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Embrapa Amazônia Oriental
Sistemas de Produção, 3
ISSN 1809-4325 Versão Eletrônica
Dez./2006
Criação de Bovinos de Corte no Estado do Pará
Sumário
Início
Apresentação
Análise retrospectiva, situação anual e visão prospectiva
Alimentação e nutrição do rebanho
Manejo de plantas daninhas de áreas de pastagens cultivadas
Estratégias de recupação de pastagens no estado do Pará
Reprodução animal
Manejo reprodutivo de bovinos de corte
Melhoramento animal
Manejo sanitário
Instalações zootécnicas
Coeficientes técnicos, custos, rendimentos e rentabilidade
Mercado e comercialização
Cadeia produtiva da pecuária de corte no estado do Pará
Referências

Glossário

Autores
Expediente

  Manejo de plantas daninhas de áreas de pastagens cultivadas
 

Introdução
A produtividade das culturas, em qualquer sistema de cultivo, está associada a
um conjunto de fatores, entre eles, os genéticos, os climáticos, os edáficos e
os relacionados com o manejo adequado das culturas, tanto sob aspectos
nutricionais e de irrigação, quanto aos que se referem ao controle de pragas,
moléstias e das plantas daninhas. A interferência promovida pelas plantas
daninhas nos cultivos agrícolas é determinada por uma série de fatores do
ambiente que direta ou indiretamente influenciam o seu crescimento,
desenvolvimento e produtividade.

As plantas daninhas surgiram de um processo dinâmico de evolução ao
adaptarem-se às perturbações ambientais provocadas pela natureza ou pelo
homem por meio da agricultura (Silva et al. 1994). Sua perpetuação, como
infestante em áreas agropecuárias, está condicionada a um compromisso entre a
plasticidade de cada indivíduo e aqueles processos que, em longo prazo,
outorgam-lhe flexibilidade adaptativa diante das eventuais modificações do
ambiente e aquelas que ocorrem em condições naturais em todo o sistema,
através do tempo (Fernandez, 1979).

Pitelli (1989) distingue dois tipos básicos de invasoras que se instalam em
pastagens: a) em pastagem bem formada, com forrageiras de alto poder de
ocupação de solo e com manejo adequado de animais, na qual as oportunidades de infestação de espécies ruderais extremas são reduzidas. As
espécies que predominam são tipicamente arbustos e árvores de pequeno porte,
não apresentando grande alocação de recursos em estruturas reprodutivas e,
portanto, suas populações crescem de maneira relativamente lenta, exigindo
controle pouco freqüente e menos rigoroso; b) em pastagens mal formadas ou
manejadas inadequadamente - como acontece com grande parte das pastagens estabelecidas na Região Amazônica - em que não há ocupação efetiva da superfície do solo, são submetidas à superlotação de animais, a competitividade da forrageira é reduzida e os distúrbios muito maiores. Com isso, predominam as espécies com características mais eletivas na reprodução, apresentando ciclo curto e com mais rápido crescimento populacional, levando à rápida degradação da pastagem.


Um dos fatores mais importantes para o sucesso da atividade pecuária é a
qualidade das pastagens, a qual é, muitas vezes, afetada em conseqüência da
ocorrência de plantas daninhas, principalmente aquelas que são tóxicas aos
animais. Tais plantas concorrem com as forrageiras em termos de luz, água,
nutrientes e espaço físico, arranham os animais, desvalorizando o couro, e são
responsáveis também, quando tóxicas, pela mortalidade de alguns animais
(Carvalho & Pitelli, 1992). Muzik (1970) salienta que as plantas invasoras
causam mais perdas e danos à agricultura do que as pragas e doenças das
plantas cultivadas, e se constituem na maior barreira para o desenvolvimento
econômico de muitas regiões do mundo. Narwal (1996) menciona que as plantas invasoras promovem, anualmente, perdas nas atividades agrícolas da ordem de 12%. Além desses aspectos, existe ainda o fato de que as plantas invasoras, na realidade, furtam a energia do homem. Holm (1971) salienta que mais energia é consumida no controle de invasoras que em qualquer outra atividade.

Na Região Amazônica, a ocorrência de plantas daninhas é considerada como o
mais sério problema de ordem biológica a ser enfrentado pelos pecuaristas,
além de ser o seu controle, um dos mais elevados componentes do custo de
produção das fazendas. O estabelecimento de estratégias que possibilitem não
só reduzir o grau de infestação das pastagens mantendo a longevidade
produtiva em longo prazo, em níveis aceitáveis de infestação, sob o ponto de
vista bioeconômico, é de fundamental importância para a sobrevivência da
atividade na região, quer em bases lucrativas, quer como agente amenizador
das insatisfações de ordem social e ambiental que esse tipo de atividade tem
despertado no âmbito nacional e internacional.

Perdas promovidas pelas plantas invasoras

Ainda que existam dados sobre perdas promovidas por invasoras em cultivos
tropicais agronômicos, estes são muito escassos em pastos tropicais, em solos férteis e completamente inexistentes nas regiões de solos ácidos e inférteis (Doll, 1979). As invasoras causam enormes perdas à produção de alimentos e fibra, como também à produção animal. Essas perdas incluem tanto a redução da produtividade das culturas e da qualidade dos produtos, por causa da competição, como a contabilização dos custos envolvidos no controle das plantas daninhas e menores índices de retorno dos investimentos aplicados. Efeitos indiretos como a redução da área agrícola e dos recursos hídricos passíveis de utilização e os impactos sobre a saúde humana, também são importantes fatores a serem considerados. Plantas invasoras em culturas forrageiras, em pastagens e em áreas não-agrícolas, apresentam um custo adicional de 2 bilhões de dólares ao ano (Bovey et al. 1984 citados por Charudattan, 1993). Na Austrália, é estimada uma perda da ordem de 4 milhões de dólares anualmente, resultante da contaminação da lã de carneiros pela invasora Xanthium pungens. Ainda nesse País, cerca de 5.000 toneladas de manteiga submetidas à classificação, anualmente, estão infectadas por invasora (Bailey, 1977).

Na Região Amazônica, especialmente nas áreas de pastagens cultivadas
praticamente são inexistente informações dando conta de perdas promovidas
pelas plantas daninhas. A principal conseqüência da infestação de pastagens por plantas daninhas é a automática redução da capacidade de suporte, com imediato reflexo na produção de carne e leite, com aumento nos custos de manutenção da pastagem e redução na lucratividade da atividade. Fica evidente a importância de se estabelecer estratégia de controle dessas plantas visando salvaguardar a competitividade da atividade e os interesses da moderna sociedade.

Características botânicas das plantas daninhas

As plantas invasoras de áreas de pastagens da Região Amazônica têm como
principais características a agressividade e a diversidade de espécies. Gonçalves et al. (1974) listam 144 plantas invasoras nos principais centros pecuários do Estado do Pará, sendo as espécies pertencentes às famílias Malvaceae, Convolvulaceae, Cyperaceae, Leguminosae, Rubiaceae e Solanaceae, as mais freqüentes. Em levantamento botânico realizado por Dantas & Rodrigues (1980), em diferentes locais, foram identificadas as famílias Leguminosae (43), Compositae (27), Gramineae (19), Euphorbiaceae (15), Cyperaceae (14), Solanaceae (13) e Bignoniaceae e Malvaceae (11 espécies identificadas) como as de maior ocorrência. Hecht (1979) relata que as comunidades de plantas invasoras incluem pelo menos 60 famílias e mais de 500 espécies.

Outra característica importante evidenciada por essas plantas diz respeito à
habilidade que possuem para se disseminarem com extrema rapidez na
pastagem. Tal fato está associado, dentre outros aspectos, à alta capacidade de produção e dispersão de sementes viáveis, proporcionando um fluxo constante e abundante de novos indivíduos na pastagem. Além disso, mesmo sob condições propícias para germinação, as sementes das plantas invasoras
normalmente ocorrem em ondas sucessivas, visando à preservação da espécie.

Deuber (1992) listou em seu trabalho uma série de bons exemplos do alto
potencial de produção de sementes de espécies de plantas daninhas, como:
Amaranthus spp. - 120.000, Solanum americanum - 178.000, Sonchus
oleracens - 400.00 sementes/planta/ano, dentre outras espécies.

Na Tabela 1, é apresentado resumo da composição florística e morfológica de
plantas daninhas que ocorrem em áreas de pastagens cultivadas no Nordeste
Paraense.


Controle de plantas invasoras

Conquanto haja um sentimento comum entre os diversos segmentos do setor
primário de que as plantas invasoras se constituem no principal problema de
ordem bioeconômica à exploração da pecuária na Amazônia, praticamente
pouco se sabe a respeito dessas plantas. Em termos de controle, as
informações estão restritas exclusivamente ao trabalho de Teixeira et al.
(1973), o que dá uma idéia da falta de informações que cerca as plantas
invasoras de pastagens da Amazônia.

As opções atuais de tecnologia existente para o controle de plantas daninhas
estão englobadas nas práticas culturais (cultivos, rotação de cultura, queima,
roçagem e competição das plantas cultivadas, dentre outros), nos herbicidas
químicos e numa, ainda pequena, terceira opção, que é o controle biológico.

Tabela 1. Resumo da composição florística e morfologia de comunidades de espécies invasoras em ecossistemas de pastagens cultivadas de B. humidicola e B. brizantha, durante todo o ano no nordeste paraense.
Composição Floristica e Morfológia
Castanhal Terra Alta Paragominas Nordeste Paraense
B. humidicola
B. brizantha
B. humidicola
B. brizantha
B. humidicola
B. brizantha
B. humidicola
B. brizantha
Família (n°/ha)
13
18
15
18
14
18
20
25
Gêneros (n°/ha)
24
30
26
32
28
32
43
43
Espécies (n°/ha)
27
38
33
40
36
37
54
64
Ciclo vegetativo:
               
-Anual (%)
14
15
22
21
21
17
19
18
-Perene (%)
86
85
78
79
79
83
81
82
Hábito de crescimento:
               
- Arbustivo (%)
41
34
30
34
29
31
34
33
- Subarbustivo (%)
29
33
33
40
37
42
33
38
Consistência da Planta:
               
- Herbácea (%)
46
52
52
42
51
39
49
45
- Lenhosa ( %)
50
44
45
53
42
50
46
49
Reprodução
38
48
53
54
60
55
50
52
- Sementes (%)
48
35
33
40
27
34
36
36
- Sementes e brotações (%)
-
1
-
-
4
6
1
2
Toxidez:
100
99
100
100
96
94
99
98
- Sim (%)
18
23
28
26
33
30
26
26
- Não (%)
82
77
72
74
67
70
74
74

Conquanto alguns métodos de controle - roçagem manual e mecânica, e mais
recentemente via herbicida - tenham sido empregados, seus efeitos têm se
mostrado momentâneos, e em pouco tempo, a pastagem está novamente
infestada de plantas invasoras que se originam das sementes que foram
produzidas pelas espécies existentes ou então introduzidas (via animais,
pássaros, ventos, etc.), passando a compor o banco de sementes; ou ainda,
pelas espécies que rebrotam após a imposição dos métodos de controle. Esse
aspecto obriga o produtor a repetir sistematicamente o processo, elevando o
custo de manutenção da pastagem. Em determinados casos, entretanto, o grau
de infestação atinge níveis tão elevados que o controle das invasoras se torna
inviável sob o ponto de vista bioeconômico, levando o produtor a abandonar a
pastagem e derrubar novas áreas de floresta, passando a praticar uma pecuária itinerante, causando problemas de ordem ecológica e insatisfações de ordem social.

Uma vez estabelecidas em um ecossistema, a erradicação de plantas daninhas
torna-se uma tarefa árdua e onerosa. Assim todas as alternativas deverão ser
consideradas quando do estabelecimento de estratégias de controle dessas
plantas, e nenhum método deverá ser pensado isoladamente como a única
solução. Métodos preventivos, cultural, químico e biológico, entre outros,
devem ser considerados.

Controle preventivo

Esse tipo de controle tem por objetivo primário impedir que plantas invasoras
se estabeleçam e se disseminem nas áreas de pastagens, onde ainda não
estejam presentes. Ele consiste na adoção de práticas agrícolas com tais
finalidades e devem fazer parte, permanentemente, do conjunto de estratégia a
ser desenvolvida ao longo do tempo com vistas a minimizar o problema das
plantas invasoras. Entre as medidas preventivas, pode-se mencionar:

• Limpeza de roupas e de calçados dos trabalhadores que circulam em áreas
infestadas.

• Limpeza cuidadosa dos tratores e dos implementos.

• Fermentação de esterco e de materiais orgânicos.

• Uso de sementes de espécies de plantas forrageiras não contaminadas.

• Isolamento de áreas e quarentena de animais oriundos de zonas infestadas.

• Evitar a introdução de plantas ornamentais que podem mais tarde migrar
para a área de pastagem.

• Adubação de reposição, com ênfase ao fósforo, para manter o nível
desejado de nutrientes no solo, suficientes para garantir o vigor e a
longevidade produtiva da pastagem.

Controle mecânico

À semelhança do controle preventivo, o controle mecânico deve ser adotado
com freqüência pelo produtor e deve ser empregado desde o momento de
implantação da pastagem. Um dos maiores benefícios desse método consiste
em evitar que as plantas invasoras entrem em fase de reprodução, o que
aumenta o potencial de infestação via banco de sementes. Assim, a intervenção deve ser sempre antes que as plantas invasoras atinjam a fase reprodutiva. Esse método pode ser realizado via roçagem manual, arranquio, roçagem mecanizada, gradagem e aração.

Controle cultural

Envolve um conjunto de procedimentos que direta ou indiretamente contribuem
para aumentar a competitividade da planta forrageira e reduzir a das plantas
invasoras. Entre esses aspectos pode-se citar a adubação correta de pastagem com fósforo, potássio e nitrogênio; utilização de espécies de plantas forrageiras bem adaptadas ao ambiente e tipo de manejo empregado pelos produtores. Espécies forrageiras com maior agressividade e capacidade de ocupar os espaços devem ter preferência àquelas de menor agressividade.

Um ponto importante para o sucesso do controle cultural é o conhecimento da
biologia das plantas que infestam a área de pastagem, notadamente da
reprodução e dispersão e da capacidade competitiva. Por exemplo, invasoras
com alta dispersão e baixa competitividade reduzem, em longo prazo, a
produção de forragem, mais do que aquelas espécies com alta competitividade
e baixa capacidade de dispersão (MaxWell & Ghersa, 1992). Outros fatores importantes a serem observados no manejo de invasoras incluem densidade,
competitividade, processos do banco de sementes e variações demográficas
(Jordan, 1992).

Um fator de suma importância com relação ao controle cultural diz respeito ao
manejo das pastagens. Pastejo bem equilibrado, envolvendo a utilização racional da forragem disponível possibilita uma melhor recuperação da pastagem e envolve baixo comprometimento da longevidade. Já o superpastejo envolve o comprometimento da rebrota do pasto, facilitando o aparecimento das plantas invasoras, notadamente via germinação das sementes existentes na área. Nesse sentido, é importante que o produtor conheça certas especificidades das plantas forrageiras que utiliza, como capacidade de rebrota, exigências nutricionais, tolerância ao pastejo intensivo e requerimento nutricional.

É importante que o produtor tenha em mente que o controle de plantas
invasoras deve ser constante e o cenário ideal a ser vislumbrado é em médio/
longo prazo. Paralelamente, negligenciar qualquer um desses fatores possibilita
a infestação de invasoras que vão onerar os custos de produção e reduzir a
lucratividade.

Controle físico

Resume-se, principalmente ao fogo e inundação.

O fogo se constituiu, até meados dos anos 1970, se não a única, mas a
principal estratégia de controle de plantas daninhas, utilizada pelos fazendeiros
na Região Amazônica. A principal razão para a adoção dessa prática era seu
baixo custo e facilidade de aplicação. Paralelamente, com a queima, há ainda a
incorporação de nutrientes via cinzas e, conseqüente, melhoria da fertilidade do
solo, embora alguns nutrientes como o enxofre e o carbono fossem perdidos
por volatilização. Outros benefícios obtidos com essa prática era a rápida
redução da infestação pelas plantas daninhas, ao mesmo tempo em que a
temperatura da queimada matava as sementes de algumas espécies de
invasoras, implicando impedimentos no fluxo de novos indivíduos. Porém, as
altas temperaturas promovidas pelas queimas são estimulantes para a
germinação de sementes de outras espécies, que têm sua dormência quebrada pela temperatura alta, favorecendo a infestação da pastagem por essas espécies.

Nos últimos anos, tem aumentado a insatisfação da sociedade por essa prática, que a relaciona com os problemas do efeito estufa (aquecimento global) pela emissão de CO2. Ao mesmo tempo, essa prática põe em risco as florestas e os reservatórios genéticos da fauna e flora amazônica, que se contrapõe aos interesses da sociedade em geral, em especial quando se reconhece que muito desses materiais genéticos ainda sequer foram estudados pelo homem. Dessa forma, a tendência que se mostra mais viável quanto à utilização dessa prática é o seu abandono, em face da necessidade de se amenizar as insatisfações de ordem social que o uso do fogo suscita.

Controle químico Consiste no uso de produtos químicos chamados herbicidas que, aplicados isoladamente ou em misturas, inibem o crescimento normal ou matam as plantas sem interesse agronômico. Esse tipo de método é considerado mais uma ferramenta à disposição do produtor no combate às plantas daninhas e não deve ser visto como um procedimento isolado ou um substituto dos demais métodos (Deuber, 1997).

Entre as muitas vantagens em se utilizar produtos químicos (herbicidas) para
controlar as plantas invasoras pode-se citar o alto rendimento na aplicação;
eficiência elevada e uniforme; controle das plantas indesejáveis sem comprometer as plantas de pastagens; efeito rápido; redução do potencial do banco de sementes; e viabilidade econômica. Entretanto, essas vantagens se contrapõem a diversos aspectos negativos da utilização desses produtos como: risco aos recursos naturais, à vida silvestre e à do próprio homem; contaminação dos produtos que fazem parte da dieta dos humanos e dos animais; afetação aos organismos benéficos; exigência de cuidados específicos durante sua aplicação; e exigência de cuidados especiais no armazenamento das embalagens.

Classificação dos herbicidas

1. Quanto à seletividade, ou seja, ao tipo de planta que
afetam, os herbicidas podem ser:

Seletivos: quando atuam em determinadas plantas sem afetar, ou afetando
pouco, as demais. Exemplo, atuam em plantas de folhas largas (dicotiledôneas)
sem afetar as de folhas estreitas (capins; monocotiledôneas). Não-Seletivo:
quando agem tanto nas plantas de folhas largas como nas de folhas estreitas.

2. Quanto ao modo de ação, os herbicidas apresentam duas configurações:

Contato: são os que agem apenas nas partes das plantas onde foram aplicados.

O seu efeito visual é quase imediato e são mais eficientes em plantas anuais e
bianuais. Sistêmico: aqueles que, uma vez absorvidos pela planta (folhas,
raízes e caules), são translocados por todas as partes da planta, matando tanto
a parte aérea como as raízes.

Herbicidas registrados para uso em pastagens, no Brasil

Atualmente, existem mais opções no mercado, com o aparecimento de novos
produtos e de outros que estão em fase de registro. Os mais recomendáveis
são: 2,4-D na forma amina, associação 2,4-D + Picloram, Fluoxipi-MHE,
Glyphosate, Paraquat, Tebuthiuron, Triclopyr e Dicamba (em fase de registro)
(Mascarenhas et al. 1999).

Precauções na aplicação dos herbicidas

Uma das primeiras medidas adotadas diz respeito ao preparo da calda a ser
aplicada. Devem-se tomar todos os cuidados com vista a evitar o contato direto
com o produto, utilizando mascaras de proteção para os olhos e nariz, bem
como vestimentas e luvas impermeáveis. É de suma importância que se faça a
calibração do pulverizador para que seja aplicado somente a dosagem
recomendada. Doses abaixo das recomendações resultam em controle
deficiente, enquanto dosagens altas, além dos prejuízos financeiros, podem
resultar em danos à pastagem e aumento dos problemas de contaminação
ambiental (Doll, 1977).

Antes da aplicação, deve ser observada a formulação do produto e a forma de
utilização. Formulações para uso imediato, como os pós-secos e grânulos
deverão ser usados sem qualquer diluição prévia. As formulações líquidas
concentradas devem ser medidas e adicionadas nos pulverizadores parcialmente cheios de água. Já os pós molháveis, primeiramente, devem ser misturados com pequena quantidade de água, até a formação de um creme homogêneo e, posteriormente, despejado no pulverizador parcialmente cheio de água.

Deve-se dar preferência aos bicos em leque, nos quais, como o próprio nome
indica, o jato de pulverização sai em forma de leque, tornando mais eficiente à
aplicação.

Resistências das plantas aos herbicidas

Entende-se por resistência a habilidade herdável de alguns biótipos de plantas,
dentro de uma população, em sobreviver à aplicação de herbicidas em doses
que normalmente controlam a espécie. Assim, a resistências implica a
sobrevivência das plantas daninhas às doses normalmente aplicadas no campo, como resultado da seleção ou da resposta genética às repetidas exposições aos herbicidas de mesmo mecanismo/local de ação. O biótipo resistente passa a enfrentar menor competição com os suscetíveis, permitindo maior sobrevivência e aumento no número daqueles indivíduos, tornando a população resistente (Christoffoleti et al. 2001) O caráter resistências das plantas daninhas é um aspecto, entre outros, de suma importância a ser observado no manejo de herbicidas utilizados no controle dessas plantas. Esse aspecto assume maior relevância quando se sabe das dificuldades que se impõem ao controle dessas plantas e do crescente aumento no número de plantas resistentes aos atuais herbicidas disponíveis no mercado, bem como das dificuldades observadas no lançamento de novos produtos capazes de fazer frente a esse problema.

Em muitos sistemas agrícolas, tem sido observado crescente aumento no
número de raças de plantas daninhas resistentes (tolerantes) aos herbicidas,
como também, mudanças na composição populacional de invasoras, em direção a espécies estreitamente correlacionadas aos cultivos que elas infestam (Jasieniuk et al. 1996; Christoffoleti et al. 1994; LeBaron, 1992). Desde
1978, tem ocorrido, em média, 9 casos novos por ano de plantas daninhas
resistentes aos herbicidas no mundo e, atualmente, existem mais de 230
biótipos resistentes a esses produtos em 42 países (Heap, 1997). Estimativas
realizadas por LeBaron (1991) mostram que só nos Estados Unidos, algo em
torno de 1 milhão de hectares estejam infestados por plantas daninhas
resistentes às triazinas e, pelo menos, 2 milhões de hectares em outros países.
Mais recentemente, Heap (1999) relacionou 218 biótipos de plantas daninhas,
distribuídas em 145 espécies, resistentes a várias classes químicas de
herbicidas, sendo que a porcentagem de plantas resistentes, no período de
1984 – 1997, era de 28% com resistência aos herbicidas inibidores da ALS; 15% às triazinas; 15% ao bipiridilos; 12% às ureias e amidas; 11% aos
inibidores da ACCase; 4% às dinitroanilinas; e o restante, distribuído em
diversas outras classes químicas. Na Tabela 2, são apresentados os números
totais de plantas daninhas, por sítio de ação, resistentes a herbicidas no
mundo.

Tabela 2. Distribuição quantitativa das espécies com biotipos resistentes no mundo por local de ação dos herbicidas.
Local de ação do herbicida
Espécies resistentes
Número
%
Inibidores de ACCase
25
10,0
Inibidores de ALS
69
27,7
Inibidores de EPSPs
03
1,2
Inibidores de FS1
21
8,4
Auxinas sintéticas
20
8,0
Inibidores de Protox
0
0
Inibidores de FS2
83
33,3
Inibidores de caroteno
01
0,4
Inibidores de parte aérea
08
3,2
Inibidores de raízes
09
3,6
Outros
09
3,6
Total
249
100
Fonte: vidal & Meroto Junior (2001)

No Brasil, esse ainda não é um problema que se pode considerar sério,
havendo poucos casos comprovados de plantas resistentes aos herbicidas
comercializados no Brasil. Dentre esses poucos casos, encontram-se biótipos
de Euphorbia heterophylla, conhecida vulgarmente como leiteira ou amendoimbravo, que é resistente à classe dos herbicidas inibidores da acetolactato sintase (ALS) (Vidal, 1997). Outra espécie apresentada como resistente é a Brachiaria plantaginea, conhecida por capim-marmelada (Cortez, 2000; Christoffoleti, 2001). Bidens pilosa ou picão-preto, como é preferencialmente conhecida, é outra espécie de planta daninha, com ocorrências em diferentes áreas agrícolas no Brasil, conhecida pela resistência a herbicidas (Gazzieiro et al. 2000). Na Região Amazônia, ainda não há relatos dando conta do aparecimento de plantas daninhas resistentes a herbicidas,

Entretanto, isso não é um indicativo de que não há, de fato, plantas com tais características nas áreas de pastagens cultivadas da região. É importante ter em mente que em muitos casos, plantas resistentes estejam presentes nas populações de campo antes mesmo de qualquer exposição aos herbicidas, embora em freqüências variáveis e extremamente baixas.

Fatores que predispõem ao desenvolvimento de plantas resistentes


A possibilidade de uma área agrícola ser infestada por indivíduos de plantas
daninhas resistentes aos produtos químicos disponíveis depende de diferentes
fatores, como a capacidade adaptativa ecológica manifestada pelos indivíduos e proliferação, longevidade e dormência das sementes da espécie ou biótipo sob seleção, freqüência de utilização de herbicidas de um único mecanismo de ação e sua persistência, eficácia do herbicida e métodos adicionais (Trezzi & Vidal, 2000; Gressel & Segel, 1990). Vidal (1997) relaciona o aparecimento de
plantas resistentes aos herbicidas a fatores associados às próprias plantas
daninhas, ao herbicida e ao manejo da cultura.

Com relação ao herbicida, o principal fator que favorece o desenvolvimento da
resistência é a utilização constante de herbicidas em um único local de ação nas plantas. Entretanto, o uso repetitivo de um mesmo herbicida para controle tem exercido alta pressão de seleção, promovendo mudanças na flora de algumas regiões. Em geral, espécies ou genótipos de uma mesma espécie que melhor se adaptam a uma determinada prática são selecionadas e multiplicam-se rapidamente (Vargas et al. 2001; Holt & LeBaron, 1990). Aspectos relativos a herbicidas altamente eficientes, herbicidas com residual prolongado e utilização intensiva de um mesmo herbicida selecionam mais rapidamente o biótipo resistente. O uso intensivo de herbicidas seletivos e específicos tem levado à resistência em espécies comuns de invasoras em muitos cultivos (Maxwell et al. 1990).

A biologia da planta daninha também pode influenciar a taxa, na qual a
resistência se desenvolve, como é o caso das plantas daninhas de ciclo anual,
que podem desenvolver resistência mais rapidamente do que as espécies
bianuais ou perenes, visto que maior número de gerações é submetido ao
agente selecionador (Monqueiro et al. 2000). Ainda com relação à biologia das
plantas, um fator importante é aquele relacionado ao local de ação dos
herbicidas. Para que os herbicidas façam efeito, é necessário que sejam absorvidos pelas folhas ou raízes para ser transportado até as células e
atravessar a membrana celular, diluindo-se no citoplasma, para, osteriormente,
atravessar as membranas do cloroplasto e, então, estar pronto para agir.

Porém, as células de algumas plantas possuem proteínas na membrana do vacúolo capazes de carrear herbicidas para o seu interior, deixando-os indisponíveis para atingir os cloroplastos e, portanto, perdendo atividade fitotóxica (Vidal & Merotto Junior, 2001). Outro importante mecanismo que as plantas lançam mão para evitar a ação dos herbicidas é a decomposição acentuada desses produtos no tempo compreendido entre a absorção do herbicida e sua entrada no cloroplasto. As informações disponíveis mostram que esse mecanismo de resistência é verificado em biótipos resistentes aos seguintes grupos de herbicidas: inibidores de ACCase, inibidores de ALS, inibidores de EPSPs, auxinas sintéticas e inibidores de FS2 (Vidal & Merotto Junior, 2001). Outro aspecto de suma importância no aparecimento de resistência é a diversidade genética. Algumas espécies possuem alta taxa natural de mutações gênicas, conferindo resistência a uma classe de herbicidas antes mesmo que ela seja aplicada no campo. Muitas vezes, a característica de resistência pode ser disseminada via pólen e das sementes, aumentando, assim, o fluxo gênico que confere resistência para áreas adjacentes (Monqueiro & Christoffoleti, 2001).

Como evitar o aparecimento de plantas resistentes


O desenvolvimento da resistência de plantas aos herbicidas pode ser evitado
pelo conhecimento dos fatores envolvidos no processo. Um exemplo desse
aspecto está associado ao entendimento dos padrões de crescimento e
desenvolvimento das plantas daninhas, o qual pode fornecer ferramentas para
detectar diferenças entre biótipos de uma mesma espécie quanto à sua
adaptabilidade (Holt & Radosevich, 1983).

Para que esse fenômeno seja evitado, é recomendada, entre outras, a rotação
de herbicidas, evitando o uso do mesmo produto (ou de outros herbicidas com
o mesmo mecanismo de ação) ao longo dos anos, O manejo deve envolver não
apenas a mudança pura e simples do herbicida, mas considera, também, o sítio
molecular de ação. Gazziero et al. (2000) estabeleceram elenco de estratégias
com vista à prevenção da resistência em plantas invasoras. A seguir, são
listadas algumas que podem ser utilizadas em áreas de pastagens cultivadas:


• Utilizar sementes com alto grau de pureza.

• Providenciar limpeza de tratores e implementos agrícolas.

• Acompanhamento da mudança das espécies de plantas daninhas na pastagem.

• Acompanhamento do resultado das aplicações dos herbicidas.

• Seguir as instruções de uso constantes no rótulo dos produtos.

• Quando possível, usar misturas formuladas ou aplicação seqüencial com herbicidas que apresentem diferentes mecanismos de ação.

• Manejo integrado de plantas daninhas, utilizando todas as práticas de controle disponíveis.

Na Tabela 3, são listadas algumas estratégias que podem ser implementadas
pelos pecuaristas, visando prevenir o aparecimento de resistências em plantas
daninhas aos herbicidas. O ideal é que essas práticas sejam adotadas,
preferencialmente, ao mesmo tempo, em conjunto, sem negligenciar qualquer
um desses aspectos.

Tabela 3. Estratégias para prevenir a evolução da resistência de plantas
daninhas aos herbicidas, em áreas de pastagens cultivas.
Categoria Estratégia
Herbicias



Rotação de herbicidas com diferentes mecanismos de ação
Aplicação sequencial de herbicidas
Associação de herbicidas com período residual parecido
Aplicação de produtos nas rebrotas com "escapes" de controle
Práticas Culturais




Manejo integrado de plantas daninhas
Rotação de métodos de controle de plantas daninhas
Rotação de métodos de preparo de solo
Acompanhamento das mudanças de flora da área
Limpeza sistemática dos equipamentos
Fonte: Vidal & Merotto Junior. (2001)

Controle biológico
Por definição, o controle biológico implica a utilização de organismos vivos
(podendo tanto ser um inseto como um fungo), que possuem a capacidade de
destruir plantas, resultando na redução, a níveis econômicos, da população de
espécies que se tornaram daninhas. Ele tem, por princípio básico, a utilização
de inimigos naturais e não levam à erradicação completa das plantas
consideradas daninhas, mas a um equilíbrio que seja recomendável
economicamente e não comprometa a sobrevivência do agente biológico
utilizado.

O controle biológico é um método natural efetivo de controle de plantas
daninhas e, assim sendo, pode ser parte de um programa integrado de controle.

Pode ser definido como o uso de organismos que destrem plantas, com
redução da população de espécies que se tornam daninhas (Frick, 1974). É
uma técnica bem estabelecida e altamente eficiente no manejo de comunidades infestantes. Envolve a utilização de organismos vivos para matar, controlar a expansão populacional ou reduzir a competitividade das plantas daninhas.

Historicamente, expressivos sucessos têm sido conseguidos com o uso de
artrópodes (especialmente insetos) e microorganismos no controle de plantas
daninhas altamente problemáticas (Ehler & Andres, 1983; Charudattan &
Deloach, 1988).

O controle biológico pode ser elevadamente satisfatório em termos financeiros,
proporcionando, em alguns casos, um retorno de 100 vezes (Charudattan,
1993) em investimentos relativamente modestos. Por esses aspectos, pode-se
avaliar que o controle biológico constitui uma tecnologia de grande potencial
para a sociedade.

Atualmente, existe um número considerável de patógenos com potencial de
utilização no controle biológico de plantas daninhas. Ennis (1982) indica a
existência de 267 plantas controladas por insetos, 43 por fitopatógenos, 6 por
nematóides, 26 por peixes e 6 por outros agentes. Exemplos de patógenos de
plantas como agentes biológicos de controle de plantas daninhas são
encontrados em diferentes trabalhos como os de Charudattan (1986), Alber
(1986) e Schubiger (1980).

Durante a última década, houve um aumento mundial no sentido do desenvolvimento de microherbicidas. Cerca de 109 espécies, subespécies ou linhagens de fungos, englobadas em 45 gêneros, estão sendo avaliadas como candidatas a herbicidas microbiológicos, contra aproximadamente 69 espécies de plantas daninhas (Charudattan, 1991 e 1993). Como resultados desses esforços, foram registrados nos Estados Unidos, na década de 1980, os microherbicidas DeViner - preparado do fungo Phytophthora palmivora, que é recomendado para o controle de Morrenia odorata na cultura de citrus (Kenney, 1986; Ridings, 1986); e o Collegor - preparado a partir do fungo Colletotrichium gloesporiodes, recomendado para o controle do angiquinho (Aeschynomene rudis), na cultura do arroz (Tebeest & Templeton, 1985; Smith, 1986; Templeton & Heiny, 1989). Um terceiro bioherbicida o BioMaltm (preparado do Colletotrychium gloesporiodes) aguardava registro até recentemente;
recomendado no controle de Malva pusilla (Mortensen, 1988).
Patógenos de plantas usados como “microherbicidas” apresentam grande
potencial para controle de “plantas de difícil controle” em agroecossistemas.
Aplicados como microherbicidas, comumente matam 95% a 100% de
determinadas plantas daninhas (Souza, 1983).

Em virtude do aumento das exigentes leis ambientais, o controle biológico está
tomando vulto como solução para o controle de plantas daninhas, problemas
onde outras medidas não são economicamente ou ambientalmente viáveis. Os
bioherbicidas também fornecem opções viáveis em áreas agrícolas e constituem um potencial para a redução do uso de agroquímicos para a agricultura, contribuindo para alimentos mais sadios e de melhor qualidade ambiental.

Finalmente, hoje se percebe que o controle biológico não fere seriamente
qualquer interesse legal ou ético da sociedade.

Vantagens do controle biológico


A principal vantagem do controle biológico é que, sendo este um método natural, não representa problemas de resíduos, o que significa a preservação dos recursos naturais disponíveis, como água, solo, alimentos e outros. Uma outra vantagem considerada é que se trata de um método de controle contínuo, havendo sempre a possibilidade de aumento da população do agente, na medida em que a população do hospedeiro ameaça aumentar. Esse método tem ainda a vantagem de não ficar restrito à área de implantação e, assim, pode se propagar por outras áreas ou mesmo atravessar a fronteira da propriedade onde fora adotado.

Desvantagens do controle biológico

A grande desvantagem do controle biológico é que ele implica a utilização de
agentes patogênicos, os quais podem representar riscos para as culturas e,
assim, se tornar um sério problema. Não há qualquer garantia de segurança de
que um determinado agente não passará a atacar as lavouras que devem
proteger. Uma outra questão que se deve ter em mente é que o controle
biológico é, em longo prazo, e não serve para solucionar um problema grave de
plantas daninhas em curto prazo. Também não leva a erradicação completa das
espécies daninhas.

Controle integrado

O controle integrado de plantas invasoras envolve, em seu aspecto mais amplo,
não apenas um conjunto de procedimentos que visem à redução do grau de
infestação da pastagem, mas, também, a adoção de diferentes estratégias que
inibam a reinfestação da área e que afetem a extrema capacidade que as
espécies de invasoras possuem de vegetar em condições adversas. Ele pode ser definido como a aplicação de vários tipos de tecnologias que se auxiliam
mutualmente do mesmo modo, e envolve seleção, integração e implementação
de controle efetivo de invasoras e leva em consideração aspectos econômicos,
ecológicos e sociológicos, devendo ser ambientalmente e sociologicamente
aceitáveis (Thill et al. 1991). Nesse sentido, é de fundamental importância que
se conheça a forma de crescimento populacional, os fatores ecológicos que
afetam a natalidade e sobrevivência, características da tabela de vida das
espécies, sistema de dispersão e presença de sistemas alternativos de
reprodução (Pitelli, 1989 e 1985). Outros fatores como a composição das
espécies, a descrição da comunidade, a auto-ecologia, a sinecologia, o papel da dinâmica dos solos, a resposta ao manejo, requerimento de fertilidade e
umidade do solo, e dormência de sementes, dentre outros, que também têm
sua importância e ainda estão por ser estudados.

Em muitos modelos de controle integrados, consideram-se aspectos relativos à: germinação de sementes da planta invasora, crescimento das plântulas; taxa de desenvolvimento da invasora; habilidade competitiva entre invasora; cultivo e
degradação do herbicida.

Métodos integrados de controle, baseados na roçagem manual, e associado ao
fogo e a doses de 2,2% e 2,7% de herbicida seletivo, aplicado na rebrota da
planta daninha, são sistemas efetivos para controlar plantas daninhas,
especialmente assa-peixe e casadinha (Dutra et al. 2002; Dutra et al. 1998;
Souza Filho et al. 1998).

Manejo do banco de sementes

O estabelecimento de estratégias que possibilitem não só reduzir o grau de
infestação das pastagens por plantas invasoras, mas, também, manter o grau
de infestação em níveis aceitáveis. Sob o ponto de vista bioeconômico é de
fundamental importância para o sucesso da exploração da pecuária na região,
não só em termos econômicos e ambiental, bem como agente amenizador das
insatisfações sociais que esse tipo de atividade tem despertado.

Em solos cultivados, os bancos de sementes apresentam um papel ecológico
extremamente importante no suprimento de novos indivíduos para as
comunidades vegetais ao longo do tempo (Carmona, 1992; Cavers & Benoit,
1989; Roberts, 1981). Dessa forma, o conhecimento dos fatores ambientais
envolvidos na germinação dessas sementes, assume aspecto relevante no
estabelecimento de uma estratégia visando à redução do grau de infestações
futuras das pastagens, com conseqüente reflexo nos custos de manutenção e
na longevidade da pastagem. As flutuações na germinação de populações de
sementes no campo são governadas por um conjunto de fatores ambientais.

Fatores climáticos como luz, temperatura e outros relacionados às
características do solo, como pH e concentração de íons como Ca, Mg, Na, K e
NO3 têm sido apresentados por diferentes autores (Everitt, 1983; Roy, 1986;
Pattnaik & Misra, 1987; Rumbaugh et al. 1993; Roberts & Benjamim, 1979;
Roberts & Totterdell, 1981; Dias Filho, 1996). A luz, independentemente do
tempo de duração, não afeta a germinação de espécies de plantas invasoras
como a malva (Urena Lobata) (Figueiredo et al. 2002).

Em termos de diferentes fatores do solo que podem afetar o desempenho das
plantas daninhas em áreas de pastagens cultivadas da Região Amazônica, o
pH, na faixa de 3 a 11; o alumínio no intervalo de 0 a 2,0 meq/100 ml; o
Cálcio até 6,0 meq/100 mL e o magnésio até 12,0 meq/100 mL não afetam a
germinação de sementes de plantas invasoras, contudo o teor de sal é
determinante (Souza Filho et al. 2001; Souza Filho et al. 1998; Souza Filho & Camarão, 1998). Quando se considera, entretanto, o comportamento
vegetativo de plantas daninhas e de plantas forrageiras, o pH tem grande
influência no padrão e densidade das espécies que compõem as pastagens.
Em condições ácidas, a capacidade competitiva das plantas daninhas é favorecida, notadamente pela maior capacidade que essas plantas possuem para absorver nutrientes do solo, comparativamente à planta forrageira Brachiaria brizantha (capim-marandu) ( Souza Filho et. al. 2002).

Além dessa limitação, as estratégias estabelecidas com vista à redução do fluxo de novos indivíduos de plantas daninhas são para área de cultivo como arroz, soja e outras. As áreas de pastagens cultivadas apresentam peculiaridades diferentes, o que torna praticamente, inviável a adoção dessas práticas nas áreas de pastagens, principalmente aquelas referentes ao pousio e rotação de cultura. Dessa forma, uma vez instalada no solo, as sementes fatalmente germinarão e, assim sendo, todas as práticas a serem adotadas são aquelas que impossibilitam a propagação das novas plantas instaladas e sua respectiva
disseminação, como algumas práticas listadas no tópico de controle preventivo.
Algumas práticas simples podem ser implementadas com bons resultados sobre o potencial de suprimento de novos indivíduos de plantas invasoras para as áreas de pastagens cultivadas. Por exemplo, a escolha da forrageira pode afetar sobremaneira esse fluxo. Em áreas de pastagens de Brachiaria brizantha, o banco de sementes é em torno de 10 vezes menor do aquele em área de pastagem de Brachiaria humidicola, de mesma idade (Silva & Dias Filho, 2001).

A alelopatia e o controle de plantas invasoras

O conhecimento das principais interações entre plantas invasoras e cultivadas
poderá ser de grande utilidade prática para se desenvolver estratégias de
controle eficiente de plantas invasoras (Altiere & Doll, 1978). Nesse sentido, a
alelopatia, fenômeno que ocorre largamente em comunidades de plantas, vem
merecendo cada vez mais atenção por parte da comunidade científica, como
estratégia de controle de invasoras (Smith, 1987; Wardle et al. 1992).
Em pastagens, a alelopatia pode se tornar um importante fator de manejo, pelo
uso de plantas que exercem um certo nível de controle sobre espécies
indesejáveis. É possível também estabelecer espécies de gramíneas e leguminosas forrageiras que não sejam alelopáticas ou que apresentem baixos
níveis de interferência alelopática entre si, resultando em pastagens mais
equilibradas, com reflexos favoráveis na produtividade e longevidade (Wardle,
1987). No entanto, existe ainda a possibilidade de identificação, isolamento e
purificação de compostos alelopáticos com potencial para a produção de
bioherbicidas, à semelhança do que acontece em países com constantes
preocupações ambientais, como é o caso da Alemanha, do Japão, da Suécia e
outros (Hatzios, 1987). Dentre outras vantagens do uso de substâncias
produzidas pelas próprias plantas no controle de plantas daninhas, está o fato
de os pesticidas originados de fontes de plantas serem mais sistêmicos e mais
facilmente biodegradáveis do que os pesticidas sintéticos (Rizvi et al. 1980).
As informações disponíveis indicam que as gramíneas forrageiras Brachiaria
humidicola (capim-quicuio-da-amazônia) e Brachioaria brizantha (capimbraquiarão), notadamente essa última produzem substâncias químicas com alto potencial de inibição da germinação de sementes e do desenvolvimento de plântulas de invasoras de folhas largas que ocorrem nas áreas de pastagens cultivas. Leguminosas forrageiras como a Pueraria phaseoloides e o feijão-deporco (Canavalia ensiformis) também possuem alto potencial como plantas deletérias de invasoras de áreas de pastagens. Essas espécies, ao comporem as pastagens cultivadas, possibilitam a formação de estandes mais puros de plantas forrageiras, possibilitando exploração mais intensiva das pastagens.

As substâncias químicas produzidas por essas plantas com propriedades
bioherbicidas são liberadas para o meio ambiente de diferentes formas como
lixiviação, exsudação radicular, volatilização e via decomposição de resíduos,
afetando, por conseguinte, as plantas em suas vizinhanças, reduzindo a
capacidade competitiva das plantas daninhas por elementos essenciais à
sobrevivência.

Síntese

• Deve-se ter em mente que as plantas daninhas de pastagens cultivadas da
Amazônia não são causa e sim conseqüência da diminuição da fertilidade do
solo, agravada pelo manejo inadequado das forrageiras.

• Além da comunidade de plantas invasoras presentes na pastagem, deve-se ter especial atenção para o banco de sementes, já depositado no solo.

• A integração racional de diversos métodos de controle é a melhor alternativa
para as pastagens da Amazônia, por causa da grande diversidade de espécies, com diferentes graus de resistência e suscetibilidade a cada medida isolada de controle.

• O controle de plantas daninhas deve envolver tanto medidas que primam pela
redução do grau de infestação, como daquelas que promovam a redução da
reinfestação da pastagem.

• Pastagens produtivas com baixo grau de infestação de plantas daninhas é uma meta a ser atingida em médio/longo prazo, com medidas de controle a serem adotadas sistematicamente.

• O fogo é uma prática a ser gradativamente abandonada pelos produtores, em
especial, por ser fator gerador de insatisfação social. Com o manejo apropriado, sua utilização é completamente dispensável.

 
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