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Sistemas de Produção, 3
ISSN 1809-2985 Versão Eletrônica
Nov/2007
Cultivo de canola
Gilberto Omar Tomm

Sumário

Apresentação
Introdução
Escolha de área para canola
Sementes
Manejo da área antes da semeadura
Época de semeadura
Tecnologia de semeadura
Adubação
Insetos
Doenças
Manejo de colheita
Armazenamento e comercialização
Manejo da área após a colheita
Unidades de medida
Referências
Glossário


Expediente


Escolha de área para canola

A canola requer solos bem drenados, sem compactação, sem resíduos de determinados herbicidas, ser livre de doenças como a canela-preta (causada pelo fungo Leptosphaeria maculans/Phoma lingam) e a esclerotínia (Sclerotinia sclerotiorum) e não deve apresentar infestação de nabiça (Raphanus raphanistrum). O pH do solo deve ser preferencialmente superior a 5,5 e o nível de fretilidade deve ser médio ou superior.

O planejamento da inserção do cultivo de canola no sistema de produção e a escolha de área mais adequada de cada propriedade contribuem de maneira decisiva para o sucesso do cultivo de canola. A seguir, são detalhados critérios para a escolha de áreas destinadas à semeadura de canola, visando a aumentar o potencial de rendimento e o rendimento econômico.

Distância de lavouras de canola infectada com canela preta na safra anterior Herbicidas aplicados nos cultivos de soja ou milho, antecedendo canola
Área livre de pragas de solo Fertilidade de solo
Rotação de culturas  

Distância de lavouras de canola infectada com canela preta na safra anterior topo

A canela-preta, doença causada pelo fungo Leptosphaeria maculans, pode causar grandes prejuízos à canola. Sua ocorrência depende de inóculo que permanece em restos culturais. A resteva de canola, especialmente da última safra, libera ascosporos que, levados pelo vento a distâncias de até 8 km, infectam as lavouras, logo após a emergência, causando a morte de plantas.

A distância entre a lavoura e onde existia canola infectada por canela-preta na última safra é mais importante do que o número de anos desde o último cultivo de canola na área. Pesquisa realizada na Austrália (tabela 1) indica que é importante evitar a semeadura de canola em lavoura situada a menos de 1 km da área em que havia, na safra anterior, canola infectada com canela-preta.

Tabela 1. Redução no rendimento de grãos e severidade da canela-preta em função da distância dos resíduos de canola da safra anterior(1).
Distância da resteva de canola da safra anterior (m)
Severidade da doença (% de plantas com mais de 80% de cancros internos)
Redução no rendimento de grãos de canola (%)
Menos que 100
27
19
100 – 200
16
18
700
13
4
1.000
8
6
(1)Fonte: Blackleg; The stubble connection. Austrália, 2000.

Herbicidas aplicados nos cultivos de soja ou milho, antecedendo canola topo

Preferencialmente deve-se semear canola em seqüência ao cultivo de soja resistente a glifosate, pois nesta condição é menor o risco de efeito prejudicial de herbicidas aplicados em culturas anteriores. O risco de fitotoxicidade às plantas de canola, é maior em anos com pouca chuva entre a época de aplicação dos herbicidas em soja e milho e a semeadura de canola, pois nessas condições a degradação dos herbicidas é mais lenta.

São limitadas as informações sobre o tempo necessário para a decomposição de herbicidas usados em culturas de verão, para que não ocorram danos à canola. Como base, usar os estudos realizados no estado do Paraná e nos EUA (tabela 2). Observação em lavouras do RS sugere que o efeito residual do herbicida Diclosulan pode ser maior que aquele causado pelos do herbicida Imazaquim.

Tabela 2. Período máximo do efeito residual de herbicidas utilizados em soja e milho que podem causar prejuízos à cultura de canola, observado nos estados da Georgia (EUA) e Paraná.
Herbicida
Meses entre a aplicação e a
semeadura da canola(1)
Ingrediente ativo
Nome comercial
Georgia (EUA)
Paraná(2)
Atrazina
Gesaprim, Primatop, etc
12
--
Cyanazina Bladex
12
--
Diclosulan Spider
--
--
Flumetsulan Scorpion
--
15
Fomesafen Flex
--
6
Imazaquin Scepter, Topgun
18
15
Imazethaphyr Pivot, Vezir
--
15
Metribuzin Lexone, Sencor , Duplex
12
--
(1)Intervalo máximo após a aplicação de herbicida no qual foi observada fitotoxicidade em canola.
(2)Fonte: Dorival Vicente, 1993. OCEPAR Pesquisa.

Área livre de pragas de solo: topo

Evitar a semeadura de canola em áreas infestadas com corós e outras pragas de solo.

As lavouras de canola ocupam um pequeno percentual da área disponível para produção de grãos do sul do Brasil. Utiliza-se apenas 40 plantas/m2 e a perda de plantas, pelo dano de insetos de solo, pode causar grande redução no rendimento da lavoura. Não existem resultados de pesquisa na região sobre o controle químico dessas pragas em canola. Portanto, sempre que possível, evitar o cultivo de canola em áreas com mais de 5 corós (Diloboderus abderus)/m2, grilo-marrom (Anurogryllus muticus) ou outras pragas de solo.

Fertilidade de solo topo

Dar preferência por áreas de solo fértil e aplicar fertilizantes de acordo com a análise de solo.

Em áreas sob plantio direto, coletar amostras compostas em duas profundidades: 0 a 10 cm e 10 a 20 cm. Sob preparo convencional de solo, coletar as amostras de 0 a 20 cm de profundidade. A análise de solo de 10 a 20 cm é importante para conhecer o pH do solo, que para a canola deve situar-se entre 5,5 e 6,0, já que este atributo é relevante para o desenvolvimento da canola.

Rotação de culturas topo

A canola só deve retornar à mesma área após dois anos.

  • Optar pela rotação de canola com culturas de outras famílias (o nabo forrageiro também é da família das crucíferas) para controle de doenças, como a canela-preta e a esclerotínia.
  • Controlar plantas daninhas, especialmente a nabiça, e plantas voluntárias de canola nas safras em que a canola não é cultivada.
  • Planejar a rotação lembrando que se deve esperar 20 dias entre a colheita de canola e a semeadura de soja ou de milho.
  • Na seqüência, empregar culturas que aproveitem os benefícios da canola: grande disponibilidade de nitrogênio no solo e a tendência de reduzir a severidade de doenças causadas por fungos que sobrevivem em restos culturais de milho e de trigo cultivados, respectivamente, no verão e inverno a seguir.
  • Durante o cultivo de canola é interessante reduzir a infestação com gramíneas, como azevém e aveias, pois há herbicidas de menor custo do que aqueles para controlar estas espécies em cultivos de trigo e outros cereais de inverno.
  • Adotar, sempre que possível, a seguinte seqüência de culturas: soja - canola - milho - trigo, por apresentar diversas vantagens no controle de doenças, melhor eficiência de uso de nutrientes, especialmente o nitrogênio proveniente da rápida decomposição da biomassa de canola, e facilidade de semeadura, contribuindo para o aumento da lucratividade.

Para reduzir os riscos de insucesso, escolher áreas que possuem solo de elevada fertilidade, baixa ou nenhuma infestação de plantas daninhas de folhas largas, localizada a mais de 1.000 m de distância de lavoura onde havia canola infectada com a doença fúngica canela-preta, e apresente baixa ou nenhuma infestação de pragas de solo.

 
 
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