Embrapa Rondônia
Sistemas de Produção, 5
ISSN 1807-1805 Versão Eletrônica
Dez./2005
Cultivo do Café Robusta em Rondônia
Autores

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Apresentação
Clima

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Adubação calagem

Cultivares
Mudas sementes
Plantio                

Condução   

Plantas daninhas 

Doenças

Pragas

Colheita pós-colheita

Comercialização

Referências

Anexo

Expediente

Pragas
 

A cultura do café está sujeita ao ataque de pragas, que de conformidade com as condições climáticas, sistema de cultivo ou desequilíbrio biológico, podem causar danos consideráveis, prejudicando o desenvolvimento e produção das plantas. Quanto às pragas destaca-se a broca-do-café (Hypothenemus hampei), principal praga do café na Amazônia, sendo responsável por grandes perdas na produtividade do café Conilon (Coffea canephora); o ácaro vermelho (Oligonychus ilicis), considerado segunda praga em importância para o cafeeiro Conilon na região; o bicho- mineiro (Perileucoptera coffeella), embora o café Conilon seja considerado tolerante a essa praga em Rondônia constatam-se algumas lavouras com alta infestação; e a lagarta dos cafezais (Eacles imperialis) que vem atacando pelo quinto ano consecutivo no município de Cacoal-RO.  

Broca-do-café

As infestações da broca podem ser influenciadas por diversos fatores, tais como: clima, colheita, sombreamento, espaçamento e altitude (Souza & Reis, 1997). Em Rondônia, no auge da colheita de café Conilon (maio/2000), foram verificadas altas infestações, que variaram de 33,59 a 40,87%, níveis altamente comprometedores para a produtividade e qualidade do café (Costa et al., 2000). A perfuração dos frutos geralmente é feita a partir da região da cicatriz floral ou coroa do fruto, em que a fêmea adulta fecundada, abre uma galeria, transformando-a numa câmara, onde fará sua postura.  

Com o surgimento das larvas, 4 a 10 dias após a postura, inicia-se o processo de destruição parcial ou total da semente pela ação da própria larva e/ou fungos que penetraram na galeria, causando apodrecimento da mesma. Após a fecundação das fêmeas nos frutos, estas os abandonam e vão atacar novos frutos e continuar os seus ciclos reprodutivos.

  Amostragem para avaliação da infestação

A forma mais adequada para acompanhar a infestação da broca e realizar o controle no momento oportuno, é fazer amostragem mensal na lavoura, de novembro até cerca de 70 dias antes da colheita. O cafeicultor deverá programar-se para fazer a última pulverização respeitando a carência do produto. O inseticida mais eficiente para esse fim é o Endosulfan (princípio ativo), cuja carência é de 70 dias, ou seja, o intervalo mínimo de dias permitido entre a aplicação do produto e a realização da colheita. Outra indicação para iniciar a amostragem é quando os frutos estiverem na fase de chumbo e chumbões, período em que as sementes já estão formadas e, portanto, na fase em que a broca perfura o fruto, podendo ovipositar.  

A amostragem deve ser feita percorrendo-se o talhão em zig-zag e tirando ao acaso 100 frutos de cada planta escolhida (25 em cada face). O número de plantas a ser amostrado depende do tamanho do talhão, conforme apresentado no Quadro 1. Em seguida, faz-se a separação dos frutos brocados e não brocados para a determinação da percentagem de infestação.

 

Quadro 1. Número de plantas amostradas em função do tamanho do talhão.

Número de plantas no Talhão

Nº de plantas amostradas

Até 1000

> 30

1000 a 3000

50

3000 a 5000

75

Acima de 5000

1,5% das plantas

Adaptado de Souza & Reis, 1997.

  Controle químico

O controle deve ser iniciado quando a infestação atingir o nível de controle (3% a 5%), pulverizando-se as partes mais atacadas da lavoura. Como o ataque não se distribui uniformemente, recomenda-se o controle apenas para os talhões em que a infestação da praga já tenha atingido 3 a 5%. Procedendo-se dessa forma evitam-se gastos desnecessários com mão-de-obra e inseticida, como também, tem-se uma diminuição dos problemas relacionados ao uso do produto. Mesmo após a aplicação do inseticida, o monitoramento deve continuar, e quando a infestação alcançar o nível de controle, pulverizar novamente, respeitando o período de carência do produto usado..Detectada a necessidade de controle da praga, recomenda-se o inseticida Endosulfan 350 g/l CE (Dissulfan CE, Endofan, Endosulfan Fersol 350 CE, Thiodan CE) na dosagem de 1,5 a 2,0 l/ha (Ministério da Agricultura..., 2001).

  Controle cultural

A redução do ataque da broca pode ser obtida fazendo-se uma colheita bem feita e um repasse na lavoura, se necessário, para evitar a sobrevivência dessa praga e que passe para os frutos novos da próxima safra. Devem-se destruir os cafezais velhos e abandonados, nos quais a broca encontra abrigo e se multiplica livremente, e também alertar o vizinho para que controle a praga, evitando focos para outras lavouras.

  Controle Biológico

A Embrapa Rondônia vem desenvolvendo pesquisa com a vespa-da-costa-do-marfim (Cephalonomia sp.), que é um importante inimigo natural da broca-do-café. Contudo, o estudo encontra-se em fase preliminar, para conhecer aspectos referentes à biologia da vespa e possibilidade de multiplicação em larga escala para testes em campo. Em cafezais de diversos municípios do Estado, tem-se observado a ocorrência do fungo Beauveria bassiana fazendo o controle da broca. É fácil perceber a presença do fungo, que fecha o furo feito pela broca em forma de um tufo branco. Nos cafezais onde ocorre o fungo, é comum encontrá-lo envolvendo broca morta no interior do fruto. Nessas lavouras recomenda-se não fazer aplicação de agroquímicos, a não ser que a infestação da broca ultrapasse 5% de frutos broqueados sem infecção de B. bassiana.

Ácaro vermelho

Períodos de seca, com estiagem prolongada, são condições propícias ao desenvolvimento do ácaro vermelho, podendo o ataque ocorrer em reboleiras e, em casos graves, expandir para toda a lavoura. Em áreas mais sombreadas ou arborizadas o ataque é bem menor. Áreas mais ensolaradas, com manchas de solo mais secas e próximas a estradas são mais atacadas, sendo que nas plantas jovens o ataque é mais sério (Reis et al., 1997, Matiello,1998).  

Freqüentemente observa-se aumento da infestação de ácaro vermelho associado a aplicação de piretróides sintéticos para combater o bicho mineiro (Perileucoptera coffeella), bem como ao uso de fungicidas cúpricos para combater a ferrugem-do-cafeeiro (Hemileia vastatrix, Berk et Br.). Esses agroquímicos desequilibram e promovem o.aumento da população do ácaro vermelho (Paulini et al., 1981 e Ferreira et al., 1981).  

Segundo Valentini et al. (1980), o ácaro possui resistência aos piretróides, e o uso desses produtos irrita as fêmeas, provoca a sua disseminação, estimula a oviposição e elimina inimigos naturais, como tripes, joaninhas, crisopídeos e percevejos.

   Controle biológico natural

Em condições naturais podem ser encontrados ácaros predadores pertencentes a família Phytoseiidae, e coleópteros do gênero Stethorus, que juntamente com outros predadores mantêm baixa a população de ácaro vermelho em condições normais de clima e manejo da lavoura (Reis & Souza, 1986).

   Controle químico

Recomenda-se, quando por condição de desequilíbrio ou forte estiagem e o ataque for grave, fazer aplicações de acaricidas específicos. Um método eficaz de controle, baseado no grau de infestação e no nível de danos, poderá ser realizado com o uso de agroquímicos seletivos. Tal controle evitará a ação sobre inimigos naturais e conseqüentemente desequilíbrio biológico e redução de perdas.

Lagarta-dos-cafezais

No município de Cacoal-RO, pelo quinto ano consecutivo, vêm ocorrendo ataques da lagarta dos cafezais (Eacles Imperialis). Em maio de 2001 verificou-se a existência de 64 propriedades com 618 hectares afetados pelo ataque da lagarta-dos-cafezais (E. Imperialis). Estas informações confirmam que desde a primeira ocorrência em 1997, atingindo 40 ha, a cada ano tem aumentado significativamente a área afetada. As lagartas são responsáveis pela destruição, principalmente da parte superior da planta. Os danos causados são relevantes devido ao número que pode ocorrer por planta, chegando a 150, e ao tamanho avantajado das lagartas que chegam a atingir 12 cm. As lagartas colocam seus ovos sobre as folhas, de onde eclodem as lagartas. Dentre as observações efetuadas em Rondônia, verificou-se que ocorre geração superposta em períodos intermediários com dois grandes surtos no ano: um que ocorre entre os meses de março a maio e outro de setembro a novembro (Trevisan, 2000 e Trevisan et al., 2001).

   Controle

O controle químico da praga deve ser feito mediante pulverizações com inseticidas seletivos, aplicados quando as lagartas ainda são pequenas, pois a medida que se tornam maiores o controle torna-se mais difícil. Os resultados com o produto microbiano Bacillus thuringiensis também são positivos quando aplicado no início do ataque. Os produtos registrados para o controle da praga são os seguintes: Bac-Control PM, Belmark 75 CE, Decis 25 CE, Dipel PM, Sumicidin 200 (Ministério da Agricultura..., 2001).

As lagartas que atacam o cafeeiro, são geralmente controladas biologicamente por inimigos naturais (parasitos e predadores), que são encontrados nos cafezais, à procura de seus hospedeiros. O uso indiscriminado de inseticidas, visando controlar outras pragas, elimina os inimigos naturais das lagartas, tendo como conseqüência, surtos destas e também de outras espécies de lagartas que normalmente não atacam o cafeeiro (Reis & Souza, 1986). Nas lavouras afetadas pela lagarta em Cacoal, RO, tem sido observado a ação de vários inimigos naturais, como percevejos, moscas, formigas, pássaros (anu preto e tesoura) e vespas.

Bicho-mineiro

Embora o café Conilon seja considerado tolerante ao bicho-mineiro (Perileucoptera coffeella), em Rondônia constatam-se algumas lavouras com alta infestação, fato que motiva preocupação em relação à importância que a praga possa assumir no futuro. Numa avaliação da incidência da praga num cafezal situado no município de Ouro Preto do Oeste, foi constatada a infestação de 77% das folhas localizadas no terço superior (Costa et al., 2001).  

As infestações manifestam-se quando a lagarta penetra na folha e aloja-se entre as duas epidermes, começando a alimentar-se e a formar minas, daí o nome bicho-mineiro. A ocorrência do bicho-mineiro está condicionada a diversos fatores. Entre eles destacam-se as condições climáticas, sendo que a precipitação pluvial e a umidade relativa do ar influenciam negativamente a população da praga, ao contrário da temperatura, que exerce influência positiva; a presença ou ausência de inimigos naturais como parasitos, predadores e patógenos; lavouras com espaçamentos maiores, que favorecem às infestações dessa praga.

  Amostragem para avaliação da infestação

Orienta-se o início do controle do bicho-mineiro, quando em amostragens de folhas realizadas quinzenalmente, for encontrado 30% ou mais de folhas minadas nos terços médio e superior. Em lavouras novas, de até três anos, em formação, o controle químico deve ser realizado sem a necessidade de determinação da porcentagem de infestação, ou seja, assim que as primeiras minas ou lesões forem constatadas nos cafeeiros.

  Controle biológico natural

Ocorre naturalmente pela ação de parasitóides (micro-himenópteros e vespas predadoras). Estes insetos procuram nas minas ou lesões das folhas do cafeeiro, lagartas do bicho-mineiro para parasitar ou predar. As vespas predadoras constroem os ninhos nos próprios cafeeiros ou em árvores e arbustos, e outros suportes próximos das lavouras de café. As vespas voam e procuram nas plantas as lesões, onde rasgam com a mandíbula a epiderme da folha, retiram as lagartas e as comem. Já foram identificados vários predadores, todos da ordem Hymenoptera e da família Vespidae, e parasitos pertencentes a várias famílias que, devido ao seu pequeníssimo tamanho, passam despercebidos pelos cafeicultores. A eficiência dos predadores é de cerca de 69%, enquanto que a dos parasitos é de 18% (Reis & Souza, 1986).

  Controle químico

O controle químico não deverá influir sobre o equilíbrio biológico desde que seu uso esteja condicionado ao nível em que os inimigos naturais não estão sendo eficientes e as condições para o aumento da praga estão favoráveis, proporcionando desta forma, uma redução na população do bicho-mineiro, restabelecendo o equilíbrio entre a praga e os inimigos naturais (Reis & Souza, 1994, 1996). É recomendável que o controle químico seja feito somente nos talhões ou parte dos talhões mais infestados, a fim de auxiliar na preservação dos inimigos naturais (Souza et al., 1998).

Diversos produtos ou mistura de produtos em pulverizações apresentam eficiência no controle do bicho-mineiro, tais como fosforados, carbamatos e diversos piretróides, (Reis & Souza, 1996).

 

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