Embrapa Rondônia
Sistemas de Produção, 5
ISSN 1807-1805 Versão Eletrônica
Dez./2005
Cultivo do Café Robusta em Rondônia
Autores

Inicio 

 

Apresentação
Clima

Solos
Adubação calagem

Cultivares
Mudas sementes
Plantio                

Condução   

Plantas daninhas 

Doenças

Pragas

Colheita pós-colheita

Comercialização

Referências

Anexo

Expediente

 Recomendação de adubação e calagem para café robusta

Nutrição Mineral do Café Robusta (Coffea canephora)

A predominância de solo de baixa fertilidade natural contribui à baixa produtividade da cultura do café no estado de Rondônia. Entretanto. Outros fatores têm importância para a obtenção de produtividade máxima econômica, como: podas, variedade adequada, espaçamento, controle fitossanitário, manejo do solo entre outros.

As possíveis causas da baixa produtividade dos cafezais rondonienses são: existência de lavouras velhas ou decadentes; podas inadequadas ou faltas dessas; falta ou inadequação da adubação e calagem (adubação insuficiente; proporção de nutrientes inadequada; omissão ou aplicação indevida de calcário; mal emprego ou omissão de micronutrientes).

A exigência nutricional reflete a demanda do café por nutrientes. A exigência nutricional envolve a extração (quantidade de nutrientes que o café retira do solo e fica contida nas suas partes (raízes, caules, ramos, folhas, flores e frutos) e a exportação (parte da extração que é retirada da planta na colheita dos frutos. A literatura indica que para produzir uma saca beneficiada de café são exportados: 3,0 Kg de nitrogênio (N); 3,0 Kg de potássio (K); 936 g de cálcio (Ca); 258 g de magnésio (Mg); 168 g de enxofre (S); 156 g de fósforo (P); 9,0 g de ferro (Fe); 6,1 g de manganês (Mn); 4,0 g de boro (B); 2,5 g de cobre (Cu); 1,2 g de zinco (Zn). O nitrogênio e o potássio são os nutrientes mais exportados pela colheita, por isso esses nutrientes representam os que devem ser repostos em quantidades maiores do que os demais através da adubação.

Sintomas de Deficiência de Nutrientes

Nitrogênio: inicialmente, ocorre clorose uniforme nas folhas velhas podendo atingir as outras folhas conforme a gravidade da deficiência. Além da clorose (perda da coloração verde típica) devido a menor quantidade de cloroplastos que tende a mudar a cor verde para amarela e se continuar a deficiência pode chegar a necrose (morte do tecido vegetal) que proporcionará a queda dessas folhas, observa-se a redução do tamanho das folhas novas e alguns casos de deficiência aguda pode ocorre a seca dos ramos conhecida como Dieback. O período seco aumenta a severidade da deficiência por esse nutriente, pois a redução da umidade afeta diretamente a mineralização da matéria orgânica que a principal fonte desse nutriente.

Fósforo: os primeiros sintomas ocorrem nas folhas velhas, pois a mobilidade desse nutriente na planta é rápida. Nem sempre o primeiro sintoma de deficiência é percebido, pois a perda de brilho das folhas velhas evolui para manchas amareladas que passam para a cor pardo vermelhas e depois tornam marron arroxeadas conforme a severidade da deficiência. Associado com a morte prematura das folhas mais velhas.

Potássio: inicia-se com clorose nas margens das folhas mais velhas que com severidade da deficiência transforma em necrose, a parte central das folhas é pouco afetada entretanto essas folhas são facilmente destacadas. Podendo provocar desfolhamento do cafeeiro que contribui para má formação do fruto (frutos menores, chochos, etc) que proporciona perda de qualidade e redução na produtividade. Em certos casos, observa-se a morte dos ramos (morte descendente dos ramos). Essa deficiência é observada em solos raso (menos de 50 cm de profundidade) e não utiliza irrigação durante o período seco.

Cálcio: clorose nas folhas mais novas, iniciando nas margens e evoluindo para o centro da folha assim pode atingir a folha toda. Pode ainda apresentar pequenas áreas necróticas (cor escura indicando tecido morto). Conforme a severidade da deficiência pode causar morte da gema terminal e deformação de folhas recém lançada.

Magnésio: apresenta clorose amarelo claro mo tecido internerval (parte da folha que fica entre um e outra nervura da folha), passando de amarelo claro para amarelo avermelhado, embora que as nervuras mantêm verde. Em caso de deficiência acentuada observa-se necrose nas pontas das folhas. Esse sintoma é iniciados nas folhas mais velhas e com o agravamento da deficiência pode atingir nas folhas mais novas.

Enxofre: clorose nas folhas mais novas, encurtamento de internódios e desfolhamento.

Boro: ocorre em solos ácidos e pobre em matéria orgânica onde os sintomas mais típicos são: paralisação do crescimento dos ramos; morte de gemas terminais na ponta dos ramos e excessiva brotação no ápices das plantas que forma um aspecto de leque; folhas ficam deformadas (menores, retorcidas com bordas irregulares); abortamento de flores e morte das pontas das raízes.

Zinco: redução dos internódios, roseta de folhas nas pontas dos ramos, folhas pequenas, estreitas, de aspecto coriáceo e quebradiças; frutos menores e redução na produção. 

Manganês: ocorre em solos onde foi aplicado dose excessiva de calcário e os sintomas típicos são: folhas com margens amareladas que evolui para o amarelecimento completo e folhas mais velhas caem com facilidade como também os frutos na fase cereja. Adubação de zinco em excesso pode proporcionar deficiência de managêns. 

Avaliação da fertilidade do solo

A diagnose foliar ajuda na identificação da deficiência nutricional, entretanto a surgimento de sintomas geralmente é observado quando a deficiência é severa. A prevenção é melhor solução para garantir uma boa produtividade com qualidade. Além disso, os sintomas normalmente ocorrem de forma complexa onde a deficiência nutricional não apenas de um elemento e ainda o efeito do manejo dado a cultura como também a integração com o meio. Por isso a analise de solo e planta representam importantes ferramentas para avaliar a fertilidade do solo e estado nutricional da planta, respectivamente. Importante enfatizar que uma análise não substitui a outra, mas uma complementa a outra. Pois posso ter um solo de boa fertilidade natural, porém uma planta com estado nutricional desequilibrado. A análise de solo é mais utilizada embora que ainda existe muito produtores que ainda não utilizam, talvez por desconhecerem os seus benefícios.

Uma boa recomendação de adubação e correção do solo inicia com uma amostragem de solo correta. A coleta da amostra de solo é o passo mais importante para avaliação da fertilidade do solo, pois mal feita não como corrigir. Isso pode representar sérios prejuízos ao produtor.

O primeiro passo é uniformização da área que consiste separar áreas conforme o relevo (espigão ou chapada, encosta e baixada), histórico da área (ter o mesmo uso nos anos anteriores), textura (argilosa, média e arenosa) e coloração do solo. Importante considerar que não se recomenda uma área homogênea mais que 10 hectares ( 4 alqueires).

Após separação de áreas homogêneas, procede a coleta de amostras simples em cada área que pretender avaliar a fertilidade para correção e adubação da cultura que o produtor pretende plantar ou melhorar. A amostra simples consiste de coleta num área homogênea de interesse do produtor em vários pontos (15 a 20 pontos) retirando o mesmo volume em cada ponto e colocado numa vasilha (balde) que após a coleta de todos esses pontos é misturado e retira mais ou menos meio kilogramas (500 gramas) dessa mistura que representa a amostra composta que será enviado ao laboratório para análises. Evitar de escolha de pontos próximo a estradas, cercas, caminhos, formigueiro, estercos entre outros que podem interferir na qualidade da amostragem.

A profundidade de coleta é outro ponto importante que deve ser definido para a coleta de amostra. Recomenda-se que para instalação da cultura do café se faz em duas profundidades: 0-20 e 20-40 cm e nos outros anos apenas de 0-20 cm, entretanto em lavoura que não foi feita análise de solo é importante fazer em duas profundidades, pois a profundidade efetiva (profundidade de maior concentração de raízes no solo) é maior que os 20 cm superficiais e ainda, melhorando a fertilidade do solo nas profundidades mais profundas como 20-40cm permitirá a cultura explorar mais volume de solo. Importante lembrar quando for coleta amostras nas duas profundidades deva-se utilizar duas vasilhas (baldes) e assim terá duas amostras compostas sendo uma para a profundidade de 0-20 cm e outra 20-40cm.

A época ideal é 6 meses antes do plantio, antes do preparo do solo ou após a queimada para a formação da lavoura de café. A amostragem não deve se feita antes de 2 meses após a última a adubação, ou seja, após a colheita no caso de lavoura de café em produção. Evitar a coleta em período muito úmido, pois o solo muito úmido dificulta a homogeneização das amostras simples para obter a amostra composta. A freqüência pode variar de um a quadro ano, depende das produtividades obtidas e aparência de sintomas de deficiência ou toxidez de nutrientes.

A ferramenta para a coleta de amostra de solo pode ser uma pá, enxada, boca de lobo (cavadeira), trado entre outros. Independentemente da ferramenta, deve ter o cuidado de retirar parte das bordas para evitar contaminação da amostra e mantendo o mesmo volume por cada amostra simples como também a utilização de embalagem para enviar ao laboratório evitando o reaproveitamento de saco plástico.

Avaliação do estado nutricional do cafeeiro

Análise foliar é a ferramenta para avaliar o estado nutricional do cafeeiro que pode ser utilizada conjuntamente com a analise de solo para recomendar a adubação para essa cultura. E como qualquer análise o seu sucesso depende de uma boa amostragem. O primeiro passo é uniformização dos talhões onde serão coletados. A divisão pode ser feito aos atributos biofísicos (relevo e características do solo ) como também a cultura como idade, variedade, espaçamento entre outros.

Após dividir as áreas por talhão, procede as coletas escolhendo 25 plantas por talhão e coletando em cada planta o terceiro ou quarto par de folha a partir do ápice (ponto) do ramo em fase de produção (crescimento a granação dos frutos). A amostragem deve ser feita durante as primeiras horas da manhã (antes da nove horas) ou após das dezessete horas, evitando a coleta quando os estômatos (poros existentes na parte dorsal das folhas) estiverem abertos. Recomenda-se coletar em quatro pontos da planta (lado norte, sul, leste e oeste) na altura mediana (altura do peito), totalizando 8 folhas por plantas, ou seja, 100 folhas por talhão.

Os níveis críticos dos nutrientes que representam valores os quais o cafeeiro definiram se estão deficientes ou não. Esses níveis registrados em literatura estabelecem os seguintes valores:

Nutriente

Nível Crítico*

Deficiente a

sub-normal **

Sub-normal a normal **

Normal a excesso **

Nitrogênio

30 g/kg

18 g/kg

33 g/kg

--------

Fósforo

1,2 g/kg

1,0 g/kg

1,3 g/kg

1,5 g/kg

Potássio

21 g/kg

12 g/kg

18 g/kg

22 g/kg

Cálcio

14 g/kg

04 g/kg

08 g/kg

15 g/kg

Magnésio

3,2 g/kg

2,0 g/kg

3,0 g/kg

3,6 g/kg

Enxofre

2,4 g/kg

1,2 g/kg

1,8 g/kg

---------

Boro

48 mg/kg

20 mg/kg

35 mg/kg

90 mg/kg

Zinco

12 mg/kg

10 mg/kg

15 mg/kg

30 mg/kg

Manganês

69 mg/kg

20 mg/kg

35 mg/kg

70 mg/kg

Cobre

11 mg/kg

13 mg/kg

20 mg/kg

40 mg/kg

Ferro

131 mg/kg

40 mg/kg

70 mg/kg

200 mg/kg

Fonte: *Costa & Bragança (1996); ** (Wilson, 1985).

Outra forma de avaliar o estado nutricional é o sistema integrado de diagnose e recomendação (DRIS) que é uma técnica baseada na comparação de índices que é calculado através da relação binária (relação de dois nutrientes) entre os nutrientes. A vantagem dessa forma de interpretação do estado nutricional é independência da variação de amostragens com respeito à idade e época de amostragem para identificar os fatores nutricionais limitantes.

Correção do solo

A acidez do solo proporciona elevado teor de alumínio e ou manganês que são tóxicos e assim influenciam negativamente ao crescimento, desenvolvimento e conseqüentemente a produção dos cafezais. Portanto, a necessidade da correção do solo é fundamental nos solos ácidos e análise do solo informar ao técnico e ao produtor a quantidade de calcário que será necessário.

Entre os vários critérios existentes para recomendação da calagem, a saturação de base permite ajustar valores para diferentes espécies vegetais, considerando a estreita relação entre a percentagem de saturação de base e pH do solo. A necessidade de calcário é dada na seguinte fórmula:

NC (t/ha)= (V2 – V1) x T

PRNT

Onde: T representa a capacidade de troca catiônica(soma de H+Al+Ca+Mg+K);

V2 é saturação de base desejada para o cultura que no caso é 50%;

V1 é saturação de base atual obtida = 100x S/T;

S é a soma de base (Ca+Mg+K);

PRNT é o poder relativo de neutralização total do calcário que será utilizado.

Algumas informações são importantes para escolha do calcário como também o valor do PRNT que permitirá maior eficiência e redução de custo. O calcário é classificado segundo o teor de magnésio: calcítico (menos de 5% de MgO); magnesiano (entre 5 a 12% de MgO) e dolomítico (mais de 12% de MgO). A escolha entre esses tipos de calcário está relacionada com a disponibilidade de magnésio.

Recomenda-se não ultrapassa a recomendação de 4 a 5 t de calcário/ha/ano, caso a necessidade de calcário for superior a essa faixa deve-se parcelar a aplicação em dois anos. Aplicando maior dosagem no primeiro ano e depois a restante no próximo ano. Em solos arenosos a máxima quantidade de aplicação está na faixa de 2 a 3 t de calcário/ha/ano.

Enquanto que a aplicação deve-se metade de calcário antes da aração e a outra metade após, procurando uniformidade da aplicação possível. E no caso não for possível incorporar ou aplicar na área inteira tem as seguintes opções: aplicar no sulco de plantio ou na cova, isso é para condições de implantação da cultura.

No caso de cafeeiro em produção, a recomendação é a aplicação do gesso agrícola utilizando a seguinte fórmula :

DG (dose de gesso- kg/ha)= 75 * teor de argila (%) ( Sousa et al., 1997)

Onde: DG é dose de gesso agrícola com 15% de enxofre.

O uso do gesso no caso do estado de Rondônia é inviável economicamente, por isso existe a incorporação de grade ou arado onde promovem sérias injúrias aos cafeeiros.

Adubação

A nutrição do cafeeiro pode ser realizada de diferentes formas como: verde; orgânica e química foliar e solo. A adubação verde é uma das práticas mais recomendadas e pode ser feita : aproveitando as próprias ervas daninhas (plantas companheiras) através do uso de roçadeira ou herbicida, e a outra forma é plantando outras espécies consideradas como adubo verde (mucuna, crotalária, arachis, guandu, milheto, entre outras) que forneça uma boa palhada (matéria seca) que enriquece o solo com matéria orgânica, ajuda na retenção da umidade do solo e no controle de invasoras (plantas companheiras). Nesses casos deve-se tomar cuidados para evitar a competição com cafeeiro e o corte (eliminação) dessas plantas no período certo. Por isso o número de plantas por metro linear e o hábito de crescimento das plantas (trepadeira, arbustivo, etc) tornam-se importante informação que auxilia na escolha das espécies. Algumas dessas espécies de adubo verde também são boas armadilha para os nematóides, como exemplo a Crotalária spectabilis.

A adubação orgânica é indispensável em solos em processo de degradação ou mesmo os degradados. A forma mais racional do uso de adubação orgânica é procurar produzir o próprio adubo ou aproveitar os materiais existentes nas proximidades da fazenda como esterco de rural (bovino), palha de café, entre outros. A composição de nutrientes varia conforme a fonte como também na mesma fonte, porém a composição média de nutrientes pode ser obtida na tabela seguinte. 

Fontes

Teor de nutrientes – g/kg

Recomendação

 

N

P2O5

K2O

Kg/cova

Esterco de galinha (cama)

15

10

07

2 - 3

Esterco de galinha (gaiola)

20

20

10

1 - 2

Esterco de curral (curtido)

06

03

06

3 - 5

Esterco de suíno

05

03

04

3 - 5

Palha de café

17

01

32

2 - 3

Fontes: Adaptado de Mattielo (1991) e Malavolta (1993).

 Formação de mudas

A produção de mudas recomenda-se a seguinte formulação: 

Composição

Unidade

Quantidade

Terra de subsolo (aterro)

m3

0,7-0,8

Esterco decurral curtido*

m3

0,3

Palha de café*

m3

0,2

Calcário dolomítico

kg

1,0-2,0

Fósforo (P2O5)

kg

1,0

Potássio (K2O)

kg

0,5

Micronutrientes (FTE-BR12)**

kg

0,2

* escolher um desses; ** é opcional.

 Adubação de plantio

Conforme o resultado da análise de solo e utilizando a tabela abaixo, estabelece a recomendação para adubação de fósforo, potássio e alguns micronutrientes como zinco e boro.

Níveis de P2O5, K2O, Zn e B para o plantio:  

Nutrientes

Análise solo

g/cova

<10 mg/dm3

40

P(Melich-1)

10 – 20 mg/dm3

P2O5

30

>20 mg/dm3

20

< 0,15 cmolc/dm3

20

K (trocável)

0,15 – 0,30 cmolc/dm3

K2O

10

>0,30 cmolc/dm3

0

0 – 0,2 mg/dm3

1

B (Água quente)

0,21 – 0,60 mg/dm3

B

0,5

> 0,60 mg/dm3

0

0 – 0,5 mg/dm3

2

Zn (Melich-1)

0,6 -1,2 mg/dm3

Zn

1

> 1,2 mg/dm3

0

Fonte: Veneziano (2000)

O preenchimento das covas durante o plantio pode-se utilizar o esterco de curral (curtido), além da adubação de plantio. Considerando o teor de matéria orgânico obtido na análise de solo recomenda-se: matéria orgânica menor que 20 g/kg aplicar 10 litros/cova; entre 20 a 30 g/kg aplicar 6 litros/cova; e maior que 30 g/kg aplicar 2 litros/cova. Isso é, quando houver disponibilidade desse adubo orgânico. Caso for possível usar essa adubação orgânica não precisa de adubar com nitrogênio. 

Após o pegamento das mudas procede a adubação de cobertura que consiste aplicação dos adubos ao redor da planta numa distância de 10 cm do caule. No caso que não foi aplicado o adubo orgânico recomenda-se aplicar 4 g de nitrogênio/planta de dois a três vezes durante o período chuvoso. 

No primeiro ano após o plantio aplicar 6 g de nitrogênio/planta, repetindo por duas a três vezes e ainda 4 g de potássio/planta por duas vezes durante o período chuvoso. E no segundo ano aplicar o dobro da recomendada do primeiro ano para nitrogênio e potássio. 

  Adubação de produção

A partir do terceiro ano a recomendação de adubação será efetuada com base na análise do solo e análise foliar em função da produção esperada. A tabela abaixo apresenta a recomendação de adubação: 

Prod.

N nas folhas (g/kg)

P Melich-1 (mg/dm3)

K trocável (cmolc/dm3)

Sc/ha

<25

25-30

>30

<10

10-20

>20

<0,15

0,15-0,30

>0,30

<10

90

60

45

20

20

0

60

40

20

10 – 20

120

80

60

30

20

0

90

60

30

20 – 30

150

100

75

40

20

0

120

80

40

30 – 40

180

120

90

50

30

0

150

100

50

40 – 50

210

140

105

60

40

20

180

120

60

50 – 60

240

160

120

70

50

30

210

140

70

60 – 70

270

180

135

80

60

40

240

160

80

>70

300

200

150

90

70

50

270

180

90

Fonte: Veneziano (2000)

No caso da impossibilidade de obter o resultado de nitrogênio pela análise foliar, pode-se utilizar o teor de matéria orgânica utilizando o teores de menor de 20g/kg; 20 a 30 g/kg e maior 30g/kg (matéria orgânica) no lugar dos teores de folhas <25; 25-30 e >30 g/kg.

A produtividade esperada deve levar em condição a condução da cultura como o potencial genético; manejo (espaçamento, poda, controle fitossanitário, irrigação); solo (textura, profundidade); idade das plantas e o clima da região.

A recomendação para micronutrientes (boro e zinco) é definida na tabela abaixo conforme o resultado na análise do solo.

Nutrientes

Análise de solo

kg/ha

 

0 – 0,20 mg/dm3

2

B

0,21 – 0,60 mg/dm3

1

 

> 0,60 mg/dm3

0

     
 

0 - 0,5 mg/dm3

2

Zn

0,6 - 1,2 mg/dm3

1

 

> 1,5 mg/dm3

0

Fonte: Veneziano (2000)

A aplicação da adubação recomenda conforme estabelece as tabelas apresentadas deve-se realizar da seguinte forma: parcelar a adubação de nitrogênio em quatro vezes e potássio em duas vezes durante o período chuvoso enquanto que os demais (fósforo, boro e zinco) devem ser aplicados em uma só vez, durante o primeiro parcelamento da adubação nitrogenada e potássica. 

A escolha do adubo, independentemente do tipo de adubo, simples ou formulado (composto de mais de um adubo simples), dependerá: preço incluindo o frete devido a distância das industrias de fertilizantes; o teor do nutriente na fração disponível ou solúvel em água e ou ácido fraco; e presença de elementos tóxicos como cádmio, chumbo entre outros metais pesados ou elementos radioativos. 

A aplicação dos adubos deve ser na projeção da copa podendo ser aplicado ao redor da planta ou parcial, esse último caso deve-se aplicar uma num lado e a outra no outro lado da planta. Assim, permite a distribuição mais uniforme e ainda redução o tempo de aplicação em comparação ao redor da planta inteira.

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