Embrapa Rondônia
Sistemas de Produção, 2
ISSN 1807-1805 Versão Eletrônica
Dez./2005
Cultivo da Banana em Rondônia
Autores

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Apresentação
Aspectos Climáticos
Aspectos Edáficos
Clima

Solo
Cultivares
Instalação
Nutrição e Adubação 
Pragas                      

Doenças   

Colheita

Pós-colheita

Conservação

Referências

Expediente

Instalação do Bananal

Escolha e preparo da área

Recomendam-se para o plantio de banana solos areno-argilosos, ricos em matéria orgânica, de boa profundidade, planos ou levemente inclinados e não sujeitos a inundação.

Em área de toco, a vegetação deve ser eliminada obedecendo aos métodos tradicionais de preparo de área: broca, derrubada, queimada e coivara. A broca se constitui na eliminação de cipós e árvores pequenas, sendo de grande importância, pois dela depende uma boa queimada. A queimada é prática inevitável no primeiro ano de exploração, em função da grande quantidade de restos de vegetação, pois é a maneira mais eficiente de desobstrução da área. Em áreas mecanizadas a aração deve ser feita com arado de disco ou aiveca, à profundidade de 30 cm. Em solos compactados é importante fazer a subsolagem que trará como beneficio o melhor desenvolvimento radicular da planta.

Escolhidas as cultivares e preparada à área, a instalação do plantio para fins comerciais de banana, requer que os fatores abaixo relacionados sejam considerados:

Época de plantio

A melhor época para plantio é o inicio da estação chuvosa, quando as chuvas ainda são esparsas, já que a necessidade de água pelas bananeiras são menores nos primeiros três meses seguintes ao plantio. podendo prolongar-se até o final da mesma, dependendo da umidade do solo. Deve-se evitar o plantio em períodos marcados por altos índices de pluviosidade. Nestas condições, não só o solo se encontra encharcado e mal drenado, como induz ao apodrecimento das mudas. Em cultivo irrigado o plantio pode ser realizado em qualquer época do ano.

Deve-se plantar inicialmente todas as mudas de um mesmo tipo (chifrinho), seguidas de outro tipo (chifre), e assim sucessivamente, visando uniformizar a lavoura.

Seleção e preparo das mudas

Selecionar mudas provenientes de plantas sadias e vigorosas. Evitar retirar mudas de bananais velhos, improdutivos e que apresentem sinais de pragas e doenças. As mudas podem ser classificadas em rizoma inteiro (chifrinho, chifre, chifrão e muda inteira ou alta) e pedaço de rizoma.

O preparo das mudas deve ser feito eliminando-se partes estragadas, principalmente as raízes velhas e quebradas. Tratar as mudas, mergulhando-as em uma solução com Carbofuram na dosagens de 400 ml/100 l de água, durante 15 minutos e colocá-las para secar à sombra. Após 24 horas as mudas estarão em condições de serem plantadas.

Espaçamento e densidade de plantio

O espaçamento está na dependência de dois fatores: fertilidade do solo e porte da cultivar a ser plantada.

Tabela 3. Espaçamentos para diferentes variedades, em função do porte.

Variedades

Espaçamento (m)

1) Nanica, Grande Naine, Nanicão, Prata Anã, Figo Anão e Pioneira

2,0 x 2,0; 2,5 x 2,0; 2,5 x 2,5; 3,0 x 2,0 x 2,0 e 4,0 x 2,0 x 2,0.

2) Maçã, D’Angola, Terrinha, Figo Cinza, Thap Maeo, Ouro e Caipira

3,0 x 2,0; 3,0 x 2,5 e 4,0 x 2,0 x 2,5.

3) Terra, Prata e Pacovan

3,0 x 3,0; 4,0 x 2,0; 4,0 x 3,0 e 4,0 x 2,0 x 3,0.

1) Porte baixo a médio; 2) Porte médio a alto; 3) Porte alto.

Fonte: Sistema..., 2002.

Coveamento ou sulcamento

As covas devem ser abertas nas dimensões de 30 cm x 30 cm ou 40 cm x 40 cm, de acordo com o tamanho da muda e tipo de solo, separando-se a terra da camada superficial (mais escura), da seguinte (mais amarelada). Havendo disponibilidade, aplicar 10 a 15 litros de esterco de gado e 100 g de superfosfato triplo por cova.

Plantio e replantio

O plantio é feito inicialmente com as mudas do tipo chifrinho, seguidas das do tipo chifre e assim por diante, de forma que ocorra uniformidade da brotação à colheita. O plantio da muda na cova previamente adubada, segundo a análise do solo (com o adubo bem misturado com a terra) e deve ser feito procurando-se firmá-la bem, de modo que a porção superior da muda também fique coberta por uma camada de terra não inferior a 10 cm e não superior a 20 cm. O replantio deve ser feito entre 30 a 45 dias após o plantio. Deve-se usar mudas do tipo rebento, de tamanho maior que àquele do plantio. Outro cuidado que se deve ter no replantio é a de utilizar mudas arrancadas e replantadas no mesmo dia, para manter o padrão de desenvolvimento uniforme do bananal, até a colheita.

Tratos culturais

a) Controle de plantas daninhas

Durante os cinco primeiros meses da fase de instalação, a bananeira é bastante sensível à competição das plantas daninhas, necessitando do constante coroamento em torno das touceiras e mantendo as ruas roçadas. Após esta etapa as bananeiras estão mais vigorosas e são menos sensíveis à competição, já produzindo sombra que impede ou atrasa o desenvolvimento das plantas daninhas. No bananal adulto o mato pode ser controlado apenas com o roço ou aplicação de herbicidas como o Paraquat (Gramoxone), na dosagem de 1,5 a 3,0 l/ha ou o Glifosate (Roudup), na dosagem de 4,0 a 5,0 l/ha. As aplicações de herbicidas devem ser com jato dirigido e bicos protetores do tipo "chapéu-de-napoleão", fazendo antes da aplicação um coroamento da cova.

b) Cobertura morta

Esta operação é muito importante, pois visa conter o crescimento de plantas daninhas, além de conservar a umidade e trazer benefícios para as características químicas, físicas e biológicas do solo. As folhas velhas e pseudocaules cortados oriundos da bananeira podem ser um método econômico de cobertura morta.

A utilização adubos verdes ou culturas intercalares é uma prática ainda questionável devido as raízes da bananeira serem muito superficiais. Depende da cultura a ser utilizada e do tipo de solo. A utilização de leguminosas é recomendável apenas na fase de formação de bananais em solos aluviais profundos e com boa capacidade de retenção de umidade. Em solos rasos, com deficiente capacidade de retenção de água, esta prática agrícola é desastrosa. Recomenda-se para o primeiro ano de instalação de bananal sem irrigação, o plantio de feijão-de-porco (Canavalia ensiformis) no espaço largo para melhorar as propriedades do solo, plantado-se no início das chuvas e ceifado (em qualquer fase de desenvolvimento) na estação seca (para evitar a competição por água com a bananeira) e deixado na superfície do solo.

c) Desbaste

Consiste em reduzir o número de plantas por touceiras, cuja finalidade é regular a produção de cachos, seja em quantidade, tamanho ou época de colheita. Recomenda-se conduzir o bananal, deixando-se apenas a "mãe", um "filho" e um "neto" ou a "mãe" e um ou dois seguidores ("filhos"), cortando-se os demais rentes ao solo, com terçado ou facão. Em seguida extrai-se a gema apical ou ponto de crescimento com uma ferramenta chamada de "lurdinha".

d) Eliminação do "coração"

A eliminação deverá ser feita sempre que possível por meio da quebra da ráquis masculina (rabo-do-cacho). Evitar o uso de ferramentas, pois o corte propicia maior incidência de doenças do que quando se quebra. A quebra deve ser feito por volta do 10º ao 15° dia após a abertura da última penca, deixando de 10 a 12 cm de "rabo-do-cacho" de comprimento. A quebra do coração objetiva acelerar o desenvolvimento (engrossamento) das bananas, aumentar o comprimento dos últimos "dedos" e também o peso do cacho. Além disso, favorece a diminuição de tripes, da traça das bananeiras e o ensacamento do cacho.

e) Corte do pseudocaule após a colheita

É aconselhável o corte do pseudocaule próximo ao solo, imediatamente após a colheita. Essa prática evita que o pseudocaule venha servir de fonte ou reservatório de inóculo de pragas e doenças, como também promove redução nos custos quando se compara com o corte gradual. É indispensável o uso de ferramentas desinfetadas, bem como o fracionamento imediato do pseudocaule, a fim de acelerar o seu secamento e a decomposição e incorporação da matéria orgânica.

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