

Agente causal

A podridão-mole é causada pela bactéria Erwinia carotovora subsp. Carotovora, ainda considerada de importância secundária.

Sintomas

A doença inicia-se no rizoma, causando seu apodrecimento, progredindo posteriormente para o pseudocaule. Ao se cortar o rizoma ou pseudocaule de uma planta afetada, pode ocorrer a liberação de grande quantidade de material líquido fétido, daí o nome podridão aquosa. Na parte aérea, os sintomas podem ser confundidos com aqueles do moko ou mal-do-Panamá. A planta normalmente expressa sintomas de amarelecimento e murcha das folhas podendo ocorrer quebra da folha no meio do limbo ou junto ao pseudocaule. Os sintomas são mais típicos em plantas adultas, mas tendem a ocorrer com maior severidade em plantios jovens estabelecidos em solos infectados, devido à presença de ferimentos gerados pela limpeza das mudas.

Danos e distúrbios fisiológicos

Não existem dados a respeito das perdas. Geralmente as plantas afetadas entram em colapso devido à murcha seguida de podridão provocada pela bactéria.

Controle

O controle deve observar:

  • Manejar corretamente a irrigação, de modo a evitar excesso de umidade no solo;
  • Eliminar plantas doentes ou suspeitas, procedendo-se vistorias periódicas da área plantada;
  • Utilizar, em lugares com histórico de ocorrência de doenças, mudas já enraizadas, para prevenir infecções precoces;
  • Utilizar práticas culturais que promovam a melhoria da estrutura e aeração do solo.

 

Viroses


Virose das estrias da bananeira

Esta doença é causada pelo vírus das estrias da bananeira (Banana streak virus, BSV). O vírus é transmitido de uma planta para outra pela cochonilha Planococcus citri, assim como por meio de mudas infectadas.    

O BSV produz inicialmente estrias amareladas nas folhas que posteriormente ficam escurecidas ou necrosadas (Fig. 13). Pode ocorrer a deformação dos frutos e a produção de cachos menores. As plantas apresentam menor vigor, podendo em alguns casos ocorrer a morte do topo da planta, assim como a necrose interna do pseudocaule. Geralmente os sintomas são percebidos apenas em alguns períodos do ano.

Figura 13. Folha infectada pelo virus das estrias (BSV), mostrando as estrias já em estágio necrótico.

Figura 14. Folha de planta doente, mostrando sintomas de estrias com aparecimento de mosaico, causado pelo virus do mosaico do pepino (CMV).


Mosaico, clorose infecciosa ou “heart rot”

Esta virose é causada pelo vírus do mosaico do pepino (Cucumber mosaic virus, CMV), que é transmitido por várias espécies de afídeos. A fonte de inóculo para a infecção de novos plantios provém geralmente de outras culturas ou de plantas daninhas, especialmente trapoeraba ou maria-mole (Commelina diffusa).

Os sintomas variam de estrias amareladas, mosaico, redução de porte, folhas lanceoladas, necrose do topo, assim como pode haver distorção dos frutos, com o surgimento de estrias cloróticas ou necrose interna (Fig. 14). Pode haver necrose da folha apical e do pseudocaule, quando ocorrem temperaturas abaixo de 24ºC.

Esta virose está presente nas principais áreas produtoras de bananeira, podendo provocar perdas elevadas em plantios novos, especialmente quando eles são estabelecidos em áreas com elevada incidência de trapoeraba e alta população de pulgões.


Controle das viroses

  • Utilização de mudas livres de vírus.
  • Evitar a instalação de bananais próximos a plantios de hortaliças e cucurbitáceas (hospedeiras de CMV).
  • Controlar as plantas daninhas dentro e em volta do bananal.
  • Nos plantios já estabelecidos, erradicar as plantas com sintomas.
  • Manter o bananal com suprimento adequado de água, adubação e controle de plantas daninhas e pragas, para evitar estresse.

Nematóides


Os nematóides são microrganismos tipicamente vermiformes que, em sua maioria, completam o ciclo de vida no solo. Sua disseminação é altamente dependente do homem, seja por meio de mudas contaminadas e deslocamento de equipamentos de áreas contaminadas para áreas sadias, ou por meio da irrigação e/ou água das chuvas.

A infecção por nematóides provoca redução no porte da planta, amarelecimento das folhas, seca prematura, má formação de cachos, refletindo em baixa produção e reduzindo a longevidade dos plantios. Nas raízes, podem ser observados o engrossamento e nodulações, que correspondem às galhas e massa de ovos, devido à infecção por Meloidogyne spp. (nematóide-das-galhas) ou mesmo necrose profunda ou superficial provocada pela ação isolada ou combinada das espécies Radopholus similis (nematóide cavernícola), Helicotylenchus spp. (nematóide espiralado), Pratylenchus sp. (nematóide das lesões), ou Rotylenchulus reniformis (nematóide reniforme), que são os mais freqüentes na bananicultura brasileira e mundial. Esses nematóides contribuem para a formação de áreas necróticas extensas que podem também ser parasitadas por outros microrganismos.

Os danos causados pelos fitonematóides podem ser confundidos ou agravados com outros problemas de ordem fisiológica, como estresse hídrico, deficiência nutricional, ou pela ocorrência de pragas e doenças de origem virótica, bacteriana ou fúngica, devido à redução da capacidade de absorver água e nutrientes, pelo sistema radicular. A sustentação da planta é também bastante comprometida. A diagnose correta deve ser realizada por meio de amostragem de solo e raízes e do conhecimento da variedade utilizada.

Controle

Após o estabelecimento de fitonematóides no bananal, o seu controle é muito difícil. Portanto, a medida mais eficaz é a utilização de mudas sadias, micropropagadas, e o plantio em áreas livres de nematóides. O descorticamento do rizoma combinado com o tratamento térmico ou químico, pode reduzir sensivelmente a população de nematóides nas mudas infestadas. Neste caso, após limpeza, os rizomas devem ser imersos em água à temperatura de 55oC por 20 minutos.

Em solos infestados, a utilização de plantas antagônicas, como crotalária (Crotalaria spectabilis, C. paulinea), incorporadas ao solo antes do seu florescimento, pode reduzir a população dos nematóides e favorecer a longevidade da cultura. Em pomares já instalados, a eficiência desta estratégia está relacionada principalmente ao nível populacional, tipo de solo e idade da planta, sendo recomendado o plantio dessas espécies ao redor das bananeiras. A utilização de matéria orgânica junto ao rizoma é mais benéfica que a matéria orgânica depositada entre as linhas de cultivo. Dentre os produtos químicos, registrados para a cultura da banana, encontram-se o carbofuran, ethoprophos, aldicarb e terbufos. Na Tabela 4, estão listados os produtos nematicidas com registro no MAPA e algumas informações sobre os mesmos. Outras informações podem ser obtidas no rótulo do produto comercial.

Para evitar a disseminação dos nematóides, por meio de equipamentos de desbrota ou capinas, recomenda-se a lavagem completa e a desinfestação superficial dos equipamentos com solução de formaldeído (20g/L). Esses tratos culturais devem, sempre que possível, serem iniciados em áreas de melhor condição nutricional e sanitária. Desta forma, evita-se a disseminação de pragas e doenças passíveis de serem encontradas em áreas menos vigorosas.

 

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