Embrapa Rondônia
Sistemas de Produção, 5
ISSN 1807-1805 Versão Eletrônica
Dez./2005
Cultivo do Café Robusta em Rondônia
Autores

Inicio 

 

Apresentação
Clima

Solos
Adubação calagem

Cultivares
Mudas sementes
Plantio                

Condução   

Plantas daninhas 

Doenças

Pragas

Colheita pós-colheita

Comercialização

Referências

Anexo

Expediente

Colheita e pós-colheita

Colheita e preparo

A desuniformidade de maturação dos frutos é um dos principais dificuldades a serem superadas para realização de uma boa colheita do café.

Quantidades excessivas de frutos verdes causam prejuízos na classificação por tipo, no peso de grão, no rendimento de colheita, no desgaste da planta, na qualidade da bebida e no valor do produto. Recomenda-se iniciar a colheita, com no máximo 20% de frutos verdes.

A colheita do café pode ser realizada de forma manual, semi-mecanizada e mecanizada. A colheita manual pode ser do tipo seletiva, catando-se a dedo somente os frutos maduros ou do tipo concentrada, derriçando-se todos os frutos de cada ramo no chão, em panos ou em peneiras. Por outro lado, a colheita semi-mecanizada utiliza derriçadeiras portáteis ou tracionadas, desprovidas de recolhedores e a mecanizada é feita com máquinas colhedeiras completas automotrizes ou tracionadas por trator.

A derriça no pano é a forma de colheita mais indicada para região amazônica, dispensando a limpeza prévia do solo, usualmente feitas nas lavouras de café Arábica, A derriça no chão não é recomendável, pois tende a aumentar os custos e diminuir a qualidade, conforme tem se verificado no estado de Rondônia, em que existe maior predominância deste método de colheita (Veneziano, 1998).

Nas condições brasileiras, as operações de pós-colheita do café compreendem a separação das impurezas por vibração ou por imersão em água, separação dos frutos em diversas fases de maturação, eliminação da casca resultando em café cereja descascado, eliminação da mucilagem quimicamente dando o café despolpado ou mecanicamente dando o café desmucilado e ainda a secagem direta dos grãos que produz o café natural ou café de terreiro (Cortez, 2001).

Os processos de preparo do café podem ser agrupados em três sistemas:

  1. Preparo por Via seca, sem eliminação da casca resultando no café natural.
  2. Preparo por Via úmida, com eliminação da casca e da mucilagem resultando no café despolpado.
  3. Preparo por Via semi-úmida, com eliminação da casca resultando no café cereja descascado. 

a) Preparo por Via Seca:

É o processo mais utilizado pelos produtores. O café colhido, é secado com casca ao natural em terreiros ou secadores mecânicos. Dependendo das condições existentes, antes de ir para secagem, os frutos poderão ser separados das impurezas (pedras, paus, folhas) e também separados por estágio de maturação (verde/ cereja / seco) através de um lavador/separador. propiciando uma secagem mais uniforme e específica por fruto, com maior controle das fermentações. Esta é a maneira mais recomendável, em se tratando de preparo por via seca, pois controla inclusive as fermentações dos grãos que acontece na planta, por efeito das condições climáticas, durante a mudança do estádio maduro para seco, contribuindo para melhoria da qualidade do produto resultando numa melhor classificação.

b) Preparo por Via úmida:

Inicialmente o café da roça é encaminhado ao lavador/separador e em seguida o café cereja segue para o despolpador onde será descascado e despolpado. Por fim, o café despolpado é colocado em tanques de fermentação para eliminação da mucilagem, que é complementada por uma lavagem deixando o café totalmente desmucilado. O café obtido nesse tipo de preparo é melhor classificado quanto ao tipo e bebida. 

Em café Robusta, principalmente no Conilon, o preparo via úmida é muito usado para produção de sementes, porém exigindo maiores cuidados no despolpamento, devido existir muita desuniformidade quanto ao tamanho dos frutos. 

c) Preparo por Via Semi-úmida:

Inicialmente, o café da roça é separado num equipamento de lavagem e separação. O café bóia vai direto para o terreiro de secagem, enquanto o café verde e o café cereja misturados vão para o descascador. No descascador o café verde é separado mecanicamente sob pressão indo para o terreiro de secagem, enquanto o café cereja é descascado por processo mecânico. Finalmente, o café cereja descascado (CD) pode ser levado direto para o terreiro de secagem ou antes passar pelo degomador mecânico para retirada do excesso de mucilagem.

De imediato neste processo são observadas as vantagens já mencionadas no processo de preparo anterior, como redução do volume do produto devido a eliminação da polpa, havendo diminuição da necessidade de secagem em terreiro ou secador, diminuição da necessidade de tulha de armazenamento e redução do tempo de secagem e beneficiamento. Além disso, o CD apresenta características organolépticas superiores, sem o sabor verde, com aroma e doçura dos cafés brasileiros, pois na secagem seu pergaminho fica envolvido pela totalidade ou quase totalidade da mucilagem e assim em contato com açúcares, que lhe conferem o sabor doce do grão a exemplo do café natural.

Embora os dois últimos tipos de preparo apresentem vantagens em relação ao primeiro, verifica-se que não são muito utilizados na região amazônica, devido à necessidade de investimento em infra-estrutura, e maiores custos operacionais. Uma forma de potencializar o uso desse sistema é implantá-lo em associações e cooperativas de produtores.  

Secagem

SECAGEM EM TERREIROS

A secagem corresponde à fase complementar a todos os processos de preparo do café, sendo que método de secagem escolhido, com sua estrutura e manejo, tem efeito marcante nas determinações do índice de qualidade, nível de classificação e valor comercial do produto. 

Terreiro de chão batido – não é recomendável pois este tipo de terreiro além de ter menor rendimento de secagem, favorece a ocorrência de sujeiras e fermentações indesejáveis, originando um produto de má qualidade. 

Terreiro de piso revestido – Considera-se recomendável por proporcionar uma secagem mais eficiente, mais uniforme e com menos riscos de contaminação de impurezas e fermentações, garantindo um produto de melhor qualidade e com maior rendimento de secagem do que o terreiro de chão batido. 

Terreiro de tela suspensa – atualmente vem sendo muito recomendado, pois consiste de uma estrutura suspensa, que evita o contato do café com o solo, recebe maior aeração tanto por cima como por baixo, impede o ataque de micoorganismos e garante um produto com secagem uniforme e de melhor qualidade. Além desses benefícios este tipo de terreiro proporciona maior redução de mão-de-obra, diminuição do tempo de secagem, é de construção simples, rápida e barata. O uso de cobertura com plástico translúcido é aconselhável nas regiões onde a colheita coincidem com a época das chuvas. 

SECAGEM EM SECADORES 

Os secadores horizontais rotativos intermitentes ou pré secadores, são secadores mecânicos industriais mais conhecidos e utilizados nas propriedades rurais que produzem o café Conilon e o café despolpado. Os mesmos são constituídos de um cilindro metálico com paredes perfuradas, tendo no seu interior ao longo do seu centro, um tubo perfurado onde é injetado o ar quente vindo da fornalha, apresentando movimento rotativo através de um sistema de engrenagem. Estes secadores recebem o café com qualquer grau de umidade, mas nunca devem trabalhar totalmente cheios deixando sempre espaço para movimentação do produto. Eles fazem a primeira etapa de secagem do café com o mesmo atingindo a meia-seca para depois ser passado para outro secador vertical ou continuar secando no mesmo secador horizontal desde que os grãos estejam com umidade uniforme e a temperatura da massa do café não ultrapasse os 45° C. Caso o café já sofreu a meia-seca no terreiro, deve-se carregar normalmente o secador horizontal e proceder como se o produto já estivesse sido pré-secado no mesmo secador. 

Os secadores verticais com câmara de repouso são secadores mecânicos industriais que exigem o café que já tenha recebido uma pré-secagem ou meia-seca, seja ele em terreiros revestidos ou suspensos, secadores horizontais ou em secador-barcaça. Os mesmos são constituídos de um grande depósito metálico, tendo na parte superior a câmara de repouso dos grãos, como café fluindo para abaixo onde se encontra a câmara de secagem com seu interior tendo circulação de ar quente vindo da fornalha, em que depois o café desce e é levado por bica de fogo até a base do elevador que leva novamente para o alto até a câmara de repouso, e assim sucessivamente até completar a secagem. Considera-se importante que os secadores sejam carregados totalmente, para que não haja perda de calor, conseqüentemente aumentando tempo de secagem, com maior consumo de energia e mão-de-obra. Deve-se também ser controlada a temperatura do ar da fornalha, iniciando com 60° C, depois de cinco horas passar par 70° C e finalmente manter em 50° C até terminar a secagem. 

Os secadores-barcaças de leito fixo, são secadores manuais artesanais, podendo ser construídos com recursos local na propriedade, sendo portanto de baixo custo. Os mesmos são feitos de alvenaria, consistindo de uma estrutura retangular, tendo na parte superior a colocação de um aleito constituído por uma chapa metálica perfurada, e abaixo do fundo, a formação de um colchão de ar quente, sendo alimentado por uma fornalha e insuflado por um ventilador. Estes secadores podem receber café com qualquer grau de umidade, cuja camada não deva passar de 50cm de altura, com a temperatura não ultrapassando a 50°C e tendo revolvimento manual constante da massa de café. 

Independente de qualquer que seja o tipo de secador a ser utilizado, alguns procedimentos de maneira geral deverão ser observados, os quais contribuirão para sua melhor eficiência, tais como:

    • Considerar a formação de lotes homogêneos fazendo a secagem por separação de lotes;
    • Carregar os secadores estando os mesmos com a fornalha apagada;
    • Acender a fornalha somente depois que o secador estiver cheio e em movimento;
    • Manter a secagem lenta objetivando a melhor uniformidade do produto;
    • Controlar a temperatura da massa de café, para que não ultrapasse os 45°C, evitando defeitos;
    • Baixar a temperatura da massa de café e não ultrapassar os 30°C, para secagem do café com frutos verdes;
    • Fazer quando possível a utilização da fornalha de fogo indireto;
    • Consumir sempre lenha bem seca para não produzir fumaça e não conferir cheiro a massa de café;
    • Conferir o tempo de secagem em torno de 24 a 72 horas para café de terreiro e 20 horas para o café cereja descascado;
    • Terminar a secagem com teor de umidade dos grãos de 13 a 14%, em que após o resfriamento cai para 11 a 12%;
    • Evitar a secagem excessiva do café, pois pode diminuir o peso e facilitar a quebra durante o benefício.

SECAGEM MISTA

A secagem mista é considerado um sistema de secagem muito comum, através da utilização combinada do terreiro-secador, no sentido de proporcionar uma maior uniformidade de seca dos grãos e maior redução do tempo e secagem. Neste sistema, geralmente o café quer seja ele café da roça ou café despolpado, passa por uma primeira secagem chamada de pré-secagem, feita em terreiro de preferência revestido, para em seguida ser completado o processo de secagem em secador mecânico. 

Armazenamento

Conforme Bartholo et al. (1989), o armazenamento do café pode ser realizado na propriedade sendo o café em coco ou em armazéns-padrão quando o café está beneficiado.

Na propriedade o café em coco pode ser armazenado a granel em tulhas de madeira ou ainda ensacado em depósito de alvenaria, desde que esses locais sejam conservados secos, ensolarados e bem ventilados, visando o máximo a diminuição de umidade no ambiente, com observação ainda dos seguintes cuidados: 

 
  • Isolar o café do chão com a colocação de estrados de madeira para não pegar umidade;
  • Proteger o ambiente de gotejamento e penetração de chuvas;
  • Possuir repartições para separar diversos tipos de lotes de café;
  • Utilizar sacarias limpas de aninhagem para acondicionamento;
  • Armazenar o café evitando o teor de umidade superior a 12%;
  • Evitar o armazenamento do café junto com defensivos e fertilizantes;
  • Realizar vigilância e controle de possíveis ataques de insetos e roedores;
  • Manter o café em coco na tulha ou depósito até sua venda ou beneficiamento. 
 

Nos armazéns padrão o café beneficiado é armazenado numa estrutura que permite uma conservação ideal do produto, mantendo as condições do ambiente apropriadas, com uniformidade de ventilação, luminosidade, temperatura e umidade. Estes armazéns geralmente são administrados por entidades públicas ou privadas as quais mantêm uma execução rigorosa de normas, objetivando garantir com eficiência e segurança o sistema de armazenagem de produtos agrícolas.  

Todos os direitos reservados, conforme Lei n° 9.610