Embrapa Pecuária Sul
Sistemas de Produção, 1
ISSN 1679-3641 Versão Eletrônica
Agosto/2008
Sistema de Criação para a Terminação de Bovinos de Corte na Região Sudoeste do Rio Grande do Sul
Vicente Celestino Pires Silveira
Sérgio Silveira Gonzaga
João Carlos Pinto Oliveira
Klecius Ellera Gomes

Sumário

Apresentação
Introdução e importância econômica
Aspectos agro e zooecológicos
Raças
Instalações
Alimentação e manejo
Reprodução
Saúde
Preparo para o mercado
Mercado e comercialização
Coeficientes técnicos
Referências
Glossário

Expediente

Alimentação e manejo


A terminação está baseada em três principais sistemas de alimentação:

(1) em campo natural e pastagem cultivada;
(2) campo natural com suplementação de alimento concentrado e
(3) pastagem cultivada com suplementação com concentrado, descritos a seguir:

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Sistema 1. Em campo natural e pastagem cultivada

No Rio Grande do Sul, a base alimentar da pecuária de corte é o campo natural, o qual é composto, na sua maioria, por espécies subtropicais de ciclo estival. Durante a primavera e até a metade do verão, os campos estão, de uma maneira geral, na sua máxima potencialidade de crescimento e qualidade, proporcionando ganhos de peso vivo de até 1,0 kg por animal por dia. A partir de fevereiro, perdem qualidade e os ganhos começam a diminuir. As baixas temperaturas dos meses de outono reduzem o crescimento das pastagens, até que estas tenham sua parte aérea crestada no inverno, por ação das geadas (Fig. 1). Os animais entram em um período de perda de peso durante o inverno. Assim, observa-se na curva de desenvolvimento dos animais, alternâncias de ganho e perda de peso, sendo necessária a utilização de alternativas de alimentação para esse período crítico.

Fonte: SALOMONI et al., 1994
Fig. 1. Produção mensal de matéria seca por hectare em campo natural no Rio Grande do Sul.

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Alternativas forrageiras para a formação de pastagens

Na escolha das espécies forrageiras devem ser levadas em consideração as condições de clima, solo e fertilidade da região. O componente "sementes", dentro dos custos de formação de uma pastagem, é um dos itens mais onerosos. Por isso, é importante a escolha de sementes com bom poder germinativo, purera varietal e livre de sementes nocivas.

A principal consorciação de espécies para a formação de pastagens cultivadas para a terminação de bovinos de corte inclui azevém (Lolium multiflorum), trevo branco (Trifolium repens) e cornichão (Lotus corniculatus). No entanto existem outras alternativas disponíveis para a escolha das espécies que podem compor as pastagens. As espécies forrageiras mais utilizadas para diminuir o déficit forrageiro do outono - inverno estão apresentadas no Quadro 1, incluindo algumas de suas características e quantidade de semente para plantio:

Quadro 1. Espécies, características e quantidade de sementes de forrageiras empregadas na formação de pastagens cultivadas

Espécie

Características

Sementes kg/ha

Gramíneas

Aveia
Avena sativa

ciclo anual de rápido crescimento para solos bem drenados

Pura: 80-100
Consorciada: 60-80

Azevém
Lolium multiflorum

ciclo anual, com ampla adaptação a diferentes tipos de solos

Pura: 30
Consorciada: 20-25

Capim lanudo
Holcus lanatus

anual e rápido crescimento inicial

Pura: 7
Consorciada: 6

Festuca
Festuca arundinacea

perene e de crescimento muito lento, boa adaptação a solos desde úmidos a bem drenados com boa fertilidade

Pura: 20-25
Consorciada: 10-15

Leguminosas

Cornichão
Lotus corniculatus

perene e com boa adaptação a solos desde textura pesada a leve, reiste bem a períodos de estiagem

Pura: 10
Consorciada: 8-10

Cornichão El Rincón
Lotus subbiflorus

ciclo anual, próprio para solos pobres, exigem inoculante específico

Pura: 4-6
Consorciada: 4

Ervilhaça
Vicia sativa

ciclo anual, solos bem drenados e férteis, funciona melhor em pastejo rotativo

Pura: 45
Consorciada: 30-35

Trevo branco
Trifolium repens

ciclo perene e exigente em fertilidade, adapta-se bem a solos desde mal drenados a bem drenados férteis

Pura: 3
Consorciada: 2-3

Trevo subterrâneo
Trifolium subterraneum

ciclo anual de rápido crescimento inicial e bom crescimento no inverno

Pura: 4
Consorciada: 4-6

Trevo vermelho
Trifolium pratense

ciclo bienal de estabelecimento rápido e menos exigente em fertilidade que o trevo branco

Pura: 8
Consorciada: 8-10

Trevo vesiculoso
Trifolium vesiculosum

ciclo anual de estabelecimento lento suscetível a solos úmidos, alto percentual de sementes duras, exige inoculante específico

Pura: 8
Consorciada: 8-10

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Época de semeadura

A semeadura deve ser efetuada, preferencialmente, no início do outono, a partir de março, podendo se prolongar até maio. O momento de semeadura é um fator importante para o êxito no estabelecimento de forrageiras de inverno, que associada à adequada adubação e à qualidade das sementes, acelera o crescimento inicial, determinando a utilização mais cedo da pastagem. Semeaduras muito tardias podem comprometer a sobrevivência de plântulas, principalmente das leguminosas, em situações de geadas severas, por apresentarem um crescimento inicial lento. Semeaduras muito precoces concorrem com o campo natural, uma vez que, nesta época, este ainda apresenta crescimento.

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Métodos de semeadura

Convencional (total): deve ser feito com grade aradora (com no máximo 10 cm de profundidade), seguida de uma ou duas passagens de grade niveladora bem travada. Com esse preparo boa parte da vegetação é eliminada. Neste sistema, o adubo é colocado no fundo do sulco e as sementes em superfície neste mesmo sulco. Como as sementes forrageiras em sua grande maioria são muito pequenas, deve-se ter cuidado com a profundidade que não deve ser superior a 5 cm. De preferência, depois desta operação, passar um rolo leve para compactar e fazer com que as sementes fiquem em contato com o solo.

Cultivo mínimo (parcial): pastejar bem a área com alta lotação de bovinos + ovinos + eqüinos; usar uma grade niveladora bem travada, passando duas vezes sobre a área, cruzando, na segunda passagem, com profundidade ao redor de 5 a 8 cm. Este preparo só escarifica a superfície, mantendo intacta grande parte da vegetação.

Semeadura direta (parcial): rebaixa-se bem o campo com a utilização de pastejo ou roçada e semeia-se em linha diretamente sobre o campo. Semeadura em cobertura: A semeadura por cobertura é feita diretamente sobre o campo já rebaixado por pastejo bovino/eqüino ou roçada, através de semeadeiras, direta a lanço como as Ciclones ou as Lellys. Neste tipo de introdução, deve-se ter bastante atenção na largura da faixa de distribuição de sementes (normalmente de oito a dez metros) sob pena de deixar faixas sem semear. Outro tipo de semeadura em cobertura é a área, feita com aviões agrícolas, após a colheita e drenagem de solos cultivados com arroz irrigado.

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Adubação

A aplicação do fertilizante pode ser realizada de diversas formas, sendo "a lanço" a mais comum. A aplicação na linha só é realizada quando são utilizadas máquinas como as renovadoras de pastagens. Também é possível utilizar ambas as formas de adubação, colocando parte do adubo na linha e parte "a lanço". A recomendação deve ser sempre precedida da análise de solo. Entretanto, existem algumas recomendações genéricas para o estabelecimento de forrageiras de inverno/primavera. Quando há necessidade de correção da acidez do solo, as recomendações de calcário aplicado em cobertura estão em torno de uma quarta parte da recomendação. A recomendação para fertilização está em torno de 80 a 120 kg/ha de P2O5, 60 a 80 kg/ha de K2O e 10 a 20 kg/ha de N (principalmente para as gramíneas).

Os fertilizantes mais utilizados são os fosfatados. Atualmente os fosfatos naturais reativos têm sido largamente utilizados em razão do menor preço e da alta eficiência agronômica. Já os fertilizantes nitrogenados, devem ser utilizados, principalmente, como ferramenta para acelerar o crescimento de pastagens. Em pastagens consorciadas de gramíneas e leguminosas, o nitrogênio é fornecido pela fixação biológica que ocorre nas raízes das leguminosas. Entretanto também nestas pastagens pode-se utilizar o fertilizante nitrogenado como estratégia para acelerar o crescimento. Os fertilizantes potássicos devem ser utilizados quando o solo for deficiente ou quando forem realizadas colheitas de sementes, feno ou silagem.

Possíveis falhas no estabelecimento de algumas espécies forrageiras de inverno/primavera, podem estar relacionadas a quantidades insuficientes ou a formas de aplicação inadequadas dos corretivos e fertilizantes. O problema tem-se agravado quando gramíneas e leguminosas são estabelecidas com o uso de máquinas de plantio direto ou as renovadoras de pastagem. Essas máquinas distribuem o fertilizante na linha, logo abaixo das sementes das gramíneas sendo que as sementes das leguminosas são colocadas a lanço sobre a linha, caindo algumas sementes nas entrelinhas, longe do fertilizante. As sementes de gramíneas, portanto, ficam mais próximas do fertilizante que as leguminosas. Esse fato acarreta uma forte concorrência das gramíneas sobre as leguminosas.

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Inoculação e peletização de sementes de leguminosas

Os Rhizobium são bactérias do solo que se caracterizam por sua habilidade de induzir a formação de nódulos nas raízes das leguminosas, estabelecendo uma simbiose: as bactérias utilizam o carbohidrato das plantas, fixam o nitrogênio do ar e o convertem em compostos nitrogenados assimiláveis pelas plantas. A maioria das leguminosas é hospedeira específica, ou seja, somente são noduladas por algumas cepas de Rhizobium, podendo ser mais ou menos eficientes na fixação de nitrogênio. A inoculação das leguminosas é de fundamental importância.

A peletização consiste em envolver a semente, depois de inoculada, com uma camada de calcário ou fosfato de rocha finamente moído. Com isto, tem-se o controle da acidez em torno da semente, além do fornecimento de alguns nutrientes à planta e da preservação do inoculante, propiciando, dessa maneira, maior flexibilidade quanto ao tempo entre a inoculação e a semeadura. Com a peletização, o inoculante mantém sua efetividade por até 20 dias, além de conferir uma certa proteção às sementes frente ao ataque de pragas.

É da máxima segurança, para a sobrevivência das bactérias, que os saquinhos com inoculante sejam armazenados em geladeira com temperaturas em torno de 5°C. O transporte deve ser feito em caixas de isopor ou em pacotes com bom isolamento. O inoculante e a semente já inoculada nunca devem ser expostos ao sol, pois perdem a sua efetividade. A técnica de inoculação e peletização está descrita no Quadro 2.

Quadro 2. Técnica de inoculação e peletização de sementes

1

Calcular as quantidades de solução aderente e de calcá rio Filler para o recobrimento das sementes* a utilizar no dia

2

Preparar um balde a solução aderente (calda açucarada** 1,5 kg de açucar, 1,5 litros de água para cada 25 kg de semente)

3

Incorporar o inoculante (evitar a formação de grumos)

4

Misturar rapidamente a semente com o inoculante + o aderente, a semente deve ficar uniformemente revestida com o inoculante

5

Pulverizar as sementes já inoculadas com calcário Filler de modo a formar pellets que lembram sagú

6

Deixar secar à sombra por duas horas

*Trevo branco: 1,5l de solução aderente, 500g de inoculante e 2,5 kg de pó Filler para a peletização de 25 kg de sementes
*Trevo vermelho, vesiculoso e comichão: 1,5l de solução aderente, 250g de inoculante e 2,5 kg de pó Filler para a peletização de 25 kg de sementes
A calda de açúcar deve ser preparada no fogo, fervendo por 30 minutos, quando começa a ficar viscosa. Após esfriar, misturar com as quantidades requeridas de inoculante e semente

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Cultura de forrageiras anuais de inverno

O cultivo de cereais anuais de estação fria tem se tornado uma alternativa muito utilizada para a produção de forragem no período de outono-inverno. A aveia tem sido a mais utilizada como forrageira entre os cereais de inverno, provavelmente por ser a única a ter espécies e variedades mais adaptadas ao pastejo e com disponibilidade de sementes para atender à demanda do mercado. Mas, apesar da aveia ter ampla difusão entre os produtores por causa da sua precocidade, a sua forragem contém baixos teores de cálcio e fósforo e a sua produção pode ser afetada pelo ataque de inúmeras pragas e doenças. Os problemas fitossanitários ocorrem com maior intensidade nesta do que em outras gramíneas forrageiras anuais. Além disto, alguns autores têm mostrado que a produção total de forragem é menor quando comparada com os outros cereais, como o centeio, a cevada e as forrageiras temperadas o Bromus e azevém. Outro fator agravante é o seu ciclo anual e a inexistência de ressemeadura natural, o que condiciona a sua utilização a um preparo anual de solo.

O azevém (Lolium multiflorum) é outra gramínea forrageira anual muito utilizada para suprir as deficiências no período de carência alimentar. Apresenta boa qualidade, boa ressemeadura natural e produção total de forragem satisfatória, porém pouco produtiva no inverno. Produções muito baixas durante o outono, aumentando lentamente a partir da segunda quinzena de julho ou da primeira de agosto, afirmando que não se pode depender da mesma para produções antes desta data. É uma gramínea fácil de implantar e de manejar. Adapta-se a quase todos os tipos de solo, preferindo os de textura média. Nos solos baixos e ligeiramente úmidos, desenvolve-se melhor que nos altos e secos. Ainda que tolere a umidade, não apresenta bom crescimento onde se encontra água acumulada. Suas raízes são muito superficiais (5 a 15 cm) e por isto é também bastante sensíveis à seca. A temperatura de crescimento ótima está situada entre os 18 e os 20°C. Paralisa o crescimento com temperaturas baixas, sendo esta a razão do pouco desenvolvimento durante o inverno e, mesmo mantendo as folhas verdes, é sensível a geadas.

O cultivo associado destas duas espécies anuais (aveia + azevém) tem se difundido muito nos últimos anos. A aveia proporciona precocidade e o azevém qualidade, prolongando o período de utilização. Com o advento do plantio direto de forrageiras, esta consociação pode ainda trazer melhores resultados aos produtores. A aveia pode ser introduzida anualmente sem preparo convencional do solo, permitindo a readubação das áreas de pastagem, enquanto o azevém, por apresentar ressemeadura natural, permanece na mistura por mais tempo. Assim, o produtor poderia utilizar a área no verão, aumentando ainda mais seu tempo útil. O campo nativo também se beneficiaria da adubação feita nas pastagens de inverno, com o aumento da produtividade e da qualificação.

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Manejo do campo natural

Os campos naturais são constituídos por um grande número de espécies de plantas, com predomínio de gramíneas. Esta vegetação é um valioso recurso natural renovável e patrimônio da sociedade, porque possui aptidão ecológica para produzir alimento volumoso de qualidade e de baixo custo para o desenvolvimento de sistemas de produção animal, contribuindo para a atividade sócio-econômica do país e para a conservação do solo, da água e da fauna.

Em função das variações de clima e solos regionais, houve a formação de diferentes tipos de campo (já apresentados em "Aspectos Agro e Zooecológicos"), com composições botânicas distintas, que demandam um manejo próprio.

O conhecimento das espécies componentes de cada tipo de campo natural e da sua condição fornece orientação sobre as práticas de manejo a serem utilizadas. Contudo, é importante monitorar as modificações promovidas na vegetação pelas práticas de manejo, e realizar alterações nas mesmas, ou acréscimo de outra, quando necessário.

As práticas de manejo que se possam recomendar para viabilizar a utilização do campo natural como recurso forrageiro em sistemas de produção animal, devem ter o compromisso de conciliar a obtenção do máximo ganho em produto animal comercializável com a conservação da pastagem no tempo.

Um dos objetivos primários no manejo de pastagens deve ser a definição da relação planta-animal e como ela afeta o desempenho do animal e o rendimento da pastagem.

O fator manipulável mais importante no sistema planta-animal, que governa as relações entre a pastagem e o desempenho animal, é a lotação, definida como o número de animais por unidade de área de pastagem, e é a alavanca propulsora e determinante da eficiência da conversão da matéria seca da pastagem em produto animal por hectare.

Como regra geral, aumentos na lotação provocam a redução no ganho por animal, mas aumentam o rendimento por área até certo ponto, quando então cai. O aumento da lotação em pastejo contínuo produz acréscimos na freqüência de desfolhação de plantas individuais, reduz a altura do resíduo da pastagem e a quantidade de forragem disponível por hectare. Em conjunto, estas respostas representam um acréscimo na intensidade de pastejo, com efeitos negativos sobre a pastagem e nos níveis de consumo e desempenho animal.

Todavia, a lotação não tem nenhuma conexão com a quantidade de forragem existente na pastagem, sendo mais apropriado utilizar uma outra expressão que reflita melhor as relações planta-animal. A oferta de forragem (OF) é a expressão que estabelece uma ligação entre a quantidade de forragem disponível e o desempenho animal. Este termo também incorpora o significado de intensidade de pastejo. Em aspectos práticos, significa quantidade (em quilogramas) de matéria seca (MS) oferecida para cada 100 kg de peso vivo (PV) por dia. A expressão mais corriqueira desta medida é feita em base percentual de peso vivo dos animais e diária. Desta forma, se ofertamos pouca forragem por animal, como por exemplo, 4kg de MS de forragem/100 kg de PV/dia, isto corresponde a uma OF de 4,0%. A intensidade de pastejo desta OF será grande, pela pouca forragem disponível por animal, afetando negativamente a pastagem e os animais. Por outro lado, ao aumentarmos a oferta de forragem por animal para 16,0%, estaremos reduzindo a intensidade de pastejo.

A OF é inteiramente controlada e manipulada pelo manejador e é o fator principal que influencia, mais que qualquer outro, a composição botânica da pastagem. A OF influencia o ganho médio/animal e o ganho animal/hectare, por afetar a qualidade, a produção, a composição botânica e a persistência da pastagem. Já a capacidade de suporte de uma pastagem é referida como a lotação animal na OF ótima, obtida a partir do ajuste da curva de crescimento da pastagem com a taxa de utilização pelos animais, refletida nos ganhos/animal e conciliados com ganho/área.

Nas OF maiores que a OF ótima, ou seja com maior oferta de forragem/animal, a intensidade de pastejo é menor com melhores ganhos de peso/animal, devido ao maior consumo de forragem e oportunidade de realizar um pastejo seletivo, colhendo forragem de melhor qualidade nutritiva. A condição da pastagem é melhor, com maiores persistência da composição botânica e produção de matéria seca e menos solo descoberto. Com a continuidade da diminuição da carga e da intensidade de pastejo (aumento da OF) o ganho/animal é reduzido, em função da velocidade de envelhecimento e perda da qualidade da forragem superar a capacidade seletiva dos animais.

Nas OF menores que a ótima, ou seja, com menor oferta de forragem/animal, a carga e a intensidade de pastejo é maior. O ganho individual é menor e o ganho/área maior em função do maior número de animais, até o ponto em que o aumento progressivo da carga animal não proporciona mais ganho/animal, pela diminuição da forragem disponível aos animais o que restringe o consumo. Além disto, a condição da pastagem é pior, com menor resíduo, que compromete a persistência das espécies, a produção de matéria seca e a cobertura do solo.

A busca de uma OF ótima está relacionada somente com o desempenho animal e não leva em consideração o ótimo para as espécies da pastagem. Em campo natural, de vegetação muito complexa, a resposta vegetal seria avaliada pelas produções de matéria seca e taxas de crescimento média aparente, o que influiria na adoção de determinada OF a se trabalhar, com vistas à manutenção da capacidade produtiva do campo e favorável composição botânica.

Para assegurar que uma determinada OF seja constante ao longo do tempo, uma alternativa é o ajuste da carga para uma área fixa de pastagem. Isto exige o ajuste periódico da carga animal segundo a disponibilidade de forragem existente e a taxa de crescimento esperada para o próximo período.

O pastejo é um fator relevante na dinâmica do ecossistema de pastagens naturais, porque os animais realizam desfolhação, pastejo seletivo, pisoteio, deposição de fezes e urina e dispersão de sementes. Cada uma destas atividades causa efeitos prejudiciais ou benéficos na pastagem, que podem alterar rápida e fortemente a sua produtividade e composição botânica.

A desfolhação é a influência mais importante do animal na pastagem, sendo definida por sua freqüência, intensidade, uniformidade e época em relação às diferentes fases de desenvolvimento das plantas.

Uma desfolhação mais freqüente e intensa (obtida com cargas altas, e OF baixas) reduz a produção de forragem, pois não só a área foliar é reduzida. Isto produz efeitos concomitantes no armazenamento de carboidratos, desenvolvimento de afilhos, crescimento de folhas e raízes, como também altera o microambiente de intensidade de luz, a temperatura e umidade do solo, os quais, por sua vez, também afetam o crescimento das plantas. A pastagem pode ser degradada nestes casos, principalmente se associada com condições de "stress" ambiental, como por exemplo um período prolongado de seca.

Por outro lado, quando a altura do pasto é baixa, diminui o tamanho do bocado e aumentam os outros componentes do comportamento ingestivo do animal - número de bocadas por minuto e tempo de pastejo - para poder compensar e tentar manter o nível de consumo, o que não é alcançado. Portanto, baixo resíduo de matéria seca, ocasiona baixo consumo de forragem e baixo desempenho. Além disso, aumenta o gasto de energia por atividade de pastejo, diminuindo o desempenho animal.

À medida que a intensidade de desfolhação vai sendo reduzida, aumentam a área foliar remanescente e a interceptação de luz pela pastagem, com reflexos na taxa de acumulação de MS e na altura do resíduo. Porém, disponibilidades muito altas de forragem podem resultar em declínio na acumulação líquida de matéria seca, devido ao sombreamento e envelhecimento do substrato inferior da pastagem, causando perdas de eficiência fotossintética das plantas. Assim, utilizações moderadas promovem resíduos em que a desfolhação é relativamente freqüente sem ser severa, permitindo a manutenção de um índice de área foliar (IAF) alto, que garante maior captação de energia luminosa, podendo incrementar a capacidade de rebrote da pastagem.

Conforme apresentado no início deste Capítulo, a produção de forragem dos campos naturais é estacional, com o maior volume e qualidade na primavera e verão, mas dependente das condições ambientais (precipitação e temperatura) de cada local e ano. Neste caso, a utilização dos campos neste período com uma lotação constante, provoca momentos de superpastoreio ou sub pastoreio, que conduzem a problemas tanto nos animais como nas pastagens, limitando a produção de carne. Com uma carga adequada, pode-se otimizar os recursos forrageiros disponíveis, dando para cada categoria o necessário para o seu correto desenvolvimento e melhor desempenho. Um bom exemplo dos possíveis resultados de desempenho animal que podem ser obtidos com o uso adequado do campo natural no período de primavera/verão (240 dias) é apresentado por FARSUL (1997), com uma produção de 146 Kg de PV/ha, com uma OF média de 13,5% e com um resíduo de forragem no campo em torno de 1400-1500 Kg de MS/ha.

Outras práticas de manejo recomendáveis para uso conjunto com o ajuste da carga animal são:

  • Realizar roçadas para a diminuição da presença de espécies indesejáveis, em tipos de campo onde as mesmas predominam, porque a liberação de espaço para as espécies de melhor qualidade, principalmente gramíneas, aumenta a produtividade destas áreas;

  • Usar o diferimento (descanso programado da pastagem) em determinadas épocas, para oportunizar a recuperação e produção de sementes das boas plantas forrageiras, garantindo sua sobrevivência, principalmente em campos que tenham sido submetidos a pastoreio constante, sem interrupções ao longo de vários anos. Para que a propagação das espécies ocorra, há a necessidade de as plantas desenvolverem-se de forma adequada, o que normalmente implica em reduzir a intensidade de utilização pelo pastejo com os animais. Existe uma estreita relação entre o desenvolvimento da parte aérea e sistema radical nas plantas herbáceas. Portanto, pastagens que são utilizadas continuadamente de forma muito intensa, apresentam reduzido crescimento da parte aérea e das raízes, prejudicando o desenvolvimento das estruturas vegetativas e reprodutivas das plantas, em muitos restringindo a ressemeadura natural. A tendência neste caso é de diminuição da cobertura vegetal, em conseqüência da maior vulnerabilidade das plantas às condições de estresse, pelo pastejo e fatores do ambiente, como secas e temperaturas extremas. Para que aconteça a ressemeadura natural e conseqüentemente a renovação de plantas, dado que mesmo as plantas perenes apresentam tempo de vida limitado, há a necessidade de se folgar o campo ou fazer diferimento de áreas de pastagens, potreiros ou invernadas;

  • Usar a adubação, principalmente fosfatada, para incrementar a fertilidade dos solos e aumentar a participação de espécies de melhor qualidade, especialmente das leguminosas. GOMES et al. (1998) observaram que Desmodium incanum (pega-pega) apresentou uma participação de apenas 0,56% na forragem em campo natural sem adubo (testemunha) e 23% de participação na matéria seca na primavera de um campo natural adubado com 500 Kg/ha de P2O5. Campos naturais adubados com 365 Kg/ha de P2O5 e avaliados por BARCELLOS et al. (1980), durante 11 anos com pastoreio contínuo com carga ajustada e durante o inverno e verão, produziram um ganho de peso vivo/ ha/ano médio de 160 kg, cerca de 73,5% a mais que o tratamento sem adubo, enquanto que PERIN (1990) avaliou através dos métodos de pastejo contínuo e rotativo e com uma OF de 8,0% do PV, durante o período de primavera-verão, uma pastagem natural melhorada com a aplicação de 340 kg/ha de P2O5 e que apresentava 19,7% de contribuição de Desmodium incanum na forragem na primavera, obtendo um ganho de PV/ha médio de 223 kg, sendo que no tratamento de pastejo contínuo o ganho de PV/ha alcançou 279 kg.

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Manejo das pastagens

O crescimento de uma planta tem origem a partir de reservas orgânicas (açúcares) armazenadas na semente ou numa parte da planta (mudas, estacas ou raízes). Após a formação das primeiras folhas, todo crescimento será conseqüência da absorção de água, de nutrientes minerais do solo e do aproveitamento da energia solar luminosa (transformação de energia solar em energia química, processo denominado de fotossíntese) na fabricação de açúcares. Após ter atingido um determinado crescimento, a planta volta a armazenar reservas orgânicas para promover o início de um novo desenvolvimento, o qual se dará depois de cortes ou pastejo que tenham deixado área foliar para um aproveitamento eficiente da luz solar. Portanto, é essencial que as forrageiras, no momento do pastejo ou corte, possuam reservas armazenadas as quais possibilitarão um novo rebrote. Elas só terão reservas, se o manejo permitir um período de descanso suficiente para promover um bom desenvolvimento foliar, capaz de possibilitar um bom aproveitamento da energia luminosa e, conseqüentemente, uma boa elaboração e acumulação de açúcares.

Pastejo contínuo com altas cargas em determinadas épocas do ano promovem o declínio da produtividade e da persistência das plantas forrageiras. Este tipo de utilização no final da primavera e metade do outono poderá diminuir em até 60% a produção de pastagens temperadas, principalmente das leguminosas.

A freqüência de corte que está sendo submetida a pastagem está determinada em função da forragem acumulada antes do pastejo. Quantidades disponíveis de 1,5 a 2,0 t/ha de MS ( um punho corresponde, a mais ou menos, 10/12 cm) durante o período de primavera/verão, são conseguidos os maiores rendimentos de forragem no inverno e no ano, melhorando também a persistência produtiva das espécies. Em contrapartida, freqüências de pastoreio em quantidades de 0,5 a 1,0 t/ha acumuladas antes do pastoreio, baixam a produtividade e persistência das leguminosas, iniciando assim a degradação da pastagem pelo aparecimento de outras plantas, normalmente invasoras.

No final de primavera e no verão deve-se evitar pastejos muito intensos pois deprimem o vigor das plantas. áreas com residual de forragem superiores a 8 cm de altura no verão possibilitam às forrageiras maior competição sobre invasoras, bem como evitam excessos térmicos na base das plantas (morte de pontos de crescimento), além de evitar um consumo excessivo de carbohidratos.

No final do verão, antes do novo rebrote das plantas, quando boas condições de umidade são registradas, deve-se fazer um pastoreio intenso e de curta duração com a finalidade de eliminar restos secos e folhas velhas para assegurar um bom rebrote. Nesta ocasião se o pastejo não for uniforme o corte poderá ser feito com roçadeiras, visando também a remoção das invasoras e outras plantas anuais que aparecerem na pastagem. Esta também é a época mais apropriada para realizar adubações de manutenção, de acordo com as recomendações do boletim de análise do solo. Logo após estas operações, a pastagem deverá ficar em descanso até o fim do outono. Este manejo permitirá uma maior produção de forragem no inverno e maior longevidade da pastagem.

O momento adequado para a entrada dos animais na pastagem é importante, visando assegurar o estabelecimento e a persistência das espécies bem como a sua otimização. De uma maneira geral, quando semeadas na época recomendada, haverá condições de pastejo cerca de 60 dias para aveia, 90 dias para o azevém para as pastagens consorciadas de gramíneas e leguminosas, de 90 a 120 dias.

O manejo recomendado para a ressemeadura natural no primeiro ano é diferir total ou parcial a área de pastagem a partir de meados de outubro a meados de novembro, quando as plantas iniciam a fase reprodutiva. Na prática, deve-se observar o início da emissão das primeiras espigas do azevém e das primeiras flores dos trevos e do cornichão. A partir do segundo ano, as exigências de manejo são no sentido de garantir a persistência das espécies e longevidade na produção da pastagem.

Há necessidade de cuidados especiais na utilização das áreas de pastagens cultivadas ou melhoradas a partir do segundo ano, durante o período de verão. Esse é um período em que as espécies cultivadas (perenes) deveriam ser mantidas em descanso para ressemeadura natural e acumular reservas para o crescimento posterior (cuidados de primeiro ano). Entretanto, quando ocorrem verões chuvosos, algumas espécies como o cornichão, o trevo branco e o vermelho continuam crescendo e, portanto acumulando forragem. Sendo assim, deve-se utilizar essa forragem, por questões econômicas e de manejo, uma vez que pode haver perdas, principalmente de folhas basais, por excesso de crescimento ou sombreamento.

O custo de formação de um hectare de pastagem consorciada (azevém + trevo branco + trevo vermelho + cornichão) varia com o preço dos insumos e do nível de tecnologia adotada. Na Tabela 1 são apresentados os custos de formação da pastagem cultivada.

Tabela 1. Custo de implantação da pastagem

Produto

Quantidade (kg e/ou l)

Preço unitário (R$)

Total (R$)

Azevém

20

1,30

26,00

Trevo vermelho

8

10,60

84,60

Trevo branco

2

10,30

20,60

Cornichão

8

5,30

42,40

Adubo SFT (kg)

200

0,45

90,00

Herbicida (L)

4

9,00

36,00

Aplicação herbicida (L de diesel/ha)

20

0,96

19,20

Adubação (L de diesel/ha)

15

0,96

14,40

Semeadura (L de diesel/ha)

15

0,96

14,40

Total (R$/ha*)

347,80

Fonte: Embrapa Pecuária Sul - 2003
* Valores em 30/04/2002 em semeadura em cobertura.
Obs.: Pastagem em cultivo convencional: eliminar os custos referentes a herbicida e incluir preparo de solo na quantidade de 60L de diesel/ha

Em pastagens de primeiro ano, consegue-se produzir cerca de 150 kg de peso vivo por hectare. No segundo ano, pode-se obter cerca de 250 a 400 kg de peso vivo por hectare. A partir do terceiro ano a produção tende a declinar. Pastagens bem manejadas têm uma vida útil produtiva de cinco anos. Além do incremento da produção de carne por hectare, outro possível beneficio econômico é a colheita de sementes.

Com animais entrando nas pastagens cultivadas dos 12 aos 15 meses de idade e retornando, posteriormente, ao campo natural, sob condições experimentais, a idade de abate dos animais foi de 26 meses, com um peso vivo médio de 472 kg, peso de carcaça de 253 kg e rendimento de carcaça quente de 54%.

Efetivamente, o tempo necessário para a terminação de novilhos depende das condições edafoclimáticas que determinam o crescimento do campo natural e das pastagens cultivadas. Com o uso de pastagens cultivadas é possível antecipar o peso ideal de abate dos novilhos em torno de 30 meses, ou seja, os animais terminados em pastagem podem ser abatidos aos 24 meses, em contraste com os terminados em campo natural, sem suplementação, que terão condição e peso de abate em torno de 50 meses. Na Figura 2 é apresentada um exemplo da evolução do peso corporal dos novilhos terminados sob estas duas condições.

Fonte: Adaptado de DEL DUCA & SALOMONI. 1987
Fig. 2. Desenvolvimento ponderal de novilhos terminados em campo natural e pastagem cultivada.

A carga animal recomendada para os dois sistemas é de 0,6 cabeças/ha e de 2 cabeças/ha, respectivamente, para campo natural somente e para campo natural e pastagem cultivada entre os meses de agosto e dezembro.

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Sistema 2. Em campo natural com suplementação

A suplementação alimentar dos animais é uma alternativa utilizada pelos produtores, para modificar a deficiência durante o período de outono-inverno. A seguir são descritas algumas alternativas de como melhorar a utilização da suplementação.

A utilização de feno, de silagem de milho ou sorgo, ou ainda de pastagem cultivada são alternativas de suplemento volumoso no inverno. Contudo, estas alternativas (silagem e feno), continuam a ter baixa expressão como suplementação de animais.

A parceria com agricultores que possuem máquinas agrícolas ou a terceirização do processo de ensilagem e fenação, é uma alternativa para os produtores de bovinos de corte terem a garantia de manutenção e pequenos ganhos de peso dos animais durante o inverno.

O uso de resíduos da agroindústria como matéria prima para a formulação de rações ou concentrados vem sendo cada. vez maior, dentro de uma idéia de aproveitamento de resíduos que, anteriormente eram subutilizados ou que até se constituíam em um problema para a sua eliminação. A utilização destes resíduos constitui também em uma forma de integração do complexo agricultura-indústria-pecuária, maximizando os ganhos e eliminando perdas econômicas daqueles segmentos. Entretanto, deve-se observar que os ruminantes são animais adaptados à utilização de forragem. O uso de grãos e subprodutos oriundos do processamento dos mesmos é uma intervenção do homem na biologia destes animais. Portanto, deve-se ter cuidados especiais no uso de rações e subprodutos na alimentação de ruminantes. Um dos princípios básicos é que a quantidade de volumoso disponível participe com no mínimo 40% do total da dieta, visando assim evitar distúrbios metabólicos.

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Arraçoamento

O arraçoamento deve ser realizado, sempre que possível, duas vezes ao dia. Este método permite um melhor aproveitamento da dieta total e do suplemento pelo animal. No entanto a mão-de-obra e praticidade podem representar entraves ao uso da prética.

Um dos problemas verificados na utilização de suplementação em ruminantes é o de distúrbios metabólicos causados, num período inicial, pela falta de adaptação da flora microbiana do rúmen, ou, posteriormente, pelo excesso de suplemento. Para mantença ou obtenção de pequenos ganhos de peso durante o inverno foi elaborada a Tabela 2, considerando um suplemento com uma qualidade de 18% de proteína bruta e 65% de NDT. O consumo total de matéria seca por dia foi estimado usando-se a fórmula do National Research Council de 1984 para gado de corte, considerando-se que a qualidade média do campo nativo no inverno é de 7% de proteína bruta e 40% de nutrientes digestíveis totais (NDT). Para ganhos maiores serão necessários níveis mais elevados de quantidade/qualidade do concentrado. O mais importante é a tomada de consciência pelo produtor de que a suplementação, em quantidades maiores, deve ser fracionada em mais de uma vez ao dia, para evitar o aparecimento de problemas metabólicos, bem como melhorar o aproveitamento da fibra disponível no campo nativo ou pastagem cultivada, proporcionado aos animais maiores ganhos de peso.

Tabela 2. Quantidade de suplementação diária segundo o peso corporal.

Peso Corporal (kg)

Total por vez (kg)*

150

0,35

200

0,65

225

0,80

250

0,90

275

1,05

300

1,15

325

1,30

350

1,50

375

1,65

400

1,80

425

1,94

450

2,10

Fonte: Embrapa Pecuária Sul - 2003
* Considerando um máximo de três vezes por dia

Para realizar o ajuste da quantidade e qualidade do suplemento necessário ao complemento da dieta animal, o produtor deve enviar amostras de volumoso (pasto no potreiro, silagem, feno) e concentrado para análise em laboratório de nutrição animal.

O farelo de arroz integral é um dos resíduos agroindústrias mais utilizados na suplementação de bovinos de corte. Entretanto, este farelo tem alto conteúdo de fósforo e portanto é necessária a adição de calcário calcítico para corrigir a relação cálcio-fósforo do mesmo. Cada 1 00 kg de suplemento deve conter 96kg de farelo de arroz integral, três de calcário calcítico e um de sal comum. Esta mistura deve ser fornecida no máximo numa proporção de 0,8% do peso do animal (0,8 kg para cada 100 kg de peso vivo), pois o alto nível de gordura do farelo de arroz poderá causar problemas metabólicos nos animais, se esta proporção não for obedecida. Além disto esta mistura não deve ser armazenada por mais de um mês.

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Manejo durante o arraçoamento

  • Formar lotes homogêneos, levando em consideração peso, idade e grau de dominância;
  • Utilizar, preferencialmente, animais mochos ou amochados; se não for possível, formar lotes separados com os animais aspados;
  • Aumentar o número de cochos, mantendo o maior afastamento possível entre estes.

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Problemas metabólicos decorrentes do uso de suplementos

Acidose

A acidose ocorre quando os animais passam de uma dieta com alto teor de fibra (baixa qualidade) para uma suplementação com alto teor de carboidratos de fácil digestão (ração, suplemento energético, etc.). Os sintomas mais freqüentes, na sua forma aguda, são o aparecimento de diarréia pastosa, diminuição da produção de saliva, o animal para de se alimentar, permanece deitado por longos períodos, podendo ocorrer a morte.

Alcalose

A alcalose ocorre quando o animal ingere grandes quantidades de proteína com alimentos deficientes em energia. Neste caso, há um aumento da produção de amônia no rúmen, levando à intoxicação animal. A alcalose apresenta os seguintes sintomas: o rúmen para de funcionar (atonia de rúmen), diarréia pastosa e escura, queda na ingestão de alimentos e hipomagnesiemia, podendo ocorrer a morte.

Hipomagnesiemia (tetania do pasto)

Ocorre na maioria das vezes na primavera por conseqüência de um distúrbio na absorção de magnésio pela parede ruminal. Os sintomas típicos são: redução da ingestão de alimentos; o animal anda vacilante, arrastando-se e separa-se do rebanho; apresenta o dorso arqueado e maxilares apertados, além de grande salivação, podendo ocorrer a morte do mesmo.

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Sistema 3. Com pastagens cultivadas e suplementação com concentrado

O uso de suplemento concentrado para animais em pastagens cultivadas passou a ser adotado pelos produtores nos últimos anos, principalmente com a finalidade de equilibrar o balanço entre a proteína e a energia na dieta, para proporcionar aumento de ganho de peso ou a taxa de lotação.

O uso estratégico do concentrado em períodos de baixo crescimento da pastagem evita a retirada dos animais, permitindo assim a terminação de um número pré-determinado de animais, conforme o planejado pelo produtor. Esta alternativa deve ser cuidadosamente estudada com relação ao custo/benefício desta decisão, além de uma análise sobre o efeito desta decisão na recuperação das pastagens.

A complementação da dieta com concentrado é uma alternativa que permite incrementar o ganho diário dos animais para a terminação em um menor período de tempo. Neste caso, é necessário o conhecimento sobre a qualidade, através de análise bromatológica da pastagem, para complementar a dieta de maneira a preencher as necessidades requeridas para o ganho desejado.

 

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