Embrapa Rondônia
Sistemas de Produção, 5
ISSN 1807-1805 Versão Eletrônica
Dez./2005
Cultivo do Café Robusta em Rondônia
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Apresentação
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Cultivares
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Plantio                

Condução   

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Referências

Anexo

Expediente

Doenças

Dentre as doenças que ocorrem na cultura do café na região amazônica podemos citar a ferrugem como a mais importante. Entretanto, as doenças na região têm se agravado e gerado significativas perdas de ordens quantitativa e qualitativa.

FERRUGEM DO CAFÉ

Das doenças que ocorrem no cafeeiro no Estado, a ferrugem é a mais importante, devido aos grandes prejuízos que causa à cultura. Esta doença ocorre em todas as regiões produtoras do café no Brasil, América Central e América do Norte (Schieber & Zentmyer, 1984). Em café arábica, a perda é cerca de 35 a 40% (Garçon et al., 2000), No entanto, em café robusta, esses dados são desconhecidos principalmente na Amazônia. Esta é uma doença foliar que, inicialmente, causa manchas cloróticas translúcidas com 1-3 mm de diâmetro, observadas na face inferior do limbo foliar. Em poucos dias as manchas crescem, atingindo 1-2 cm de diâmetro. Na face inferior, desenvolvem-se massas pulverulentas de coloração amarelo-laranja formadas por uredósporos do patógeno que, quando coalescem, podem cobrir grande extensão do limbo. 

O agente causal da doença é o fungo Hemileia vastatrix Berk & Br. Atualmente existem mais de 40 raças fisiológicas de ferrugem, que no Brasil são encontradas cerca de oito raças virulentas. Entre estas, a raça II predomina nos cafezais brasileiros. O fungo ataca as variedades de café, porém, dentro do gênero Coffea, são observadas diferentes reações à patogenicidade. A espécie Coffea canephora que, predomina na região Amazônica, apresenta cultivares com resistência, enquanto que a maioria das cultivares comerciais dentro da espécie C. arabica é suscetível à doença (Silva et al., 2000). 

Para que sejam adotadas medidas de controle da ferrugem do cafeeiro, é necessário observar os seguintes fatores: a) alto potencial do inóculo inicial, b) cargas pendentes dos frutos, c) densidade foliar das plantas e d) clima (Zambolim et al., 1997). O controle pode ser feito através do controle biológico com Verticilium hemileiae, Cladosporium hemileiae e Glomerela cingulata, que normalmente são encontradas parasitando pústula da ferrugem; do controle químico a base de cobre, os sistêmicos (grupo dos triazois) via foliar e via solo; do controle genético por meio de variedades resistentes como Guarani, Robusta e Apoatã. 

CERCOSPORIOSE

A cercoporiose, também conhecida como olho pardo, mancha circular, mancha parda ou olho de pombo, é uma doença bastante antiga nos cafezais brasileiros e das Américas, datado no Brasil de 1887 (Godoy et al., 1997). No Brasil, a doença está presente de forma endêmica em quase todas as lavouras cafeeiras, sendo que, nas regiões que apresentam condições favoráveis (seca, solos pobres), constitui-se em uma doença de importância econômica (Carvalho & Chalfoun, 2000; Chalfoun, 1998). 

O agente causal dessa doença é o fungo Cercospora coffeicola Berk & Cook. Os sintomas característicos que conferiram as denominações dessa doença são manchas circulares de coloração castanho claro a escura, com o centro branco-acinzentada, quase sempre envolvidas por um halo amarelo. (Godoy et al., 1997; Cavalho & Chalfoun, 2000). Nos últimos anos, têm sido observados sintomas diferentes nas folhas, caracterizados por manchas escuras sem halo amarelo (Cercospora sp. ou Cercosporidium) Juliatti et al. (2000) relataram que em algumas regiões tem-se denominado cercospora negra. 

Presente em todas as regiões cafeeiras do Brasil, a doença causa prejuízos tanto na fase de viveiro (mudas), como de campo (plantas novas e adultas) (Carvalho & Chalfoun, 2000). Segundo os mesmos autores os principais danos provocados pela doença são: a) viveiros – queda de folhas e raquitismo das mudas, b) pós-plantio – desfolha e atraso no crescimento das plantas, c) lavouras novas – após as primeiras produções, pode causar queda de folhas frutos e seca de ramos produtivos, d) lavouras adultas – queda de folha, amadurecimento precoce e queda prematura de frutos, chochamento. As lesões funcionam como porta de entrada para outros fungos que depreciam a qualidade do produto. As condições climáticas como umidade relativa alta, temperaturas amenas, excesso de insolação, déficit hídrico e quaisquer outras condições que levem a planta a um estado nutricional deficiente ou desequilibrado favorecem a doença (Juliatti et al, 2000; Carvalho & Chalfoun, 2000; Godoy et al., 1997). Algumas dessas condições são substratos pobres para a formação de mudas, textura de solo inadequada (argiloso ou muito arenoso), sistema radicular deficiente, compactação do solo, deficiência de nitrogênio, excesso de potássio ou desequilíbrio da relação N/K.  

De acordo com Godoy et al. (1997) e Carvalho & Chalfoun (2000), o controle da doença deve se iniciar com os cuidados na formação das mudas, evitando as condições favoráveis à doença através de práticas culturais, como a formação de viveiros em local bem drenado e arejado, utilização de substratos.balanceados em nutrientes, com boas propriedades físicas, controle da irrigação e do excesso de insolação nas mudas. 

O controle químico deve ser feito quinzenalmente, com aplicações preventivas com fungicidas cúpricos alternados com ditiocarbamatos, na concentração de 0,3% gastando em média 10 litros de calda fungicida para 20.000 mudas. Nos plantios novos, havendo períodos de seca, é recomendável efetuar pulverizações com uma mistura de fungicidas e nutrientes, empregando-se fungicida cúprico a 0,5% ou benomyl a 0,1% com uréia a 1%. Nos cafezais de segundo e terceiro ano, se a doença for grave, recomenda-se adotar programa de pulverizações preventivas, usando-se fungicida cúpricos que coincidem com a época do controle da ferrugem que vai de novembro a julho, na região amazônica (Garcia et al., 2000).

RHIZOCTONIOSE

O agente causal da rhizoctoniose é o fungo Rhizoctonia solani Künn, que habita o solo e sobrevive por longos períodos em resto de culturas. A doença pode causar perdas econômicas consideráveis em sementeiras, viveiros de mudas e plantas um ano após o plantio. 

Segundo Godoy et al., 1997; Carvalho & Chalfoun, 2000; Mendonça et al., 2000; o ataque quando em pré-emergência, causa a morte da plântula antes desta atingir a superfície do solo. No canteiro, observam-se falhas, em reboleiras, evidenciando o desenvolvimento anormal da germinação. Em pós-emergência, os sintomas aparecem na região do caule, próximo ao solo, onde são formadas lesões com 1 a 3 cm de extensão, que circundam o caule, promovendo a murcha e posterior morte da muda. No campo, após um ano de plantio ou mais, as plantas murcham, secam e podem tombar, devido ao roletamento do caule na região do colo. 

O aparecimento da doença é favorecido por solos infestados, pela reutilização de sementeiras, pelo excesso de umidade (chuva contínua, irrigação excessiva ou local mal drenado) e pelo excesso de sombra no viveiro (Mendonça et al., 2000). No campo, o ataque é severo durante o período chuvoso na região que vai de novembro a junho do ano seguinte.

Como medidas de controle, segundo, Carvalho & Chalfoun, 2000; Godoy et al., 1997; Mendonça et al., 2000; deve-se eliminar as condições favoráveis a doença, aplicar cal viva (700g/m 2 ) em área com alto grau de infestação, arrancar e queimar, cafeeiros atacado pela doença, fazer replantio, três meses após o preparo e tratamento das covas com produtos à base de PCNB, e controle químico com fungicidas cúpricos , ditiocarbamatos e Monceren 25% PM e Plantacol na dose de 3g.p.c/kg de semente e 750g.p.c./100L de água, respectivamente, são eficientes no controle do tombamento. 

ANTRACNOSE

Dentre as doenças que atacam o café, a antracnose constitui, em alguns países, um grave problema trazendo sérios prejuízos à cultura. Em algumas regiões ocorre uma enorme variação de intensidade dos danos por ela provocados (Dorizzotto, 1993). 

Esta doença afeta todas as espécies de cafeeiro, mas a suscetibilidade é maior em Coffea arabica e C. canephora. Dentro da arábica há uma grande diferença varietal quanto à suscetibilidade a esse patógeno (Pereira & Chaves, 1978). Os sintomas da antracnose, segundo Godoy et al., 1997; Chalfoun, 1998; manifestam-se em todas as partes da planta podendo ser atacadas por Coletotrichum coffeanum, que habitualmente coloniza tecido externo do cafeeiro. Os primeiros sintomas nas flores é usualmente uma mancha ou lista marrom escuro sobre o tecido branco da pétala. Em frutos verdes observam-se pequenas manchas necróticas, escuras, ligeiramente deprimidas em qualquer região do fruto. Sobre as folhas observa-se manchas necróticas cinzas, irregulares, grandes e comumente nos bordos. Após certo tempo anéis concêntricos se formam nos quais massas de esporos são visíveis. O ataque do fungo sobre as folhas novas da ponta dos ramos pode causar o chamado "Elon dieback", que inicia uma prematura, súbita e parcial abscisão das folhas sobre as partes novas e suculentas da planta. A lesão progride em direção ao tecido vascular, começando uma murcha repentina e colapso do ramo. Após 74 a 96 horas, ocorre a morte do ponteiro. A ação do patógeno é favorecida por chuva leve e orvalho abundante. Geralmente toma oito internódios sobre os quais o fungo forma acérvolus que em condições favoráveis liberam conídios em massa típica de coloração rósea pálida. Posteriormente as formas saprofíticas formam peritécios do estádio perfeito do fungo Glomerela cingulata (Chalfoun, 1998). 

MANCHA MANTEIGOSA OU BLISTER SPOT

De acordo com Chalfoun (1998), a doença é de pouca importância sobre Coffea arabica no Estado de São Paulo, porém, é importante em plantações de café Conilon (Coffea canephora), ocorrendo em menor escala em híbridos arábica x robusta, tipo Icatu e mais raramente em cafeeiros arábica. A doença, segundo Carvalho & Chalfoun (2000) é causada pelo fungo Colletotrichum coffeanum Noack. Segundo Garcia et al. (2000), na região Norte, é de importância, chegando a atacar de 10 a 15% das lavouras de Conilon. 

Os sintomas da doença podem se iniciar pelas folhas e ramos, porém ocorre, principalmente nas folhas, onde aparecem inicialmente manchas arredondadas de coloração verde-clara, com aspecto oleoso e bem distribuídas por todo o limbo foliar. Em estádio mais avançado, as manchas apresentam centro necróticos, juntam-se e, às vezes, necrosam grande parte das folhas, causando a queda prematura das folhas e secamento dos respectivos ramos. As lesões medem de 2 a 10 mm de diâmetro. O ataque é mais intenso nas folhas e ramos jovens durante o período chuvoso quando ocorre intença brotação, porém pode ocorrer o ano todo. Os cafeeiros atacados apresentam desfolhas e seca progressiva dos ramos, no sentido do ápice para base (Chalfoun, 1998; Carvalho & Chalfoun, 2000; Garcia et al., 2000). 

Segundo Garcia et al. (2000), o controle da doença pode ser feito segundo as mesmas recomendações para o controle da ferrugem e da antracnose.

QUEIMA DO FIO,

A doença é também denominada de mal de koleroga ou mal de hilachas. È causada pelo fungo Pellicularia koleroga (Koleroga noxia Donk, Corticium koleroga).

De acordo com Matiello (1991), Godoy et al. (1997), Garcia & Veneziano (1998), os micélios do fungo desenvolvem-se sobre folhas, ramos e frutos novos. O micélio externo, de coloração esbranquiçada, estende-se a partir dos ramos, caminhando sobre a folha atingindo quase todo limbo foliar, que fica necrosado. Na parte inferior da folha é visível uma película esbranquiçada. A folha lesionada desprende-se, seca e fica pendurada no ramo por um filamento branco, que é o micélio do fungo. 

O controle deve ser feito eliminando-se as partes ou plantas infectadas, queimando-as fora da área da lavoura. Aplicar fungicida a base de oxicloreto de cobre (cobre 50% de cobre metálico) na dosagem 1,5kg.i.a/ha (Garcia & Veneziano, 1998). 

SECA-DOS-PONTEIRO

A doença pode ser atribuída a ação conjunta de três causas distintas: a) distúrbios fisiológicos e nutricionais; b) ação de agentes patogênicos e c) ataque de pragas. É muito comum na Amazônia. 

Segundo Matiello, 1991; Veneziano, 1996; os prejuízos causados pela doença são: a) queda da safra pendente, b) perda na granação e no rendimento dos frutos, c) depreciação do tipo de café pela presença de grãos chochos e mal.granados, esverdeados e pretos, d) redução drástica da produção do ano seguinte. 

De acordo com Veneziano (1996), na região Amazônica foram constatados os seguintes fungos como agentes causais da seca-dos-ponteiros: Hemileia vastatrix, Colletotrichum coffeanum, Cercospora coffeicola e Pellicularia koleroga. Os sintomas aparecem inicialmente nos tecidos jovens dos brotos apicais, folhas novas e ponteiros nos ramos. Os brotos terminais e laterais ressecam os ramos, estendendo-se em anéis concêntricos pelos entrenós até atingir os tecidos lignificados do 3º e 4º nó de cada ramificação.

Segundo Garcia et al. (2000), são adotas as seguintes medidas de controle: a) evitar a instalação de lavouras em áreas sujeitas à incidência de ventos fortes, b) utilizar adubação equilibrada, c) executar os tratos culturais na época certa d) controlar quimicamente a ferrugem e a antracnose do cafeeiro.

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