Embrapa Embrapa Trigo
Sistemas de Produção, 3
ISSN 1809-2985 Versão Eletrônica
Nov/2007
Cultivo de Canola
Gilberto Omar Tomm

Sumário

Apresentação
Introdução
Escolha de área para canola
Sementes
Manejo da área antes da semeadura
Época de semeadura
Tecnologia de semeadura
Adubação
Insetos
Doenças
Manejo de colheita
Armazenamento e comercialização
Manejo da área após a colheita
Unidades de medida
Referências
Glossário


Expediente


Doenças
Canela-preta Podridão branca da haste
Podridão negra das crucíferas Mancha de alternária
Canela-preta topo

Essa doença (Fig. 1 e 2), denominada Black leg em inglês, é causada pelo fungo Leptosphaeria maculans, o qual tem Phoma lingam (Tode) ex. Shaw. Desm. como sua forma conidial. Constitui uma das doenças mais importantes da canola mundialmente. Causou danos importantes em determinadas lavouras no Rio Grande do Sul, pela primeira vez na safra 2000, 26 anos após o inicio das pesquisas e cultivo de canola no Brasil. A severidade da doença foi elevada em determinadas épocas de semeadura e em determinados municípios do Noroeste do RS. Os danos foram severos em lavouras com plantas debilitadas por geadas ocorridas logo após a emergência das plantas ou, onde ocorreram danos devidos a resíduos de herbicidas. A solução mais econômica é a identificação de cultivares ou híbridos resistentes, desenvolvidos na Austrália, onde é endêmico o mesmo grupo de patogenicidade da canela-preta existente no Sul do Brasil e no Paraguai. Para aumentar a segurança dos cultivos, o autor, em 2001, sugeriu estratégias de manejo para redução de riscos, baseadas em informações coletadas no Canadá e Austrália e validadas em levantamentos de lavoura no Rio Grande do Sul. Uma das principais medidas é a implantação de lavoura de canola a mais de 1000 m de distância de lavouras que apresentavam infecção de canela-preta na safra anterior, para reduzir o risco que infecção por ascósporos trazidos pelo vento (Tabela 1). Para utilização integrada ao manejo, em 2002, foram identificadas cultivares resistentes ao grupo de patogenicidade de canela preta que ocorre no RS (ver o ítem “Sementes” desta publicação).

Tabela 1. Variação na redução de rendimento de grãos de canola em função da distância de lavouras com infecção de canela-preta na safra do ano anterior.
Distância da resteva de canola
da safra anterior (m)
Decréscimo no rendimento grãos de canola (%)
Menos que 100
100 – 200
19
18
700
4
1.000
6
Fonte: Blackleg: the stubble connection. Austrália, 2000.

Fotos: Gilberto Omar Tomm
figura1 figura
Fig. 1. Sintomas típicos de canela-preta na base de caules de plantas de canola, geralmente mais visíveis a partir da floração, causados pelo crescimento do micélio desenvolvido a partir de lesões, como àquela na folha cotiledonar situada no lado direito da figura anterior.

Foto: Gilberto Omar Tomm
figura
Fig. 2. Sintomas de Phoma lingam (forma assexuada) a qual produz picnidiosporos sobre tecidos vivos e mortos, infecta apenas plantas adultas, por respingo de gotas de água sobre outras partes da planta ou plantas vizinhas até raio de até 1,35 m, e possui pouco efeito sobre o rendimento de grãos.

• Os sintomas e o nível de infecção das lavouras se tornam mais visíveis na floração. As lesões nos caules apresentam coloração que varia de cinza-fosco a branco e uma borda escura (Fig. 1). Estruturas pretas, duras, do tamanho de uma ponta de lápis, podem aparecer na base dos caules infectados. Com infecções acentuadas, as síliquas podem amadurecer e abrir antecipadamente, causando perdas de grãos.

• Realizar controle preventivo empregando sementes: a) de genótipos resistentes, b) produzidas em áreas adversas para a ocorrência de canela-preta e que, c) que foram submetidas à análise da patologia de sementes. As sementes importadas seguem todos estes cuidados e ainda tem sido tratadas com fungicida antes de serem enviadas para o Brasil.

• Empregando variedades suscetíveis pode ocorrer infecção de plântulas através de esporos liberados por palha infectada em área distantes até 8 km.

• Nesses casos, a aplicação de fungicida na parte aérea da canola, quando as plantas tem 2-4 folhas, é prática freqüente na Europa para controle de canela-preta. Vários produtos são recomendados no Canadá e na França. Entretanto, precisam ser avaliados nas condições locais para determinar a sua eficiência e economicidade.

A publicação "Doenças de canola no Paraná" (Cardoso et al.,1996) apresenta informações e ilustrações que auxiliam na identificação de doenças e sugerem medidas de controle. Esses pesquisadores realizaram um levantamento, o qual embasou a citada publicação, e identificaram as principais doenças em lavouras de canola, como segue.

Podridão branca da haste topo

Doença causada pelo fungo Sclerotinia sclerotiorum, o qual infecta mais de cem espécies de plantas daninhas e culturas de folhas largas, como a soja e o feijão. Pode sobreviver em restos dessas culturas. Produz escleródios na cavidade de caules (Fig. 3) que podem permanecer no solo até 10 anos. Nas sementes infectados, o fungo permanece vivo por 7 anos, em média.

• Controlar através de rotação com culturas não suscetíveis, como as gramíneas, por no mínimo quatro anos.

• Usar somente semente de boa procedência para evitar a introdução dessa doença que também afeta as culturas de soja, girassol e feijão.

• Evitar a sucessão canola/soja ou canola/feijão em áreas onde se observou a doença.

• Controlar plantas daninhas suscetíveis e plantas voluntárias de canola ("tigueras").

Foto: Gilberto Omar Tomm
figura
Fig. 3. Caule de planta de canola com tecidos mortos pela infecção de Sclerotinia sclerotiorum, presença de escleródio (estrutura preta, redonda no interior do caule morto) e micélio branco fofo, típico do fungo, sobre os caules.

Podridão negra das crucíferas topo

Foto: Gilberto Omar Tomm
figura
Fig. 4. Sintomas da bacteriose concentrado na periferia da folha, pois a bactéria penetra nestes tecidos através dos hidatódios de superfícies com água livre, a qual geralmente se acumula nas bordas das folhas.

Doença causada pela bactéria Xanthomonas campestris pv. Campestris, a qual infecta a planta através de gotículas de água exudadas pela própria planta. É comum que sintomas de bacterioses em folhas de canola estejam localizados nas bordas das mesmas (Fig. 4). A infecção pode ser favorecida pelo efeito de geadas pois, essa bactéria é nucleadora de gelo, e o rompimento dos tecidos, pelo efeito de geada, favorece a penetração de bactérias.

• Empregar somente sementes com sanidade comprovada, pois a doença é transmitida pelas sementes.

• Fazer rotação com culturas não crucíferas;

• Incorporar os restos culturais após a colheita, se não for área sob o sistema plantio direto.

Mancha de alternária topo

Causada pelo fungo Alternaria brassicae, A. raphani e A. alternata, o qual é transmitido por sementes infectadas. A infecção pode iniciar pelas folhas das plântulas. Os esporos produzidos nestes tecido são disseminados pelo vento e a doença se alastra com o molhamento proveniente de clima úmido na primavera. Inicialmente os sintomas aparecem como manchas arredondadas em formato de alvo nas folhas, mas podem se disseminar para caules e síliquas. As síliquas podem ficar tomadas de manchas causando chochamento de grãos. Alternaria acelera a secagem das síliquas infectadas, causa deiscência e conseqüentemente, a queda de grãos antes da colheita (Canola Council of Canada, 2000). Assim, na colheita já se observam plântulas de canola emergidas.

• Usar sementes com sanidade garantida para evitar falhas no estande, durante e após a emergência.

• Fazer rotação com culturas não crucíferas por no mínimo, 3 anos;

• Controlar plantas daninhas e voluntárias de canola nesse período.

 
 
Todos os direitos reservados, conforme Lei n° 9.610.