Embrapa Semiárido
Sistemas de Produção, 4
ISSN 1807-0027 Versão Eletrônica
Jul/2009
Sistema de Produção da Bananeira Irrigada
Autores

Sumário

Apresentação
Socioeconomia
Clima e solos
Nutrição, calagem e adubação
Cultivares
Plantio
Tratos culturais
Irrigação
Doenças
Pragas
Agrotóxicos
Colheita e pós-colheita
Mercado
Referências
Glossário

Expediente

Irrigação

Introdução

Métodos de irrigação

Necessidades hídricas

Manejo técnico de irrigação

Fertirrigação

 

Introdução

A bananeira é uma planta exigente em água e sua produtividade tende a aumentar linearmente com a transpiração, sendo que esta, por sua vez, depende da disponibilidade de água no solo, a qual poder ser controlada pela irrigação.

O uso da irrigação induz a aumentos na produtividade da cultura em, pelo menos, 40%, em comparação com a situação sem irrigação nas áreas onde já está implantada, permitindo o aumento das áreas de produção, inclusive na região semi-árida do Nordeste.

Os métodos pressurizados: aspersão, microaspersão e gotejamento são os mais utilizados. O método da aspersão molha completamente a área. Na irrigação por microaspersão, pode-se usar um ou dois microaspersores por planta ou, em plantio em fileiras duplas, um microaspersor para duas ou quatro plantas. Na irrigação por gotejamento, molha-se menor porcentagem da área. Este é o sistema de irrigação que necessita de menor volume de água e maior eficiência. A irrigação localizada (microaspersão e gotejamento) possibilita o uso da fertirrigação.

Métodos de irrigação

O método de irrigação a ser utilizado depende das condições do solo, clima, topografia, suprimento hídrico disponível e aporte tecnológico do produtor. No Nordeste brasileiro, é crescente a utilização de áreas irrigadas por microaspersão. A irrigação por aspersão convencional apresenta eficiência entre 70% e 90%, quando comparada à irrigação por sulcos; maior facilidade de manejo no campo, além de poder ser utilizada nos mais diversos tipos de solos e de topografia do terreno. Entretanto, apresenta, como desvantagens, um maior custo inicial de investimento em equipamentos, favorece uma maior infestação de plantas daninhas na área de cultivo, já que toda a superfície do solo é irrigada. Isto pode ser positivo em termos do desenvolvimento das raízes; entretanto, a área molhada de 100% pode ser uma das causas da proliferação de doenças fúngicas. Em regiões sujeitas a ventos fortes e constantes, baixa umidade relativa do ar e altas temperaturas, não se deve optar pelo sistema de aspersão sobre-copa, pelas significativas perdas de água por evaporação e arrastamento das gotas, o que torna o sistema pouco eficiente para a bananeira. Como alternativa, deve-se optar pela irrigação sub-copa. O impacto do jato da água do aspersor com o pseudocaule, apesar de não provocar lesões, afeta o coeficiente de uniformidade de distribuição e, conseqüentemente, a eficiência da irrigação.

A irrigação localizada apresenta maior eficiência relativa (85% a 95%), quando comparada com os demais métodos. A principal desvantagem desse sistema é o elevado custo inicial de investimento, em especial em relação à irrigação por sulcos.

O número de emissores por cova depende do espaçamento de plantio, do tipo de solo e, mais precisamente, do tamanho do bulbo molhado formado pelo gotejador. Quando a cultura é plantada em espaçamentos mais adensados, pode-se optar pelo gotejamento em faixa, com uma linha lateral por fileira de planta e gotejadores espaçados entre 0,30 m, para solos de texturas arenosa, e 0,50 m, para solos de textura média e argilosa. No caso de espaçamentos maiores, pode-se dispensar o uso do gotejamento em faixas e adotar dois gotejadores por cova. O método da irrigação localizada, pela maior eficiência e menor consumo de água e energia, tem sido o mais recomendado, principalmente em regiões onde o fator água é limitante. Entre os sistemas de microaspersão e gotejamento, o primeiro gera maior área molhada, permitindo um maior desenvolvimento das raízes. No caso da microaspersão, devem ser usados microaspersores de vazões superiores a 45 L/h, para quatro plantas, de forma que se obtenha maiores áreas molhadas. No uso do gotejamento, deve-se atentar para o número e disposição dos gotejadores, de forma a estabelecer-se uma área molhada propícia ao desenvolvimento das raízes. Os gotejadores podem ser instalados em uma ou duas linhas laterais por fileira de plantas, de modo a prover uma faixa molhada contínua ao longo da linha lateral. Isso reduz o problema de possíveis incompatibilidades da localização dos gotejadores em relação à localização do pseudocaule, o qual muda a cada ciclo.

A utilização da irrigação localizada tem sido preferida pelos agricultores em decorrência das suas vantagens em relação aos demais sistemas de irrigação, apesar de o seu custo de implantação ser maior inicialmente. Neste sistema, além do aumento da eficiência da aplicação de água, podem-se aplicar fertilizantes via água com baixos custos operacional e de manutenção. A aplicação de fertilizantes via água de irrigação é uma prática empregada na agricultura irrigada, constituindo-se no meio mais eficiente de nutrição, pois combina os elementos essenciais para o crescimento, desenvolvimento e produção das plantas: água e nutrientes, possibilitando maior parcelamento dos nutrientes e a redução dos custos com mão-de-obra para aplicação desses nutrientes. Por permitir maior parcelamento dos fertilizantes, é possível manter a disponibilidade dos nutrientes na solução do solo próximo aos níveis adequados, minimizando as perdas de nutrientes por lixiviação, notadamente, o nitrogênio.

Necessidades hídricas

A demanda de água pela bananeira em seu primeiro ciclo inicia-se com 45% da evapotranspiração potencial nos primeiros 70 dias, elevando-se para 85% da evapotranspiração potencial aos 210 dias (fase de formação dos frutos) e atingindo um máximo de 110% da evapotranspiração potencial aos 300 dias.

Necessidade hídrica é a quantidade de água requerida pela cultura durante o seu ciclo fenológico, de modo a não limitar o seu crescimento, o seu desenvolvimento e a sua produção, sob as condições climáticas locais. É a quantidade de água necessária para atender à evapotranspiração da cultura e, se necessário, a lixiviação do solo.

Manejo técnico de irrigação

Define-se manejo técnico de irrigação como a forma de aplicação de procedimentos técnicos, utilizando-se os mais diferentes métodos e equipamentos possíveis, visando unicamente atender à demanda hídrica da cultura, no momento adequado, sem preocupação com a viabilidade econômica dessa prática.

Em qualquer dos métodos de irrigação adotados, o manejo "técnico" da água (quando e quanto irrigar) poderá ser efetuado pela utilização de instrumentos simples como tensiômetros, que expressam a "força" com que a água está retida pelo solo e permitem estimar indiretamente a quantidade atual de água no solo, tanques evaporimétricos como o "Classe A", cujas medições possibilitam estimar a demanda evapotranspirativa da cultura, permitindo o cálculo da lâmina de irrigação a ser aplicada ao longo do ciclo da cultura. O uso de estações metereológicas automáticas também permite determinar a evapotranspiração da cultura..

Para maximizar a produtividade de frutos, as irrigações devem ser realizadas quando a tensão de água no solo estiver entre 25 e 50 kPa, sendo o menor valor para os estádios mais críticos ao déficit hídrico e/ou para irrigação por sulcos. Para gotejamento, especialmente em solos de texturas média e arenosa, as irrigações devem ser realizadas em regime de maior freqüência (10 a 20 kPa). Em termos de água disponível no solo, deve-se irrigar quando as plantas consumirem entre 40% e 70% da água total disponível no solo, sendo o menor valor para os estádios mais sensíveis ao déficit de água. No caso de gotejamento, adotar um fator de reposição de água entre 0,3 e 0,35.

Tabela 1. Coeficiente de cultura (Kc) da bananeira em regiões de clima tropical.
Mês
1
2
3
4
5
6
7
8
9
10
11
12
13
14
15
Fases
Rebroto
Floração
Colheira
Kc
0,4
0,40
0,45
0,50
0,60
0,70
0,85
1,0
1,1
1,1
0,9
0,8
0,8
0,95
1
Fonte: Coelho, et al. (2003).

Atualmente, é crescente a preocupação com a racionalização do uso da água para fins múltiplos, tais como produção agrícola - irrigação, geração de energia, indústria, consumo humano e animal, notadamente, nas regiões onde os recursos hídricos disponíveis, quer sejam superficiais ou subterrâneos, se encontram praticamente esgotados, em termos qualitativos e quantitativos, pelo menos nas épocas mais críticas do ano.

A prática da irrigação sempre foi tida como a "grande vilã" quando o assunto é uso racional dos recursos hídricos. De certa forma, essa mística é verdadeira, quando se constata que em várias áreas irrigadas, tanto públicas como privadas, não existe um programa de manejo racional da água de irrigação das diversas culturas exploradas e tampouco se verifica uma preocupação técnica com essa situação.

É inquestionável que a definição de estratégias ótimas de irrigação constitui uma ferramenta útil nos processos de planejamento e tomada de decisão em agricultura irrigada. Por suas próprias características, a princípio, os estudos visando à definição de um manejo econômico de irrigação de uma determinada cultura podem parecer pontuais. Isso não poderia deixar de ser diferente, já que as principais variáveis envolvidas no processo, tais como a função de produção água-cultura, preços dos insumos e custo da água de irrigação, são obtidas e/ou determinadas para cada situação específica. Entretanto, esses estudos podem ser perfeitamente regionalizados, desde que essas variáveis possam ser obtidas e/ou consideradas representativas para toda a área de abrangência de um perímetro de irrigação, microbacia hidrográfica ou, até mesmo, região geográfica.

O cálculo da lâmina de irrigação a ser reposta ao solo leva em conta os valores da profundidade efetiva do sistema radicular (mm) e da redução máxima permissível da disponibilidade de água no solo (decimal) sem causar redução significativa (física e econômica) na produtividade da cultura. Sugere-se usar valores para f entre 30% e 35%. Tem-se verificado que mais de 86% da extração de água pelas raízes ocorre até 0,40 m de profundidade, embora o sistema radicular, dependendo do tipo de solo, possa chegar a 2,0 m.

No caso do manejo da irrigação por meio de sensores de água no solo, como o tensiômetro, deve-se manter os níveis de tensão de água no solo entre 25 kPa e 45 kPa, para camadas superficiais do solo (até 0,25 m), e entre 35 kPa até 50 kPa, para a profundidade próxima de 0,40 m.

Um ponto a ser observado é quanto à localização dos sensores no perfil do solo. Essa localização deve estar embasada na distribuição da extração de água no volume molhado do solo, onde se situa o sistema radicular da bananeira, não adiantando instalar sensores de água no solo, onde não há absorção de água ou onde a absorção não seja significativa. Recomenda-se instalar os tensiômetros a profundidades entre 0,20 m e 0,40 m e a distâncias de 0,30 a 0,40 m da planta em direção ao microaspersor, para o caso de um micropersor para quatro plantas.

Fertirrigação

A aplicação de fertilizantes via água de irrigação proporciona o uso mais racional dos fertilizantes na agricultura irrigada, vez que aumenta a eficiência dos mesmos, reduz a mão-de-obra e o custo de energia do sistema de irrigação. Além disso, permite flexibilizar a época de aplicação dos nutrientes, que podem ser fracionados conforme a necessidade da cultura nos seus diversos estádios de desenvolvimento. Os fertilizantes são aplicados diretamente na zona de maior concentração de raízes, onde o sistema radicular é mais ativo.

A fertirrigação adapta-se a qualquer sistema de irrigação pressurizada, seja ele fixo, semi-fixo ou móvel. Porém, para alguns sistemas, a eficiência de uso do fertilizante pode ser maior. A fertirrigação é mais apropriada para sistemas de irrigação localizada devido ao fornecimento de água de maneira direta e contínua na zona radicular das plantas, possibilitando a aplicação do fertilizante onde é requerido e na quantidade correta. Isto economiza fertilizantes, mão-de-obra e mantém a planta com teores ótimos de umidade e nutrição e flexibiliza as operações na área cultivada.

A aplicação de fertilizantes via água de irrigação deve obedecer aos seguintes critérios: uniformidade de vazão do sistema de, pelo menos, 85%, nutrientes completamente solúveis, não reação entre os nutrientes de modo a formar precipitados na solução e nutrientes compatíveis com os sais existentes na água de irrigação.

A boa prática da fertirrigação requer o conhecimento das necessidades nutricionais da cultura nas diversas fases do ciclo e a disponibilidade de nutrientes no solo e na água de irrigação.

O uso da fertirrigação pode aumentar a eficiência de uso dos nutrientes pela bananeira, desde que sejam aplicados conforme a necessidade da cultura em quantidades necessárias para atender à demanda de cada fase do ciclo fenológico da cultura e de forma que na solução do solo não haja excessos que elevem o potencial osmótico ou a salinidade do solo e possibilitem a lixiviação.

No manejo adequado da fertirrigação, o ajuste das quantidades de nutrientes a serem aplicados é muito importante para o bom desenvolvimento e produtividade da cultura. Para isto, o acompanhamento do estado nutricional da cultura, através por meio da diagnose foliar, é necessário. Com os resultados da diagnose foliar e conhecendo os níveis adequados de nutrientes nas folhas, pode-se tomar a decisão de ajustar ou não a adubação.

Na irrigação localizada da bananeira, a aplicação de fertilizantes via água é feita diretamente na zona radicular, próximo do pseudocaule. A fertirrigação com uso do gotejamento diferencia-se da microaspersão, principalmente no período de crescimento vegetativo e de desenvolvimento radicular. Os microaspersores apresentam um perfil de distribuição de água, onde uma parte significativa do total de água aplicada cai no entorno do microaspersor, trazendo consigo boa parte do fertilizante aplicado, já que a concentração do mesmo na água de irrigação tende a ser a mesma em qualquer posição da área molhada pelo emissor.

A adoção da prática da fertirrigação implica em completa mudança no patamar tecnológico e na função de produção, reduz a quantidade de mão-de-obra, possibilita boa uniformidade de distribuição dos nutrientes na área e produtividade, que varia entre duas e quatro vezes, fazendo com que a lucratividade seja equivalente ao processo tradicional de derruba e queima.

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