Embrapa Semiárido
Sistemas de Produção, 4
ISSN 1807-0027 Versão Eletrônica
Jul/2009
Sistema de Produção da Bananeira Irrigada
Autores

Sumário

Apresentação
Socioeconomia
Clima e solos
Nutrição, calagem e adubação
Cultivares
Plantio
Tratos culturais
Irrigação
Doenças
Pragas
Agrotóxicos
Colheita e pós-colheita
Mercado
Referências
Glossário

Expediente

Plantio

Mudas

Importância da qualidade da muda

Produção e obtenção de mudas

Propagação vegetativa convencional

Tipos de mudas e suas características

Método Micropropagação

Considerações sobre os diferentes tipos de mudas

Plantio

A escolha da área

Preparo do solo

Calagem e adubação de fundação

Época de plantio

Formação dos talhões e carreadores

Espaçamento e densidade de plantio

Coveamento e plantio

 

Mudas
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Importância da qualidade da muda
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A multiplicação comercial da bananeira é realizada por meio de mudas obtidas a partir propagação vegetativa ou clonal. A utilização no plantio de uma muda de qualidade é fundamental para o sucesso da produção, já que a mesma deve reunir características desejadas quanto a identidade genética da variedade, vigor e estado fitossanitário. As características agronômicas e comerciais da variedade são garantidas pela pureza genética. A qualidade fitossanitária garante a ausência de pragas e doenças prejudiciais à cultura, como a broca-do-rizoma, os nematóides, o mal-do-Panamá, o moko, a podridão-mole e as viroses. O vigor da muda garante o bom pegamento e o crescimento inicial rápido da planta. Via de regra, o vigor está associado ao tamanho e a idade da muda.

Produção e obtenção de mudas
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As mudas podem ser obtidas pelo método da propagração vegetativa convencional ou por micropropagação.

Propagação vegetativa convencional
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O método consiste na retirada de parte ou de todo o rizoma ou caule subterrâneo da planta contendo uma ou mais gema(s) desenvolvida(s) – Fig. 1. As plantas que fornecerão as mudas a serem propagadas devem atender os atributos que caracterizam uma muda de qualidade. Na prática, dificilmente se consegue por esse método mudas que atendam todos os atributos de qualidade, principalmente com relação à questão fitossanitária. Portanto, recomenda-se selecionar bananais com boa produtividade e plantas características da variedade e, na medida do possível, escolher áreas cujo histórico não tenha problemas fitossanitários graves.

O ideal é que as mudas a serem produzidas por esse método sejam oriundas de plantas matrizes produzidas pelo método da micropropagação. Desta forma, mesmo as mudas convencionais poderão ter uma boa qualidade se o local de cultivo for isento das principais pragas e doenças da cultura. Outra forma de melhorar a qualidade da muda produzida pelo método convencional é, intencionalmente, estabelecer viveiros ou matrizeiros de campo com a finalidade específica de produção de mudas. Também, neste caso, é importante que o solo da área de cultivo seja isento de enfermidades e pragas da bananeira. A principal vantagem do viveiro ou matrizeiro é a redução do custo da muda de boa qualidade.

Tipos de mudas e suas características
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Chifrinho: apresenta de 20 a 30 cm de altura e tem unicamente folhas lanceoladas;

Chifre: apresentam de 50 a 60 cm de altura e folhas lanceoladas;

Chifrão: é o tipo ideal de muda, com 60 a 150 cm de altura, já apresentando uma mistura de folhas lanceoladas com folhas características de planta adulta;

Rizoma de planta adulta: são mudas com rizomas bem desenvolvidos, em fase de diferenciação floral, e que apresentam folhas largas, porém ainda jovens;

Pedaço de rizoma: tipo de muda oriundo de frações de rizoma com, no mínimo, uma gema bem intumescida e peso de 800 g;

Rizoma com filho aderido: muda de grande peso e que, devido ao filho aderido, exige cuidado em seu manuseio, de forma a evitar danos ao mesmo;

Guarda-chuva: mudas pequenas, rizomas diminutos, mas com folhas típicas de plantas adultas. Devem ser evitadas, pois além de possuírem pouca reserva, aumentam a duração do ciclo vegetativo.

Foto: Janay Almeida dos Santos-Serejo.
Figura 1. Principais tipos de mudas de bananeira. a) muda micropropagada, b) chifrão, c) chifre, d) chifrinho, e) rizoma de planta adulta, f) rizoma com filho, g) pedaço de rizoma, h) guarda-chuva.
 
Método Micropropagação
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A micropropagação ou propagação “in vitro” é uma técnica de produção de mudas realizada em laboratório, que consiste no cultivo de segmentos muito pequenos de plantas, os chamados explantes. O crescimento e multiplicação do material são realizados em meio artificial e sob condições de luminosidade, temperatura e fotoperíodo controlados.

Atualmente, o método mais empregado para a produção de mudas “in vitro” é a partir dos meristemas apicais retirados de mudas tipo chifrinho. O meristema apical e parte do próprio rizoma dessas mudas são levados para o laboratório, onde passam por diversas etapas de crescimento e multiplicação até a obtenção das mudas, que são, depois, aclimatadas, transferidas para um substrato especial e comercializadas.

As mudas obtidas por este processo são geneticamente idênticas às plantas que as originaram, são uniformes, facilitando, assim, os tratos culturais e a colheita. São, ainda, mais produtivas e evitam a disseminação de pragas e doenças. Uma outra vantagem da micropagação é que este processo permite a obtenção de milhares de mudas a partir de uma planta matriz selecionada – Fig. 2.

Foto: Moreira (1999).
Fig. 2. Muda de bananeira micropropagada.
 
Considerações sobre os diferentes tipos de mudas
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As mudas tipo pedaço de rizoma, chifrinho, chifre, chifrão, guarda-chuva e micropropagadas são normalmente utilizadas na formação de novas plantações.

A muda guarda-chuva deve ser descartada, pois seu vigor é fraco e o cacho produzido por ela é menor do que o cacho normal para a variedade em questão. Ela, que se enquadra como muda tipo rizoma inteiro, é um material que só deve ser utilizado na ausência de material propagativo de melhor qualidade.

A muda pau de lenha também pode ser usada nos programas de substituição de cultivares, sem destruição do bananal velho, mas sob o ponto de vista técnico não é recomendável.

A muda tipo pau de lenha, que já foi muito utilizada nos plantios de bananeiras em pequenas chácaras e em fundo de quintal, apresenta alguns fatores que limitam o seu uso na formação de novos bananais, tais como:

Os custos de aquisição e de transporte são altos;
A limpeza e o tratamento fitossanitário (controle do moleque-da-bananeira e nematóides) da muda são mais difíceis e demorados;
O transporte para o local de plantio é de menor rendimento, assim como a mão-de-obra de plantio, se comparados com os demais tipos de muda.

Entretanto, na renovação de plantios velhos, utilizando este tipo de muda do próprio bananal, os produtores têm a seu favor as seguintes vantagens:

Nessas mudas, o número de falhas é praticamente zero;
Há um rápido enfolhamento na planta, que, com isto, sombreia o solo, reduzindo, dessa maneira, as capinas;
Por vezes, se muito bem cuidada, ela ainda produz precocemente um pequeno cacho que, dependendo da época em que estiver sendo colhido, pode alcançar um bom valor comercial.

Entretanto, o procedimento mais recomendado para esse tipo de muda é que ao se selecionar o “filho” que irá dar início à “família”, toda a parte aérea (folhas e a inflorescência, se já houver) seja eliminada ao nível da roseta foliar.

A maior vantagem do plantio desse tipo de muda é o fato de que a produção do seu “filho” é mais precoce e quase sempre produz excelente cacho.

A muda tipo rizoma inteiro de bananeira que já tenha produzido e que mantenha um rebento bem definido, com 10 a 20 cm junto a ela, é bem precoce. Esta vantagem é parcialmente anulada, pelo fato de dela apresentar o inconveniente de não ser possível fazer a limpeza correta do rizoma, devido ao broto do filho aderido ao rizoma da planta-mãe. Dessa forma, o controle dos nematóides e da broca-do-rizoma da bananeira é prejudicado. Entretanto, este tipo de muda é recomendado, se for produzida em viveiro, onde haja controle dessas pragas.

Já mudas micropropagadas plantadas diretamente da bandeja apresentam grande rendimento de serviço e rápido desenvolvimento inicial, mas exigem muitos cuidados. Convém lembrar sempre que este tipo de muda pode ser atacada por insetos cortadores e ainda contaminada por insetos transmissores de viroses. Se elas foram plantadas inicialmente em sacos de polietileno, o rendimento do seu plantio é menor, porém raramente precisam ser replantadas.

Plantio
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A operação de plantio é um marco importante no sistema de produção da bananeira, haja vista que o sucesso do cultivo dependerá muito da correta decisão de muitas ações que antecedem o plantio propriamente dito. Entre essas ações, pode-se destacar: a escolha e o preparo da área; a drenagem, quando necessária; a calagem; a adubação de fundação; a escolha da cultivar; o tamanho dos talhões e a disposição dos carreadores; a época de plantio; o tipo de muda; o espaçamento e densidade; o tipo de cova.

A escolha da área
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Deve-se dar preferência às áreas que não ofereçam limitações para a cultura, como aquelas com problemas de drenagem, solos rasos e áreas muito declivosas (acima de 30% de declividade).

Preparo do solo
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Em áreas novas, com a presença da mata nativa, deve-se proceder à limpeza com trator de esteira apropriado para esta finalidade, evitando-se remover a camada superficial do solo, rica em material orgânico. Nas áreas já cultivadas e mesmo naquelas recém-desbravadas, é recomendável que se faça a subsolagem antes da aração. Nesta operação, pode-se utilizar uma barra com dois subsoladores, distanciados entre si de 100 a 120 cm, de modo que eles consigam atingir 50 a 60 cm de profundidade. Esta prática agrícola se torna mais importante ainda, por ocasião da reforma do bananal. Esta operação produz um grande arejamento no solo, que facilita muito o desenvolvimento das raízes e também, aumenta a capacidade de retenção de água no solo. As raízes da bananeira por si só não têm capacidade de romper camadas adensadas no perfil de solo explorado.

Após a subsolagem, procede-se ao nivelamento e destorroamento com um gradão ou Grade “V”. Após essa operação, procede-se à aração, que é feita com arado de discos, em profundidade de 30 a 40 cm. Com isto, se consegue melhorar o arejamento superficial do solo, a incorporação da matéria orgânica e das ervas-daninhas em geral, a uma boa profundidade, além de misturar as camadas de terra profunda, com os corretivos de solo aplicados em cobertura.

Calagem e adubação de fundação
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O planejamento e a execução da calagem e da adubação de fundação são satisfatoriamente realizados quando precedidos do tempo necessário da coleta e dos resultados da análise química e de fertilidade do solo. (consultar capítulo sobre nutrição, calagem e adubação da bananeira).

Época de plantio
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Na região do Submédio São Francisco, o plantio pode ser realizado em qualquer época do ano, devido às condições de clima e manejo, não há limitações de temperatura e umidade do solo para o desenvolvimento da bananeira. Entretanto, devido ao risco de tombamento causado por ventos, as plantações cujo plantio seja realizado entre os meses de junho e novembro, estarão livres do tombamento no primeiro ano.

Formação dos talhões e carreadores
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O planejamento e locação dos talhões e carreadores são importantes para facilitar as atividades de manejo do bananal e da colheita. Entre as principais atividades facilitadas pelo bom planejamento da disposição do bananal estão a aplicação de defensivos, adubação e saída dos cachos. Os talhões podem ser dimensionados com as seguintes medidas: 50 m de largura e 200 m de comprimento. Os carreadores podem ser de 8 m de largura, formando vias de acesso no sentido do maior e menor comprimento do talhão.

Espaçamento e densidade de plantio
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Os espaçamentos utilizados para o cultivo da banana estão relacionados com o clima, o porte da variedade, as condições de luminosidade, a fertilidade do solo, a topografia do terreno e o nível tecnológico dos cultivos. Para as condições do Submédio São Francisco, são recomendados os seguintes espaçamentos em função da cultivar:

Prata Anã - Densidades de 1333 a 1666 plantas por hectare, sendo indicados os seguintes espaçamentos: fileira dupla de 4,0m x 2,0m x 2,5m e 4,0m x 2,0m x 2,0m.

Pacovan - Densidades de 1111 a 1333 plantas por hectare, sendo indicados os seguintes espaçamentos: flileira dupla de 5,0m x 2,0m x 2,5m e 4,0m x 2,0m x 2,5m e fileira simples de 4,0 x 2,5 m e 5,0 x 2,5 m.

Subgrupo cavendish (banana d'água, casca verde, nanica) – Densidades de 1667 e 1860 plantas por hectare: espaçamentos de 3,0 x 2,0 m e fileira dupla de 3,76 x 1,0 x 2,26 m – sendo 3,76 m entre ruas, 1,0 m entre fileiras duplas e 2,26 m entre plantas na fileira.

Coveamento e plantio
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Em áreas não mecanizáveis, as covas são abertas manualmente, com cavador e/ou enxadas, nas dimensões de 40 cm x 40 cm x 40 cm. É muito importante que as mudas ou rizomas sejam selecionados por tamanho ou peso à medida que são plantados, de forma que após o pegamento e crescimento das mesmas, haja menor competição entre elas e facilitação dos tratos culturais. (verificar os tipos de mudas recomendadas no item mudas).

Nas áreas mecanizáveis, o coveamento pode ser substituído pelo sulcamento com equipamentos que garantam a profundidade desejada para o plantio.

È importante observar, no ato do plantio, a profundidade de colocação da muda. Deve-se buscar sempre fazer plantio da muda entre 20 e 30 cm abaixo do nível do solo. À medida que a planta se desenvolve, normalmente, ocorre o afloramento do rizoma; por isso, é importante retardar a tendência natural do afloramento do rizoma plantando a muda na profundidade citada.

Mudas micropropagadas devem ser aclimatadas antes do plantio por um período de 45 a 60 dias, por meio da exposição gradativa a luz solar direta. Esse tipo de muda exige um cuidado especial também com relação à profundidade de plantio. Neste caso, o plantio também deve ser mais profundo (o colo da planta deve ficar 15 cm abaixo do nível do solo), tomando-se o cuidado de chegar o solo no pseudocaule à medida que a planta cresce. No momento do plantio, os sacos plásticos que envolvem as mudas, devem ser cuidadosamente retirados para não danificar as raízes. Em seguida, as mesmas são colocadas na cova e adiciona-se terra misturada com adubo orgânico e fertilizante fosfatado, fechando-se a cova no final do processo. Algumas etapas do plantio são ilustradas nas Fig. 3 a 6.

Foto: Moreira (1999).
Fig. 3. Plantio e posicionamento de muda tipo pedaço de rizoma utilizada no plantio de bananeira.
 
Foto: Moreira (1999).

Fig. 4. Plantio e posicionamento de muda micropropagada utilizada no plantio de bananeira.

 
Foto: Moreira (1999).
Fig. 5. Plantio de muda tipo chifrão utilizada no plantio de bananeira.
 
Foto: Moreira (1999).
Fig. 6. Plantio da muda de rizoma de planta adulta utilizada no plantio de bananeira.
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