A canola requer solos bem drenados, sem compactação, sem resíduos de determinados herbicidas, ser livre de doenças como a canela-preta (causada pelo fungo Leptosphaeria maculans/Phoma lingam) e a esclerotínia (Sclerotinia sclerotiorum) e não deve apresentar infestação de nabiça (Raphanus raphanistrum). O pH do solo deve ser preferencialmente superior a 5,5 e o nível de fretilidade deve ser médio ou superior.
O planejamento da inserção do cultivo de canola no sistema de produção e a escolha de área mais adequada de cada propriedade contribuem de maneira decisiva para o sucesso do cultivo de canola. A seguir, são detalhados critérios para a escolha de áreas destinadas à semeadura de canola, visando a aumentar o potencial de rendimento e o rendimento econômico.
| Distância de lavouras de canola infectada com canela preta na safra anterior |
A canela-preta, doença causada pelo fungo Leptosphaeria maculans, pode causar grandes prejuízos à canola. Sua ocorrência depende de inóculo que permanece em restos culturais. A resteva de canola, especialmente da última safra, libera ascosporos que, levados pelo vento a distâncias de até 8 km, infectam as lavouras, logo após a emergência, causando a morte de plantas.
A distância entre a lavoura e onde existia canola infectada por canela-preta na última safra é mais importante do que o número de anos desde o último cultivo de canola na área. Pesquisa realizada na Austrália (tabela 1) indica que é importante evitar a semeadura de canola em lavoura situada a menos de 1 km da área em que havia, na safra anterior, canola infectada com canela-preta.
| Tabela 1. Redução no rendimento de grãos e severidade da canela-preta em função da distância dos resíduos de canola da safra anterior(1). |
Distância da resteva de canola da safra anterior (m) |
Severidade da doença (% de plantas com mais de 80% de cancros internos) |
Redução no rendimento de grãos de canola (%) |
Menos que 100
|
27 |
19 |
100 – 200 |
16 |
18 |
700 |
13 |
4 |
1.000 |
8 |
6 |
| (1)Fonte: Blackleg; The stubble connection. Austrália, 2000. |
| Herbicidas aplicados nos cultivos de soja ou milho, antecedendo canola |
Preferencialmente deve-se semear canola em seqüência ao cultivo de soja resistente a glifosate, pois nesta condição é menor o risco de efeito prejudicial de herbicidas aplicados em culturas anteriores. O risco de fitotoxicidade às plantas de canola, é maior em anos com pouca chuva entre a época de aplicação dos herbicidas em soja e milho e a semeadura de canola, pois nessas condições a degradação dos herbicidas é mais lenta.
São limitadas as informações sobre o tempo necessário para a decomposição de herbicidas usados em culturas de verão, para que não ocorram danos à canola. Como base, usar os estudos realizados no estado do Paraná e nos EUA (tabela 2). Observação em lavouras do RS sugere que o efeito residual do herbicida Diclosulan pode ser maior que aquele causado pelos do herbicida Imazaquim.
| Tabela 2. Período máximo do efeito residual de herbicidas utilizados em soja e milho que podem causar prejuízos à cultura de canola, observado nos estados da Georgia (EUA) e Paraná. |
Herbicida |
Meses entre a aplicação e a
semeadura da canola(1) |
Ingrediente ativo |
Nome comercial |
Georgia (EUA) |
Paraná(2) |
Atrazina
|
Gesaprim, Primatop, etc |
12 |
-- |
| Cyanazina |
Bladex |
12 |
-- |
| Diclosulan |
Spider |
-- |
-- |
| Flumetsulan |
Scorpion |
-- |
15 |
| Fomesafen |
Flex |
-- |
6 |
| Imazaquin |
Scepter, Topgun |
18 |
15 |
| Imazethaphyr |
Pivot, Vezir |
-- |
15 |
| Metribuzin |
Lexone, Sencor , Duplex |
12 |
-- |
(1)Intervalo máximo após a aplicação de herbicida no qual foi observada fitotoxicidade em canola.
(2)Fonte: Dorival Vicente, 1993. OCEPAR Pesquisa. |
| Área livre de pragas de solo: |
Evitar a semeadura de canola em áreas infestadas com corós e outras pragas de solo.
As lavouras de canola ocupam um pequeno percentual da área disponível para produção de grãos do sul do Brasil. Utiliza-se apenas 40 plantas/m2 e a perda de plantas, pelo dano de insetos de solo, pode causar grande redução no rendimento da lavoura. Não existem resultados de pesquisa na região sobre o controle químico dessas pragas em canola. Portanto, sempre que possível, evitar o cultivo de canola em áreas com mais de 5 corós (Diloboderus abderus)/m2, grilo-marrom (Anurogryllus muticus) ou outras pragas de solo.
Dar preferência por áreas de solo fértil e aplicar fertilizantes de acordo com a análise de solo.
Em áreas sob plantio direto, coletar amostras compostas em duas profundidades: 0 a 10 cm e 10 a 20 cm. Sob preparo convencional de solo, coletar as amostras de 0 a 20 cm de profundidade. A análise de solo de 10 a 20 cm é importante para conhecer o pH do solo, que para a canola deve situar-se entre 5,5 e 6,0, já que este atributo é relevante para o desenvolvimento da canola.
A canola só deve retornar à mesma área após dois anos.
- Optar pela rotação de canola com culturas de outras famílias (o nabo forrageiro também é da família das crucíferas) para controle de doenças, como a canela-preta e a esclerotínia.
- Controlar plantas daninhas, especialmente a nabiça, e plantas voluntárias de canola nas safras em que a canola não é cultivada.
- Planejar a rotação lembrando que se deve esperar 20 dias entre a colheita de canola e a semeadura de soja ou de milho.
- Na seqüência, empregar culturas que aproveitem os benefícios da canola: grande disponibilidade de nitrogênio no solo e a tendência de reduzir a severidade de doenças causadas por fungos que sobrevivem em restos culturais de milho e de trigo cultivados, respectivamente, no verão e inverno a seguir.
- Durante o cultivo de canola é interessante reduzir a infestação com gramíneas, como azevém e aveias, pois há herbicidas de menor custo do que aqueles para controlar estas espécies em cultivos de trigo e outros cereais de inverno.
- Adotar, sempre que possível, a seguinte seqüência de culturas: soja - canola - milho - trigo, por apresentar diversas vantagens no controle de doenças, melhor eficiência de uso de nutrientes, especialmente o nitrogênio proveniente da rápida decomposição da biomassa de canola, e facilidade de semeadura, contribuindo para o aumento da lucratividade.
Para reduzir os riscos de insucesso, escolher áreas que possuem solo de elevada fertilidade, baixa ou nenhuma infestação de plantas daninhas de folhas largas, localizada a mais de 1.000 m de distância de lavoura onde havia canola infectada com a doença fúngica canela-preta, e apresente baixa ou nenhuma infestação de pragas de solo.